quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Alexandria - Egito




Alexandria é uma cidade litorânea e que vive voltada para o mar. Sua principal avenida é aquela que beira o oceano e parece que todos os caminhos levam a ele. 



Ainda hoje é possível notar, no final da tarde, várias pessoas pescando acocoradas nas pedras que encerram a água azul e tranquila da baía. 


Passeando por lá num sábado, tivemos a oportunidade de ver uma rede de arrastão enorme sendo puxada no braço por vários pescadores. De tão grande que era, não tivemos tempo para esperar ver o que o mar mandava – apesar da curiosidade aumentar em cada pedacinho que saía d’água.




Menina espera - sem paciência - o pai observar puxar a rede.
Justamente por isso, Alexandria é considerada pelos próprios egípcios um dos melhores lugares para se comer frutos do mar. Seguindo indicações precisas do nosso querido Ahmed fomos num restaurante local chamado “Sereia” em árabe e que, segundo ele, valia uma viagem do Cairo até a cidade só pra almoçar.. E valia mesmo.

Gato folgado descansa na redes de pesca.
Depois de rodar bastante, encontramos ao lado de uma mesquita uma cantina dessas que a família toda se reúne para comer no domingo e quando chegamos, todos nos olharam como que perguntando: “vocês estão perdidos?”. 

Sentamos e entendemos pelos gestos do garçom (que só falava árabe) que tínhamos que ir escolher o nosso prato e ele nos levou até um imenso mostruário de peixes, camarões e outros frutos do mar, todos fresquíssimos, para que pudéssemos escolher. Agora imaginem a palhaçada que foi estes dois brazucas aqui tentando entender os preços, explicar o quanto queríamos e como queríamos – em árabe. Basta dizer que demos muita risada com os garçons e que em determinado momento jogamos a toalha e falamos para eles trazerem da maneira como eles achassem melhor.

O prato pedido foi só o camarão, o resto vem sem pedir...
Foi uma de-lí-ci-a. Uma das melhores refeições que fizemos. Como tudo no Egito, você escolhe um prato principal e eles trazem pelo menos mais oito tipos de pastas (meze) para se comer com pão. Fizemos uma festa de camarão e ovas de peixe, até não aguentar mais – tarefa bastante “difícil” para os dois guerreiros aqui.


No entanto, como a maioria das cidades portuárias, os hotéis em Alexandria não são exatamente os melhores do Egito. O que se encontra nas opções mochileiras são hospedagens muito antigas e mal cuidadas, normalmente com pouca ou nenhuma manutenção. 

O tradicional por do sol no calçadão.
Por isso, uma boa ideia é fazer um “bate e volta” diretamente do Cairo, de onde partem ônibus com bastante frequência o dia todo e há ainda a opção de ir de trem. Pela estrada o trajeto leva mais ou menos duas horas (ou seja, é bem pertinho) e o ônibus que pegamos era bastante tranquilo e confortável.

Entrada do complexo cultural da Biblioteca Alexandrina.
A visita à Biblioteca de Alexandria foi um momento muito especial e emocionante. É raro se deparar com equipamentos culturais com dimensões proporcionais à capacidade de sensibilização dos usuários e com tanta maturidade conceitual do ponto de vista arquitetônico, de conteúdo e diálogo com diversas mídias e suportes.

Sala de leitura em projeto arquitetônico resgata as antigas construções dos Faraós.
A história da biblioteca antiga precisa ser relembrada para se entender o tamanho da ousadia de um projeto que se propõem a reconstruí-la. Localizada as margens do Mediterrâneo numa das cidades culturalmente mais relevantes da antiguidade, a Biblioteca Real de Alexandria tinha por objetivo adquirir um exemplar de cada manuscrito existente na face da Terra – e em determinado momento chegou a guardar mais de 700 mil títulos. 

Usuários em ação. O espaço é vivo!
Reza a lenda que Ptolomeu não deixava que os navios atracassem no porto alexandrino sem antes fazer uma minuciosa revista em busca de mais exemplares para a coleção. Até que, por volta de 48 a.C. um incêndio de origens controversas acabou com a estrutura do edifício levando junto todos os pergaminhos e o conhecimento acumulado.

Em 2002 o governo egípcio apoiado pela UNESCO inaugurou a nova biblioteca com um acervo inicial de 400 mil livros e capacidade para abrigar 8 milhões de volumes. O prédio foi projetado por arquitetos noruegueses que preocuparam-se em destacar o elemento fundamental que dá vida ao equipamento: uma sala de leitura com 20 mil metros quadrados e iluminação natural. 

Estantes iluminadas.
E olha o que achamos por lá!
A estrutura é integrada por quatro bibliotecas especializadas, um planetário, um museu de ciências, vários espaços para exposições, sala de convenções e laboratórios. 

Planetário ao fundo no anoitecer na Biblioteca Alexandrina.

Todo o acervo é integrado por um sistema único de administração entre esta e outras bibliotecas do país. Em todo o edifício há wifi grátis e vários computadores à disposição, fazendo da biblioteca efetivamente um centro cultural que integra de maneira harmônica o que há de mais tradicional e moderno na cultura atual.

O mundo está em uma biblioteca.
Em Alexandria é possível (e recomendado) fazer tudo caminhando porque a cidade é plana é dá para observar os detalhes dos edifícios e até se perder em um dos souks. 

As mocinhas ficaram encantadas pelo casal "esquisito" e pediram uma foto, mesmo envergonhadas.
Foi por isso que, no caminho para conhecer o forte que fica em uma das pontas da baía, paramos em uma tradicional casa de sucos. O lugar se declarava o Rei da Manga e do Morango e sentamos sem muita pretensão para, mais uma vez, sermos deliciosamente surpreendidos. 


Até hoje quando lembramos desse suco dá água na boca. Ivan pediu um mix de goiaba, manga e morango e eu pedi um coquetel/salada de frutas. Olha só o que veio – maravilhoso!

Suco?
Nossa última expedição pela cidade foi para conhecer o Forte Qaitbey, construído pelo sultão de mesmo nome em 1477 nas ruínas do famoso antigo farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do mundo antigo. 

Forte Qaitbey visto do lado oposto da baia.
Ainda hoje dá pra ver partes do castelo onde foram usadas as colunas que sustentavam o farol destoando do restante do edifício. Uma lembrança da época de ouro da cidade.

Entrada da fortaleza, a alegria da criançada. 
A construção é onipresente na baia e guarda a entrada da cidade para os que chegam de barco pelo mar Mediterrâneo. 

Uma das vistas do castelo
Barcos de pesca se acumulam na baia protegida pelo forte.
Hoje, como atração turística, é um excelente local para despertar a imaginação dos pequenos que correm livremente pelos salões vazios e amuradas que enfrentam sólidas as ondas azuis turquesa colidindo nos seus paredões.

Placa em monumento da Biblioteca Alexandrina.

Um comentário:

Celina disse...

Tenho certeza que grandes ideias fluiram na sua mente durante a contemplacao na biblioteca.
Guarde no coracao

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