segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Los Angeles III



Acordamos cedo para enfrentar um sábado bastante corrido, uma vez que este seria nosso último dia de viagem.

O plano do dia era usar o ticket comprado no dia anterior para conhecer o Universal Studios, dar uma volta por Beverly Hills, Rodeo Drive e outros pontos turísticos, além de finalizar as compras da viagem. Obviamente, não deu pra fazer tudo. Na verdade nunca dá. A ansiedade do último dia de viagem misturada com a esperança otimista de conseguir fazer tudo que falta é uma combinação que geralmente não funciona.

Pra ajudar, estávamos em pleno sábado, e o estúdio estava realmente lotado.


O bom e velho Tubarão!

Quando compramos os tickets para o estúdio a expectativa era de conhecer galpões, cenários, “props” e, quem sabe, conseguir assistir a alguma produção. De fato, pagando caro, se consegue fazer isso em alguns deles, na Universal, por exemplo, o ingresso custa U$ 259,00!!!. O nosso pobre ticket de U$ 75,00 nos deu o direito a entrar no complexo de entretenimento City Walk (restaurantes, lojas, cinemas, shows) e entrar no parque. Sim, no PARQUE, mi-li-me-tri-ca-men-te idêntico ao que se vê em Orlando, Flórida.

Este casal, apesar de não ter relatado essa viagem aqui neste blog, já esteve neste outro local de semelhança inconteste em 2008, fazendo deste passeio um tanto repetitivo e... frustrante!




Cenário de Notting Hill





De qualquer maneira, um parque de diversões nos EUA é sempre uma alegria. O Universal te remete aos filmes que adoramos todo o momento, clássicos como Tubarão, De Volta Para o Futuro, Jurassic Park, Notting Hill, e mais recentemente Os Simpsons e Harry Potter marcam presença seja nos brinquedos (rides) ou mesmo nas lojinhas. São poucas atrações - neste ponto Orlando sai ganhando -, mas todas bastante divertidas. Pra quem nunca foi ao complexo Disney World/Universal em Orlando, talvez seja mais legal. 

A parte do tour pelos estúdios vale mais a pena aqui, uma vez que é possível passar por Wisteria Lane, rua fictícia onde se passa o seriado Desperate Housewives e tantos outros filmados ali.


Desastre aéreo? Sim se você se lembra de "A Guerra dos Mundos".


Dá pra ficar no parque o dia todo com facilidade, mas como se tratava de nosso último dia inteiro em LA deixamos o local próximo das duas da tarde para aproveitar o resto do dia.

Começamos então a maravilhosa maratona de fim de viagem chamada “falta comprar o que?”. Presentes, encomendas, aquele negocinho que você viu no começo da viagem e não comprou, etc e cositas más!

Recarregamos as energias com um almoço num fast food que estava fazendo o maior sucesso em LA, o Baja Fresh. Trata-se de uma lanchonete de comida mexicana feita com produtos 100% frescos e que caiu nas graças das estrelas de Hollywood. Na porta da filial de Beverly Hills, onde estávamos, só carros extravagantes e “pessoas saudáveis”, nenhum movie star. Caí na besteira de deixar a Gabi pedir pra mim enquanto estacionava o carro e quando vi estava comendo um burrito de quase 1kg. Mas vejam bem, era quase 1 kg de comida ultra fresca e saudável!!! Enfim, um tanto hypado demais pro meu gosto.


Vai um burrito? Está fresquinho...

Atrás de encomendas, fomos parar em um centro comercial muito legal da cidade, que também era um dos pontos que queríamos conhecer, o The Grove. O lugar é um agradável e charmoso shopping a céu aberto com lojas bacanas e restaurantes legais. No finzinho da tarde quando chegamos tinha uma bandinha de jazz tocando na praça central, super bacana.

Alí, perdidos na gigante Barnes and Nobles, acabamos encontrando meus tios, que estavam fazendo o mesmo giro pelos EUA com um grupo de amigos, mas no sentido contrário. Havíamos encontrado com eles em Las Vegas e não havíamos combinado de se encontrar em LA. Em uma cidade de quase 10 milhões de habitantes quais as chances disso acontecer? 


