terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Masai Mara - Kenya




Após conhecermos Zanzibar, Arusha e Serengueti encerramos nossa passagem pela Tanzania. Essa parte da viagem acabou sendo bem mais rápida e ágil do que estávamos acostumados quando viajávamos sozinhos, justamente pela facilidade de transporte que nosso caminhão nos oferecia.


Bonitinho, não?

Partimos de Arusha rumo à Nairobi, capital do Kenya e acampamento sede de nossa empresa de overlanding. Esse seria, também, o fim, de nosso primeiro tour com essa turma. Em Nairobi, trocaríamos de caminhão, equipe e novos passageiros ingressariam no tour que parte de Nairobi, passa pelo Mara e segue à Uganda, rumo às montanhas dos Gorilas e retorna à capital queniana.

Não é só glamour não, tem que ralar...

Após essa parada estratégica, seguimos para uma pequena continuação do Serengueti em território queniano, aqui chamado de Masai Mara.

O jantar pasta ao fundo.

Encaramos mais um acampamento selvagem, só que com a sorte à nosso favor ganhamos upgrades para tendas com camas de verdade! Tomando cerveja quente em volta da fogueira (não há eletricidade) na companhia de novos e velhos amigos, esperamos o dia seguinte para mais um safari.

Fogueira no Masai Mara.

Ao nascer do sol adentramos a reserva natural de Masai Mara – aprendemos que aqui trata-se de uma reserva e não de um parque, pois há interação humana com  fauna e flora, justamente pelos Masai que habitam o local.

Estradas pela reserva no Masai Mara.

Ainda que um pouco mais pobre que o irmão maior, o Masai Mara é muito bonito de se ver. Nosso guia já havia nos avisado que nunca tinha visto tantos animais no Serengueti nessa época do ano, e que isso era um indicador que as planícies no Mara estariam mais vazias. 

Alí atrás desse casal feliz tem um lago cheio de hipopótamos.

De qualquer maneira, conseguimos avistar todos os big 5, mais uma série de animais que não havíamos visto na Tanzania, como o crocodilo.

Um clássico!

Topa atravessar?

Agora, o mais interessante de se ver no Mara, é o rio por onde atravessam as manadas migratórias de gnus, zebras e antílopes, lugar onde viram presa fácil para os carnívoros que aguardam essa época do ano para se esbaldar no equivalente selvagem de um almoço de domingo na churrascaria, com o perdão da piada.

Muitos elefantes, mais que no Serengueti.

Acontece que o rio Mara em determinado ponto torna-se estreito e permite que os animais o atravessem à procura de pastagens mais verdes do outro lado da fronteira. Ao mesmo tempo, essa horda de retirantes espremidos pela passagem estreita tem de enfrentar seus piores predadores. Ao avistarmos a passagem deu até pra ouvir o narrador do NatGeo (Planeta Terra pro nascidos nos anos 80) de fundo...

Os porquinhos são demais. Até os guias chamam eles de Pumba...

Infelizmente perdemos essa travessia por três semanas. O que conseguimos ver foi o resultado do pós-travessia: uma imensidão de carcaças e animais apodrecendo às margens do rio Mara. Uma festa sem tamanho para os abutres, pássaros carniceiros e repteis que se deliciavam com as sobras. 

Servido?
O guia nos contou que nem sempre esses animais mortos são obra dos predadores. Ele nos disse que a violência e agonia são tão grandes no momento de cruzar o rio que muitos animais se atropelam, pisoteando-se e deixando pra trás os mais fracos.

Os que ficam pelo caminho.

Curioso dizer que essa parte do safari à beira do rio se faz a pé, guiado por um ranger de AK-47 na mão, pronto pra atirar em algum animal que queira confundir o turista com algum migrante retardatário. “O senhor alguma vez já teve que usar a arma?”- perguntamos a ele. “Só uma vez, quando tive que atirar pro alto pra espantar uns hipopótamos que desciam a ribanceira em cima de nós. Aliás, sai da beira do rio que tem um crocodilo logo alí...” Nem preciso dizer que o amigo virou mais uma atração para fotos, com turistas posando ao lado dele e sua arma.

Feliz? Será?

Após uma manhã e tarde de aventuras com os animais, já cansados de ver elefantes, zebras, leões, girafas e afins (você também ficaria se a cada animal avistado fosse acompanhado do tema de “O Rei Leão” entoado em uníssono pelas moçoilas do tour), seguimos para conhecer por dentro uma vila Masai. Nem preciso dizer que a antropóloga de plantão Gabriela Gambi entrou em estado de graça.

Comissão de recepção na vila Masai.

Fomos recebidos pelo recém empossado chefe daquela vila, o filho mais velho do antigo chefe, que tinha oito mulheres e sabe-se lá quantos herdeiros. Os homens vieram nos receber com cantos e dança típica dos guerreiros. O vídeo abaixo mostra parte dessa cerimônia de boas vindas e também um fato curioso da cultura Masai: os pulos. 


