quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Miami


Pensei muito em postar ou não esse relato sobre minha ida a Miami. Primeiro por ter sido muito rápida e, segundo, por ter sido a trabalho. Pelo pouquíssimo tempo que tive para perambular pela cidade seria pretensioso querer dar qualquer tipo de dica. De todo modo, acho que vale compartilhar algumas impressões e falar um pouco sobre o que encontrei por lá, ainda mais em uma cidade que é destino para muita gente que vai ao encontro de congressos e viagens de negócio. Enfim, vamos lá!
Chegar aos Estados Unidos pra mim é uma sensação quase sinestésica. Não por ser o meu destino favorito – o mundo é meu destino favorito! -, mas pela inequívoca certeza que seu corpo tem de estar pisando em solo americano. Explico: ao desembarcar do avião você subitamente é submetido ao frio-de-ar-condicionado. Logo na saída do finger, normalmente, você começa a transitar sobre um carpete, geralmente azul ou vermelho. Algum tempo de caminhada depois (depende do aeroporto) vem a temida imigration line e seus oficiais não muito simpáticos. Agora, acima de tudo isso e é o que mais me chama a atenção, é o “cheiro de EUA”. Já comentei isso com alguns amigos que confirmaram sentir a mesma coisa. Não sei se pelo mesmo produto de limpeza usado no sistema de ventilação de todos os aeroportos ou outra questão técnica qualquer, só sei que esse aroma é algo que sempre vem a minha cabeça quando desembarco por lá e é inconfundível.
Passei quatro noites e três dias em Miami, dos quais tive uma manhã, uma tarde e uma noite livres para circular. O problema é que esses períodos não aconteceram no mesmo dia. Fui participar de um simpósio que aconteceu em um dos grandes resorts de Miami Beach, o Fontanebleau Hotel. O saguão do hotel é bastante imponente, com seu pé direito alto e sua decoração art decó bem ao estilo Miami Beach.
Como a diária que recebi não era tudo isso, acabei optando por ficar em um hotel próximo ao Fontainebleau, o Best Western da Collins Ave. Apesar de não desfrutar do luxo do resort 5 estrelas, fiquei bem feliz com o atendimento e com as acomodações deste hotel de rede, com a vantagem do preço bem mais em conta. A pesquisa que fiz mostrou que para essa época do ano se consegue um hotel razoável em Miami Beach por até Us$ 75,00/dia. Já indiquei sites de hotéis aqui, mas vale sempre lembrar do tripadvisor, kayak e do hotels. Dou sempre muito valor aos comentários dos hóspedes.
Cheguei em uma segunda-feira à noite e meu seminário começaria as seis da tarde do dia seguinte. Pensando no pouco tempo e na dificuldade de locomoção para lugares que queria visitar (leia-se satisfazer listinhas de encomendas, o que vale um post à parte sobre o tema) resolvi alugar um carro por um dia.
É impressionante como é barato o aluguel de carros nos EUA, vale demais. Optei por uma promoção da Dollar e fiz a reserva aqui do Brasil mesmo. Um Ford Focus, com GPS, por um dia, estava anunciado por Us$21, pechincha não? Mais barato que o táxi que me levaria do aeroporto ao hotel. Pois é, o que encarece essa brincadeira é o tal do seguro e as taxas locais. Colocando na ponta do lápis deu mais ou menos uns Us$ 70,00, preço que a maioria das grandes locadoras cobram pelo pacote todo. De qualquer maneira, pelo tanto que rodei, valeu a pena. Mas fica o aviso: chequem o preço total (seguro, taxas, gasolina, etc) e não só do aluguel do carro!
Na manhã do primeiro período livre peguei o carro e fui visitar um outlet mall (aqui também vale outro post sobre outlets nos EUA) bastante conhecido dos brasileiros, o Dolphin Mall. Complexo de lojas da linha outlet, bem grande e com boas opções de comida. Vejam as lojas do lugar aqui. Pelo tempo curto acredito que não tenha valido muito a pena, o lugar é longe de Miami Beach (apesar dos hotéis terem serviço de transporte para shoppings – agendar no dia anterior) e enfrentei belo trânsito pra chegar lá. Aliás, não fosse o santo GPS seria praticamente impossível cumprir todas as tarefas nesse dia.
