segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Dahab - Egito

Quando uma instrutora de mergulho nos perguntou quanto tempo ficaríamos em Dahab respondemos que tínhamos planejado uns 3 ou 4 dias, no máximo. Ela nos olhou condescendente e, com um sorriso largo respondeu: “Daqui uma semana a gente conversa.”

Panorâmica de Dahab do alto da montanha. (clique nas fotos para expandí-las)
Fica difícil imaginar que, a pouco menos de 1 hora da Las Vegas Egípcia de Sharm El Sheikh, exista um paraíso como Dahab. Esta pequena cidade incrustrada no Sinai é o destino certo para mochileiros, mergulhadores e famílias hippie-nice que buscam sossego e good vibrations.

Dahab em seu irresistível e preguiçoso fim do dia.
Assim que chegamos na nossa pousada – barata, limpa, quarto amplo com sacada, internet wi-fi e café da manhã buffet (!!) – fomos recebidos com suco de romã geladinho, um atendimento impecável e um aviso da gerência para, por gentileza, não dar gorjeta para o staff. Estes pequenos detalhes foram suficientes para deixar claro que a nossa temporada em Dahab seria inesquecível e inauguraria um Ano Novo com o pé direito.

Relaxando com um expresso na cafeteria italiana. Chique pra uma cidade hippie, não?
Quando saímos para fazer o reconhecimento da vila, ficou evidente o ar mais simpático e acolhedor que a cidade respira. Muitas bicicletas na rua, um comércio que se estende preguiçoso pelo dia todo, sorriso fácil (e não falso) no rosto e uma tranquilidade latente na fala. Se nas outras cidades tínhamos receio até de falar “bom dia” com medo de que isso fosse entendido como uma intenção de compra que levaria, invariavelmente, ao início de uma negociação de preço interminável, aqui não era exatamente assim. 

Só pra lembrar que tudo isso ainda é nossa lua de mel... Alto da montanha em por do sol no Sinai.
É claro que a simpatia árabe dos vendedores vem normalmente acoplada à apresentação de algum produto, mas em Dahab, na maioria das vezes, os vendedores queriam apenas saber de onde éramos, praticar o inglês dos filhos recém introduzidos à língua, fazer uma brincadeira ou simplesmente elogiar a barba do Ivan – esta última era, sem dúvida, a abordagem mais frequente.

Got beard?
O centro da cidade é composto por basicamente duas ruas: a que beira o mar, uma passarela apenas para pedestres onde ficam a maioria das pousadas, restaurantes e cafés; e a rua de trás, onde se passa a vida real de Dahab, com lavanderias, lanchonetes onde os locais almoçam, os cafés para fumar shisha e um gostinho mais autêntico de Egito praiano.

Mais um dia depois de muito mergulho. Impossível não relaxar.
Como estávamos no Mar Vermelho, um dos melhores pontos de mergulho do mundo, não perdemos tempo e fomos explorar o mercado de operadoras que a cidade oferecia. Depois de conhecer várias empresas, conversar muito com os instrutores, fazer orçamentos e ver procedimentos de segurança, optamos pela Sea Dancer – e hoje sabemos que foi a decisão mais acertada, sem sombra de dúvida. A equipe é muito profissional, eles sempre priorizam a segurança do grupo, seguem todas as recomendações da PADI, são extremamente organizados e têm um bom equipamento. E além de tudo, oferecem um bom preço no pacote de mergulhos!

Diversidade inimaginável pra quem só mergulhou no Brasil! (The Islands)

Foi aí que começamos uma das partes mais incríveis da nossa viagem até agora: mergulhar no Mar Vermelho. Eu sempre desconfio de visibilidades de raio-x e vida marinha super abundante. Por isso, mesmo sabendo que estava numa das “lendas” do mergulho, segurei minhas expectativas quando ouvi que naqueles dias a visibilidade da água estava entre 25 e 30 metros. E, é lógico, nós dois não estávamos preparados para tamanha imensidão, beleza e diversidade marinha.
Absolutamente sensacional!