Expliquemos:

Quando o menino completa quinze anos ele é circuncisado, a frio, pelo pajé local. Vale dizer que não há possibilidade de demonstração de fraqueza ou dor, como gritos ou choro. Do contrário, sua vida cai em desgraça, sendo preterido para o casamento e impossibilitado de ganhar o status de guerreiro.

Competição de saltos.
Mais alto!

Seguem-se sete dias de festa onde os mais velhos celebram com cerveja artesanal, enquanto os desprovidos de prepúcio se recuperam isolados. Passada a semana, o grupo de agora homens é enviado à selva para que durante três anos se tornem guerreiros. É nesse período que, vestidos de negro com os rostos pintados de branco, armados de lança e facão, devem matar um leão macho e retornar como guerreiros Masai. Hoje em dia, conforme apurado pela insistente inquisidora do grupo (adivinhem quem era?!?!!?), eles tem esse tipo de atividade controlada, para sorte dos leões.

Pés e cobertores. Explosão de marrom e vermelho.

No retorno, o agora guerreiro deve escolher uma esposa entra as mulheres de outra vila. Do grupo que retornou da selva aquele que consegue saltar mais alto ganha o direito de escolher primeiro. Melhor treinar bastante, não?

Detalhe da casa Masai.

Após as boas vindas fomos convidados a conhecer a vida cotidiana na vila. É o momento onde os nativos se dividem e levam dois ou três turistas para conhecer suas casas, tradicionalmente baixas e construídas pelas mulheres com pau-a-pique, barro e merda de vaca. É o momento “encurrala-turista”. Dentro da casa eles apresentam sua mulher/mãe e tentam vender a todo custo suas pulseiras, facas, lanças, cobertores e todo tipo de souvenir. Logo saímos de lá, uma vez que o clima fechou quando nos recusamos a comprar os mais que caros regalos. 

Nosso anfitrião e vendedor.
Na saída, um dos guerreiros quis trocar meu relógio por seu facão e lança. Confesso que ele quase conseguiu, mas pensei nos próximos 8 meses de viagem e na minha já bastante pesada mochila.

Quer trocar seu relógio IRONMAN que você tem desde a 8a série pela faca acima?
Eu ensinando os Masai a fazer fogo. Só que ao contrário.
Terminamos a visita com cantos das mulheres (que até então não tinham aparecido) e mais compras. O conceito Disney atração-com-lodjinha-no-final parece que é a receita perfeita, mesmo deste lado do oceano.

Mulheres cantam para os turistas. É a ante-sala da "lodjinha".


Turistas compram suas lembranças.
O dia foi finalizado com mais cerveja (ainda quente) e fogueira, a diferença é que agora todos aproveitavam o friozinho da noite enrolados em seus recém adquiridos e coloridos cobertores Masai. 

Guerreiros nos escoltam até o acampamento.

6 comentários:

Maria Luiza Cruz disse...

amei como sempre! vocês estão lindos e resplandescentes!
Muito legal vocês postarem esses detalhes, desde a lavagem de roupas... (quero ver você, Ivan na labuta, viu?)
Acho que a antropóloga vai escrever um livro... (se não pensou, comece a pensar!) [lembro-me de um livro de Saramago chamado Viagem a Portugal, que conta a história de um viajante solitário por lugares não turísticos e as impressões em cada uma das paisagens]
O que vocês escrevem tem o aspecto de poesia, tamanha a emoção que transmite!

Beijos casal feliz!

Luciana Brasil disse...

Queridos,
estou amando os posts com a história dessa viagem incrível!! Há tanta beleza nesse mundo que a vontade é de seguir os passos de vocês e abraçar o mundo!
Quem sabe quando a Maitê estiver mais crescidinha... :)
Beijo no coração de vocês e muita proteção!
Lu

Thais disse...

EU AMEIIIIIII ESSE POST! EMOCIONANTE, NOSSA IMAGINO VCS AI.
Eu já disse isso e vou repetir...a cada post me apaixono mais pelas palavras, fotos e comentários! Uhuhuhuhuhuhuh

Ivan e Gabi disse...

Minhas queridas, obrigado pelos elogios. Adoramos os comentarios por aqui, e' uma maneira de estarmos mais perto de vcs. Luiza, a minha foto lavando roupa de cuecas em Zanzibar nao passou no crivo do editor chefe(eu mesmo), esta impublicavel... MAs juro que tambem to ralando! Luciana: pega a Maite , enrola num desses cobertores MAsai e vem com a gente!

Tha, valeu pela forca: TAMO JUNTO!

bEIJOS

Suzana bruni disse...

Achei o blog de vocês por acaso e apesar de nao levar o menor jeito para fazer viagens como essa estou simplesmente adorando acompanhar a de vocês. É tanta emoção que vocês transmitem!

Maria Luiza Cruz disse...

Ivan querido,

Mas tem de mostrar o jeito (ou a falta dele) de cuidar da "casa" mesmo sem o 'glamour" da Gabi...

Beijossss

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