terça-feira, 8 de novembro de 2011

Saint Malo





Considerada jóia da Côte D’Emerald, Saint-Malo fez justiça a toda expectativa criada durante nossa viagem pela Bretanha.

No entanto, ao pensarmos em uma cidade de praia, automaticamente associamos o clima a dias quentes, com sol brilhando e céu azul. St. Malo, ao contrário, veio provar que dias nublados, com garoa fina e um vento congelante podem fazer da praia um lugar mais que interessante. Afinal, você está na Bretanha.

Murada e praia de St Malo.
A melhor época para conhecer a cidade é nos meses de primavera, entre abril e junho, antes das hordas de turistas de toda Europa chegarem para aproveitar o balneário de praias de areia branca e estrutura charmosa que a cidade oferece. A poucos quilómetros dali está um dos lugares mais visitados da França, o Mont Saint Michel, o que faz de St. Malo um ponto de partida interessante para explorar toda a costa da Bretanha e da Normandia.

Visão noturna da torre de Solidor.

Para nós, mesmo no fim do outono e começo do inverno, a cidade se mostrou bastante encantadora. O ponto central de visitação é a parte murada da cidade, porém, não deixe de explorar outros partes como o bairro Solidor (torre interessante, praia bonitinha e bons restaurantes custo/benefício) e os monumentos-parques que fizeram parte da história da II Guerra Mundial.

Praia do bairro Solidor

Ao avistar a cidadela murada, é inevitável sermos transportados ao mundo dos piratas e corsários dos séculos XVI e XVII. St. Malo, no caso, é a cidade de onde partiu Henri Cartier para explorar o Canadá e proclamar aquele território à coroa francesa. É dali também que partiram inúmeros corsários, para saquear colônias nas Américas, inclusive o Rio de Janeiro. Com todo esse histórico, a cidade consegue explorar muito bem esta temática inserindo o visitante na atmosfera de exploração marítima. Mas fique tranquilo: a França não é a Disney e você não estará embarcando em uma atração do tipo Piratas do Caribe. O requinte e a sofisticação das cidades históricas francesas são devidamente tratados aqui com inúmeros restaurantes estrelados por chefs que usam ingredientes regionais e proporcionam uma viagem de alta qualidade cultural.

Restaurantes na entrada da cidadela. Aproveite para comer frutos do mar, galettes e cidras!

Parte da muralha e ilha com forte.

A verdade é que St. Malo é um monumento vivo, tendo em suas ruas e murada o mais interessante para se visitar. Aproveitar o dia dando a volta sobre os muros da cidade (um passeio de pelo menos duas horas) é um convite à imaginação e um deleite para os olhos. Deixe a brisa e o cheiro do mar do atlântico bater no rosto e contemple a cidade antiga vista de cima. Com sorte, veleiros atravessarão o mar e farão manobras ao redor do farol – listrado de branco e vermelho, como nos filmes! Dica importante é deixar o carro fora dos muros da cidade, as ruas são apertadas, muitas fechadas somente para pedestres, e estacionar é um problema sério. De qualquer maneira, prepare as pernas pois aqui nada vale a pena dentro do carro (como quase tudo na França).

Caminho pela murada, excelente passeio.

Em dias com sol, essa praia estaria lotada.


No campo da hospedagem St. Malo oferece uma gama enorme de possibilidades. Por ser uma cidade muito procurada nos meses quentes, a cidade detém uma rede hoteleira muito variada. Pela experiência que tivemos, vale muito a pena procurar pousadas menores, que possam acrescentar mais charme à sua visita. Muitas famílias disponibilizam quartos, com serviço personalizado para casais e famílias – chamados chambres d’hôtes. A página de turismo da cidade apresenta uma excelente ferramenta de busca e pode ser utilizada como ponto de referência. Desde um Château Medieval, passando pela casa de uma família local, até um luxuoso hotel de rede, certamente ali você encontrará a opção que mais convém.


Gabi e eu estivemos ali para uma ocasião muito especial, portanto saímos um pouco do orçamento para ficar em uma pousada escolhida a dedo. Para quem tiver oportunidade, recomendo fortemente a pousada La Haute Flourie, propriedade da família do Sr. Pierre-Yves. Trata-se de uma casa lindíssima do século XVI que pertenceu a um corsário conhecido dos cariocas (Duguay Trouin) e ainda que tenha passado por algumas adaptações ao longo dos anos, mantém uma estrutura suntuosa que permitiu aos donos atuais disponibilizar cinco suítes para hóspedes. A esposa de Pierre é artista plástica e decorou os quartos e as áreas comuns com suas obras – absolutamente magníficas e de um bom gosto invejável. A sofisticação e conforto do lugar são indescritíveis, a simpatia e discrição da família trazem um ar de exclusividade e as geleias caseiras valem cada Euro gasto com esse paraíso bretão. É bom reservar com antecedência pois todo ano o jovem casal de proprietários fecha tudo e embarca, junto com os dois filhos, para uma longa viagem pela Ásia – especialmente Vietnã que, segundo Pierre, é um dos lugares mais lindos do mundo e com as pessoas mais especiais que ele já conheceu.

Conseguem enxergar o pirata?

Se ainda sobrar tempo, após visitar a cidade murada e as atrações “Malonneses”, vá à vizinha Dinnard, charmosa por suas lojinhas de produtos bretões e ponto de chegada e partida dos barcos que cruzam o Canal da Mancha rumo à Inglaterra.

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