domingo, 6 de novembro de 2011

França - Fougères



Fortaleza de Fougères e centro medieval


   Fougères é uma pequena cidade de menos de vinte mil habitantes e se encontra no coração da Bretanha. Famosa por sua fortaleza medieval, a cidade oferece muito mais do que essa importante fortificação, com belas igrejas e um centro histórico bastante agradável. Talvez tenha sido uma das cidades que mais tenhamos gostado em todo o percurso.

   Avistamos a cidade já depois das oito da noite e a recepção não podia ter sido melhor. Logo ao entrarmos, após passarmos por prédios  modernos (midiateca, centro de esportes, supermercados, etc), deparamo-nos com a muralha da fortaleza toda iluminada. Esta, que é a personagem principal neste cenário medieval, preenche todo o centro da cidade baixa e ganha vida própria com as diversas cores que percorrem seus muros e torres.

   Decidimos ficar em um hotel bem no centro da cidade alta, na rua da igreja. Após algumas pesquisas sobre custo/benefício acabamos decidindo pelo hotel Balzac. Os quartos são pequenos e bem ao estilo de qualquer outro duas estrelas europeu, nada de especial. 

Rue Nationale, centro de Fougeres e rua do Hotel Balzac

   Como já era relativamente tarde, pedimos ao dono do hotel que nos indicasse um lugar para jantar. Ele acabou apontando um bistrô na rua de baixo (Restaurant Le Petit Bouchon), que não agradou muito. Uma pena pois em frente ao hotel funciona um restaurante de frutos do mar e comidas bretãs que tinha um cheiro ótimo (Bar do Beffroi, na Rue Nationale)!

Prédios da zona central de Fougères

   Andar pelo centro histórico da cidade a noite foi muito gostoso. As casas antigas e ruas de paralelepípedo, as floreiras recheadas e os postes de luz que remetem a Belle époque deram o tom convidativo e o fato de não termos encontrado absolutamente ninguém (mesmo para um sábado a noite) fez do passeio um momento inesquecível. 

Centro de Fougeres

   Acordamos cedo e partimos em direção à igreja que ficava no fim da rua. Era um domingo de manhã e os sinos da catedral de St. Leonard badalavam enlouquecidos. Percebemos muitas famílias seguindo para a igreja que estava lotada para a missa das 10h. Com a impossibilidade de conhecermos essa igreja (vale pelos vitrais) devido à missa, decidimos explorar o parque ao lado do templo e tivemos uma bela surpresa.

Igreja St. Leonard. Reparem na entradinha do parque à esquerda

   Mesmo escondida atrás der um pequeno portão de ferro a lateral da igreja de St. Leonard guarda um lindo parque que tem uma das melhores vistas da região, além da imbatível visão completa da fortaleza. Paramos para tirar algumas fotos no local e descobrimos que por alí mesmo começa uma caminhada em direção ao centro medieval de Fougères. A igreja está na parte alta da cidade e a fortaleza na baixa. Para alcança-la descemos por este parque vertical até o córrego que corta a vila, saindo no meio de casas medievais e seus madeirames expostos. Num domingo de manhã, não havia viva alma pelas ruas, dando à esse centro histórico uma aura fantasmagórica ainda maior. Em determinado ponto nos perguntamos onde estariam todas as pessoas da cidade. Todo o caminho ganha um charme especial por ser demarcado por placas indicativas que carregam frases de escritores famosos que passaram por alí, como Vitor Hugo e Honoré de Balzac.

Igreja de St. Leonard vista da Fortaleza e parque vertical que liga a cidade alta e baixa

   O centro medieval não tem nada de impressionante além do conjunto de casas antigas, preservadas ao extremo. Porém, ao caminhar mais adiante mais nos deparamos com a muralha de quase sete metros da Fortaleza.

As muralhas da fortaleza vistas de fora.

Caminhar sobre as muralhas é uma delícia

   Baseada sobre um bloco de granito, a fortaleza de Fougères já foi palco de muitas batalhas nas disputas entre francos e bretões pelo controle da região. Junto com Vitré era um forte ponto de resistência da Bretanha.

Entrada da Fortaleza de Fougères

   Decididos a entrar na fortaleza, acabamos surpreendidos com um aviso no excelente centro de atendimento que teríamos não mais de 30 minutos para explorar todo o prédio, algo impossível. Mesmo inconformados compramos os tickets e começamos apressadamente a correr pelas belas muralhas, pátios e torres do complexo. Já na metade da visita, fomos abordados por um senhor que gentilmente nos pediu para sair, pois eles fechariam o museu para o horário de almoço. Foi aí que percebemos que tínhamos 30 min antes do horário do almoço, mas a partir de 14h eles voltariam a abrir as portas. Aliviados, resolvemos almoçar bem e voltar com calma mais tarde.

Panorâmica do pátio interno da fortaleza

   Esse contratempo acabou sendo uma benção, pois estávamos ao lado de uma das melhores refeições que comeríamos na viagem toda. Já contei que a Bretanha é mãe dos crepes, galettes e da cidra, mas conforme nos aproximávamos do atlântico essas gostosuras ganhavam recheios de frutos-do-mar. Decidimos almoçar - mesmo um pouco ressabiados -  ao lado da entrada da fortaleza em um restaurante chamado La Duchesse Anne e, uma vez na Bretanha, pedimos galettes e cidra, por que não? Dessa vez Gabi se deu muito bem: pediu uma galette recheada de vieiras e creme de espinafre que acabou comendo de joelhos. Recomendadíssimo!

Peçam a galette de vieiras, por favor!

   Após nos esbaldarmos em cidra, voltamos para a fortaleza que havia reaberto. Dessa vez, com mais calma, decidimos pegar os áudio-guias (mais que recomendado e incluso no preço da entrada) e conseguimos aprender muito sobre a história das disputas do local e da vida dentro desta fortaleza. Na verdade, o passeio dentro deste museu é todo interativo, principalmente para as crianças, que são desafiadas a adivinhar perguntas sobre a história local e assim  conseguir descobrir segredos guardados em cofres, muito divertido.

Torre da Duquesa Anne

   A fortaleza de Fougères realmente é um ponto alto da Bretanha e não é a toa que é a atração principal da região. Ficamos bastante tempo por lá descobrindo cada detalhe e tirando muitas fotos.

   Além da fortaleza a cidade também conta com outras atrações menores, como murais pintados nas laterais dos prédios e um bosque que infelizmente não conseguimos visitar.

Mural na lateral de um prédio do centro.
   De lá, partimos para Dinan, nos aproximando cada vez mais do oceano e muito felizes com essa pequena e charmosa cidade.   

Um comentário:

Cecilia Fonseca de Moura Leite disse...

Sua descrição da viagem e fotos nos maravilharam. Estamos organizando uma ida a esta região em julho e estamos nos baseando em suas impressões.

Na volta estarei comentando o que achamos.

Obrigada pelas dicas.

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