domingo, 30 de janeiro de 2011

Las Vegas


As luzes da Strip


Sem dúvida nenhuma Las Vegas foi o destino mais artificial e brega que já visitamos. Ao mesmo tempo, conseguiu ser igualmente divertida e surpreendente.

Não é a toa que a cidade construída com dinheiro da máfia, dando vida ao lugar-nenhum no meio do deserto de Nevada é, com méritos, considerada a capital da diversão adulta dos EUA e talvez do mundo. O gigantismo dos cassinos, das luzes e das infindáveis máquinas e mesas de jogo a cada saguão de hotel fazem da cidade uma grande tentação. Isso contando somente a parte que se vê da strip, a assim denominada avenida forrada com os hotéis mais novos e badalados. Vegas – como é conhecida pelos mais íntimos – ainda esconde um lado b mais trash que conta com dezenas de clubes de strip tease, prostíbulos, restaurantes baratos estilo buffet e várias capelas para casamentos instantâneos. Sinto dizer que não tivemos tempo para conhecer esse lado B além de umas voltas de carro pelas redondezas, mas deu pra perceber que essas podem ser, também, fontes de diversão riquíssimas.

Luzes intensas na cidade do pecado

A verdade é que Vegas é o que cada viajante quer que ela seja, e isso é o seu maior trunfo. Obviamente, a atração principal aqui é o jogo – seja na forma de altas apostas em áreas restritas aos milionários, freqüentada por sheiks árabes e suas mulheres cobertas dos pés a cabeça, chineses endinheirados, até as boas e velhas máquinas caça-níquel de 25 centavos de dólar que fazem a festa do apostador mão-de-vaca que acredita piamente que aquela moedinha vai garantir a fortuna de sua vida. Devo dizer que na minha passagem por lá fiz parte desse último grupo. 

A cidade também é extremamente bem servida de espetáculos dos mais variados tipos. É um dos poucos - ou o único- lugares que hospeda cinco shows do Cirque de Soleil, inclusive alguns dos espetáculos mais cobiçados, como o “O” e o “Love”. Outros ícones que se apresentam para platéias lotadas de turistas saudosos são Cher e Celine Dion.

Chegamos à cidade próximo das 19h o que nos deixou pouco tempo para o Chek-in no Treasure Island, um rápido banho e uma corrida até o show que iríamos assistir nessa primeira noite. Uma dica legal é fazer uma boa pesquisa pelos hotéis da Strip em busca de descontos e promoções. Pra se ter uma idéia, o Treasure Island custou menos (U$ 80,00/noite) que muito hotel de beira de estrada do resto da viagem. Sem dizer que a maioria ali na strip são 5 estrelas.


Nosso hotel que conta com showzinho de piratas a cada hora (brega!!!)

Luxo total, conforto total, mas mal pudemos aproveitar o quarto maravilhoso, pois Gabi queria soltar a franga e acabamos conseguindo ingressos de última hora para assistir a Cher no Ceasar’s Palace – maior Hotel/Cassino/shopping/casa de show/tudo da cidade.

Foi divertidinho (Gabi adorou), super cheio de danças e produções dignas de musicais da Broadway. O show em si é muito legal, passando por todas as fases da cantora, mas sem nenhuma ponta de imprevisibilidade a não ser o começo da apresentação em que ela solta alguns palavrões em um rápido discurso de auto-exaltação que leva ao delírio os 5 mil turistas que invariavelmente lotam o teatro de quarta a domingo. O ingresso mais barato custa U$ 100,00, como a maioria dos shows, portanto defina com antecedência o que assistir pois a oferta é enorme.

Fachada do New York New York que conta com montanha russa e torres de quartos que imitam o skyline da Big Apple

As baladas também são outro chamariz dos grandes cassinos. Se você curte música eletrônica ou festas badaladas, Las Vegas detém filiais de todos os clubes da moda de LA e NY (Lavo, the Bank, Marquee, etc). O detalhe é que alguns deles seguem o modelo dos cassinos e não fecham nunca, proporcionando uma festa sem fim para os mais animados. Não tivemos condições físicas de ir a um desses clubs, mas a dica é passar na frente deles durante o dia e ganhar um ingresso para voltar a noite “na faixa”.

Um dos bares do Cosmopolitan

Depois de aproveitarmos o show da Cher, encerrarmos a noite com o aniversário da tia mais querida de todas, que estava em Vegas em grande estilo!

Acordamos um pouco mais tarde pra descermos pro saguão do hotel e dar de cara com um mar da máquinas caça-níquel e gente jogando cartas. Duda, o amigo querido que foi nos acompanhar a partir deste ponto, já tinha ganhado alguma coisa nas mesas de pôquer. O programa do dia seria passear sem pressa pela strip desvendando o luxo dos hotéis e cassinos mais badalados do mundo. Devo avisar que não é, e não foi, tarefa nada fácil. Pra se ter uma idéia, no fim do dia, depois de mais de 8h caminhando não havíamos conhecido nem metade da strip, deixando de fora ícones do mundo do jogo como os casinos Luxor, New York New York, Excalibur e Mandalay. Porém, aqueles que visitamos nos divertimos a valer: Duda não cansou de ganhar nas mesas de pôquer e eu e Gabi de torcer para que os 25 centavos aplicados com muito carinho nas maquininhas se transformassem em milhões de dólares. 

O legal disso tudo é que basta estar jogando – não importa o valor – mocinhas com vestimentas mínimas já vem te oferecer uma bebida – por conta do cassino!!!! Ou seja, uma cerveja long neck que, em média, custa U$ 7,00 sai por zero! Quer dizer, sai por ao menos 1 dólar da gorjeta que você educadamente da à  garçonete para que ela continue te servindo. Incrível não? Não preciso dizer que ao meio dia os três já estavam um pouquinho altos e bastante empolgados com a vida em Vegas.

Ao fundo o Bellagio e na frente parte do Paris que conta com um simpático restaurante chamado "Mon Ami Gabi"

Além das mordomias, os cassinos acabam sendo o paraíso dos amantes de arquitetura e decoração. Com pés direitos imensos e muito aço, vidro, cristais e carta branca para criar, cada cassino apesar de ter a mesma estrutura básica (maquinas de jogo, mesas de baralho, restaurantes, bares, casas de show) acabam sendo extremamente diferentes um do outro. Destaque para os mais novos como o Mandalay e o Aria, além dos tradicionais e também muito legais Mirage, Bellagio e Ceasar’s Palace.  Depois de toda essa overdose de cassinos elegemos o novíssimo Cosmopolitan como o nosso favorito.

Escultura feita de barcos em frente ao novíssimo Aria

Finalizamos a noite (para desespero da Gabi que queria mais badalação) com o show do Cirque du Soleil Mystére (no Treasure Island, ingressos a U$85,00). Muito bom e com uma pegada mais circense. Eu, exausto de tanta caminhada regada a cerveja, confesso que dei umas cochiladas.

No dia seguinte, resolvemos pegar o carro e visitar os cassinos que não conseguimos ver. A idéia era fazer a strip toda de carro e depois parar no Stratosphere para ir às montanhas-russas do alto da torre do hotel. No fim, ficamos um tempão conhecendo outros cassinos e em um último outlet (Las Vegas Premium Outlets) que acabou ficando tarde.


Próximo destino: a gelada experiência do Grand Canyon.




sábado, 29 de janeiro de 2011

Sequoia National Park




Reparem na Gabi no pé da árvore
Saímos cedo de Yosemite para aproveitar a paisagem e seguir rumo a Three Rivers com tranqüilidade. A estrada, apesar de muito boa é sinuosa e cheia de paradas estratégicas para uma foto mais linda que a outra, sem contar com as altas chances de encontro com veados que parecem não se importar com a nossa presença.