Mesmo tendo mergulhado há menos de dois meses em Tofo (Moçambique), a operadora exigiu que fizéssemos um mergulho de nivelamento e teste do equipamento no ponto mais básico deles: o Farol. Assim que caímos na água, um susto: conseguíamos enxergar todos, mas absolutamente todos os outros mergulhadores que estavam no mesmo ponto. Pelo menos 25 metros de visibilidade, peixinhos de todas as cores e formatos e um polvo lindo, passando entre a areia e os corais mudando de cor e textura. Nossa instrutora comentou que nunca viu um casal passar o mergulho inteiro com um sorriso de orelha a orelha – e foi assim que ficamos em todos os outros. Dá até pra esquecer de respirar.

A vida é mais divertida embaixo d'água.

No mesmo dia fomos mergulhar no The Islands, uma formação de corais absolutamente única que se abre em uma série de corredores, criando um ambiente protegido para inúmeras formas de vida. É como se estivéssemos explorando o mundo de Alice no País das Maravilhas, só que embaixo d’agua! A diversidade de cores num labirinto de corais, cheio de peixes de todos os tamanhos, sons e luzes fizeram do lugar um dos nossos preferidos.

Que tal mergulhar em um aquário?
O casal mergulhador. (Foto Hans Van Der Meijs)
No dia seguinte partimos para dois mergulhos Gabr El Bint, um dos pontos mais famosos no Norte de Dahab. Lá vimos uma diversidade inacreditável de corais que desenhavam um imenso jardim subaquático num paredão interminável de riqueza de vida em cada detalhe e uma tartaruga dorminhoca que não deu nem bola pras inúmeras fotos que todos tiravam dela.

A tartaruga exibida! (Foto Hans Van Der Meijs)

Blue Spoted Sting Ray. (Foto Hans Van Der Meijs)
O nosso mergulho da virada do ano foi mais do que especial e, justamente por isso, vai ganhar um post só pra ele – aguardem!

Um ponto de mergulho bastante famoso é o Bells & Blue Hole, pela beleza de uma cratera oceânica de mais de 100 metros de profundidade e também (infelizmente) pela quantidade de mortes de mergulhadores imprudentes que se aventuraram muito mais do que o necessário. Lá fomos nós e o ponto de partida do mergulho é bem bacana, com uma descida em uma pequeno cânion para atravessar um arco de pedras e depois seguir acompanhando o paredão de corais até chegar ao famigerado Blue Hole. Quando se está bem no meio do buraco, a sensação é de estar voando numa imensidão azul e, justamente por isso, é muito fácil perder a referência e o senso de orientação (onde é pra cima, onde é para baixo, qual a distância real). Uma experiência bem bacana!

Peixe-Leão. Vimos vários...
No mesmo dia ainda fizemos o Canyon,  um mergulho muito bonito por conta de uma fissura que se forma entre os corais criando uma caverna semi-aberta e bastante longilínea que pode ser percorrida tranquilamente para exploração. 


Detalhe: a maioria das saídas de mergulho são feitas diretamente da praia, o que torna tudo imensamente mais fácil, tranquilo e flexível. Você praticamente pode ir mergulhar a hora que quiser, desde que haja instrutor disponível. Aí é só se equipar, atravessar o calçadão parecendo um astronauta e cair na água saindo diretamente da prainha – e bem ali, na frente de todos os restaurantes, fazendo a diversão da garotada.

De quebra a lua ainda estava assim, cheia cheia!!!
Depois de ter gastado toda nosso ar nos mergulhos resolvemos dar uma espiada no que havia na superfície terrestre do Sinai. Contratamos uma agência de turismo (Nasaim Tours) de família beduína para conhecer um pouco do deserto e logo partimos para o primeiro tour: pôr do sol fotográfico de camelo. 

A rainha do deserto.

Mais turista impossível – mas é claro que nós dois estávamos morrendo de vontade de andar naquele bicho temperamental. 


