quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Índia II

Mais uma do amigão Renato "Tato" Flit. Pra variar está hilário, vale a pena ler até o final. Dessa vez não vou editar, vai como ele mandou mesmo...

Galera,



Primeiro gostaria de agradecer a todos os emails que recebi, inclusive os que não tive tempo de responder. Segundo lugar, dizer que os relatos de viagem serão compartilhados no blog http://esefossemospara.blogspot.com/ criado pelo casal Gabriela Contente Marques e Ivan Kabókia de la Nina Gambi. Fica ae a sugestão pros amigos que forem viajar e quiserem compartilhar seu relato ou que não tenham recebido e tenham curiosidade em acompanhar o relato anterior.
Bem, poderia escrever esse segundo relato de mil maneiras distintas...cada dia acontecem mil coisas e confesso que perdi algumas boas histórias pelo caminho. Bendita preguiça…
Comecei esse email escrevendo de dentro de um trem na Índia e pretendo terminá-lo hoje à noite aqui no Nepal, até mesmo porque passarei os próximos 8 dias em um trecking (não, obviamente não estou preparado pra isso...). Acabo de chegar ontem de um rafting de 2 dias entre Kathmandu e Pokara em que paramos num bangalô pra passar a noite, bem patrão diga-se de passagem (pra quem for fazer trecking no Nepal, tenho boas dicas de agências e isso faz toda a diferença). Enquanto escrevo esse email tem pelo menos 2 nepalis que ficam vindo e voltando e fazendo perguntas do tipo “isso é português? Como vc escreve tão rápido?” e assim seu raciocínio vai pro bebelléu...
Só pra vcs entenderem, meu último email parou em Dharamasala a caminho de Manali, ainda nas montanhas do Himalaia. Meu mochilão, depois de Manali, teve 15 dias de Rajastão (estado da Índia vizinho ao Paquistão) e agora tirei mais 15 dias pro Nepal. Depois de mais ou menos 1 mês e meio de mochila começarei o trabalho em 15/nov. Adiei um pouco o início por sugestão da minha chefe que teve uma viagem de última hora e me sugeriu mais 15 dias. Melhor chefe do mundo, não? Aparentemente já tá vendo até um lugar pra eu ficar... Pois bem, cá estou no Nepal.
Alguns estresses: vôo que atrasa, guardas que não me deixam entrar no aeroporto pq estou sem minha passsagem (sendo que hoje em dia ninguém mais carrega um bilhete aéreo, só um número de etciket, minha conta da minha internet sem fio que eu não recebi e não sei como paga, meu ATM (aliás tem em qq esquina, tem q fazer) que a grana não cai nunca, a chave do último quarto de hotel que passei que descobri casualmente que estava guardada no meu bolso com meu broder chileno ttrancado do lado de fora do quarto, uma indiana que me disse na fila do vôo que comprou o mesmo vôo que eu bem mais barato pq não reservou pela internet (what?), a conexão de wifi da guest house que estou que é um lixo e só funciona do lado de fora (detalhe: uns 7 graus aqui fora), a agência que adiou o trecking sem avisar nada e por aí vai.
Tentarei ser cronológico: pra chegar em Manali rolou uma história ótima. Como comprei um lap top pra mim na Índia, baixei uns filmes pra tornar minha vida mais divertida nos trens e ônibus que teria pelo caminho. Tive a genial idéia de tirar o laptop da mochila na hora que o pneu do busão furou pela primeira vez (incrível, num mesmo trajeto o pneu do busão furou 2 vezes e tinha como 12 indianozinhos pra trocar a parada, mas isso é um capítulo a parte...) pra assistir um filme chamado Thirst, recomendado por um amigo cujo nome da mãe não citarei nesse respeitoso email. Na hora que eu comecei o filme (sem ter a menor idéia do tema, enredo, roteiro...) um monte de indianos que tavam trocando o pneu vieram ver oq tava se passando. Opa! Sessão de filme no busão, por que não? Então começa a subir gente no busão e eu ali com aquela cara de quem não tinha mais controle da situação. O filme era um pornô de vampiros basicamente: um padre larga o celibato se descobrindo vampiro e pra sugar o sangue das vítimas, transa com elas. Legal, pornô num busão na Índia. Foi a primeira vez que eu vi um busão chegando numa parada com mais gente sbindo que descendo do bumba...hahaha. E acho quee os caras nunca tinham visto nada parecido com um pornô de vampiros...pq os caras se acotovelavam nas cenas mais picantes...hahaha... E a holandesa que viajava comigo tava assustadíssima pensando que eu seria roubado e ela estuprada. Obviamente nada disso aconteceu.