Pra quem sai de Yosemite de dentro do parque, a parada no mirante para uma foto de cartão postal do vale é imperdível, não só pela incrível recordação, mas também pelo último suspiro nesse lugar assombrosamente bonito.

Chegamos ao Sequoia National Park no meio da tarde. Sem nem entrar no hotel seguimos direto para o parque, rumo à pré-histórica floresta de árvores gigantes. O ingresso é, mais uma vez, de 20 dólares e também te da o direito de entrar e sair do parque por sete dias. O Sequoia é um parque irmão de outra atração natural da Califórnia, o Parque Nacional de King’s Canyon, que fica mais ao norte. Ao contrário de Yosemite, Sequoia não tem uma estrutura tão grande e boa parte dos visitantes se hospedam e comem na cidade que margeia o parque pelo sul, Three Rivers. Alí encontram-se os mais diversos hotéis, inclusive os de redes famosas como Confort Inn (onde ficamos) e Cia. Há muitas opções de restaurantes também, lembrando sempre que os horários e os hábitos nos EUA são diferentes dos nossos, ainda mais em cidades do interior. Jantar depois das 21h, só com muita sorte e em centros maiores.

Devido ao horário, comemos no restaurante mais chique (e caro) da cidade por pura falta de opção. O River View Restaurant & Lounge oferece pratos de comida típica americana que custam em torno dos 25 dólares, em porção muito bem servida e um serviço pra lá de amigável. O hambúrguer de salmão (U$ 15,00) que pedi estava delicioso e Gabi não perdeu a oportunidade de adular seu novo vício: Clam Chowder.

O Parque

Como disse antes, o Parque Nacional de Sequoia divide sua administração com seu irmão King’s Canyon, o que faz com que sua estrutura seja mais modesta e espalhada do que Yosemite. Aqui a atração principal são as arvores enormes: as famosas sequóias gigantes que chegam a ter mais de 1200 m³ de volume, 12m de diâmetro e 85m de altura o que da às bichinhas o título de maiores árvores do mundo.
Como abraçar uma árvore gigante?

Como se não bastasse a monstruosidade de seu tamanho as cascas aveludadas e de tom vermelho-tijolo colaboram para destacar essas belezinhas do restante da floresta composta basicamente de reles pinheiros.
Para chegar à floresta de sequóias pega-se uma estrada bastante sinuosa montanha acima que leva uns 40 min, então é bom programar o passeio com esse tempo extra.

Tivemos o prazer de visitar o parque no inverno, o que transforma todos os lagos e clareiras em imensos campos de neve. Crianças brincando com trenós, adultos praticando cross-country em esquis, e gente brincando com a neve não faltaram. Nós mesmos nos rendemos à boa e velha guerra de neve até as mãos ficarem azul! O lugar, com trilhas curtas e muitas sequóias gigantes para se admirar vale a visita. O contraste das árvores imensas e vermelhas com a neve branca faz da paisagem algo mais que inesquecível. A sensação é de que nós humanos estamos em miniatura, é quase uma experiência pré-histórica.

Reparem que tem pessoas na foto!
Após a floresta de sequóias gigantes seguimos de carro montanha acima para conhecer a maior árvore do mundo: o General Sherman. A amiga árvore não leva o título pela altura (só 83,8m) ou pela circunferência (31,3m), mas sim pelo volume: incríveis 1486,9m³! É realmente surpreendente. De quebra, ainda pegamos um pôr-do-sol maravilhoso do alto da montanha que deu uma coloração toda especial à nossa amiga de 2200 anos.
A maior arvore do mundo: General Sherman
Pra quem quer conhecer essas maravilhas, corra pra Three Rivers e fique no parque por meio dia, é o suficiente para ter uma noção rápida dessas maravilhas. Vindo de Yosemite, como fizemos, leva só 2h30.
Belo pôr-do-sol!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Yosemite National Park



O vale encantado de Yosemite

Chegamos a Yosemite (pronuncia-se io-sé-mi-ti) por meio de uma brincadeira extremamente agradável do GPS. Mais uma vez, ao invés de nos colocar na rodovia principal – 5 pistas de cada lado, velocidade alta –, nos jogou pelas vicinais do interior da Califórnia, o que proporcionou uma paisagem de plantações de maça dos dois lados da micro-estrada que serpenteava o começo da subida rumo às montanhas Rochosas e a famosa Sierra Nevada. A névoa e o pôr-do-sol completaram o cenário romântico e misterioso que formavam junto das inúmeras pequenas vilas e paisagens rurais.

Mar de núvens no por-do-sol visto da estrada


Por termos saído tarde de San Francisco e ainda termos nos desviado levemente da rota mais rápida, chegamos já no escuro nos arredores do Parque Nacional de Yosemite. Aqui fica a dica: os GPSs podem ter problemas de precisão nessa região, devido às montanhas e as estradas estarem dentro de um vale. Como chegamos à noite, a estrada ficava mais tenebrosa a cada milha rodada além do ponto indicado pelo aparelhinho. Depois de 20 minutos já estávamos desconfiando do endereço do hotel e até da sua própria existência. No fim, persistindo na estrada, fomos encontrar o hotel umas 15 milhas mais adiante do ponto indicado pelo GPS.

Acabamos ficando fora do parque, mais por falta de opção do que qualquer outra coisa. É bom que se saiba que há muita opção de estadia dentro dos perímetros de Yosemite, que conta com excelente infraestrutura (banco, supermercado, 5 hotéis, restaurantes, etc). As opções são bem variadas indo de hotéis 5 estrelas como o Ahwahnee (jantar ótimo, mas caro – vá pelo bar) até tendas de lona, no bom estilo acampamento (só no verão). O grande problema é que, não à toa, Yosemite é o segundo parque mais visitado dos EUA – o primeiro é o Grand Canyon -, o que transforma esses lugares privilegiados dentro dos parques concorridíssimos. As reservas chegam a um ano de antecedência. Uma boa dica para se programar para esse, e qualquer outro parque nacional nos EUA, é o próprio site do Departamento Nacional de Parques (http://www.nps.gov/yose/index.htm), lá você planeja tudo da sua viagem.

Ficamos no Yosemite View Lodge, uma boa opção para quem não conseguiu um quarto dentro da reserva (como nos), mas ainda relativamente próximo (20 a 30 min) do parque. O hotel é bastante confortável, contando com um pequeno SPA, com piscinas aquecidas cobertas e uma jacuzzi que fazem toda diferença depois de um dia de trilhas. O segredo aqui é fazer suas compras no supermercado do parque (preços normais) e usar a estrutura do quarto (geladeira, pia, microondas, fogão e utensílios) para preparar o jantar e dormir cedo depois de um bom escalda-pés. Foi o que fizemos: regado a um bom vinho californiano preparamos nossa própria comida e dormimos felizes da vida depois de um dia de aventuras no parque.

O PARQUE

Falar de Yosemite é tão difícil quanto descrever outras grandes maravilhas da natureza. A oportunidade de conhecer um pequeno pedaço deste paraíso no inverno torna a experiência ainda mais inesquecível. Pinheiros centenários cobertos pela neve branquinha, em um vale que conta com duas cachoeiras e diversos picos também nevados transformam a paisagem em um cartão postal 360 graus. Ursos negros, alces enormes, veados e linces – esses últimos vistos e registrados!!! -, dão o toque final de aventura a esse vale encantado que ainda é o lar de uma das montanhas mais famosas do mundo: o Half Dome.

