sábado, 29 de dezembro de 2012

Gonder - Etiópia




Gonder foi nossa segunda parada no roteiro histórico da Etiópia. Deixamos Bahir Dar pra traz a bordo de uma lotação, o já manjado meio de transporte africano. Apesar de termos ido à rodoviária local no dia anterior, o gerente do nosso hotel nos ofereceu o mesmo transporte por quase nada a mais, o que nos levou a aceitar a proposta e evitar de andar meia cidade com as mochilas nas costas. As vezes isso acaba compensando, seja pela comodidade, seja pela segurança ou mesmo pela falta de paciência frente ao assédio que duas mochilas enormes atraem de gente querendo vender favores e que tais.


Bandeira etíope tremula no alto do castelo.
Foi a melhor coisa que fizemos. Foi assim que, dentro do mesmo esquema de lotação, acabamos conhecendo três amigos que nos acompanharam por um bom tempo nessa etapa da Etiópia: Will (Jesus) e os irmãos Alex e Chris – três queridos, vindos diretamente da terra do canguru. Ficamos todos no mesmo albergue e sem perder tempo fomos conhecer a grande atração da cidade: o complexo de ruínas medievais da antiga capital do império etíope – e que chegou a ser chamada por alguns de “Camelot da África” – uma grande injustiça à Gonder, pois Camelot, nunca existiu.

Castelo de Fasilades, o imperador.
Lateral do castelo.
De fato, a denominação faz jus ao que vimos. As ruínas de Gonder não têm nada a perder para as europeias (fora a falta de sinalização, talvez). Os inúmeros edifícios com diversas funções remontam a uma sociedade complexa, extremamente rica, que dimensiona seu poder pela ostentação de construções impressionantes. 

Ruína do primeiro castelo.
Parte do complexo real.
Com espaços suntuosos para residência, salão de banquete, banho turco, biblioteca (sim!!!) e até jaulas para leões abissínios – que infelizmente foram mantidos lá como atração absurdamente até 1992.  

Biblioteca à direita.
O senhor do castelo.
É incrível imaginar a vida nesses castelos medievais no coração da África. O rei Fasilades quando fundou a capital em 1635 dominava toda a região do chifre africano, fazendo comércio com o mundo árabe e o restante do sudeste do continente. A riqueza era tanta que atraiu povos de todos os lados. Interessante também é que a cidade é o local de origem de judeus africanos, que pouco a pouco estão sendo levados de volta à Israel.   

Interior do salão de festas.
Salão de festas
A princesa Gabi.
Depois de tanta andança, aproveitamos uma das melhores tradições da Etiópia: as casas de suco. Por aqui, é muito comum encontrar alguns mercadinhos que só vendem frutas frescas e fazem sucos das frutas que você escolhe: banana, abacaxi, goiaba, manga, etc. O mais tradicional é o de abacate que, para nossa felicidade, é feito exatamente do jeitinho que comemos no Brasil: batido com leite e adoçado com açúcar. Delicioso!

Ivan na antiga adega. 
Mas, como nem tudo são flores (e algum de nós precisava entrar na estatística depois de dois meses de viagem) a Gabi teve a sua primeira intoxicação alimentar. Tudo bem que comer goulash de peixe no interior da Etiópia não foi a melhor das ideias, mas não precisava ter castigado tanto.

Lateral de um dos castelos.

E não parou por ai. Enquanto a Gabi passava a noite no banheiro a cama foi o cenário de terrível batalha campal contra as pulgas. Confesso que perdi: cento e seis picadas contabilizadas. Esperar o que de uma pensão de oito dólares por noite? Isso porque o preço é pra Faranjii (estrangeiro em amárico), imagina para os nativos....


Enfim, apesar dos ataques à saúde do casal, foi aqui que organizamos a nossa expedição à uma das atrações mais bonitas do país: as montanhas Simien. Essa cadeia de montanhas esta localizada entre as cidades de Gonder e Axum, tendo como base a vila de Debark.


Para chegar lá ou encara-se tudo no peito contratando o pacote composto por guia, scout (soldado armado, obrigatório), permissões, cozinheiro e mulas, ou compra-se tudo organizado de um agente que faz isso por você. Após pesquisarmos um pouco e vermos que nosso tempo não era muito farto, decidimos pela segunda opção. Aqui o trekking é levado à sério, afinal, anda-se em média 20km por dia.

Mas isso é uma outra história, que fica exatamente para o próximo post. Até lá!

Um comentário:

Anônimo disse...

Gabi e Ivan.
A vó Amélia está encantada com a viagem de vocês e a maneira como vocês a descrevem.
Parabens, saudades e muitos beijos.
Amélia

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