terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Haifa & Akko - Israel


 
Terceira maior cidade de Israel (perde apenas para Tel Aviv e Jerusalém), Haifa atualmente comporta mais de 260 mil habitantes e, mesmo assim, consegue manter um ar prosaico de uma cidade de pequeno porte.


A população é formada predominantemente por árabes cristãos e judeus russos que, orgulhosos, proclamam-se exemplo nacional de convivência pacífica frente ao restante do país. Talvez aí, mais uma prova de que é possível coexistir na diversidade gerando um ambiente tão agradável e acolhedor que nos fez ficar por lá alguns dias a mais do que o planejado inicialmente.

Gabi faz graça com burrico em um dos jardins de Haifa.
Haifa foi construída nas encostas do Monte Carmelo que, para além dos significados bíblicos, permite excelentes pontos para fotos e uma bela vista panorâmica da cidade. 

Após "roubar" gorro dentro da igreja, a meliante conhecida como "tia Celina" aproveita o pôr do sol tomando bronca da filha.
De quebra você ainda ganha uma boa musculação para os glúteos e pernas que têm que trabalhar bastante para vencer o sobe e desce dos morros da cidade – até finalmente você se render ao funicular que cumpre exatamente esta função.

Teto da basílica de Sta. Maria.
A Basílica da Virgem Maria fica encrustada exatamente em uma destas encostas do Monte, perto da gruta do Profeta Elias. A pequena construção hoje guardada pelas freiras carmelitas, tem as paredes e o teto decorados com passagens da Bíblia e ainda uma reprodução da gruta do profeta embaixo do altar.


Uma das principais atrações de Haifa são os jardins do Centro Mundial Bahai, uma religião monoteísta independente fundada no século XIX e que reúne cerca de seis milhões de seguidores no mundo. Nomeado Patrimônio Mundial da UNESCO em 2008, os imensos terraços suspensos sobre o Monte Carmel criam uma visão quase que surreal: arbustos, pinheiros, flores e pedras meticulosamente lapidados, folha a folha, para se criar uma composição perfeitamente simétrica e bela.

Detalhe do Jardim Bahai.
A grande cúpula dourada que pode ser vista de praticamente qualquer ponto da cidade marca o lugar mais sagrado para esta religião. O Santuário de Bab guarda a tumba do precursor da fé Bahai, o profeta Bahá’u’lláh, que teve no Monte Carmel a visão do local ideal para o seu descanso eterno. Em seus ensinamentos há um forte sentido de convergência das principais religiões do mundo, Krishna (hinduísmo), Abraão (judaísmo), Buda (budismo), Jesus (cristianismo) e Maomé (islamismo) como Mensageiros Divinos. Nesta linha, a humanidade estaria caminhando para uma civilização mundial de “um só deus, uma só religião, um só mundo”.

Jardins Bahai.
De fato, o interior deste local sagrado reúne referencias de todos os cantos do mundo. Enquanto é necessário retirar os calçados para entrar no vestíbulo (como nas mesquitas), as paredes são todas brancas e dois grandes ramalhetes de rosas perfumam o local, dando uma sensação de paz de espírito. Não há altar mas, no centro, um pequeno degrau forrado com tapetes persas guarda oferendas como castiçais, vasos com flores e velas. Muito interessante.

Vista de Haifa do alto do jardim Bahai.
Com este espírito cosmopolita, Haifa é uma cidade tranquila que pode ser feita de “base” para visitar outros municípios da região – como Akko, Rosh Hanikra e Nazaré, por exemplo. As opções de acomodação são boas e apresentam uma relação custo-benefício bastante interessante para os padrões de Israel. Nós fomos tão bem recebidos por uma equipe atenciosa do Louis Hotel que resolvemos estender nossa estadia de duas para quatro noites e fazer dali nossa base para explorar o norte do país.

A lua vista do alto da Basílica de Sta. Maria.

Nesse clima de descontração, vale a pena aproveitar os supermercados da cidade para se aventurar pelo maravilhoso mundo dos pães e pastas acompanhados de um bom vinho. De sobremesa, morangos fresquinhos e bem vermelhos que minha mãe e eu fizemos questão de matar um pote inteirinho, algumas vezes. Um simpático café-lavanderia ao lado do hotel fechou nossa estadia por lá trazendo o melhor do espírito da cidade: em um ambiente colorido e despretensioso, comemos bons sanduíches com cidra enquanto esperávamos a roupa lavar. Haifa foi uma boa surpresa e vale a visita.

AKKO

Akko ou Acre foi durante mundos anos a capital das cruzadas – e só com esta informação já é possível imaginar a quantidade de história de cavaleiros que o lugar guarda. E, por tabela, é possível deduzir também a animação do Ivan em conhecer o lugar. De fato, depois da visita saímos todos fãs dos hospitaleiros.