Vista do Half Dome


A entrada custa 20 dólares por carro de passeio e te da direito a permanecer no parque por 7 dias. Pra quem gosta de natureza as possibilidades de passeios e trilhas são praticamente infinitas devido à liberdade que se tem em explorar a região. O complexo conta com estação de esqui, escaladas, trilhas das mais variadas, diversos locais para camping com estrutura de banheiros (há necessidade de permissão) e até passeios guiados pelos Rangers. Dá pra ficar por lá pelo menos uns 3 ou 4 dias e não perder nunca a sensação de surpresa a cada paisagem nova.

Seguindo o conselho de um Ranger, que nos julgou em boas condições físicas, fizemos a trilha até o topo da cachoeira principal do parque (Yosemite Falls), um passeio de 11,5 Km montanha acima. A beleza natural exuberante nos engolia a cada curva, descida ou subida da imensa trilha ribanceira acima. O que não contávamos era o grau de dificuldade da brincadeira. Boa parte da trilha é bem fácil, mas conforme a subida aumenta e a neve ocupa o espaço os escorregões e a dificuldade de caminhar aumentam proporcionalmente. No fim, depois de um momento de superação física e mental chegamos ao topo e pudemos ter o prazer de apreciar a vista de todo o vale. Posso dizer que é incrível, mais pela superação que pela paisagem – que é vista de níveis mais baixos da mesma forma.

Yosemite Falls, caminhada mais que puxada até o começo da queda
Aqui vai outra dica: seja honesto com você mesmo sobre sua forma física e planeje o que você quer – e consegue – fazer com um Ranger no Centro de Visitantes. Nos que estávamos acostumados com trilhas e caminhadas extenuantes passamos aperto.

O topo da trilha de Yosemite Falls coberto de neve
No parque vale também fazer passeios mais tranqüilos, como o museu indígena, a vila e as trilhas de 3 ou 4 milhas, que não envolvem escaladas e grandes esforços. Outra dica legal é visitar o parque no inverno, como fizemos. Isso evita as aglomerações do verão e acaba proporcionando uma das paisagens mais belas já vistas por estes viajantes.


No fim, não vimos o urso, somente sua pegada na neve, mas Yosemite certamente será um destino favorito na hora de planejar as próximas férias.

Pegada de urso no meio da trilha. Estávamos sendo seguidos?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

San Francisco II




Torre da guarda do excelente passeio da ilha de Alcatraz

O dia começou ensolarado e já havíamos comprado nossos bilhetes para uma saída para Alcatraz, o passeio mais recomendado da cidade que, apesar de ser altamente turístico e clichê, apenas nos surpreendeu positivamente.

O lugar de saída dos barcos é altamente organizado, pegamos o horário das 10h – eles são bastante pontuais, vale a pena chegar 20 min mais cedo. Chegando à ilha, há uma breve apresentação do Ranger local (afinal depois de muita disputa sobre a propriedade da ilha ela virou um parque nacional) e depois disso cada um pode seguir no seu tempo para a direção que parecer mais interessante. Tiramos algumas fotos subindo em direção ao presídio e de lá já pegamos os nossos áudio-tours – detalhe interessante: os aparelhos já estão incluídos no preço do seu ingresso, mas caso não queira (mas recomendamos fortemente, detalhes abaixo), eles devolvem o valor no seu cartão de crédito.
Ala Michigan de Alcatraz
O áudio tour guiado é um exemplo de aproveitamento eficiente e bem estruturado do bem público. Para começar, a história do presídio é narrada por personagens reais, que de fato viveram na ilha e que contam em detalhes toda a história desde os tipos de presos que iriam parar lá até a importância do jogo de bridge para os internos. A história é extremamente bem narrada e vai conduzindo detalhadamente o visitante por todos os pontos do presídio, descrevendo fatos históricos, curiosidades, etc. No final, o que se vê são milhares de pessoas no mesmo lugar e olhando as mesmas coisas, mas super atentas a explicação narrada individualmente e, acima de tudo, em completo silêncio e concentração. O que poderia ser um passeio um tanto quanto caótico com grupos enormes se amontoando em torno de um guia se esguelando para dar as explicações, vira uma experiência absolutamente maravilhosa e bem conduzida. Recomendadíssimo!
Frase de efeito que definiu a prisão até seu fechamento
De volta ao continente partimos para a Golden Gate Bridge e no caminho passamos pelo Presidio – uma parte histórica da cidade que ainda resguarda construções de épocas passadas e uma pequena vila, além do museu da família do Walt Disney. Por conta do tempo decidimos cruzar a ponte de carro, mas a opção de cruzá-la de bicicleta também pareceu muito interessante. Vale a pena tirar algumas fotos do outro lado da ponte além de dar uma panorâmica no skyline de San Francisco. Bem ali pertinho está Sausalito, uma vila lindíssima com casas enormes charmosamente apinhadas no meio do morro para aproveitar a baia e os iates do local – vimos uma placa que dizia que aquela era a Cote d’Azur americana, faz sentido.
Vista da Golden Gate Bridge do Presidio
É importante ressaltar que desde a saída de Alcatraz fizemos o roteiro de carro seguindo a 49 Miles Drives Route, uma rota de carro que passa pelos principais pontos turísticos e vistas da cidade e é bastante fácil de ser seguida – a cada esquina tem uma plaquinha indicando para onde seguir. Vale a pena!

Cenários incríveis descobertos pela 49 Miles
Dali seguimos para Baker Beach um dos melhores pontos da cidade para tirar fotos da Golden Gate Bridge. Chegando lá, mais uma surpresa: uma praia pequenininha com vista para os morros, para a ponte e ótimo lugar para soltar os cachorros da coleira e deixá-los brincar no mar. Mais um cenário maravilhoso escondido na cidade. Continuamos a rota das 49 milhas e paramos ao lado da entrada do zoológico para assistir um pôr-do-sol maravilhoso na beirada da praia que pelas ondas e roupas de neoprene pareceu um bom ponto para surfistas pegarem ondas.

Vista da Golden Gate Bridge de Baker Beach
Já um pouco cansados, paramos em um lugarzinho no centro da cidade para jantar em um restaurante tailandês chamado King of Noodles Thai Restaurant. Fica bem próximo ao burburinho da Union Square, as garçonetes não falam uma palavra inteligível em inglês e as paredes são pintadas de roxo. Pedimos alguns pratos que estavam apetitosos, o serviço é bastante rápido e com preço extremamente justo – vale a pena experimentar o chá tailandês.


Na manhã seguinte acordamos com mais um dia maravilho em SF e corremos para conhecer alguns últimos pontos turísticos recomendados antes de sair rumo ao Parque de Yosemite.
O primeiro ponto foi dar uma passada rápida para conhecer a Alamo Square, onde estão as famosas painted ladies, que nada mais são do que umas cinco casinhas iguais pintadas de cores diferentes. A praça é muito bonita, rende boas fotos e dá pra ver o skyline impressionante da cidade – mais uma vez os cães, donos e a qualidade de vida chamam a atenção.
Painted Ladies
Detalhe da Alamp Square
Em seguida fomos aproveitar um pouco mais o Golden Gate Park de dia e entramos na Academy of Science (U$ 29 por pessoa), um museu de história natural dentro do parque. Mais uma vez o espaço é uma referência de entretenimento + ciência + diversão, combinando elementos como um aquário gigante com diferentes espécies, uma biosfera sobre a floresta amazônica, um restaurante só de comida orgânica e, finalmente, um planetário enorme onde assistimos uma das melhores apresentações sobre o início da vida na terra – um vídeo produzido pela própria Academy chamado LIFE. Vale muito a pena e é importante pegar os ingressos logo ao entrar no museu.
Museu de arte Moderna de San Francisco