Simpático para compras, não?


Fizemos tanta propaganda do jantar do Baby Blues BBQ que eles não tiveram dúvidas sobre o destino daquela noite. E lá fomos nós, mais uma vez, ao nosso mais novo boteco favorito! Nesse momento eu me arrependi profundamente de ter almoçado 1kg de burrito às 4 da tarde...

Após o jantar, ainda demos uma última volta de carro pela Cidade Proibida. Perambulamos pelas mansões de Beverly Hills, passeamos pelas lojas da Rodeo Drive e o cansaço e a necessidade de arrumar as malas foi crescendo.

Assim, voltamos ao hotel para os últimos preparativos de volta ao Brasil. Na manhã do domingo, o que nos restou foi finalizar as malas, abastecer e devolver o carro que heroicamente percorreu quase 4000 Km de praia, neve, montanhas e desertos e voltar pra casa.

Sem dúvida nenhuma, pra uma viagem que foi programada em três dias, esta acabou sendo uma das aventuras mais divertidas deste casal. Um equilíbrio quase ideal de natureza e cidade, estradas e paradas. A região oeste dos EUA merece todos os turistas que recebe por ser incrivelmente bonita e proporcionar facilidades que dificilmente se encontra em outras partes do mundo.

Como sempre em nossos espíritos viajantes, voltamos pra casa com o gostinho de quero mais!


Alguma sugestão para as próximas férias? 
    

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Los Angeles II, Hollywood e Santa Monica


O famoso letreiro atrás do complexo Kodak.


"There and Back Again", assim é intitulado o livro escrito por Bilbo Baggins no clássico de Tolkien "O Hobbit", e que muito em breve se transformará em filme seguindo o sucesso de "O Senhor dos Anéis". Da mesma forma descrita no livro/filme, estávamos de volta ao começo da nossa curta jornada pelo oeste americano: Los Angeles.

A Estrada

Saímos cedo de Phoenix, deixando o pobre do Duda muito mais cedo que o necessário no aeroporto de Phoenix. Tudo isso por termos pela frente nada menos que 373 milhas e 6 horas de estrada pela frente. Praticamente um retão que não acaba mais. 




O deserto e nada mais.

Havíamos decidido descer do Grand Canion até Phoenix e não voltar pra LA direto basicamente por três motivos: primeiro porque não queríamos repetir a estrada que havia nos levado do Sequoia National Park até o Canion; segundo por que queríamos dar pelo menos uma rápida passada por Sedona - o que se provou valer a pena! -, e terceiro que estávamos muito próximos de Phoenix para não conhecê-la. Acreditamos piamente nessas oportunidades de caminho que muitas vezes nos deparamos em viagens: está tão pertinho, temos tempo, dá pra ir por lá... por que não? 

Seguimos pela I-10 de Phoenix sem nenhuma perspectiva de parada, somente o deserto ao nosso redor e algumas guloseimas (que confesso já estavam enjoativas depois de duas semanas de roadtrip) para que pudessemos chegar a LA o mais rápido possível. Da estrada, no entanto, podemos citar ao menos um local pitoresco. A certa altura, já cansado, parei para dar lugar à pilota Gabi em um posto de gasolina abandonado. Prestando um pouco mais de atenção no entorno fui perceber que havia uma cemitério de tanques de guerra atrás de uma cerca ao lado de uma casa bem simples. Em frente à casa, uma estátua baixa de um soldado e um cachorro. Curioso, entrei pra ver o que era. Estávamos, na verdade, diante do museu do famoso General Patton, herói americano da II Guerra Mundial e eternizado pelo filme que leva seu nome. Algumas fotos depois, seguimos viagem.

Memorial do famoso General Patton

Tanques na estrada? Parada obrigatória!!!

Los Angeles

Descobrimos que estávamos na cidade quando o trânsito começou a ficar mais pesado e as infinitas placas de saída da autoestrada começavam a indicar locais familiares como Hollywood, Pasadena, San Fernando Valley, etc. Já era meio da tarde e tudo que queríamos era chegar no hotel para podermos aproveitar alguma coisa ainda no mesmo dia. 