Gato folgado.
A principal atração na cidade é, sem dúvida, o castelo dos cavaleiros cruzados da ordem dos hospitaleiros que, nos séculos XII e XIII foi o grande responsável pelo fortalecimento econômico e político da cidade. Estrategicamente posicionados entre o mar e o caminho para a Terra Santa, estes cavaleiros tinham por função dar abrigo, assistência médica e espiritual aos peregrinos que iam e vinham de Jerusalém. No entanto, com a aprofundamento das guerras religiosas, os hospitaleiros acabavam por assumir ainda mais uma função: dar escolta aos fiéis para garantir que chegassem ao seu destino com segurança, por uma módica contribuição à ordem, claro...

Um dos vários salões do castelo.
Escavações arqueológicas revelaram um complexo formado por vários salões interligados, um calabouço, resquícios de uma igreja gótica e uma grande sala de jantar. No auge de sua prosperidade, Acre ganhou reconhecimento internacional quando, no século XVII, derrotou Napoleão que tentava conquista-la como um passo estratégico para fazer da Índia uma colônia francesa. 


Reza a lenda que Alexandre, O Grande e Júlio César visitaram o castelo e que São Francisco de Assis e Marco Polo até jantaram no salão de banquetes da fortaleza.

Inscrição na pedra funerária de um dos cavaleiros - igualzinho no Indiana Jones!

Tumba do cavaleiro Ivan Contente Marques - mais uma pra série "sai já daí menino!" 

Compensa bastante comprar o pacote de ingressos combinados que dão acesso à cidadela, ao túnel templário e ao banho turco. Este último, o Hammam al-Basha, foi construído em 1795 e manteve-se em atividade até 1950. 
Detalhe da apresentação de luz e música no antigo Haman de Akko.

Sala de entrada para a boa apresentação do Haman.
Uma simpática apresentação interativa narra a história de uma família que por várias gerações cuidou do estabelecimento, preservando uma arte milenar de tratamentos por sauna e duchas. Durante a visita é possível conhecer todas as salas do hamman bem como seus propósitos, até chegar ao vestíbulo final que guarda o octógono de mármore onde as massagens e terapias eram realizadas. Grata surpresa!

Estátuas em bronze demonstram como era o ritual do banho turco.
 

Já o Túnel dos Templários, nos deu uma canseira desde o início: demoramos pelo menos uma hora e meia para encontrar uma das entradas e boa parte da passagem estava fechada por conta de uma inundação. Esta construção subterrânea ligava o castelo ao mar e, além de seu uso estratégico óbvio em tempos de guerra, também foi usado como transporte facilitado de mercadorias e suprimentos que chegavam de navio para dentro da fortaleza.

Túnel dos templários.
Finalmente fomos conhecer a mesquita de Jazzar Pasha (1781), também conhecida como Mesquita Branca, que fica bem no meio da cidade. 

Interior da mesquita.
Nomeada em homenagem ao governador otomano Ahmed al-Jazzar, O Carniceiro (medo!),  esta figura ficou internacionalmente conhecida por derrotar Napoleão no cerco da cidade, além de ter requintes de crueldade com seus prisioneiros e/ou opositores. Na mesquita há um monograma em disco de mármore nomeando-o sultão e que logo abaixo guarda a legenda “sempre vitorioso”.

Detalhe da pintura do teto do local de limpeza dos muçulmanos antes das rezas.

Para finalizar nossa incursão, acabamos no pequeno museu que conta a história da vida cotidiana da cidade. Recomendado!

Farmácia antiga retratada no museu.
Sala de visita I.
Sala de visita II.
Em Akko, não há maneira melhor de sentir os ares medievais da época dos templários do que deixar-se perder por suas ruas sinuosas e estreitas, ouvindo os mercadores ainda hoje gritar o preço dos peixes e frutos do mar, recém pescados. Deixe-se levar por este espírito e em pouco tempo, caminhando sobre os muros da cidade, talvez até seja possível enxergar no horizonte marítimo uma caravela, ainda minúscula, despontar com a cruz templária. Quem sabe?

Ruína do antigo porto Cruzado.

2 comentários:

Celina disse...

Queridos

A cada nova postagem me questiono como conseguem guardar todas as informações de cada local e transmitir pelas fotos e palavras as melhores sensações?

saudades

Unknown disse...

Olá!!
Procurando informações sobre Israel e Jordânia, antes de ir procuro as dicas nos blogues, e o de vocês é maravilhoso!!
Fotos lindas, que transmitem impressões reais, informações práticas e valiosas e os comentários de muita sensibilidade e na medida certa.
Ao ler os posts, tive a sensação de estar vendo um filme de época.
Parabéns!!! E muito sucesso!
Fátima

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