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

San Francisco




Vista do alto da Lombard St


Acordamos tarde depois de uma longa viagem e saímos de ônibus para o centro da cidade. Importante lembrar aos viajantes de carro que é fundamental buscar hotéis e/ou pousadas com estacionamento gratuito no local – guardar o carro pode se tornar um problema bem caro nos EUA. Justamente com isto em mente, fomos até a Washington Square de transporte público e demos uma voltinha pelo bairro italiano, com seus cafés e gelaterias. Passamos pelas ruas da pequena China Town, aonde vimos inúmeros orientais se acumulando em frente a peixarias e quitandas até finalmente seguirmos para a Union Square. A praça mais famosa de SF marca bem o centro chique da cidade, cercada por lojas de marca e megastores – aproveitamos para um cheesecake rápido e tradicionalíssimo na Cheesecake Factory.
Fim da linha de bondes próximo ao Fisherman's Wharf
Dalí pegamos um cable car (bonde – U$ 5), uma das principais atrações da cidade não apenas pela tradição e conservação do transporte como também pela simpatia dos condutores. Vale muito a pena! Descemos na Lombard Street para tirar uma foto na rua mais cheia de curvas de todos os tempos e dalí seguimos a pé para o Fisherman’s Warfh (pier turístico com vários restaurantes, lojas, museus, barcos antigos - a Hard Rock está lá), passando por algumas casas realmente bonitas e que fazem jus ao estilo de vida da cidade.
Parte mais turística de San Francisco
Destaque para a Ghirardelli Square, uma antiga fábrica de chocolates que reformou todo o entorno transformando-o em uma vila de tijolinhos marrons com várias lojas e restaurantes interessantes – os cupcakes da Kara são altamente recomendáveis para comprar e ir se lambuzar na pracinha em frente ä fonte.

Fonte da Praça
Andamos todo o porto e paramos no Pier 39, o mais turístico da região, para ver os leões marinhos tomando sol e comer rapidinho na Boudin Bakery. Para seguir com a tradição, a Gabi pediu um clam chowder – creme de carne de caranguejo servido no pão italiano – que combinou perfeitamente com o friozinho e serviu para esquentar um pouco. O Ivan pediu uma garlic french fries em uma barraquinha de crepes cheia de brasileiros que, honestamente, estavam muito boas.

Leões marinhos tomando sol
Clam Chowder, creme de carangueijo

Batatas com alho e parmesão

Aproveitamos para passar no Pier 33 para pegar nossos ingressos para a visita a Alcatraz do dia seguinte. A caminhada vale a pena e é bom para já conhecer o local de onde saem os barcos para visitar a ilha mais famosa de San Francisco.

Já pela noite, cansados de subir e descer ladeiras, aproveitamos para conhecer um barzinho no famoso bairro hippie ao longo da Haight Street, chamado Cha Cha Cha. Bom dizer que essa rua tem inúmeros bares bacanas, um diferente do outro, mas todos com a informalidade e o jeitão descolado de ser desta região. O Cha Cha Cha tem decoração kitsch-Latina e serve algumas tapas surpreendentemente boas – camarão Cajun e cogumelos salteados foram nossas escolhas, altamente recomendados – além de uma sangria fiel e bem servida. O público é jovem e informal, além de um atendimento muito bom . Passamos bem com os aperitivos e bebidas que não são exagerados como se espera nos EUA, mas realmente saborosos por U$38 o casal. Dormimos bem felizes!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pismo Beach - Pacific Coast Hwy - Carmel





Começamos o dia com o tradicional continental breakfast no hotel – destaque para a maquina de fazer waffles instantâneos – e fomos para Pismo Beach. A praia é realmente muito bonita, digna de cenário de filme com cães maravilhosos e seus donos correndo na areia, contando ainda com um píer enorme e que rende boas fotos. O cenário é muito bonito no inverno e deve ser bem lotado no verão. Muitos lugares para alugar bicicletas e até Segways – bem divertido!

Dia lindo na praia.
Cenário de filme em Pismo Beach.
Pismo Beach


Seguimos em direção a San Luis Obispo, uma cidadela no meio do caminho entre LA e SF famosa por suas vinícolas e produções familiares de vinho. Rodamos pela cidade que tem um centrinho bem interessante e fomos em direção a uma rua mais afastada do centro e rodeada por plantações de uvas e representantes das marcas produtoras. Escolhemos uma aleatoriamente – ok, nem tanto, foi a que pareceu mais bonitinha e que tinha sede numa antiga escola da região – e entramos para um famoso wine tasting. Jade, nascida no Havaí e que aprendeu tudo sobre vinhos na Nova Zelandia , foi extremamente simpática e nos convidou para escolher entre dois tipos de degustação: a legal (U$ 5) e a bem legal (U$ 10), que poderíamos dividir para não cair em uma bebedeira pré-estrada. Partimos para a degustação mais requintada, que nos permitiu experimentar seis tipos diferentes e absolutamente maravilhosos em escala crescente, contando ainda com a orientação e simpatia da sommelier e uma vista maravilhosa dos vinhedos da região.

Muitas vinícolas, difícil escolher uma.
Seguimos para uma das partes mais importantes da viagem, a travessia pela Pacific Highway (também chamada de CA 01) em direção a cidade de Carmel. A estrada é inacreditavelmente maravilhosa, com pastos verdes em declive do lado direito e o oceano Pacífico margeando o tempo todo do lado esquerdo com sua costa escarpada. Como se não bastasse, é possível ver, olhando com cuidado e muita expectativa, o respirar – ou nesse caso seria o expirar – das baleias no oceano. Sem brincadeira, é realmente possível enxergar ao longe pequenos chafarizes de quando em quando despontando no meio do mar e ressurgindo mais a frente. É de arrepiar!

Paisagens incrivelmente belas.
Uma parada interessante para quem tem tempo disponível no meio do caminho é o Hearst Castle, uma construção altamente exagerada do milionário do gado e das comunicações da década de trinta. Para quem é fã de Cidadão Kane é parada obrigatória. Independente da cinefilia, o passeio vale muito a pena.

Uma senhora atendente do Hearst Castle nos disse que logo a frente havia um ponto imperdível que nós não poderíamos deixar de ver: a praia dos elefantes marinhos. Achamos que era só uma propaganda de outro ponto turístico da região, mas de toda forma paramos para conferir e, surpresa: logo abaixo de um declive na estrada, uma praia lotada – em torno de 2.000 – de elefantes marinhos selvagens. Animais monstruosos se esquentando no sol e vivendo a vida alheios dos turistas a poucos metros de distância. Para completar o cenário pudemos presenciar um filhote recém nascido, com poucos minutos de vida, se juntar ao bando entre inúmeros outros além de machos enormes demarcando seus territórios e fêmeas.

Supresa do tamanho de 2 mil elefantes marinhos!
Apesar da distância não ser tão grande, demoramos mais 2h para chegar até Carmel por conta da estrada que, como toda costa, é cheia de curvas – imaginamos que fazer este trajeto de moto deve ser uma sensação espetacular para pilotos experientes. Chegando à cidade, mais uma boa surpresa: conseguimos pegar um pôr-do-sol belíssimo na praia e aproveitar o final do dia nesta cidade super charmosa. Carmel é como se fosse uma Campos do Jordão (SP) só que na praia: tem o mesmo requinte, o mesmo cheiro de pinheiro e os restaurantes gostosos só que com vista para o mar. Apesar dos preços um pouco salgados, conseguimos encontrar um cantinho maravilhoso em um restaurante/peixaria do lado direito da estrada, logo antes de entrar na cidade, chamado Sea Harvest Fish Market & Restaurant. O lugar é na verdade uma peixaria altamente freqüentada por locais – o que é sempre um bom sinal – com apenas algumas mesinhas para degustar pratos fresquíssimos preparados por uma família de salvadorenhos. Pedimos uma entrada, pratos principais muito bem servidos – claro, todos recheados de frutos do mar – e bebidas, tudo por U$ 50,00 (incluída a gorjeta).