A decisão do hotel foi algo difícil aqui. Sem muita idéia de qual seria a melhor localização na imensa e espalhada Los Angeles acabamos decidindo por um hotel de rede em um dos pontos mais turísticos, mas não necessariamente centrais: o Quality Inn de Hollywood. Após conhecer um pouco mais da cidade certamente faríamos diferente. Estar a duas quadras da calçada da fama e do teatro chinês, pontos ultra-turísticos, de fato é interessante, mas são programas que em uma manhã ou uma tarde se acabam e no fim você está preso a um canto da cidade que não oferece muito mais que isso. Além disso, já li em outros blogs que a região não é das mais seguras pra se andar a pé, e confesso que mesmo acostumado com cidades grandes, de fato não foi muito agradável perambular pelas ruas durante a noite.


Quase eu.

De qualquer maneira, jogamos as malas no quarto (antigo e meio caído) e fomos brincar de turista na calçada da fama, Teatro Chinês e Museu de Cera com astros de Hollywood. 


A imponente porta do Teatro Chinês (tem salas de cinema funcionando).


Pra quem é cinéfilo como nós, o programa apesar de batido é divertido. Abstraia as mil e quinhentas lojinhas de souvenirs, os artistas de rua travestidos no seu personagem favorito e os milhões de turistas. Se conseguir, você poderá sentir um lado dos astros de cinema muito mais humano e próximo que se imagina. As mãos e pés impressas em cimento na frente do Teatro Chinês - muitas delas com artistas do começo do século passado, já desconhecidos da maioria do público alí presente - transparecem uma Hollywood menos marqueteira, mais amadora e distante dos endeusamentos feitos aos atores e atrizes de hoje em dia. Muitas das impressões, inclusíve, registram recados de agradecimento ao antigo dono do cinema (Sid) que começou essa brincadeira na calçada. Com um olhar mais atento, dá pra imaginar como essa forma de arte era antes dos bilionários blockbusters do cinema atual.


Sid era o antigo dono do cinema Chinês.

Como estávamos na cidade do cinema, tínhamos combinado de visitar um estúdio. Existem algumas opções à disposição, afinal, "this is Hollywood!". Acabamos comprando, na própria Hollywood Boulevard, um ticket para a Universal Studios. O ingresso nos deu direito a entrar no museu de cera Madame Tussauds, e foi o que fizemos. As estatuas são de fato muito bem feitas e o programa se torna muito divertido quando se tem uma máquina fotográfica à mão para se fazer pose ao lado dos famosos.


Não é todo dia que se dança com Fred e Ginger.


O padrinho me fazendo uma proposta que eu não poderia recusar...

Gênio trabalhando.


Ainda a noite, queríamos conhecer outro ícone da cidade, o pier de Santa Monica, com sua famosa roda gigante que colore a noite e o marco final da Rota 66, nossa velha conhecida de Flagstaf. Ao mesmo tempo, eu, particularmente, estava doido pra comer o típico churrasco americano de costelinha de porco, coisa que eu sabia que encontraria na gigante LA. Uma rápida busca em um site de "restaurantes para locais", achamos a melhor descoberta gastronômica desta viagem: o concorridíssimo Baby Blues BBQ. Aqui o que vale é a comida. Nada de ambiente requintado ou louça impecável. Pelo contrário, trata-se do velho e bom boteco sujo da esquina, que serve seu delicioso  churrasco em pratos de plástico e faz com que você se sente em mesas carcomidas. A espera é grande - ficamos quase 1h na fila - sendo lentamente torturados pelo cheiro da grelha de onde saiam verdadeiros "filés de brontossauro", para lembrar Fred Flintstone. Pedimos o prato para dois (que dava pra quatro) que nos dava o direito de experimentar quase tudo que sai da churrasqueira: dois tipos de costelinha, carne de porco desfiada, camarões, acompanhados de quiabo (uma delícia!), milho doce, feijão, cole slaw, entre outras coisas. Tudo regado a quatro molhos BBQ que ficam a disposição na mesa em nada convidativas bisnagas de plástico. Só posso descrever que comemos, comemos e quando não dava mais, comemos mais um pouco. É obrigatório para os amantes desse tipo de comida.