Manali foi uma cidade interessante, com energia boa, um pouco mais paradona. Tudo gira em torno do trecking, aluguel de jipe e etc. No meu primeiro dia conheci os caras mais nerds que já vi na minha vida e claro, seguimos juntos. 2 israelenses e 3 britânicos. O mais normal, babava. Os israelenses jogavam cards, um dos britânicos de dread que achei que era o traficas da região gostava de livros de ficção científica e só fazia piadas infames... (formamos um daqueles grupos de viagem que valem só pelo período em que duram na viagem. E isso é bonito de reconhcer: quem tá de passagem na sua vida e quem vai ficar... Certamente conheci gente que vai ficar...mas isso é outro capítulo). Ficamos 3 a 4 dias juntos e cada dia achávamos que sairíamos no dia seguinte prum trecking, mas cada dia acontecia algo diferente. Não fizemos, eu tava meio doente e resolvi seguir pra Delhi (acho que tô fazendo o trecking aqui no Nepal um pouco pra compensar a desilusão de Manali). Como cagada pouca é bobagem, esqueci todos os meus carregadores em Manali, o que fez com que a trip do Rajastão só estivesse registrada pela câmera dos outros (pra fazer o cara da guest house mandar por correio pra casa de uma amiga em Delhi com compromisso de depósito prévio e etc foi foda...pior é a mina não estar em casa e o pacote voltar... ou seja, 2 semanas de dor de cabeça. Tudo aqui te dá dor de cabeça tremenda. Tem dias que vc aceita e ri e tem dias que quer matar o primeiro FDP que não te responde o que vc pergunta,, que te presta um serviço surreal ou que te simplesmente vem te dizer que adora o Ronaldinho). Ahhh... Dica importante: Manali tem o melhor cookie que já comi na vida. Na boa, nacreditável. Pra quem achou que eu ia voltar mais magro...
Fim da primeia quinzena de mochilão no Himalaia. Voltei pra Delhi pra novamente... Lá virou meu ponto de referência da trip aonde deixo minhas coisas, faço os serviços básicos (tipo banco, barba e bigode,...) e parto novamente.
Desta vez a escala foi bem curta pq num tava de saco cheio com o caos de Delhi... Juro que já me cai a pressão de pensar no trampo que é se virar em cidade grande como essa. Fora a poeira. Muita gente anda com pano na cara, cheiro de foligem e carburador. Acho que a coisa que me dá mais raiva é que os indianos nunca respondem oq vc pergunta... Eles sempre fazem um gesto típico com a cabeça que é uma mistura de "sim, não, talvez, irrelevante, foda-se". Na verdade, acho que tenho ficado mais calejado com os caras, oq te torna mais avesso a qualquer contato... Normalmente, via de regra, os contatos tem sempre grana envolvida: ou pela via escancarada ou pela via sacana. As perguntas tb são meio protocolares:” witch country? name? Hotel? do you want some...?” e aí começam... a te oferecer guias turísticos, hotéis, comida, blablablá... Aqui vc tem q ficar espero e pagar de macho qdo necessario. Vc descobre qdo... Me lembrou um pouco o que o Marcelo, um broder que tinha vindo antes, disse: muitas vezes faz cara feia, ameaça, empurra e fecha a cara. Só assim eles entendem... É muito assédio, muita pergunta invasiva, muita cara de pau, muita folga de vez em qdo... Acho que acabei mudando um pouco mudando minha opinião sobre os indianos, tem dias que eu simplesmente num quero ver um na minha frente com suas perguntas, truqes sujos e etc.
A buzina eu acho que é o que me faz cair na real e perder a cebaça. Um barulhho atordoante que incomoda pacas. O indiano dirige buzinando mesmo quando não tem absolutamente nada na sua frente.
