terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Grand Canyon e Flagstaf - Arizona




Um lugar inesquecível




A melhor maneira de contar sobre nossa passagem pelo maior monumento natural do mundo seria contar uma história de muito frio. Pra nós, brasileiros paulistanos, acostumados com o friozinho da madrugada no inverno que deve chegar lá aos seus 6°C, ter uma experiência de mais que o dobro disso abaixo de zero não foi nada fácil.



Para os que acompanharam a aventura até aqui e leram que já tínhamos brincado na neve e pegado temperaturas baixas, é difícil imaginar o quanto sofremos ao chegar em Flaggstaff e Grand Canyon. Vamos lá:

Saímos de Vegas já relativamente tarde, depois de uma parada estratégica em um outlet para que o nosso novo companheiro de aventuras Dudinha Fonseca pudesse comprar botas adequadas para explorar o Grand Canyon.

Conforme rumávamos para o estado do Arizona e as montanhas iam aparecendo, fomos reparando no termômetro do painel de nosso incrível Ford Focus. Evidente que tal temperatura era mostrada em Fahrenheit, o que tornava a viagem muito mais divertida, uma vez que dessa forma tínhamos que acordar a Gabi (que invariavelmente dorme em estradas) a cada 5 minutos para que ela fizesse a conversão para Celsius. O fato é que o marcador foi diminuindo a temperatura exponencialmente até bater nos 32°F. Essa, relembrando os tempos de escola, nem precisou de conversão: 0°C!!! O problema é que desse ponto a coisa só piorou.

Já empolgados por estar em um trecho da Hwy 66 (é, Flagstaff fica bem no meio dela!!!) nem percebemos que o marcador mostrava singelos 3°F. Dessa vez nem precisamos acordar a Gabi e o relatório veio com uma voz apreensiva: -16,7°C!!! Enquanto eu e Duda fazíamos festa por romper essa barreira nunca antes experimentada, Gabi tentava bolar mentalmente seu plano mirabolante para não virar pingüim.


Experiência incrível na falha geológica que se avista até da lua

Chegamos a Flagstaff – nossa base para a exploração do Grand Canyon – por volta das 20h30 e logo fomos procurar um lugar para comer. A cidadezinha bem arrumada e até muito simpática oferecia poucas opções de restaurantes abertos, reeditando a dificuldade de se comer fora em cidades pequenas após determinado horário. Por sorte encontramos um Pub aberto que ainda serviria os brasileiros semicongelados. O lugar, chamado Collins Irish Pub & Grill, oferece boa variedade de comida de pub (hambúrgueres, aperitivos em geral e pouca, mas boa, seleção de pratos com carne, frango ou peixe) com porções generosas. O que mais nos chamou a atenção foi a variedade de cervejas “on the tap” por preços muito bons. Por dois dólares consegue-se um pint de qualquer cerveja de uma lista enorme, contando, inclusive com marcas locais. Leve o passaporte para demonstrar sua idade, pois, mesmo aparentando bem mais que 21 anos e termos bebido no dia anterior no mesmo local, a lei aqui é devidamente reforçada por uma nada simpática gerente que nos fez voltar ao hotel para pegar os documentos e, aí sim, servir as bebidas.


Vale todo o esforço!

Nos hospedamos no Hotel Little America, uma pequena rede de hotéis super confortáveis do meio oeste americano. Diz a lenda que o fundador da companhia era um pastor de ovelhas que certa noite ficou preso em uma nevasca enquanto levava seu rebanho e sonhou que adoraria ter um lugar quente, confortável e com boa comida para acolher viajantes. Nasceu daí essa rede de hotéis com preços razoáveis e muito conforto que, para nós, representou exatamente o que seu velho fundador desejou um dia. Para se ter uma idéia, levar as malas do carro à porta do hotel representou uma batalha terrível contra o frio que parecia literalmente querer quebrar as pontas das orelhas e nariz e fazer cada respiração parecer uma injeção de sinusite expressa narina adentro.

Depois de instalados decidimos que a visita ao Canyon seria impossível sem um upgrade nos vestuários. Assim, acordamos de manhã e fomos visitar o comércio local, buscando roupas adequadas ao clima nada hospitaleiro.

Apesar do sol enganador, a temperatura continuava na casa dos -15ºC, com sensação térmica de -21ºC por conta do vento. Achamos duas lojas de material de esqui que proporcionaram novas calças, luvas e balaclavas para que pudéssemos suportar o frio que fazia lá fora. Vale dizer que a cidade conta com shoppings e todas as grandes lojas de rede dos EUA (Nordstrom, Sears, JCPenneys, Best Buy, etc).

Finalmente, deixamos Flagstaf em direção ao Parque Nacional do Grand Canyon, o parque nacional mais visitado dos EUA. Ele fica a 80 milhas de Flagstaff e detém uma vila própria que margeia o canyon e oferece opções de estadia, restaurantes (redes fast food conhecidas) e lojinhas para completar o passeio ao parque.


A vista compensa todas as confusões do parque

Confesso que ficamos um pouco decepcionados com a organização do parque. Mais uma vez cobra-se vinte dólares por carro para entrar e que dá o direito ao visitante de voltar pelos próximos sete dias. O problema aqui, a nosso ver, foi a falta de sinalização das estradas que são extremamente confusas. Até porque o ponto natural de referência seria o próprio canyon, mas este fica restrito à estradas que somente os ônibus do parque podem entrar. Após acharmos o Centro de Visitantes e a Gabi aprender tudo sobre os animais residentes (sem urso dessa vez) fomos em direção a uma das inúmeras trilhas que o parque oferece. Aqui, vale calcular o que se pretende fazer, uma vez que as caminhadas são longas e o lugar é imenso. Vale explicar também que o parque se divide em dois: a borda sul (parte em que estávamos) e a borda norte.

Seguimos rumo a essa pequena trilha que nos levaria à vistas incríveis do canyon e posso dizer que a experiência é absolutamente maravilhosa. O Grand Canyon poderia ser descrito como um daqueles lugares que te deixa pequeno diante de tanta beleza descomunalmente grande. A serenidade e gigantismo do lugar fazem com que duvidemos se aquela paisagem está realmente alí ou se seria tudo um cenário, muito bem pintado.

Voltávamos à realidade tragados pelo frio, que impedia que nos demorássemos muito em contemplar a paisagem. Acabamos batendo recordes mundiais no processo de tirar a balaclava, posar para a foto, e colocá-la de volta em menos de 5 segundos.


Não é ninja nem terrorista, é o frio mesmo!

Descemos uma trilha pequena que nos proporcionou boas fotos e uma nova perspectiva do local. Imagino que no verão, descer até o rio Colorado deva ser uma boa opção. Também dá pra fazer esses passeios montado em mulas, mas é preciso reservar com antecedência.


É fácil se perder nessas paisagens

No fim, apesar de termos perdido muito tempo na confusão das estradas do parque, descobrimos porque este é o parque mais visitado dos EUA. A imensidão dessa beleza natural merece todo esforço das visitas, seja no verão de mais de 40°C ou no inverno de -21°C. É, certamente, incomparável a qualquer outra formação natural que já conhecemos antes.

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