quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sharm El Sheikh - Egito




Gabi devora o bolo de lua de mel que ganhamos no quarto do hotel.
Muito bem, depois de pouco mais de três semanas de Etiópia, tomamos uma decisão difícil: não ir para Lalibela.

Esta cidade que guarda inúmeras igrejas monolíticas escavadas em pedra viva, fornece uma visão única: construções “negativas” esculpidas chão abaixo. Este foi o principal motivo para nós querermos ir para este país e, chegada a hora, decidimos não ir. Por quê? Porque, mais uma vez, foi preciso conhecer e saber respeitar nossos limites e nós dois já tínhamos cruzado a fronteira da razão com o transporte, a falta de infraestrutura, a constante exploração dos turistas e as mais de 14 horas de lotação que teríamos de enfrentar para chegar à Lalibela. E era Natal.
Surpresa boa de Mekele (Etiópia): o time mais internacional do Brasil!!!

Em poucas horas trocamos nossa passagem de avião Lalibela-Addis Ababa (onde passaríamos o Natal orginalmente) para outra saindo de Mekele (onde fomos deixados depois da Danakil Depression) para Addis Ababa e um dia depois direto para Sharm El Sheikh – que, segundo apuramos, é considerada a Riviera francesa do Egito e a resposta do país à Las Vegas. De quebra ainda pegamos uma promoção no resort da rede Hilton, estourando sem dó nosso orçamento para os próximos dias. Porque, afinal, era Natal – e esse era o nosso presente.

Praia exclusiva dos resorts.
E aí vale uma observação: em determinados momentos é preciso tirar férias da viagem. Ser viajante – que é completamente diferente de estar de férias ou ser turista – é um estado de espírito constante, de possibilidades inesgotáveis que não permitem um “final de semana” no sofá. Afinal, todo dia é dia de conhecer mais um canto do mundo (e descobrir como chegar lá, qual a conversão da moeda, onde dormir, o que comer, etc, etc, etc). E nesse ponto, nós estávamos exaustos.

Dezembro foi um mês duro. Muito além das aventuras e perrengues, estávamos cientes de que este seria nosso primeiro Natal como casados e, principalmente, porque pela primeira vez passaríamos longe das nossas famílias – e, quem nos conhece, sabe que é um momento muito especial para ambos. Depois de muita conversa, uma pontada de angústia e um ímpeto de dar a volta por cima, decidimos que faríamos o nosso Natal da melhor maneira possível e que seria sim, muito especial.

Cair da noite perto do velho souk de Sharm.

E pra isso, com muito orgulho, chutamos o balde numa combinação infalível: praia com águas cristalinas, a cidade mais ocidentalizada do Oriente Médio, um resort que você não tem que pensar em absolutamente nada, comida conhecida e uma cama king size. Durante três dias seríamos os mais turistas dos turistas, não faríamos nada o dia todo e descansaríamos (!!!) num Natal inesquecível. E foi exatamente assim.

Ceia com direito a salmão defumado, velas e muito queijo! Já diria Bono: home is where the heart is!
Sharm El Sheik é, de fato, a cidade mais over que já conhecemos depois de Las Vegas – e com praia, o que dá direito a milhares de russos estreando toda a sua alvice com os trajes de banho mais OMG da história. Some a essa Disney adulta despudorada todo o imaginário mais brega possível da cultura egípcia com decorações de dourado e preto, Cleópatras e hieróglifos espalhados em cada cardápio e saída de banho. Ah, e regue essa mistura com muita bebida, restaurantes caros e gente endinheirada. Pronto, isso é Sharm.

Ah, the Russians! O que seria da nossa viagem sem esses seres de outro mundo?? 
Mas nem tudo é essa bizarrice. No mundo hermeticamente fechado dos resorts, tudo funciona, você não tem que negociar preço, dá pra confiar na água que você bebe e a comida é amplamente conhecida de antemão. Pequenas coisas que fazem a cabeça descansar. A cidade ainda conta com McDonalds, KFC, TGI Fridays, Starbucks, Carrefour, Hard Rock Café e as demais franquias que adoramos detestar. No entanto, depois de passar três meses na dúvida se o que você pediu pro almoço é sopa de fígado de macaco ou frango à passarinho, restaurantes assim foram o melhor presente de Papai Noel!

Rua das baladas em Sharm.
Para aqueles que gostam de mergulho, a cidade oferece várias operadoras que te levam aos melhores pontos do Mar Vermelho – por algumas dezenas de euros e um certo desdém pela sua cara de mochileiro. A água é tão transparente que dá pra ver os peixes nadando diretamente da praia!
Andando na beira da praia! Imagina mergulhando...
Para nós, foi o break perfeito da viagem, altamente necessário e aproveitamos cada momento de dolce far niente. Nos jogamos de cabeça e sem a menor culpa nos sundays do McDonald’s, café da manhã buffet, espreguiçadeira na praia e hambúrgueres com batata frita a noite. E toda a manhã ainda ganhávamos um quarto milimetricamente limpo (e decorado!) e, como cortesia do hotel, um bolo cafonérrimo em formato de coração pela nossa lua de mel. It’s egyptian Vegas, baby!


Um comentário:

Maria Luiza Cruz disse...

Amores!

Lindo e merecido presente de Natal! Imaginei o quão difícil deve ter sido esse primeiro literalmente sozinhos, mas vcs se têm e isso basta e... "home is where the heart is!"

Bjssssss

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