A minha relação com eles começou a ficar um pouco difernete (ou pelo menos um pouco mais “pé atrás”) no deserto do Rajastão aonde fui ameaçado de morte por um gerente de hotel depois de terem roubado minha carteira dentro do quarto do hotel. Sumiram 5 mil rúpias, o equivalente a 115 dólares, ou seja, toda a grana que eu tinha naquele momento. Isso aconteceu em Udaipur. Por sorte do destino tava com dois israelenses ninjas pra quem eu tinha arrrumdo quarto por 50 rúpias no hotel (é tipo 1 dólar por dia...hahaha...com banheiro dentro do quarto). Os caras me adoravam e a gente jogava xadrez todo dia em Udaipur. Não fosse o Yonatan que foi chefe de uma sessão da inteligência do exército que falou com o manager do hotel de uma maneira que até eu fiquei apavorado. Curto e grosso: “a grana sumiu aqui.Responsabilidade de vcs. Fui agente se segurança por 3 anos. Sei como proceder. Num tem outra solução: em uma hora quero esse dinheiro de volta...se não é caso de polícia”. Pois bem, fomos tomar uma breja pra esfriar a cabeça e ver oq rolava em uma hora. Na volta, os caras tavam se cagando da polícia, tava todo o staff do hotel reunido (tipo 5 negos) e um puta clima de fim de feira. Então o manager diz “não se preocupe. Seu dinheiro será devolvido integralmente amanhã”. Breja pra geral por conta do Tato... Mas obviamente no dia seguinte, cadê a grana? Pra resumir, o cara me pagou em 3 parcelas, me contava da sua história pessoal de já ter perdido 2 hotéis por sua má reputação com a polícia (daí o fato de ele se borrar com a polícia...), fazia um amigo dele me parar na rua pra contar das dificuldades porque já havia passado na vida o cara, dizia que era kharma e etc. Enfim, ele me pagou nos últimos 5 minutos da prorrogação e eu já puto ameacei chamar a polícia. Então, o cara me ameaçou de morte. Na Índia, vc não baixa a cabeça! Me deu o dinheiro 10 minutos depois no ponto de encontro e me pediu 30 mil desculpas. Acho que ssou o único cara que foi roubado na Índia que recuperou sua grana. No final, fizemos uma prece juntos pra Ganesh, o Deus Elefante (da prosperidade?) e me fui, quase refugiado com meu broder chileno pra Pushkar.
Udaipur e Pushkar foram cidades especiais. Conheci umas 10 pessoas que valem a pena manter contato: França, Itália, Austrália, Chile (broderzaço), Argentina (broderzaço), Espanha e Israel. No fim das contas, a trip fica muito mais legal com companhia. Sozinho em 2 dias minha cabeça começa a girar em círculos e é muito boa a sensação de compratilhar alguma energia com gente em todos os cantos do mundo... no fundo, somos muito muito parecidos...
Voltando ao Rajastão. Apenas pra contextualizar: o Rajastão é um estado que é quase um conjunto de feudos. As fotalezas (mini-estados) ainda existentes são imensas e algumas ainda dão muita importância pro seu marajá (daí, surgiu a expressão: o cara que num faz nada e é rico sem trabalhar...eram os governantes dessa região). As cidades mais famosas da região estão relacionadas a importância dos seus fortes: Udaipur, Jaipur e Jaisalmer.
Jaipur foi um puta nabo! Fomos num grupo de 8 pessoas com bastante gente chata, gostos diferentes e etc. Tínhamos fechado um preço fixo com 2 taxista que nos levariam de Delhi e rodariam conosco por lá. Chegando lá, começaram os golpes: “não podemos andar tantos quilômentros assim... esse hotel é longe (claro, no outro o motorista ganharia comissão...), vcs tem q me pagar a minha noite no hotel (afinal qdo vc fecha um preço fixo, ainda teria que pagar um extra pro cara dormir no carro e embolsar a grana...)”e por aí vai. Esse é o tipo de estresse que pode rolar. E olha que o cara era motorista da cia. em que uma das minas trampava... Ou seja, depois ela o veria todo santo dia... Os caras simplesmente não se importam... é tudo por grana... São raros os indianos em que se pode confiar!
Pra não dizer que eu num falei das flores: Jaipur é imensa (faz parte do triângulo turístico Delhi-Agra-Jaipur), o Amber Fort é legal, mas não imperdível, não vale a pena o role de elefantes porque lá eles cobram uma bica e o que eu mais gostei é o Monkey Temple (tem um aqui em Pokara no Nepal yambém. Diga-se de passagem Nepal é quase uma extensão da Índia, só que mais caro e com gente mais "moderna")... Pra quem num sabe na Índia tem macacos nas ruas, em todos o lugar,... E nesse templo específicamente eles tomaram conta, agridem turistas, muito legal. Um templo que é no Rajastão - recomendado Top 10 do Lonely Planet- mas que eu num fui é o Templo dos Ratos. Pois é, são mais de 5 mil ratos dentro do templo, no qual vc tem q entrar descalço e o bichinho passa em cima do seu pé. Pra vcs terem uma idéia da insanidade da coisa: os indianos dão comida pros ratos e se eles não comem todo o arroz que lhes é dado, é sagrado comer a xepa. Juro. Restos de saliva dos ratos são uma bendição. Aí é muito pra mim... Não tive coragem de ir nesse templo porque está a 12 horas de Jaisalmer em uma direção completamente distinta, bem fora de mão. Tenho amigos que foram e dizem que num rola entrar só pelo cheiro que já rola do lado de fora.