Visão noturna do Pier de Santa Monica

O pier, nossa caminhada digestiva, foi bem interessante também. Vale um passeio rápido para algumas fotos. Santa Monica, no geral, se mostrou bastante convidativa para caminhadas por suas lojas, centro comercial e diversos bares e restaurantes. Ficou para uma próxima vez, pois depois de comer tanto, e dirigir boa parte do dia, voltamos exaustos pro hotel.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sedona & Phoenix

Sedona

A viagem, que neste ponto já se encaminhava para seus momentos finais, ganhou mais um sabor de surpresa ao deixarmos Flagstaff em direção à Phoenix. Literalmente descendo a montanha, nos deparamos com uma estrada exuberante de formações rochosas em um cenário extremamente familiar aos fãs de cinema.
Onde estão os índios? E o Big Jack?


Acostumado a acompanhar meu avô nas tardes de sessão “Bang-Bang” da TV Record em boa parte de minha infância, Sedona se mostrou grata surpresa pela beleza natural e pela incrível reminiscência: o deserto vermelho com cactus verdes e montanhas deformadas pela erosão de ventos e chuva. A paisagem, além de ter servido de cenário á inúmeros filmes de faroeste, é a inspiração para o palco das aventuras de Papa-léguas e Coiote.
Beep Beep!


Além das belezas naturais – que já valem a visita –, a cidadezinha de Sedona (um conjunto de poucas ruas) é extremamente agradável, contando com cafés, lojinhas de artesanato, galerias de arte e alguns restaurantes. É famosa também por seus parques naturais no deserto, trilhas, escaladas e curiosamente pela concentração da oferta de terapias alternativas (exotéricas, sexuais, orientais, etc).
Charmoso comércio local


Infelizmente acabou sendo somente uma cidade de passagem. Passeamos rapidamente em seu charmoso centro comercial – onde Gabi teve a oportunidade de gastar seu francês com lojistas canadenses – e admiramos de longe as diversas montanhas com formatos esquisitos. Aconselhamos a visita à capela Holly Cross projetada pelo arquiteto Frank Lloyd Wright, muito bacana.
Capela incrustada na pedra. Projeto de Frank Lloyd Wright


A dica pra quem vem de Flagstaff rumo a Phoenix é dormir uma noite a menos no Grand Canyon e passar um dia completo nesta charmosa cidadezinha. É o que certamente teríamos feito se soubéssemos de tudo isso. Bem, fica pra próxima: beep-beep!

Phoenix

Phoenix foi a grande decepção dessa viagem. Desde adolescente sempre tive uma vontade quase que inconsciente de conhecer essa cidade no meio do deserto. Talvez pela preferência pelo time de basquete local, o Phoenix Suns de Tom Chambers e depois Charles Barkeley, enquanto o resto dos amigos torcia pelo Bulls de Michael Jordan. A verdade é que tivemos tempo de sobra e poucas atrações turísticas – ao menos para incautos visitantes de passagem como nós.

Ficamos no hotel mais “baratex” que achamos e que pudesse representar algo de limpo e seguro. A idéia era fazer da cidade um posto de parada antes da longa viagem de volta a Los Angeles. Dalí, os guias indicavam um jardim botânico como grande atração da cidade e nada de muito diferente para a culinária local. Certamente devem existir programas incríveis e restaurantes fantásticos nesse lugar, mas a verdade é que na situação em que nos encontrávamos resolvemos aproveitar o tempo para fazer o que se pode fazer em qualquer lugar dos Estados Unidos: compras em grandes redes e jantar em restaurantes conhecidos. O objetivo era tentar adiantar as compras reservadas para Los Angeles e ganhar tempo por lá para outras atrações.