Por-do-sol em Carmel by the sea
Ainda no mesmo dia demos um estirão até San Francisco, o que foi bastante cansativo. Quando finalmente chegamos, o hotel que havíamos reservado teve um problema e nos encaminhou para outro, chamado Francisco Bay Innhonesto e barato com ótima localização e estacionamento próprio.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Los Angeles - Camarillo - Santa Barbara - Santa Maria



Depois de longas horas de vôo (São Paulo – Lima – Los Angeles – total de 15h no ar), com destaque para as aeronaves da LAN – super novas, muito confortáveis, com mais de 40 opções de filmes e inúmeras séries, games, etc – chegamos ao aeroporto de Los Angeles. Pegamos o carro (após pesquisa via internet a locadora mais barata foi a Avis) e saímos em um daqueles dias espetaculares de inverno, com um sol gostoso, um céu extremamente azul e um friozinho bom para tomar um café. Sendo um domingo de manhã, foi exatamente o que fizemos: paramos no primeiro Starbucks que encontramos para um Macchiato Caramel aproveitando a internet para se achar um pouco na cidade e providenciar as roupas de inverno que precisaríamos mais a frente na viagem.

O plano era aproveitar esse primeiro dia de LA para achar um outlet e comprar um belo casaco de inverno que servisse bem para neve e frio. Alugar o carro com GPS foi sem dúvida um dos melhores investimentos, já que seria absolutamente impossível chegar a qualquer lugar sem aquele bichinho mandando em você – e dá pra confiar tranquilamente. Seguimos em direção ao Camarillo Premium Outlet que estaria logo no caminho até a primeira parada: Santa Maria.


Antes disso, fizemos uma parada rápida e estratégica na Best Buy para comprar um celular pré-pago, considerando que iríamos pegar muitas estradas e por precaução é sempre bom ter um telefone a mão para qualquer emergência, ainda mais em um país estranho. Por U$ 15 compramos um aparelho com crédito para duas semanas para falar e mandar mensagens ilimitadas para qualquer lugar dos EUA. Vale a pena, só tem que habilitar pela internet.


Este outlet da rede Premium (740 E – Ventura Boulevard – Camarillo – CA 93010) é muito bom, no melhor estilo americano: muitas lojas de marca, preços bastante atraentes e muitos, mas muitos brasileiros enlouquecidos por compras. Nosso foco era prioritariamente a Timberland e The North Face, onde compramos uma bota e casacos para neve por preços inimagináveis no Brasil. As lojas ficam abertas das 10h às 20h, com estacionamento no local. Para além das compras, a cidade de Camarillo também apresenta outros atrativos como um centro histórico bem bonitinho, com direito a igreja, prefeitura e belas vistas.


Devidamente munidos das roupas de inverno, seguimos viagem em direção ao Norte e fizemos a primeira parada em Santa Bárbara, depois de um pôr-do-sol espetacular. Esta cidade merece muito mais do que uma parada rápida: é um dos lugares mais charmosos da rota, uma espécie de Sevilla americana com laranjeiras carregadas e construções espanholas. Quando chegamos estava tocando um jazz muito gostoso em um dos barzinhos e a rua principal convida a uma longa caminhada pelos cafés e lojas de tijolinhos vermelhos.

Ruas de Santa Barbara ao som de Jazz.
Finalmente chegamos a Santa Maria, onde dormimos em um hotelzinho chamado Rose Garden Inn, bastante justo e, ao que parecia, recém reformado.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Índia IV


Mais um relato das vivências incríveis de Tato Flit. Nós aqui com saudades nos deliciamos com essas aventuras pouco convencionais, agora regadas com imagem e som. Aproveitem!


Galera,

Em primeiro lugar feliz ano novo! Já estamos em 2011, nem dá pra acreditar! O irmão do Eitan já é maior de idade, já tem amigo meu fazendo o primeiro milhão, o João vai casar, a Lyca já se formou na faculdade e ainda não lançaram os carros que voam. Na Índia, tudo segue na mesma. Divertido, estressante, incompreensível, imprevisível, surpreendente! A Índia é uma mescla de tudo aquilo que você jamais faria com tudo o que você sempre teve vontade de fazer! Como diria o Alex, a Índia é uma quebra de paradigmas: já comi em lugares em que jamais cagaria...hahaha

Começarei esse email um tanto quanto youtubescco (sim! baixei vários dos vídeos q estavam na câmera pro Youtube...) pra vcs verem como a Índia pode ser divertida. Esses primeiros vídeos a seguir são candidatos ao Pânico. Apenas uma breve explicação: esse senhor conhecemos num dia em que fomos ao ponto mais ao sul da Índia. Uma viagem de 80 km de ida e mais 80 de volta que nos tomou nada menos do que 10 horas. Paramos em uma praia onde não tem absolutamente nada pq o estresse tava grande no carro. Claro, havia um bêbado...


Comecei esse email em um ferry boat entre Kollam e Alaphi. 8 horas e meia de tédio puro pelos canais que ligam essas duas cidades (cerca de 1,5hora de trem). É um ferry bem turístico com todos os aposentados suecos que vem passar as férias aqui. Serve para atualizar a vida: vi um filme no laptop, li 2 capítulos do meu livro e escrevi esse relato. Para não ser injusto, o passeio vale a pena pelas paisagens (com o tempo a coisa fica meio monótona e - como tudo na Índia – as paisagens são mais bonitas de longe). De ferry, a única coisa que lembro é que fiquei puto pq na minha vez acabou o almoço. Sempre curto ser o último da fila pra ver oq tá rolando e deu no que deu. Na minha vez, o cara do bandejão da ilhota em que paramos disse que eles haviam dimensionado mal a comida. Sussas, não? Bemvindos a Índia! Não me estresso, mas lembro de ter escrito o princípio desse mail com uma fome absurda. Fecho ele aqui do Ashram.

O Ashram ta sendo uma experiência surreal. O balanço é bem positivo. Já faz 6 dias que me fechei aqui para um retiro espiritual e para conhecer a Mother Amma, segundo vários disípulos, encarncação divina, uma alma realizada, um espírito pleno. Ela é conhecida pelos darshan (abraços energizadores que, segundo muitos, muda a vida das pessoas) e pelas boas açoes. Tentar descrever o abraço é difícil, a sensação foi diferente. Para muitos foi só burocrático. Outros dizem que faz efeito no longo prazo. Não importa! O que importa é que isso é um misto de seita, filosofia, religião, mistificação, espiritualidade, meditação, devoção, kibutz, sei lá. Ontem, por exemplo, recolhi o lixo reciclável do Ashram como parte do meu trabalho "seva", ou como diz a Amma, trabalho desinteressado. É uma cidade aqui. Anteontem a Amma estava aqui e havia nada menos do que 5 mil pessoas vivendo nessa comunidade. É muito doido explicar! Gente de todo o mundo: dos hippies catastrofistas aos mochileiros de primeira viagem que nem eu. A primeira impressão foi d um shopping center, depois de caos, depois de veneração excessiva à imagem, depois de reorganização de tudo isso na minha cabeça. Tem q ver as coisas de um ponto de vista! A mulher é realemnte impressionante, reconhecida mundialmente. Essa conversa tá fresca na minha cabeça, mas não quero tomar o tempo de vcs só com isso...
Na real, esse período mais recente desde o Natal tem sido de férias puras, num sentido mais indiano claro. Fui para lugares mais católicos em Kerala (Kerala é o Estado indiano com os melhores indicadores sociais), de praias do Mar Arábico (me sinto o Macgayver dizendo isso!), em que existe a idéia de festa (pelo menos a idéia pq na prática, já vos contarei...), aonde comer comida ocidental é prática inclusive entre os indianos (calma! Você nunca se salva por completo de um ultra spicy inesperado) e aonde o mar dá uma sossegada na vista, até então acostumada com lixo, pobreza, lixo, pobreza (não necessariamente nessa ordem). Aqui tenho comido mais seafood, conversado com “indianos mais normais” (vc identifica um qdo ele pára de olhar pra vc em menos de 10 minutos, qdo ele não é um possível estuprador, qdo ele sabe falar inglês decente ou qdo ele, pelo menos, sabe aonde é o Brasil) e feito uma rotina mais preguiçosa. Em Goa passei 10 dias, em Kovalam uma semana e em Varkala mais uma semana. Lugares em que acordei tarde, fiz amigos, fui pra praia e comi bem (dica inútil: empanada de chapati na Black Beach em Varkala)

