domingo, 30 de janeiro de 2011

Las Vegas


As luzes da Strip


Sem dúvida nenhuma Las Vegas foi o destino mais artificial e brega que já visitamos. Ao mesmo tempo, conseguiu ser igualmente divertida e surpreendente.

Não é a toa que a cidade construída com dinheiro da máfia, dando vida ao lugar-nenhum no meio do deserto de Nevada é, com méritos, considerada a capital da diversão adulta dos EUA e talvez do mundo. O gigantismo dos cassinos, das luzes e das infindáveis máquinas e mesas de jogo a cada saguão de hotel fazem da cidade uma grande tentação. Isso contando somente a parte que se vê da strip, a assim denominada avenida forrada com os hotéis mais novos e badalados. Vegas – como é conhecida pelos mais íntimos – ainda esconde um lado b mais trash que conta com dezenas de clubes de strip tease, prostíbulos, restaurantes baratos estilo buffet e várias capelas para casamentos instantâneos. Sinto dizer que não tivemos tempo para conhecer esse lado B além de umas voltas de carro pelas redondezas, mas deu pra perceber que essas podem ser, também, fontes de diversão riquíssimas.

Luzes intensas na cidade do pecado

A verdade é que Vegas é o que cada viajante quer que ela seja, e isso é o seu maior trunfo. Obviamente, a atração principal aqui é o jogo – seja na forma de altas apostas em áreas restritas aos milionários, freqüentada por sheiks árabes e suas mulheres cobertas dos pés a cabeça, chineses endinheirados, até as boas e velhas máquinas caça-níquel de 25 centavos de dólar que fazem a festa do apostador mão-de-vaca que acredita piamente que aquela moedinha vai garantir a fortuna de sua vida. Devo dizer que na minha passagem por lá fiz parte desse último grupo. 

A cidade também é extremamente bem servida de espetáculos dos mais variados tipos. É um dos poucos - ou o único- lugares que hospeda cinco shows do Cirque de Soleil, inclusive alguns dos espetáculos mais cobiçados, como o “O” e o “Love”. Outros ícones que se apresentam para platéias lotadas de turistas saudosos são Cher e Celine Dion.

Chegamos à cidade próximo das 19h o que nos deixou pouco tempo para o Chek-in no Treasure Island, um rápido banho e uma corrida até o show que iríamos assistir nessa primeira noite. Uma dica legal é fazer uma boa pesquisa pelos hotéis da Strip em busca de descontos e promoções. Pra se ter uma idéia, o Treasure Island custou menos (U$ 80,00/noite) que muito hotel de beira de estrada do resto da viagem. Sem dizer que a maioria ali na strip são 5 estrelas.


Nosso hotel que conta com showzinho de piratas a cada hora (brega!!!)

Luxo total, conforto total, mas mal pudemos aproveitar o quarto maravilhoso, pois Gabi queria soltar a franga e acabamos conseguindo ingressos de última hora para assistir a Cher no Ceasar’s Palace – maior Hotel/Cassino/shopping/casa de show/tudo da cidade.

Foi divertidinho (Gabi adorou), super cheio de danças e produções dignas de musicais da Broadway. O show em si é muito legal, passando por todas as fases da cantora, mas sem nenhuma ponta de imprevisibilidade a não ser o começo da apresentação em que ela solta alguns palavrões em um rápido discurso de auto-exaltação que leva ao delírio os 5 mil turistas que invariavelmente lotam o teatro de quarta a domingo. O ingresso mais barato custa U$ 100,00, como a maioria dos shows, portanto defina com antecedência o que assistir pois a oferta é enorme.

Fachada do New York New York que conta com montanha russa e torres de quartos que imitam o skyline da Big Apple

As baladas também são outro chamariz dos grandes cassinos. Se você curte música eletrônica ou festas badaladas, Las Vegas detém filiais de todos os clubes da moda de LA e NY (Lavo, the Bank, Marquee, etc). O detalhe é que alguns deles seguem o modelo dos cassinos e não fecham nunca, proporcionando uma festa sem fim para os mais animados. Não tivemos condições físicas de ir a um desses clubs, mas a dica é passar na frente deles durante o dia e ganhar um ingresso para voltar a noite “na faixa”.

Um dos bares do Cosmopolitan

Depois de aproveitarmos o show da Cher, encerrarmos a noite com o aniversário da tia mais querida de todas, que estava em Vegas em grande estilo!

Acordamos um pouco mais tarde pra descermos pro saguão do hotel e dar de cara com um mar da máquinas caça-níquel e gente jogando cartas. Duda, o amigo querido que foi nos acompanhar a partir deste ponto, já tinha ganhado alguma coisa nas mesas de pôquer. O programa do dia seria passear sem pressa pela strip desvendando o luxo dos hotéis e cassinos mais badalados do mundo. Devo avisar que não é, e não foi, tarefa nada fácil. Pra se ter uma idéia, no fim do dia, depois de mais de 8h caminhando não havíamos conhecido nem metade da strip, deixando de fora ícones do mundo do jogo como os casinos Luxor, New York New York, Excalibur e Mandalay. Porém, aqueles que visitamos nos divertimos a valer: Duda não cansou de ganhar nas mesas de pôquer e eu e Gabi de torcer para que os 25 centavos aplicados com muito carinho nas maquininhas se transformassem em milhões de dólares. 

O legal disso tudo é que basta estar jogando – não importa o valor – mocinhas com vestimentas mínimas já vem te oferecer uma bebida – por conta do cassino!!!! Ou seja, uma cerveja long neck que, em média, custa U$ 7,00 sai por zero! Quer dizer, sai por ao menos 1 dólar da gorjeta que você educadamente da à  garçonete para que ela continue te servindo. Incrível não? Não preciso dizer que ao meio dia os três já estavam um pouquinho altos e bastante empolgados com a vida em Vegas.

Ao fundo o Bellagio e na frente parte do Paris que conta com um simpático restaurante chamado "Mon Ami Gabi"

Além das mordomias, os cassinos acabam sendo o paraíso dos amantes de arquitetura e decoração. Com pés direitos imensos e muito aço, vidro, cristais e carta branca para criar, cada cassino apesar de ter a mesma estrutura básica (maquinas de jogo, mesas de baralho, restaurantes, bares, casas de show) acabam sendo extremamente diferentes um do outro. Destaque para os mais novos como o Mandalay e o Aria, além dos tradicionais e também muito legais Mirage, Bellagio e Ceasar’s Palace.  Depois de toda essa overdose de cassinos elegemos o novíssimo Cosmopolitan como o nosso favorito.

Escultura feita de barcos em frente ao novíssimo Aria

Finalizamos a noite (para desespero da Gabi que queria mais badalação) com o show do Cirque du Soleil Mystére (no Treasure Island, ingressos a U$85,00). Muito bom e com uma pegada mais circense. Eu, exausto de tanta caminhada regada a cerveja, confesso que dei umas cochiladas.

No dia seguinte, resolvemos pegar o carro e visitar os cassinos que não conseguimos ver. A idéia era fazer a strip toda de carro e depois parar no Stratosphere para ir às montanhas-russas do alto da torre do hotel. No fim, ficamos um tempão conhecendo outros cassinos e em um último outlet (Las Vegas Premium Outlets) que acabou ficando tarde.


Próximo destino: a gelada experiência do Grand Canyon.




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