Breve digressão: a cultura dos caras é muito ininteligível. Tem templo pra ratos (!), mas eles destratam qualquer cachorro que eles vêem nas ruas dão uma pancada. Cachorro é o pior animal, é encarnacação do mal. O cão é basicamente no que vc se transforma se vc não se comprtar nessa vida... A coisa fica pior quando a categorização se dá entre pessoas: um amigo que morava na Austrália fazendo mestrado disse que um dos indianos se recusava a fazer trabalho de grupo com o outro que era de uma casta inferior...
Jaisalmer: outro nabo! Mas dessa vez mais engraçado... É quase na fronteira com o Paquistão e só fui pra lá pq queria fazer um rolê de camelo no deserto (é a cidade do bang lassi pra quem entende...). Logo que cheguei no hotel, o cara que organiza o rolê dos camelos me perguntou “rolê turístico ou não turístico?”. Eu, claro, respondi desafiador “não turístico”. O cara então só pra confirmar me pergunta: são mais de 100km, entra na rota do ópio e dura 3 dias inteiros. Vc topa? “Claro, achei pouco...”hahaha. Que nabo!
Nesse tipo de trip vc depende de sorte. O guia e as companhias de viagem fazem toda a diferença (espero ter sorte amanhã no trecking). Legal, calhou pra mim de ir com um hoolingan inglês e sua namorada obesa (juro que dava até dó do camelo de vez em quando) e uma biba-loka canadense. Que seja homossexual, obviamente não há problemas, mas qdo começa a andar de cueca no camelo canntando like a virgin, num rola... Era um choque cultural tão grande pro guia que ele vinha me perguntar se ninguém ia comer o cara...hahaha O guia era o tipo indiano do Rajastão: seco, árido, pão com pão, macho alfa, poucas palavras... Até que surge Samuel, a Rainha do Deserto...
Perguntei pro guia por curiosidade se poderíamos conhecer sua casa. Era mais ou menos no caminho. Paramos pra tomar um tchae (chá em leite que todo mundo vicia por aqui e no qual já estou viciado). O guia –pai de 6 filhos com a mesma esposa – simplesmente não cumprimenta a mulher. Manda ela fazer tchae pra todo mundo e ela calada obedece. Depois de sairmos de lá, lhe pergunto se ele ama sua esposa...ele ri e me responde...”Claro que não”...hahaha... Aqui a coisa é meio assim: medieval mesmo. No Rajastão ainda pior. Há casos de assassinato da mulher que é estéril, os casamentos ainda são arranjados por castas e há casamentos em que o noivo conhece sua futura esposa no 6º dia de festa... Aliás, as festas de casamento aqui parecem muito legais. Preciso me infiltrar em uma, oq seria muito fácil, pq eles acham meio exótico, meio status ter um ocidental como amigo... que puta viagem da minha parte achar que era uma boa dar meu telefone prum moleque indiano que conheci no busão! No dia seguinte, 5 ligações perdidas e 2 mensagens de texto. Por isso que disse há pouco que mesmo qdo é desinteressada a aproximação é inconveniente (eu disse isso, não?).
Bem, voltando ao deserto ( e ao insuportável número de insetos que há no fim da tarde), já tinha me arrependido no primeiro dia de ter sido tão metido a Macgyver na hora em que subi num camelo pela primeira vez. Juro, um dia tava mais do que suficiente. No segundo dia, dói tanto a bunda que vc simplesmente num desce do camelo nas paradas pq depois vai ter q subir outra vez e esse movimento dói pacas... No fim do segundo dia, a biba vê uns coreanos e dormindo há uns 2km de distância e decide que quer fazer amigos. Chegamos lá com um dog que nos acompanhava. Os coréias curiosos perguntam “da onde vem esse dog?” A primeira coisa que a biba fala pros coréia: “trouxemos pra vcs comerem”. Indignação! O coréia responde “Não somos chineses...” e aí vem a rainha do deserto e diz “dá no mesmo...” Começaamos bem. Logo vemos que os caras tem camas e nós não (estávamos dormindo na areia friam afinal eramos "não turistas". Havíamos dormido na areia que congela de madrugada pra ver as estrelas. Nem isso: era uma puta noite de lua cheia. Lhes perguntamos se podíamos pegar algumas camas que estavam sobrando. Ufa! Maravilha! Menos frio de madrugada... Mas aí vem a biba de novo e fala do nada “dont you guys wanna gangbang wuth us?”. Do nada, a biba sugeriu uma suruba no meio do deserto. Os coreanos respondem se não podemos deixá-los mais à vontade...hahaha. Q q passou pela cabeça do Samuel? Q ia rolar uma orgia com coreanos nas areias do Rajastão?! Enfim, pelo menos, voltamos sem um cachorro e com algumas camas pra dormirmos na nossa última noite de deserto...