Esse período mais recente de Goa a Varkala que chega até Alaphi (semana passada) contarei com mais calma no fim do email. Só queria atualizá-los de todo o resto da trip que acabei pulando/não contei por motivos logísticos. Quando lembro desses lugares, lenbro de pessoas bem especiais que conheci no meio do meu trajeto. Algumas fui revendo inesperadamente, o que é bem interessante na Índia. Gente que conheci há 2 meses no norte do país se reecontra numa praia deserta do sul da Índia num restaurante de comida thai. Acho que o tesão maior está em conhecer pessoas. Lugares quando se está sozinho perdem um pouco do sentido, porque não tem compartilhamento. Das pessoas mais especiais: casal boliviano que mora na Bélgica e descobriu uma brecha pra "trancar" seus trabalhos por uma ano pagos pelo Estado Belga, dois amigos argentinos de infância que são completamente opostos (um malabarista nos semáforos de Barça, o outro economista e fazendeiro. Muito loka a combinação!), uma irlandesa perdida que se juntou ao grupo, não falava um pingo de espanhol e era a que mais ria das piadas, dois eslovenos produtores culturais que tinham uma puta vibração loka e curtiam comer que nem uns porcos (claro, sempre com uma breja na mão e gargalhando alto. Pela primeira vez na Índia, consegui gastar tipo 35 reais num restaurante...), dois atores brasileiros que encontrei aqui no Ashram (um deles morando num teatro na Itália). Meu próximo destino será acompanhado de um irlandês e um israelense que, por coincidência, os encontrei na porta do Ashram e já se foram para o meu próximo destino: Kumali, parque nacional de Tekedi (detalhe: o irlandês é tão maluco que esqueceu metade das roupas dele na lavanderia do Ashram. Por sorte, tô eu aqui pra salvar a vida do cara e levar as roupas dele para Kumali...)

Recapitulando: da última vez que escrevi ainda tava no Nepal começando minha jornada. Pois bem, já voltei do Nepal pra Ínida, fui pra Bangalore aonde comecei minha parte mais "trabalho" da trip, fui num fim de semana pra Hampi (trombei o Alex por lá, figura q tem se repetido nos meus rolês desde então), acampei com crianças de uma favela de Bangalore por um trampo voluntário por 3 dias (insano!), gravei um filme de Tallywood como figurante ("Ayyeré" que será lançado em 2 meses!) e ainda fui pra Hyderabad na casa do Alex por uma semana, antes de chegar em Pune e Mumbai. Mumbai já contei no último email. Meu roteiro tá meio irregular para quem vir um mapa da Índia (pretendo mandar um mapa da Índia com tudo o que já fiz), o que se explica por eu ter ido para sul trampar e abortado a missão no meio do caminho.

Só para esclarecer: o trampo que eu arrumei demandava mais tempo do que eu dispunha e Bangalore (cidade aonde ficava o escritório da ONG) foi a pior cidade até o momento. Em 2 semanas, conheci apenas 2 pessoas. Solidão total no meio do pior do caos urbano. Segui viagem. Mas de um modo diferente. Aproveitando cada um dos contatos profissionais que se abriram no setor de social business para conhecer mais do setor. Aqui isso tá bombando! Cheguei até a ir num evento em Hyderabad sobre o tema e tenho feito bons contatos com gente bem legal (fiquei bem feliz de ir ao Hub Mumbai e ser reconhecido por algumas dos empreendedores que trampam lá e que me viram no evento).

Voltando lá atrás na viagem: quem não foi ao Nepal, tem q ir! É sensacional! Lindo! Depois do Brasil, não lembro de outro destino que tenha me encantado tanto pela natureza (talvez Cuba). Por lá, mais da metade do meu tempo passei no treking para Anapurna Dolaguiri ( a 8a montanha mais alta do mundo). Fica dentro das cadeias de Annapurna, mas é bem menos turístico (o rolê de Annapurna pode durar até 21 dias e ultimamente anda bem crowdiado). Foi incrível! (e um pouco salgado também: 8 dias de treking por 550 dólares) Fomos ao ponto até aonde dá pra chegar, tipo um base camp da montanha, a 5.200 metros de altura. Aprendi oq é ter asma nesse dia! Deve ser a mesma sensação: dificuldade de respirar é bizarra, seu corpo treme pelo esforço (subimos de 3700 para 5200 de altitude num mesmo dia e descemos, 16 km de caminhada no mesmo dia) e o frio aonde não há sol já me dá arrepio. A noite a temperatura baixa de zero e pra dormir é aquele esquema "segura se precisar ir no banheiro" pq se não congela tudo.

O grupo que formamos foi bem heterogêneo, desta vez nenhuma biba maluca querendo descer do camelo: 2 dinamarqueses, 1 belga, 1 americano, 1 suíco e eu. O americano, além de ser o melhor fotógrafo que eu já conheci, tem um blog em que conta dia-dia nosso treking. O cara só confundiu minha mãe com meu imrão na hora em que escreveu sobre mim. Mas vale a visita tanto no blog como no flicker dele.

No Nepal, conheci um dos caras mais interessantes da trip. O famoso espanhol de quem já comentei com vários de vcs q faz urinoterapia e cruzou o Atlântico como cozinheiro de um veleiro, sem sequer ter feito qualquer outro trampo de cozinha na vida. O cara caiu em Recife no meio do carnaval. Com 30 anos esse cara fez mais do que 99% das pessoas que já conheci. Além de beber xixi, o cara fez teatro, cozinha, navegação,... Quando o conheci, estava perdido pelas montanhas do Nepal sozinho, sem guia (lá tem trilhas, claro, mas é bem fácil de dar merda), enfim, mais um Macgayver da vida para quem eu e o Raul Gil tiramos o chapéu.

Acho da trilha em si oq ficou de mais divertido foi a emoção de todos se abraçando e dançando ao chegar no topo, oq foi documentado pelo americano. A dança era quase uma tentaiva de resignificar tudo aquilo. Pq é inevitável chegar lá semi-morto e se perguntar "pra que?". A reflexão mais interessante é uma que o Resão sempre me lembra: nós que inventamos objetivos pras nossas vidas. Não há um sentido. Não tem porquê salvar pobres ou escalar montanhas. Mas o ato de desafiarmos a nós mesmos é o que nos mantém vivos.


De volta a Índia ou a "classe sem professor", conforme apelido que um amigo israelense deu pra Índia, trombei o Gustavão no mesmo avião... Cara, imagina vc tá voltando de Kathmandu pra Índia e aparece um broder seu na porta de desembarque...hahaha... Passamos umas 3hs juntos pq ele foi comigo de metrô pra cidade de Delhi conhecer o Chandi Chowk, o mercado público no centro de Delhi. Horas de risadas, boas histórias do Nepal, todo mundo fedido e cansado, mais magro, mas super feliz! Não preciso nem dizer q ao voltar pra Índia passamos um perrengue básico que nos custou bem caro: o taxista nos deixou bem longe do combinado, tivemos que pegar o metrô de Delhi na última estação. É bem pior que sair de Iaquera para chegar na Vila Madalena, acreditem!