Pulei o almoço (na verdade um sorvetão de doce de leite da Haagen -Dazs) e fui direto atrás de outras encomendas perto do hotel de volta em Miami Beach. Aí sim pude ver algo diferente e que realmente é interessante tanto para compras como para um passeio despretensioso: a Lincoln Road Mall. Trata-se de uma rua fechada em South Beach onde se pode encontrar todo tipo de loja, desde as mais tradicionais GAP e Banana Republic até pequenas lojas de designers e estilistas passando por cozinha, cinema, bares e restaurantes. Sem contar que o passeio é bem agradável, com especial charme identifiquei a livraria Books & Books escondida atrás de seu próprio café (tia Fá disse que os cupcakes são incríveis!!!), muito legal mesmo!
Depois dessas aventuras, só tive mais uma noite livre e junto a outros amigos que estavam no simpósio seguimos para o Bayside Marketplace, local bacaninha na baia de Downtown Miami. Ali se encontram algumas lojas (poucas que valham a pena, eu diria) e alguns restaurantes de frente pro mar. Jantamos no Bubba Gump, restaurante temático do filme Forrest Gump especializado em comida americana com um forte para os camarões, por que será?
É claro que nos outros dias tive que jantar, e, já sem carro, procurei por opções nas redondezas do hotel. A distância de South Beach (maior concentração de restaurantes) foi amenizada por um eficiente ônibus que descia até a 5th street e me devolvia na porta do hotel, na 41th street. Aí a dica pra ter bastante opção é descer a Ocean Drive, a famosa beira-mar do sul da península. Muitos restaurantes, muita badalação, muito turista. Apesar do ambiente poluído de som alto, gente andando pra cima e pra baixo e garçons querendo apresentar cardápios já na calçada, achei um restaurante incrível: A Fish Called Avalon. Restaurante do hotel Avalon, tem um cardápio bem variado e por Us$ 35,00 se come como rei.
Outro programa bacana que fiz foi almoçar no Ásia de Cuba, restaurante fusion que se propõe a misturar comida latina e asiática e conta filiais em NY e LA (com uma aparentemente fake em Buenos Aires). A comida é excelente! Fui em uma promoção do Miami Spice, festival gastronômico local que segue a mesma filosofia do nosso restaurant week – ou será o contrário? Além da excepcional comida e serviço, o restaurante tem uma decoração fantástica que flerta com o surreal. Faz parte do luxuoso Hotel Mondrian, com tudo em branco, preto e dourado. Vale conhecer!
Por fim, com a inesperada finalização dos trabalhos do seminário um pouco mais cedo, tomei um ônibus e fui parar no Aventura Mall, o shopping de luxo de Miami que concentra lojas de todas as grifes e marcas em um grande complexo que, confesso, não pude ver tudo. Porém, do que vi, gostei. Questionei até se não teria sido melhor aproveitar as promoções das lojas de rede a perder um tempão no outlet mall do outro lado da cidade. Enfim, finalizei esse dia com um maravilhoso jantar no The Cheese Cake Factory. Passei só pra comer uma fatia de cheese cake – um de meus doces favoritos - e acabei surpreendido com um delicioso gumbo – aí que saudades de Nova Orleans...
Apesar do tempo curtíssimo, deu pra perceber que Miami não é uma cidade pra se deixar de lado na hora de pensar as próximas férias. O destino tem muitas facilidades de vôo do Brasil, a língua não é um problema - mesmo para os que não falam inglês, e andar pela cidade, ainda que só nessa parte mais nobre de Miami Beach, vale a pena.
As praias são bem legais também, apesar de - como bom brasileiro - achar difícil encontrar algo comparável ao nosso litoral. Hordas de cubanos, porto riquenhos, brasileiros, haitianos e velhinhos judeus de NY fazem de Miami um caldeirão muito interessante que vive do glamour de um passado recente e a dificuldade de ser a porta de entrada para todos esses imigrantes latinos.
Enfim, para uma viagem de trabalho e o pouco tempo que tive, Miami deixou o gostinho de quero mais.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Buenos Aires IX