Após visitarmos lojas sensacionais destinadas aos amantes do motociclismo (Harley Davidson – loja imensa, vale a pena, e Cycle Gear, igualmente incrível) rumamos ao símbolo supremo do capitalismo norte americano: uma Super Target.
Incrível loja da HD de Phoenix
O jantar o ponto alto do dia. Duda nos apresentou a uma rede de restaurantes japoneses que está em todo país, o Benihana. Trata-se de um local onde os comensais se juntam em torno de uma chapa e o chef prepara o seu prato na sua frente, com direito a malabarismos. Apesar da idéia um pouco caça-níquel a comida é de primeira e os pratos deliciosos. O preço não é de fast food, mas vale cada centavo!

Dormimos cedo para no dia seguinte deixar Duda no aeroporto e pegar a longa estrada de volta a Los Angeles e fechar o ciclo da fantástica volta pela Califórnia, Nevada e Arizona. Infelizmente, a viagem chegava ao seus momentos finais.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Grand Canyon e Flagstaf - Arizona




Um lugar inesquecível




A melhor maneira de contar sobre nossa passagem pelo maior monumento natural do mundo seria contar uma história de muito frio. Pra nós, brasileiros paulistanos, acostumados com o friozinho da madrugada no inverno que deve chegar lá aos seus 6°C, ter uma experiência de mais que o dobro disso abaixo de zero não foi nada fácil.



Para os que acompanharam a aventura até aqui e leram que já tínhamos brincado na neve e pegado temperaturas baixas, é difícil imaginar o quanto sofremos ao chegar em Flaggstaff e Grand Canyon. Vamos lá:

Saímos de Vegas já relativamente tarde, depois de uma parada estratégica em um outlet para que o nosso novo companheiro de aventuras Dudinha Fonseca pudesse comprar botas adequadas para explorar o Grand Canyon.

Conforme rumávamos para o estado do Arizona e as montanhas iam aparecendo, fomos reparando no termômetro do painel de nosso incrível Ford Focus. Evidente que tal temperatura era mostrada em Fahrenheit, o que tornava a viagem muito mais divertida, uma vez que dessa forma tínhamos que acordar a Gabi (que invariavelmente dorme em estradas) a cada 5 minutos para que ela fizesse a conversão para Celsius. O fato é que o marcador foi diminuindo a temperatura exponencialmente até bater nos 32°F. Essa, relembrando os tempos de escola, nem precisou de conversão: 0°C!!! O problema é que desse ponto a coisa só piorou.

Já empolgados por estar em um trecho da Hwy 66 (é, Flagstaff fica bem no meio dela!!!) nem percebemos que o marcador mostrava singelos 3°F. Dessa vez nem precisamos acordar a Gabi e o relatório veio com uma voz apreensiva: -16,7°C!!! Enquanto eu e Duda fazíamos festa por romper essa barreira nunca antes experimentada, Gabi tentava bolar mentalmente seu plano mirabolante para não virar pingüim.


Experiência incrível na falha geológica que se avista até da lua

Chegamos a Flagstaff – nossa base para a exploração do Grand Canyon – por volta das 20h30 e logo fomos procurar um lugar para comer. A cidadezinha bem arrumada e até muito simpática oferecia poucas opções de restaurantes abertos, reeditando a dificuldade de se comer fora em cidades pequenas após determinado horário. Por sorte encontramos um Pub aberto que ainda serviria os brasileiros semicongelados. O lugar, chamado Collins Irish Pub & Grill, oferece boa variedade de comida de pub (hambúrgueres, aperitivos em geral e pouca, mas boa, seleção de pratos com carne, frango ou peixe) com porções generosas. O que mais nos chamou a atenção foi a variedade de cervejas “on the tap” por preços muito bons. Por dois dólares consegue-se um pint de qualquer cerveja de uma lista enorme, contando, inclusive com marcas locais. Leve o passaporte para demonstrar sua idade, pois, mesmo aparentando bem mais que 21 anos e termos bebido no dia anterior no mesmo local, a lei aqui é devidamente reforçada por uma nada simpática gerente que nos fez voltar ao hotel para pegar os documentos e, aí sim, servir as bebidas.