Gabi não para de rir enquanto o bicho nos leva montanha acima.
Apesar de termos ficado um pouco decepcionados com o pouco tempo em cima do quadrúpede e as montanhas bem próximas à cidade, as fotos ficaram bem bacanas.

Voto noturna de Dahab de cima das montanhas od Sinai. (HDR)
No dia seguinte – e depois de uma hora e meia de atraso – seguimos para o segundo tour contratado: um dia inteiro de passeio pelo White & Colour Canyon. 

White Canyon. 
Foi bem tranquilo, nada de mais, as formações são bonitas mas bem pequenas e a coloração das pedras aparece em pequenos veios nas rochas. De toda forma foi uma boa oportunidade para conhecermos o deserto mais de perto.

Talvez tenha sido esse arbusto que Moisés viu pegar fogo ao falar com Deus. Será?

Formação geológica faz as pedras nessas tonalidades diferentes.
Pastrami? Não, pedras no Coloured Canyion do Sinai.
Gabi no topo do Sinai esperando os mandamentos.
O único (grande) inconveniente desta viagem toda foi a Nasaim Tours. Depois de inúmeras enrolações, confusões de horário e transporte, reclamamos enfaticamente com o gerente e depois de muito bate boca achamos que a questão estava resolvida. Mal sabíamos que seria apenas o começo de uma briga surreal que tivemos – e, em determinado momento, quase que tivemos que chamar a polícia para interceder por um guia beduíno que tentava nos impedir fisicamente de entrar no taxi para pegar o ônibus para o Cairo. Enfim, NUNCA contratem esta agência, é só dor de cabeça (mais detalhes na nossa revisão do TripAdvisor).

Apesar do velhinho ter virado um psico total, o tour até que foi bom.
De qualquer forma, esta foi a única experiência ruim que tivemos em Dahab e, de tão tranquila que é a cidade, acabamos ficando 1 semana inteira por lá. Há três anos escrevi um post sobre Santo André na Bahia e fiquei me perguntando como é que uma joia dessas ainda existia sem ser invadida por hordas de turistas. Dahab não é diferente e já entrou na nossa lista de “lugares preferidos no mundo” – que, apesar de extremamente seletiva, felizmente cada vez fica mais longa. Nossa dica é: corra pra lá antes que o resto do mundo descubra esta maravilha!

Dahab no por do sol.

6 comentários:

Maria Luiza Cruz disse...

Amores... num dia tão triste nesse país, ler esse texto e ver essas fotos me levaram às lágrimas. A beleza da natureza é indescritível e vocês estão radiantes! Beijos1

Thais disse...

Queridos senti um momento de paz, tranquilidade, cama arrumada e comida na mesa na vida de vcs por ae! Que felicidade! Que lugar lindo! E QUE MERGULHO SHOWWWWW!!!! Adorei casal...divirtam-se a luz do luar!
Ahhh...adorei a foto de vcs dois... relembrando que a lua de mel está de pé!! hahahahaha
AMO VCS! Bjos

Flávia Pan disse...

Quanta coisa linda!!! Acho que quando vocês voltarem pro Brasil eu vou ficar triste!!!rs
Fiquem com Deus e...boa viagem!!

Marcos disse...

de longe...o lugar que eu mais quero ir ate agora no blog.
que delicia!!!
me senti ali...na paz.
Parabens, pra variar as fotos estao surreais!!
beijos

Ivan e Gabi disse...

Muito obrigado pelos elogios pessoal. Adoramos receber os comentários de vocês. Dahab foi um dos pontos altos dessa viagem, foi tudo maravilhoso.

Olá Flávia, já começamos a pensar nesse dia, mas sempre dá pra começar outra viagem!

Beijos

Priscila Frigotto Diz disse...

Gabi,

Estou planejando passar o ano novo em dahab também! Só me resta uma dúvida, que acredito que você possa me ajudar.

Estou muito interessado em mergulhar no mar vermelho, porém, pretendo apenas fazer snorkelling. A temperatura na água, nesta época do ano, possibilita fazer snorkelling sem roupa de borracha? Ou é muito frio?

Obrigado,

Priscila

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