Uma coisa que tenho gostado de fazer é me questionar sobre a história das pessoas. Não fosse pela falta de vocabulário em inglês que me me impede, por vezes, de ter discussões mais complexas, seria ainda melhor. Mas já deu pra ver que tem muito europeu que não faz universidade e trampa em qq coisa que dê grana, tem os que só trampam pra poder viajar (preferencialmente em lugares que te permitam 2 ou 3 meses de férias como hotéis ou escolas), alguns que são barmans de verão que passam 4 meses por ano em cada lugar, outros que viajam pra trampar, economizar e seguir viajando (Nova Zelândia é o paraíso do emprego fácil com grana boa). Tem uma francesa gente fina trampa num barco só no verão e viajava pelo resto do ano (acabou de me mandar um email oderecendo aprendizado pro barco do próximo verão...ai ai...). Outros muitos que tem emprego fixo ou abandonaram seus empregos, estão com seguro desemprego (um ex-guarada costas por 6 anos na Espanha estava ganhando 900 euros por mês por 18 meses de Seguro Desemprego), viajam aa trabalho (e entre uma viagem e outra abrem bilhetes) e por aí vai. O importante é ver que o mundo é bem mais acessível do que foi há poucos anos atrás. Não será incomum vermos qualquer pessoa mais tradicional/conservadora vindo visitar a Índia, China, Butão... Aliás no Nepal me impressinei positivamente com a quantidade de senhores(as) de idade fazendo trecking, muitas vezes bem pesados.
Uma coisa que fica clara depois de um tempo de estrada é que vc se acostuma com a solidão, perde o cagaço de fazer coisas antes improváveis (por pura covardia em relação ao desconhecido) e toma gosto pela coisa. Uma delícia! Se esquece dos perrengues e não se lembra mais como era possível uma vida em que no começo e no fim do mês vc estaria no mesmo lugar (claro que dei uma exgaerada...). Tudo isso pra dizer que eu tô curtindo pacas e que se depender de mim a trip hoje se estenderia (até o momento nenhum brasileiro pelo caminho, nenhum!).
Foi mais ou menos nessas que vim parar no Nepal, sem guia e sozinho. Hoje passei o dia com um portuga massagista em barcos turísticos e um mexicano que se foi pra Australia pra recomeçar a vida depois que vendeu sua parte em um negócio que criou. Justificativa: os ficais do governo (mera coincidência...). Primeiras impressões do Nepal: água da pia com o gosto mais escroto que já experimentei, povo mais acostumado ao gringo (talvez por ser mundialmente famoso pelo Everest), mais contato com ocidentais (tem bandas de rock, caras cabeludos, cerveja, boates - ainda que acredito que só nas regiões turísticas) e me parece também um povo mais divertido. Fiz o rafting com 3 nepalis e os caras são bem mais próximos do nosso vida. O país é colorido, a comida é boa, a música é péssima, são super hospitaleros e os preços são bem mais altos que na Índia. Pra me hospedar pago 5 dolares o que já tô achando um absurdo.
O plano depois do trecking [e pegar mais um dia em Kathmandu pra conhecer um rio onde se jogam os corpos dos hundus e buscar a chamada deusa menina. Uma menina de 7 anos considerada deusa sei lá pq raios. Mas dizem q é legal. Só bater palma que ela aparece. E ainda tem o segundo maior bang jump do mundo e o 3o templo budista mais alto do mundo...
Agora voltarei pro meu quarto pra matar a maior aranha que já vi, arrumar as coisas do trecking (chegarei a 5 mil metros em 4 dias) e lembrar de todas as histórias que me esqueci de contar.
Ahh... Feliz Diwali pra todos! Hj é o dia das luzes no Nepal e na Índia. Há milhares de oferendas nas calçadas, as pessoas dançam no meio da rua, há velas de boa sorte por toda a cidade aqui e como sempre às 23hs tudo fecha. Surreal! Afinal, quem quer diversão, vai pra Ibiza!
O bonde segue sua nau!
Namastê e feliz diwali pra todos!
Tato

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