Depois de Delhi, Bangalore. Bangalore, em síntese, é uma cidade que me tratou muito mal. Uma cidade na qual tentei simular uma vida mais longa e em poucos dias, desisti. Imagino que é como um turista chegando em SP sem mapa, sem amigos, sem falar a lingua, buscando casas pela internet, pegando taxistas que não te entendem, não encontrando áreas de lazer, preso no trânsito. Mas foi a cidade que me permitiu resolver várias burocracias da vida (tipo mochilão, óculos e etc) e me fez abrir ainda mais os olhos pra negócios sociais e pra saudade que me deu de viajar. Duas semanas parado e já queria me jogar da janela. Passei dias sem nada para fazer, contando as vezes que o meu vizinho indiano de quarto vinha bater a minha porta pra me apresentar seus amigos.

É um caldo de cultura interessante pq é uma cidade que convive com a modernidade sem saber muito como. Tem festa, mas fecha tudo às 23:30. Foi em Bangalore tb que assisti ao meu primeiro filme em hindi, muito muito engraçado (ahh...tem intervalo no meio do filme e os caras quase se escondem qdo pode pintar uma cena mais quente). Lá em Bangalore q tb começaram a aumentar os custos da trip. Uma merda a vida na cidade grande. Ainda mais na Índia quando vc está hospedado em um lugar com baratas, em q o vizinho de quarto cozinha todo dia alguma coisa com alho e cebola (sim, ele montou uma cozinha no banheiro dele) e na rua de trás tem uma mesquita que acorda todo o bairro às 5 da manhã. Sussas, não?

Em Bangalore, entre os contatos que fiz, conheci uma ONG que me ofereceu um trabalho voluntário que adoro fazer: ser monitor de camping. Sobre o acampamento com a molecada, fiquei até ansioso, pq tive q me comunicar com a molecada sem sequer falar a língua deles (tudo oq eu já sabia de hindi não serviu de nada pq em Bangalore a língua é o karnnadá). Fazia mais de 5 anos que não era monitor de acampamento (saudades...). Na real, foram 44 crianças da faixa de 8-10 (idade excelente!) e num pico maravilhoso. O lugar é conhecido por ser um pico para escalada de paredão e eu nunca fui lá muito bom nisso... O maior sucesso com a molecada foi o hit "fala bum ti ca bum!" por incrível q pareça. Bons links de vídeos: Primeiro, segundo e terceiro.

A verdade é que tem coisas que vc nunca vai entender na Índia. Hoje comprei uma pasta de dente. Custava 47. Entreguei uma nota de 50. Perguntei se o cara queria mais 2 rúpias para ficar 52 e ele me devolver 5. Básico. Na real, um parto. Mostrei as 2 rúpias e o cara fez sinal para que eu as entregasse. O cara me devolve 5 de troco em moedas. Porra, mano! Era a mesma coisa que me dar 3 de troco em moedas, ora bolas. Ele simplesmente me devolveu minha moeda e deu mais 3. E não foi a única vez em que isso me ocorreu.

Outro dia aqui em Bangalore fui atrá de mochilão. Graças a Trilhas e Rumos e ao sobrepeso (acho que meu mochilão de 70 litros já tinha sido expandido para mais de 100 faz tempo), a costura rasgou. Cara, se vc imagina que vc está numa cidade de shoppings, estrangeiros, lojas, comércio farto, na parte mais central da cidade, vc deveria achar um mochilão com uma certa facilidade, certo? Óbvio que não. Bem vindo a Índia! Vc não acha nada pela internet... Se achar, vc não entende como chegar pq os endereços são um capítulo a parte (o guarda da esquina da rua não sabe nem aonde ele tá, as ruas não tem numeração, não tem placas, tem nomes duplicados em outras partes da cidade, perde-se muito muito muito tempo em deslocamentos). Fui pedindo indicações na rua em que me disseram haviam lojas de mochilas para treking. Cheguei numa loja de mochilas que só tinha mochilas escolares do Pluto, Pateta e etc. Só de puto pergunto pro cara se ele tem alguma mochila de treking de 60 litros. O cara me pega uma mochila do Mickey e uma da mãe dele vestida de Bozo e me dá. Digo, então: oq é isso? "Duas de 30 litros. Dinheiro ou cartão?"...hahahaha... não é q o cara achou q eu ia mochilar com duas mochilas escolares???!!! é isso que eu digo: chega a ser tão sem noção e é todo dia que vc fica anestesiado. No fim das contas, os caras não estão nem aí com nada. Se eles te fornecem a informação correta ou não, se eles estão te oferecendo oq vc pediu, se eles sabem oq perguntou ou não. Dá na mesma. Indiano tem uma mescla de vergonha de dizer não sei com uma falta de dimensão de prestação de serviços, o que gera o caos que tenho tentado descrever.

Outro dia fui num KFC. Tava com saudades. Pedi sozinho um balde de fritura. Aí pedi sal no caixa. Um puta rebuliço no balcão. “O cara pediu sal, o cara pediu sal...” Mano, num tem sachê de sal num fast food??? O cara me traz uma cumbuca com sal até a boca na minha mesa perguntando se era suficiente. É nisso que eu me pergunto se o cara se propôs a pensar antes de fazer. Porra, bixo! Eu não bebo sal! Aí ficava todo mundo me olhando como o cara que causou na loja. Já te olham normalmente. Se vc tropeça ou pede sal, então... Putz.

É impressionante quanto tempo demora para fazer as coisas mais básicas na Índia: só para achar uma loja de mochila foram 2 dias. Não tem na internet, as pessoas não entendem oq vc diz e isso é foda. Tem dias em q vc simplesmente quer se matar, tem dias que vc ri. Eu fico pensando e discuti com muita gente como alguns gestos simples não reverberam para eles. Parece problema de cognição mesmo, já não é de linguagem. Pedimos carona em Hampi por exemplo para voltar da repesa e dissemos apenas o destino: Hampi. Queríamos voltar para onde estávamos hospedados. O cara deixou a gente 2 vezes mais longe e disse: "here!". "Here what cassete?" Como estávamos eu, o Alex e uma amiga dele o passeio fica agradável, divertido e vc ri. Mas qdo vc precisa de alguma coisa com pressa te tira do sério, bixo.

Só pra completar a trilogia dos serviços: precisei fazer óculos aqui. Tive a genial idéia no Brasil de passar numa fotóptica em Sampa e pegar uma receita da minha lente antes de vir. De curioso, passei em 2 lojas e pedi para tirarem meu grau. Bixo, o bagulho sai completamente diferente da receita que eu tinha. Aí perguntei: mas pq é diferente? a moça responde: é igual. Mano, num sô burro! Tá escrito em um S: +1,25 e na outra -0,75. A moça faz aquele gesto típico de chacoalhar a cabeça e diz: "oq importa é a soma. Dá na mesma". Não sou oftalmo, mas sei q se vc tem -1 num olho e +1 no outro não é a mesma coisa q vc ter -3 em olho e +3 no outro. Mas, quer saber, desencana. Entreguei minha receita e falei usa a q vc achar melhor...hahaha. Tô com óculos novo e, pior, funciona!

Sei lá. De vez em qdo vc suspeita dos caras (com motivos), mas normalmente com muita paciência e perseverança dá certo. Essa é uma lição da Índia. Na mesma medida em q os caras vivem numa classe sem professor em q tudo pode e nada se resolve racionalmente, por outro lado, acontecem milagres do nada, situações completamente inusitadas. Mas se vc tiver na Índia de mau humor e com pressa, meu amigo... No fim das contas, os caras, não esqueçamos, tem 11 prêmios nobéis e nós não temos nenhum. Então vai ver q eles entendem alguma coisa de alguma coisa...

