terça-feira, 23 de outubro de 2012

Port Elizabeth e Drakensberg





Gabi curtindo o finzinho de tarde em PE.

PORT ELIZABETH

“P.E.” para os íntimos, Port Elizabeth é uma cidade de contrastes. Numa ponta, a pobreza cruel das metrópoles e o olhar hostil dos moradores (de onde vem sua fama de violenta). Na outra ponta, surfistas nas praias charmosas ladeadas por grandes deques para a caminhada vespertina de seus habitantes majoritariamente cândidos.

Praia de Summerstrand

Feitas as devidas observações, seguimos para nosso albergue e fomos providenciar compras básicas – independente do país a Gabi sempre acaba, invariavelmente, no supermercado. Preparamos um belíssimo jantar que deixou os tradicionais mochileiros mac’n’cheese morrendo de inveja: salada de folhas com tomate e limão siciliano acompanhada de filé de avestruz e cogumelos frescos.

Alguém está servido?
Nota do casal: mochileiro que é mochileiro normalmente viaja duro e a alimentação nunca é prioridade – o que acaba virando um festival de comida de rua (normalmente frita, porque é mais seguro), lanches secos (bolacha, porque é barato e fácil de levar) e macarrão (é fácil de preparar e mata a fome). Mas, convenhamos, a maioria dos albergues conta com uma estrutura mínima de cozinha onde é possível preparar uma refeição simples. E a nossa experiência até agora diz que sim, vale a pena. Além de ser muito mais barato, dá pra experimentar produtos locais, comer bem (o que é fundamental pra quem vai passar muito tempo viajando) e se divertir com o pessoal que está em volta.

No dia seguinte pegamos o ônibus da Greyhound para Kokstad as 6h da manhã, rumando para a montanhosa região de Drakensberg. As chuvas intensas na África do Sul interditaram algumas estradas o que fez com que chegássemos no destino “final” as 21h30. Como se não bastasse, de lá subimos imediatamente num taxi (sem velocímetro!) para pegar mais 2 horas de estrada até nosso albergue no pé da montanha, o Sani Lodge.

Apesar de brincarmos mais de 4h com ela, não conseguimos entender seu nome.

Uma surpresa muito gostosa nas mais de 15 horas de viagem entre PE e Kokstad foi uma menininha xhosa que ficou nossa amiga no ônibus. Primeiro, um pouco tímida, Ivan começou a brincar com ela na língua internacional dos gestos e das palhaçadas – não tem como errar. Depois, quando ela descobriu que nós falávamos inglês, desatou a falar algumas palavras que estava aprendendo na escola e passamos em revista todas as frutas, animais, números, músicas infantis e atividades do dia a dia até ela desabar no colo da Gabi, exausta, de tanto falatório.

DRAKENSBERG

O nome deste parque nacional localizado na província de Kwazulu-Natal faz jus à sua imponência: montanha (berg) do dragão (draken). E, de fato, quando você está no pé desta cadeia de montanhas magníficas, até parece que dali a pouco elas vão soltar um rugido e levantar vôo.

Abrir a porta do quarto e deparar-se com essa vista foi difícil... Atrás dessas montanhas o pequeno país de Lesotho.

Foi com essa sensação que acordamos no Sani Lodge, depois de ter dormido nossa primeira noite em lençóis cheirosos e cobertores bem quentinhos – que delícia! Partimos para fazer nossa primeira caminhada numa trilha de 12km que sobe as montanhas e depois contorna o rio numa sequencia incrível de planícies, platôs, cachoeiras e grandes formações rochosas.

No meio da trilha, nossa primeira surpresa: escutamos um barulho bastante forte e depois vimos lá no fundo alguns animais se mexendo. Quando chegamos mais perto, percebemos que tratava-se de uma família de babuínos – e, aqui na África do Sul, eles são tidos como animais perigosos porque podem ser bastante agressivos na interação com humanos quando em busca de alimento. O fato foi que eles não estavam nem aí pra gente, justamente por serem selvagens – o que foi ótimo para tirarmos fotos com calma, apesar da distância.



Família de babuinos que não estavam nem aí pra gente.


Depois, uma segunda surpresa que valeu o dia: quando estávamos chegando em uma cachoeira vimos de longe e subindo o morro um serval, uma espécie de onça típica da região. As fotos, apesar da distância, não deixam mentir o tamanho do bicho.

Quem conseguir enxergar ganha um doce. E se estivesse lá, não seria comido!


Esse ,e o bicho, no zoológico.

Chegamos esgotados da trilha e pontualmente as 18h fomos recebidos com um jantar maravilhoso do Giants Cup Cafe: um prato daqueles de pedreiro de arroz, frango, brócolis e abóbora com direito a sobremesa de bolo de chocolate. Só de pensar já dá água na boca! Este café (que faz parte do albergue) é um dos únicos restaurantes num raio de 10km e serve pratos absolutamente maravilhosos além de contar com uma lojinha com produtos da região: leite fresco tirado no dia, iogurtes e queijos caseiros, truta defumada, entre outros. Recomendadíssimo!

Macaco simpático. Nessa distância, claro.

Nossa programação para o dia seguinte seria de conhecer o Sani Pass, um dos pontos mais altos da África do Sul e também fronteira para Lesotho – país este que, acreditem, exige visto de entrada somente para sul-americanos e europeus do leste (o resto entra sem) que, por sua vez, só são emitidos em Cape Town, Johannesburgo ou Durban. Vai entender o que os Basotho têm contra nós... De toda forma, a chuva mais uma vez frustrou os nossos planos e resolvemos seguir viagem. Aqui também é o ponto onde existe a maior concentração de pinturas rupestres do país, vale a visita.

No meio das montanhas. Excelente lugar para os amantes de caminhadas.

Em Underberg – a cidade mais próxima ao Sani Pass – pegamos uma lotação de 2 horas para a estação ferroviária de Pietermaritzburg. Chegando lá compramos uma passagem de trem pela Shosholoza para Joburg e fomos nos aventurar pelas linhas férreas sul africanas.

Gabi (novidadeira) experimentando os serviços do vagão restaurante. (foto celular)

Foi nossa primeira vez andando de trem de verdade e já de cara fizemos o pacote do mochileiro “compre uma passagem noturna e economize na hospedagem e no transporte”. Ficamos em uma cabine individual com cama (bancos que viram triliches) mas fizemos questão de conhecer outros vagões e a experiência de andar dentro de um trem em movimento é exatamente daquelas de filme de espionagem: corredores apertados e a meia luz com aquelas junções barulhentas e instáveis. Incrível!


3 comentários:

Ana Contente disse...

demais!!!

Maria Luiza Cruz disse...

Nossa que inveja boa! Aproveitem muitooooooo
Gabi... você tem de postar as receitas... Você sabe que sou apaixonada por pratos exóticos e temperos diferentes....

Beijo grande nos dois!!!!!

Amanda Campelo disse...

Gabi, assim que puderes, entra em contato comigo pelo campelo.jor@gmail.com

Gostaria te convidar para colaborar no blog do qual faço parte: O Bagageiro. Lá falamos sobre cultura global e nessa semana o país da vez é a África do Sul.

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