Vale todo o esforço!

Nos hospedamos no Hotel Little America, uma pequena rede de hotéis super confortáveis do meio oeste americano. Diz a lenda que o fundador da companhia era um pastor de ovelhas que certa noite ficou preso em uma nevasca enquanto levava seu rebanho e sonhou que adoraria ter um lugar quente, confortável e com boa comida para acolher viajantes. Nasceu daí essa rede de hotéis com preços razoáveis e muito conforto que, para nós, representou exatamente o que seu velho fundador desejou um dia. Para se ter uma idéia, levar as malas do carro à porta do hotel representou uma batalha terrível contra o frio que parecia literalmente querer quebrar as pontas das orelhas e nariz e fazer cada respiração parecer uma injeção de sinusite expressa narina adentro.

Depois de instalados decidimos que a visita ao Canyon seria impossível sem um upgrade nos vestuários. Assim, acordamos de manhã e fomos visitar o comércio local, buscando roupas adequadas ao clima nada hospitaleiro.

Apesar do sol enganador, a temperatura continuava na casa dos -15ºC, com sensação térmica de -21ºC por conta do vento. Achamos duas lojas de material de esqui que proporcionaram novas calças, luvas e balaclavas para que pudéssemos suportar o frio que fazia lá fora. Vale dizer que a cidade conta com shoppings e todas as grandes lojas de rede dos EUA (Nordstrom, Sears, JCPenneys, Best Buy, etc).

Finalmente, deixamos Flagstaf em direção ao Parque Nacional do Grand Canyon, o parque nacional mais visitado dos EUA. Ele fica a 80 milhas de Flagstaff e detém uma vila própria que margeia o canyon e oferece opções de estadia, restaurantes (redes fast food conhecidas) e lojinhas para completar o passeio ao parque.


A vista compensa todas as confusões do parque

Confesso que ficamos um pouco decepcionados com a organização do parque. Mais uma vez cobra-se vinte dólares por carro para entrar e que dá o direito ao visitante de voltar pelos próximos sete dias. O problema aqui, a nosso ver, foi a falta de sinalização das estradas que são extremamente confusas. Até porque o ponto natural de referência seria o próprio canyon, mas este fica restrito à estradas que somente os ônibus do parque podem entrar. Após acharmos o Centro de Visitantes e a Gabi aprender tudo sobre os animais residentes (sem urso dessa vez) fomos em direção a uma das inúmeras trilhas que o parque oferece. Aqui, vale calcular o que se pretende fazer, uma vez que as caminhadas são longas e o lugar é imenso. Vale explicar também que o parque se divide em dois: a borda sul (parte em que estávamos) e a borda norte.

Seguimos rumo a essa pequena trilha que nos levaria à vistas incríveis do canyon e posso dizer que a experiência é absolutamente maravilhosa. O Grand Canyon poderia ser descrito como um daqueles lugares que te deixa pequeno diante de tanta beleza descomunalmente grande. A serenidade e gigantismo do lugar fazem com que duvidemos se aquela paisagem está realmente alí ou se seria tudo um cenário, muito bem pintado.

Voltávamos à realidade tragados pelo frio, que impedia que nos demorássemos muito em contemplar a paisagem. Acabamos batendo recordes mundiais no processo de tirar a balaclava, posar para a foto, e colocá-la de volta em menos de 5 segundos.


Não é ninja nem terrorista, é o frio mesmo!

Descemos uma trilha pequena que nos proporcionou boas fotos e uma nova perspectiva do local. Imagino que no verão, descer até o rio Colorado deva ser uma boa opção. Também dá pra fazer esses passeios montado em mulas, mas é preciso reservar com antecedência.


É fácil se perder nessas paisagens

No fim, apesar de termos perdido muito tempo na confusão das estradas do parque, descobrimos porque este é o parque mais visitado dos EUA. A imensidão dessa beleza natural merece todo esforço das visitas, seja no verão de mais de 40°C ou no inverno de -21°C. É, certamente, incomparável a qualquer outra formação natural que já conhecemos antes.

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