sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Maputo - Moçambique



Vista de Maputo do Katembe.

Ao descermos em Maputo, o aeroporto praticamente cheirava a tinta fresca e os banheiros são moderníssimos – daqueles que dão descarga automática assim que você levanta do assento e quase te matam de susto. Ao que parece, foi construído a menos de dois anos por um grupo de investidores chineses e, ainda que modesto nas dimensões, recepciona bem os visitantes.

Como a maioria dos países africanos, o visto pode ser conseguido diretamente na fronteira, e lá fomos nós pra fila da imigração. Quando chegou a nossa vez, descobrimos a razão de algum alvoroço na fila: o sistema não estava funcionando e a previsão de retorno seria só dali 3 horas. A orientação dada pelos dois funcionários da imigração era que eles ficariam com os nossos passaportes e como garantia nos entregaram um recibo que, segundo eles, nos permitiria perambular pela cidade até reaver visto e passaporte.

Contando que nós ainda não tínhamos lugar pra ficar em Maputo e também não estávamos muito confortáveis em sair pelo país sem documento oficial, resolvemos fazer uma horinha no aeroporto. Fomos comprar um chip da Vodacom (operadora popular do continente africano) e de cara duas coisas nos surpreenderam: o chip funcionou perfeitamente no iPhone brasileiro da Gabi; as duas mulheres que nos atenderam eram lindas e extremamente simpáticas.

Detalhe de azulejos portugueses em casa histórica abandonada.

O anjo da guarda dos mochileiros sem dinheiro (que protege também as crianças e os bêbados) nos presenteou com um email mais que bem vindo: recebemos uma resposta positiva de um “sofá” disponível pra nós no CouchSurfing. O Naby, uma figura do CS que todos (todos, sem exceção) conhecem aqui em Maputo, respondeu que não poderia nos receber porque já estava com uma espanhola no seu sofá mas que tinha conversado com uma amiga e que ela sim estava muito feliz em nos receber na sua casa.

Ivan, Paula e Naby.

Resolvidas as burocracias do visto e com os passaportes em mãos, pegamos um taxi para o centro. A saída do aeroporto é bem impactante: as ruas precárias, as pessoas descalças, os cortiços espremidos entre “calçadas” de terra batida, o lixo – este sim é o mais impressionante – acumulado e espalhado por todas as direções. E assim fomos, sentindo em primeira mão aquilo que o querido Thomas já havia nos alertado com uma forte dose de saudosismo e carinho: “em Moçambique vocês vão começar a entender um pouco de África”.

Chegamos no endereço da Paula no início da tarde e já colocamos a mão na massa: ajudamos a subir as compras de supermercado por oito andares porque o único elevador do prédio (que sobe até 3 pessoas por vez) estava avariado. Ela já foi logo avisando que, ó pá, estava sem luz em casa porque aparentemente alguém havia roubado o seus disjuntores (que ficam do lado de fora do apartamento) e o Ricardo – seu colega de trabalho peruano – estava tentando consertar a bagunça. Logo de cara nos sentimos em casa, certamente pela alegria da nossa anfitriã que nos confessou que era a primeira vez dela no CouchSurfing – e a nossa também! Demos muita risada e em pouco tempo a Gabi já estava no chão brincando com a Pimenta, uma cachorrinha de dois meses que a Paula havia ganhado de presente da sua filha.

Gabi e pimenta, íntimas desde o primeiro segundo.

Devidamente instalados em um quarto de hóspedes bem aconchegante – pra quem esperava dividir um sofá, isso foi a glória! – a Paula veio nos chamar para o almoço: uma feijoada moçambicana preparada pela Ana Paula, sua empregada – também linda, de traços fortes e com a Grace, sua filha de três meses, a tira colo. Surpresos com tamanha gentileza, nos sentamos todos na cozinha e conversamos sobre a história, política e cultura do país com a visão de uma angolana-portuguesa-moçambicana e um peruano que já moram há a algum tempo lá. Melhor impossível! Quando fomos lavar a louça, um aviso: só há água até as 10h da manhã, quando o prédio inteiro aproveita o momento para armazenar a quantidade necessária em baldes, bacias e garrafas que serão utilizados pelo resto do dia.

Depois de muita conversa boa, fomos dar uma volta pelas redondezas aproveitando o fim de tarde. Nossa primeira impressão foi de estar andando em uma cidade que tinha acabado de sair de uma guerra civil: prédios detonados, calçadas esburacadas, fachadas mal cuidadas e o lixo por todo canto.

Casa histórica, infelizmente abandonada.

Ao mesmo tempo que o impacto da cidade em reconstrução choca, a ternura e a facilidade em fazer amigos dos moçambicanos também chama a atenção. Falar que vem do Brasil é sempre um excelente começo de conversa, apesar da recente invasão de brasileiros trazidos pelas grandes multinacionais tupiniquins tenha nos feito um tanto quanto comuns no país.

Passada a sensação de angustia pelo precipitado julgamento de cidade inóspita,  é fácil apaixonar-se pelo lugar. Comida excelente (Gabi comeria Matapa todos os dias se deixasse...), povo alegre e simpático e praias absolutamente espetaculares a poucos quilómetros da capital (aguardem o post do Tofo).  

Foto "artística"de um casamento na beira do mar.

Já chegando a noite, convidamos a Paulinha pra tomar uma cerveja e ela nos levou a um dos botecos mais tradicionais de Maputo, o Piri-Píri, onde degustamos as especialidades locais: chamussas de peixe, moela frita e ameijoas. Tudo acompanhado de muita cerveja moçambicana que, diga-se de passagem, são excelentes com destaque para a Laurentina, nossa preferida. Fechamos o dia com chave de ouro!

Famosas amêijoas, iguaria sensacional quando degustada com cerveja.

No dia seguinte, partimos para explorar programas mais turísticos: rumamos a pé para o Mercado de Peixe, o que nos deu uma boa oportunidade pra conhecer melhor outras partes da cidade. 

Frutos do mar do mercado de peixe.

Vai peixe, ó pá?
Depois encontramos Paula que nos levou à FEIMA, uma feira de gastronomia local que nos possibilitou conhecer mais de perto as maravilhas moçambicanas: matapa, caril de caranguejo, mandioca com cacana, feijoada e doces em geral. A feira foi super legal e para nossa surpresa a rainha da festa foi a brasileiríssima caipirinha, todo mundo tinha uma.


Capulanas da FEIMA.

2 comentários:

Unknown disse...

Olá! Vocês então não precisaram confirmar a reserva de hotel para tirar o visto? Estou indo para lá mês que vem e estou super preocupada com isso, pois não queria fazer uma reserva de imediato só por conta da burocracia...

Unknown disse...

Olá! Vocês então não precisaram comprovar a reserva de hotel para conseguir o visto? Segundo informações da embaixada precisaríamos disto para o visto mas não queria fazer agora, de imediato...

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