Hampi foi um alívio! Passamos um fim de semana por lá que foi de cinema, bixo. Ou como diria o Schatan, de fechar o comércio...hahaha (Schats, adoro suas expressões!). Trombei o Alex que tava com 3 amigas, mas só uma era gente fina (vocês veram nos vídeos do youtube). No primeiro dia, sábado, alugamos uma moto (detalhe: nenhum dos dois jamais tinha dirigido uma antes) e saímos pra dar rolê pelas ruínas da cidade. Logo no primeiro minuto eu derrubei os dois da moto, abri meu dedão, a correia soltou e tudo isso em frente a polícia. Claro q ninguém veio ajudar, eles queriam saber primeiro de q país eu era ("witch country?" hahaha) e eu como dedo sangrando. A cidade foi capital de um império nos séculos XIV e XV... Uma cidade que misturava ruínas com clima de praia. Cheio de israelenses. Lindo! Um fim de semana foi pouco. Sobre Hampi: Primeiro, segundo e terceiro.

Uou! Tem também o filme que fizemos em Hyderabad. Nos créditos certamente aparecerão Tatola Sódezuera Flit...hahaha (o cara pdeiu para a gente colocar nossos nomes pra vir nos créditos). A gravação em si é um saco, mas é muito divertido ver quão precária é a coisa. Ao mesmo tempo, é sempre divertido. Fui o fotógrafo em uma das cenas do filme, pq não me deram papel nenhum e o diretor ficou com dó de mim...hahaha. Vejam do que trata logo abaixo: Primeiro, segundo e terceiro.

Pulando um pouco mais (agora desencanei por completo de ordem cronológica), preciso contar do meu reveillon. Cara, sem noção. No mau sentido. Bizarro! Fomos pra uma praia chamada Kovalan, típica praia de indianos em férias. Areia suja, pouco espaço, milhares de vendedores, nada de surf (o brazuca que escolheu o roteiro tinha escolhido por conta das supostas ondas do local). O divertido era o volley de praia dos estrangeiros contra os indianos no fim da tarde.

A festa de reveillon em Kovallam me lembro como um caos. Descemos pra paia depois do tradicional esquenta. 11: 30 já haviam pelo menos 5 mil indianos em volta de nós (13 pessoas). Eles chamavam os amigos para nos observarem e assim fica um pouco mais difícil manter alguma privacidade, digamos assim. Fotos, gentes se atirando e, claro, imitando os ocidentais. Na hora da virada, sem fogos, sob o olhar atento de vários indianozinhos, fomos saltar as 7 ondinhas. Claro, vieram os policiais armados com bambu... hahaha. Bambu, mano?! Pois é. E os caras dão no teu calcanhar pra vc nunca mais pular 7 ondinhas...hahaha. Beleza. Desencanamos. Os indianos já estavam fervorosos e começaram a perder a estribeira. Melhor parar. Alguns indianos vinham nos abraçar. No começo, sussas. Depois, vc percebia que era uma desculpa ara apertar as minas do grupo. Aí o clima fechou. Sem 7 ondinhas e sob proteção anti-estupro, fomos a um hotel na frente da praia. Não pensei duas vezes. Pulei na piscina. No que eu pulo, vejo a merda: cagada ensaiada. Os indianos começam a fazer o mesmo. Metade nao sabia nadar. Era 12:30 am e eu tava resgatando indiano que ia se afogar na piscina do hotel. O gerente do hotel pára a música. Manda todo mundo sair da piscina. 3 celulares boiando, nenhum indiano morto. Pára de servir breja. Voltamos para nossa casa. 4 da manh~a: invasão. Indianos vestidos com máscaras querem participar da festa. hahaha. Assustador. Imagina que vc tá na varanda da sua casa e entram 3 indianos com máscaras e começam a tentar fazer gracinha do lado de dentro da sua casa. Claro, noção de propriedade aqui e outra...

Engraçado foi um dia ainda em Kovalan que saí de rolê com o Alex e com o Flaf e conhecemos um motorista de rickshaw que tava visivelemnte chapado. Queria nos levar voando, segundo ele. hahaha. Imagina um indianozinho de um metro e cinquenta querendo te convencer a entrar no carrinho dele pq ele conseguiria voar...hahaha. Esse era um ex-pescador local que nos explicou como se pescava na região: "é fácil! só botar dinamite no mar..."Uou! Isso explicava os milhões de ppeixes que ficavam mortos na arei da praia. Uma chacina diária. Até q a polícia resolveu proibir (não resolveu muito pelo jeito) e o personagem em questão mudou de profissão.

Profundos conhecedores de como as coisas funcionam por aqui, eu, o Alex e o Flaf (francês doidão) estávamos passando em frente uma delegacia qdo o Alex teve a idéia genial: vamos fazer um documentário sobre isso! hahaha. Entramos. Os indianos guardinhas nos receberam super bem. Nos apresentamos como jornalistas documentaristas internacionais que queriam entender o porquê dessa absurda proibição da pesca com dinamites...hahaha. Sensacional! O foda foi que quando tirei a câmera do bolso, o tempo fechou. Aí veio o xerife pedindo passaportes. Detalhe: eu tava de sunga...hahaha. Claro que sabíamos que não ia dar nada. Nos comprometemos a voltar no dia seguinte e nunca mais aparecemos.

Ahhh... No reveillon conheci o Sam. Um francês que veio estudar budismo em Delhi. QUer nos receber na casa dele para frequentarmos umas aulas com ele. Parece bem loko. Na real, a possibilidade cairmos para Delhi é grande! Planos ficarão para o próximo email, pq até o momento nada certo. Possibilidade grande de ficar mais um tempo, pelo menos. Agradeço a todos que tem acompanhado e pedido mais relatos. O mesmo tesão que eu tenho em contar essas histórias, eu tenho em vivê-las. E ainda tem mito chão pela frente... Bom, tinha muito mais coisa pra falar. E que esqueci. Essa é a merda de não documentar. Culpa minha. O Ric me deu esporro no telefone por causa disso e com razão. A idéia é começar um blog pra contar a Índia com bom humor. Esse é o plano para depois que eu voltar do Sri Lanka com o Alex. Prevemos fazer essa trip até meio de fevereiro (alguém mais?).

Semana que vem estarei em Auroviile, cidade criada para ser um modelo anarco-ecumênico de convívio mundial e experimentação. 2/3 da população é de estrangeiros e a idéia é cair pra lá com o Alex que tem um bom contato por lá.

Namastê!
Tatão

Ps1: Tour pela "maior favela" da Ásia!

Ps2: dicas inúteis (pq ninguém vai usar):
Melhores restaurentes:
ruci & idoni (Hyderabad)
ice & sipcy (Bangalore. Hobby lanches local. Melhor sanduíche de lamb da história!)
mango tree (já valeria ir a Hampi só por causa desse restaurante. Salada de manga com chapati)
8th Wounder (Palolem, Goa. Buscar pelo Jimy, garçom, broder, mutretero e pescador)
Melhor praia: Marari Beach (14km acima de Allappey)
Melhor sorvete: Scoops (Hyderabad, atrás do Shoppers Stop)

Ps3: Hyderabad: num forte, resolvemos conversar com cada indiano que nos parava. Depois resolver parar alguns indianos. Na Índia, tudo é possível: esse moleque virou o herói da escola. Fizemos como se ele já fosse um velho conhecido meu...hahaha
(its an honour to meet you, sir!)

Ps4: tem mais um vídeo só pra terminar. Tá no blog de uma amiga aqui. Se quiserem o link, tá aí atrás.
(só dar uma busca por maluco corinthiano...hahaha)
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