quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Buenos Aires V

Quarto dia - terça-feira


É muito bom quando se planeja absolutamente tudo no dia anterior: iríamos dar uma grande volta na Recoleta, conhecer o Museu de Belas Artes, o famoso Cemitério e por fim almoçar em um restaurante bacanete de Palermo Viejo. Felizmente, deu tudo errado.
O dia começou com uma chuva torrencial – quando acordamos parecia noite – que desanimava o mais intrépido explorador a sair do hotel. Foi exatamente o que fizemos: aproveitamos algumas horas para ler, ver coisas na internet, atualizar o blog, etc. Fomos direto almoçar na região de Las Cañitas em um restaurante muito legal chamado Las Cholas (Calle Arce, 306), indicado pelo pessoal do hotel.
O restaurante fica em uma área bastante agradável, residencial e arborizada. Comemos um prato enorme de bife de chorizo (pra variar!!!) com diversos acompanhamentos – purê de abóbora, batata frita, pimentões, queijo assado e cebolas assadas – e uma Quilmes, com direito ainda a um pãozinho e empanadas de entrada. Tudo por 72,00 pesos, incluindo a gorjeta.
Saindo de lá, seguimos até o finalzinho da rua para entrar na loja Rapsodia (fim da Calle Arce), no melhor estilo hippie-modernete, mas com precinhos nada “paz e amor”. Entramos apenas pelo ambiente naquela vã esperança de encontrar um lencinho por menos de 200 pesos quando, lá no final, vimos uma plaquinha escrito feria – sim, essa é a palavra mágica daqui para liquidação. A Gabi saiu feliz da vida de lá com quatro peças embaixo do braço e um formulário de tax free.
Optamos por andar tranquilamente por aquele bairro, sem rumo, sendo surpreendidos por lojas bacanetes, cafés e bares preparando-se para a noite e mamães descoladas andando com seus bebês pelas ruas. Em determinado momento passamos por um lugarzinho que chamou tanto nossa atenção que, mesmo sofrendo as conseqüências de tanta carne nos últimos dias, tivemos de entrar.
Trata-se de um charmoso café / casa de chá / pâtisserie chamado Las Cortaderas (Calle Baez, 444) em que o dono, Juan Carlos, vem atendê-lo na mesa, servindo cafés e chás de toda espécie em xícaras de cerâmica rústica. A recomendação é perder a noção do tempo e das calorias na infinidade de docinhos e tortas que ficam se exibindo na vitrine só pra ver a sua cara de indecisão e, invariavelmente, não resistir a provar todos. E outro. E mais um café. E mais uma conversinha com Juan Carlos, um jornal... A simpatia foi tanta que ele ainda se dispôs a nos indicar uma rota não-turística de San Telmo – seu antigo bairro - que em breve devemos contar no blog.
Novamente fomos em frente, explorando as ruas e conversando sobre a vida. Paramos para algumas fotos. Sentamos em uns banquinhos. Entramos em algumas lojas. Andamos um pouco a direita. Um pouco a esquerda. E... não fazíamos a menor idéia de onde estávamos – e, aparentemente, nem o mapa, porque nenhuma das ruas nem sequer constavam lá. Foi aí que finalmente entendemos o espírito central de Buenos Aires: perder-se. Uma delícia!
Bom, depois de tentarmos nos achar por conta própria (o que não ajudou muito) e andar mais um bocado, paramos em uma bodeguita de secos e molhados e perguntamos para o dono onde estávamos. Ele apontou para uns dois palmos fora do mapa e disse “nós estamos aqui mais ou menos”. Além de ter explicado o rumo de volta, o amigo ainda deu várias dicas sobre os melhores passeios da cidade, as regiões mais bonitas para se ver e o imperdível passeio ao Tigre (que também fica para outro post). Enfim, tudo isso pra dizer como os hermanitos aqui são extremamente atenciosos com todo tipo de turista, inclusive os mais perdidos.
Pegamos o metrô e atravessamos a cidade com a idéia fixa de tomar alguma coisa na Recoleta, só pra encerrar a noite em grande estilo depois de ter andado não sei quantos quilômetros. Não sei se foi o chuvisco ou o cansaço, mas a dita cuja não encantou muito e, depois de algumas voltas, decidimos rumar para o hotel a pé. Passando pela Av. Corrientes ainda tivemos pique para conhecer a famosa Pizzaria Güerrin, outro ponto tradicionalíssimo da cidade, no melhor estilo pé sujo com clima de barzinho da faculdade e começo (ou fim) de balada – indicação aprovadíssima da amiga Marion. Aproveitamos para tomar uma Quilmes novamente e experimentar a faina, uma massinha de pizza feita de grão de bico que se come sobre a pizza montda como sanduíche. Verdade que não impressionou muito, vale mais pelo espírito da coisa.
Com uma chuvinha no rosto e as pernas muito cansadas voltamos pro hotel e desabamos. A cidade se mostrou convidativa apesar do clima péssimo. As explorações fora do mapa e a receptividade das pessoas deixaram um gostinho de quero mais, que é exatamente o que faremos amanhã!

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