Oitavo dia - sábado


O dia começou com um erro de percurso típico de turistas desavisados: esquecemos de trocar dinheiro suficiente durante a semana no banco e tivemos de recorrer para uma casa de câmbio. O pessoal do hotel nos indicou a Metropolis, que fica na Calle Florida e, claro, a diferença da cotação lá era de 15 centavos a menos para cada dólar trocado – mais uma vez confirmando que sempre vale mais a pena confiar no Banco de La Nación.


Felizmente, o tempo teve uma súbita mudança de humor: o céu estava azul com algumas nuvens e o sol, ainda que tímido, já despontava. Nos animamos para uma visita guiada a Casa Rosada, que acontece nos finais de semana a cada 10 minutos e tem duração de mais ou menos 30 minutos. Valeu muito a pena! Quem conduz a visita são os próprios guardas oficiais do local – todos perfeitamente paramentados – que, apesar de não explicarem muito da história, são extremamente simpáticos e brincalhões. O interior do prédio é realmente muito bonito e há várias exposições por conta do Bicentenário de la Nación.



Casa Rosada

Pátio interno

Sala de Cristina

A parte de “intriga entre as nações” da visita foi ver que muitos países deram como presentes ao bicentenário da independência argentina quadros de grandes libertadores nacionais: O Brasil deu um horroroso do Tiradentes, o Chile deu um do Allende, Cuba uma foto do Che, e assim vai. Embaixo de cada quadro há uma frase dessa pessoa, também enviada provavelmente pelo país doador. O caso é que o Paraguai presenteou los hermanos com uma pintura de Solano Lopez com uma frase do tipo “muero com mi pátria”!!! Incrível a revanche meio recalcada dos paraguaios!
A vingança paraguaia.


Não convencidos com a primeira impressão que tivemos de Puerto Madero, aproveitamos a proximidade para descer pra lá novamente e, aí sim, tivemos a verdadeira sensação de um lugar absolutamente maravilhoso. O solzinho do inverno fazendo contraste entre os guindastes amarelos e o azul do céu renderam inúmeras belas fotos, com um toque especial dos chicos y chicas porteños andando de patins, bicicleta ou simplesmente correndo na beira do rio.


Chegando a Puerto Madero


Por ali, também visitamos uma Corveta que virou museu. Esse antigo barco-escola deu a volta ao mundo e por apenas 2 pesos se pode entrar e fuçar todas as salas, canhões, botes que se tem vontade. As crianças fazem a festa – e as nem tão mais crianças assim também!


vista da Corveta

Desde a outra vez que fomos para lá, vimos um café-loja-restaurante-design-conceito-espaço-modernete chamado i – olha só que charme, uma letrinha como nome e diz tudo! – que nos chamou a atenção. Mas este jovem casal aqui que vos escreve tem um faro extremamente apurado para coisas caras e, claro, sentimos de longe os preços. Demos o nosso jeitinho: dividimos uma quiche, refrigerante e alfajor por 38,00 pesos.


Estávamos devendo uma visita ao MALBA – Museu de Arte Latino Americana de Buenos Aires. Pagamos 20,00 pesos por pessoa para entrar e o edifício, além de ser muito bonito, está harmonicamente integrado com a paisagem lá fora. O pequeno museu possui obras contemporâneas dos principais artistas da América Latina (muitos brasileiros: Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Ligia Clarck, etc). Apesar de pequeno uma composição muito interessante. Bastante divertido é um banco de madeira que estende seus “braços” como ramificações por todos os andares do MALBA. No dia em que fomos, estava acontecendo o Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires – FILBA, que infelizmente não pudemos participar, mas pela quantidade de pessoas, mais uma vez impressionou a relação profunda deste país com os livros e com a leitura.



MALBA
Ao final do dia, emendamos uma volta por Palermo Soho, que ainda não havíamos visitado com sol. Andamos por toda a Calle Honduras que tem inúmeras lojinhas conceito bem interessantes onde em alguma delas é até possível descolar umas rebajas. Depois de tanto bater perna, nos presenteamos com um maravilhoso jantar em uma cocina de autor, indicada mais uma vez pela querida amiga já mitad porteña, meio brasileira Marion. E este, vale todos os detalhes, preparem-se...


Demuro é o nome do restaurante que fica numa esquina da Calle Honduras (5296), quase que escondidinho no meio da agitação de Palermo. Faz o estilo low profile, com umas dez mesas (no máximo), cinco pessoas comandando a cozinha e um time de dois garçons de primeiríssima. Chegamos cedo, era por volta de 20h30 e afortunadamente conseguimos um lugar privilegiado sem ter feito reserva – depois percebemos que isto seria impossível lá pelas 21h. Fomos recebidos com uma cestinha de pães quentes por uma pedra – mais uma vez ela lá, fazendo o papel de forno portátil – patês e uma simpática entrada de cortesia da casa: uma fina bruschetta de confit de tomates, ervas, brotos e queijo brie. Depois, seguimos com a entrada que havíamos pedido: um croquete de arroz recheado de queijo com brie derretido, pesto e panceta puxada no aceto balsâmico (só de lembrar já estou salivando...). Uma garrafa de vinho já bem trabalhada e nos vimos terminando os pratos principais: ossobuco com carboidratos grelhados - batata, batata doce e purê de abóbora - (Ivan) e penne com vegetais puxados no molho de carne de cordeiro (Gabi).


Precisa dizer mais alguma coisa?! Ah, no meio desta orgia gastronômica a luz da rua – e conseqüentemente do restaurante – acabou, e a equipe teve um excelente jogo de cintura para segurar a onda com muita simpatia e velas. Recomendadíssimo!!!
Mais uma vez com a barriguinha bem tratada e uma garrafa de vinho entornada, fomos dormir felizes e contentes.




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