segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Buenos Aires IX


Oitavo dia - sábado


O dia começou com um erro de percurso típico de turistas desavisados: esquecemos de trocar dinheiro suficiente durante a semana no banco e tivemos de recorrer para uma casa de câmbio. O pessoal do hotel nos indicou a Metropolis, que fica na Calle Florida e, claro, a diferença da cotação lá era de 15 centavos a menos para cada dólar trocado – mais uma vez confirmando que sempre vale mais a pena confiar no Banco de La Nación.


Felizmente, o tempo teve uma súbita mudança de humor: o céu estava azul com algumas nuvens e o sol, ainda que tímido, já despontava. Nos animamos para uma visita guiada a Casa Rosada, que acontece nos finais de semana a cada 10 minutos e tem duração de mais ou menos 30 minutos. Valeu muito a pena! Quem conduz a visita são os próprios guardas oficiais do local – todos perfeitamente paramentados – que, apesar de não explicarem muito da história, são extremamente simpáticos e brincalhões. O interior do prédio é realmente muito bonito e há várias exposições por conta do Bicentenário de la Nación.



Casa Rosada

Pátio interno

Sala de Cristina

A parte de “intriga entre as nações” da visita foi ver que muitos países deram como presentes ao bicentenário da independência argentina quadros de grandes libertadores nacionais: O Brasil deu um horroroso do Tiradentes, o Chile deu um do Allende, Cuba uma foto do Che, e assim vai. Embaixo de cada quadro há uma frase dessa pessoa, também enviada provavelmente pelo país doador. O caso é que o Paraguai presenteou los hermanos com uma pintura de Solano Lopez com uma frase do tipo “muero com mi pátria”!!! Incrível a revanche meio recalcada dos paraguaios!
A vingança paraguaia.


Não convencidos com a primeira impressão que tivemos de Puerto Madero, aproveitamos a proximidade para descer pra lá novamente e, aí sim, tivemos a verdadeira sensação de um lugar absolutamente maravilhoso. O solzinho do inverno fazendo contraste entre os guindastes amarelos e o azul do céu renderam inúmeras belas fotos, com um toque especial dos chicos y chicas porteños andando de patins, bicicleta ou simplesmente correndo na beira do rio.


Chegando a Puerto Madero


Por ali, também visitamos uma Corveta que virou museu. Esse antigo barco-escola deu a volta ao mundo e por apenas 2 pesos se pode entrar e fuçar todas as salas, canhões, botes que se tem vontade. As crianças fazem a festa – e as nem tão mais crianças assim também!


vista da Corveta

Desde a outra vez que fomos para lá, vimos um café-loja-restaurante-design-conceito-espaço-modernete chamado i – olha só que charme, uma letrinha como nome e diz tudo! – que nos chamou a atenção. Mas este jovem casal aqui que vos escreve tem um faro extremamente apurado para coisas caras e, claro, sentimos de longe os preços. Demos o nosso jeitinho: dividimos uma quiche, refrigerante e alfajor por 38,00 pesos.


Estávamos devendo uma visita ao MALBA – Museu de Arte Latino Americana de Buenos Aires. Pagamos 20,00 pesos por pessoa para entrar e o edifício, além de ser muito bonito, está harmonicamente integrado com a paisagem lá fora. O pequeno museu possui obras contemporâneas dos principais artistas da América Latina (muitos brasileiros: Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Ligia Clarck, etc). Apesar de pequeno uma composição muito interessante. Bastante divertido é um banco de madeira que estende seus “braços” como ramificações por todos os andares do MALBA. No dia em que fomos, estava acontecendo o Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires – FILBA, que infelizmente não pudemos participar, mas pela quantidade de pessoas, mais uma vez impressionou a relação profunda deste país com os livros e com a leitura.



MALBA
Ao final do dia, emendamos uma volta por Palermo Soho, que ainda não havíamos visitado com sol. Andamos por toda a Calle Honduras que tem inúmeras lojinhas conceito bem interessantes onde em alguma delas é até possível descolar umas rebajas. Depois de tanto bater perna, nos presenteamos com um maravilhoso jantar em uma cocina de autor, indicada mais uma vez pela querida amiga já mitad porteña, meio brasileira Marion. E este, vale todos os detalhes, preparem-se...


Demuro é o nome do restaurante que fica numa esquina da Calle Honduras (5296), quase que escondidinho no meio da agitação de Palermo. Faz o estilo low profile, com umas dez mesas (no máximo), cinco pessoas comandando a cozinha e um time de dois garçons de primeiríssima. Chegamos cedo, era por volta de 20h30 e afortunadamente conseguimos um lugar privilegiado sem ter feito reserva – depois percebemos que isto seria impossível lá pelas 21h. Fomos recebidos com uma cestinha de pães quentes por uma pedra – mais uma vez ela lá, fazendo o papel de forno portátil – patês e uma simpática entrada de cortesia da casa: uma fina bruschetta de confit de tomates, ervas, brotos e queijo brie. Depois, seguimos com a entrada que havíamos pedido: um croquete de arroz recheado de queijo com brie derretido, pesto e panceta puxada no aceto balsâmico (só de lembrar já estou salivando...). Uma garrafa de vinho já bem trabalhada e nos vimos terminando os pratos principais: ossobuco com carboidratos grelhados - batata, batata doce e purê de abóbora - (Ivan) e penne com vegetais puxados no molho de carne de cordeiro (Gabi).


Precisa dizer mais alguma coisa?! Ah, no meio desta orgia gastronômica a luz da rua – e conseqüentemente do restaurante – acabou, e a equipe teve um excelente jogo de cintura para segurar a onda com muita simpatia e velas. Recomendadíssimo!!!
Mais uma vez com a barriguinha bem tratada e uma garrafa de vinho entornada, fomos dormir felizes e contentes.




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