segunda-feira, 18 de março de 2013

Castelos, Madaba, Mar Morto e Amman - Jordânia

Anfiteatro romano em Amman.

 Seguimos viagem pela Jordânia nos aventurando pela Estrada do Rei, que conta com vistas muito bonitas passando por grandes vales e algumas cidades do interior da Jordânia. Poderíamos até postar algumas fotos destes lindos cenários se não fosse por uma forte neblina que pegamos em boa parte da estrada – me-do. Não conseguíamos enxergar pouco mais do que 3 metros a frente do carro e tivemos que dirigir com muito, mas muito cuidado meeeesmo. Fica a dica.



Fizemos nossa primeira parada no Castelo de Shobak, uma antiga fortificação cruzada já bastante desgastada pelo tempo e que não aparenta muito mais do que um monte de ruínas. 
O castelo cruzado de Shobak, pura ruína.
A parte interessante ficou por conta de uma passagem secreta longa escondida no subterrâneo de um dos cantos do antigo castelo – e é claro que nós fomos explorar. Com a valente lanterna do celular (uma vergonha pra quem carrega na mochila duas lanternas de cabeça a prova d’água), descemos passo a passo 375 “degraus” esculpidos no túnel subterrâneo que era um breu só. O Ivan se divertiu em ver eu e minha mãe bastante desconfiadas, pra dizer o mínimo, de tanto silêncio e escuridão até que chegamos à saída, por uma espécie de chaminé/poço disfarçada na pedra. Ufa!
Pena que o túnel era "infotografável" pois foi o que fez essa visita valer a pena.
Quem assistiu e gostou do filme Cruzadas, com Orlando Bloom e Eva Green, vai ter especial atenção para nossa próxima parada. O Castelo de Karnak foi a residência oficial e militar de Reynald de Chatillon, um personagem histórico que aparece no longa metragem e que, muito antes, já era famoso por seu espírito sanguinário. Reza a lenda que o “fofo” tinha requintes de crueldade com seus inimigos e prisioneiros – não dá nem pra descrever aqui o tipo de tortura que este psicopata fazia. O cavaleiro cruzado que de nobre não tinha nada, defendia a Terra Santa em meio a inúmeras disputas políticas para conquistar mais terras e títulos. Ao perder uma batalha contra Salah al Din, ele foi pessoalmente executado pelo general árabe (então amplamente conhecido pelo seu alto grau de ética na guerra) como forma de punição pelas crueldades que o francês havia cometido contra caravanas de civis e peregrinos. Amém.

Muralha do grande castelo de Karnak.
O fato é que a fortaleza ainda permanece no alto do morro e, mesmo que bastante deteriorada, ainda olha com soberba todo o vale que a cerca. Sua posição privilegiada fez com que resistisse a vários ataques e cercos de meses sem que fosse invadida. 
Túnel dos cavaleiros.
O complexo do castelo impressiona pelo tamanho e pelas diferentes funções de cada edifício, entre estábulos, capela, aposentos nobres e militares, cozinha, prisão, entre tantos outros. Apesar de ter sofrido muitas modificações quando esteve sob domínio dos muçulmanos, ainda é possível explorar cada ponto do castelo e, dizem, ouvir os gritos de desespero trazidos pelo vento.

Vista do alto da fortaleza.
Chegamos ao nosso destino final, Madaba, onde aproveitaríamos para passar algumas noites e explorar os arredores. Esta cidade turística é conhecida pelos antiquíssimos mosaicos descobertos no chão das igrejas, onde são retratados os primeiros mapas da Terra Santa. Nesta região também é possível aproveitar os cafés e restaurantes que trazem bons representantes da culinária jordaniana.

Um dos mosaicos de Madaba.

 

Como não tivemos a oportunidade de fazer este passeio em Israel (muito frio!), aproveitamos para conhecer o Mar Morto – e foi divertidíssimo! Fizemos tudinho como manda o roteiro: tomamos o banho de lama dos pés à cabeça, ficamos “de molho” uma hora no sol para absorver os nutrientes e depois fomos brincar de boia no mar.

Criança feliz...
Foi uma delícia, esse é o tipo de programa super turístico mas que todo mundo tem que fazer. É diversão garantida pra qualquer idade! Não tem jeito de entrar na água e não dar risada do quanto ela te joga pra cima. Em poucos segundos você já está testando todos os tipos de posições que seriam fisicamente impossíveis de fazer sem afundar numa água normal – ou seja: todo mundo vira criança.

Tá bonitchoooo!
Madaba também é muito conhecida na Jordânia pela qualidade dos seus mosaicos feitos com técnicas tradicionais que são usadas até hoje. Conhecemos o processo artesanal de feitura das peças e também vimos itens lindíssimos – vale a pena pra quem gosta deste tipo de arte. 
Tenda Beduína.
Mais para frente ainda visitamos o Monte Nebo, onde acredita-se que Moisés avistou pela primeira vez a Terra Prometida. A vista é realmente muito bonita e rende boas fotos – ainda que não tenhamos visto Jerusalém de lá, a gente acredita que o homem tinha uma visão de longuíssimo alcance.

O luxo dessa parte foi poder dirigir novamente. Gabi, pra não perder o costume, dorme.
Depois de alguns dias de descanso, seguimos viagem para Aman. A capital da Jordânia é uma cidade grande, bastante desenvolvida mas não apresenta muitos atrativos para o turismo. 

Vista de Madaba da torre do sino da Igreja de S. João Batista.
A Rainbow Street é conhecida pelos seus cafés descolados, restaurantes de padrão internacional e lojas de design – e é isso. Mas foi logo atrás do Anfiteatro Romano (que também é meio que só isso), num cantinho despretensioso que o Ivan fez uma grande descoberta: uma oficina de fabricação artesanal de facas e espadas.

Zeyd afia faca.
Os donos são os irmãos Zeyd que continuam o trabalho do pai com maestria, uma faca ou espada de cada vez, chegando a armar até o Rei Abdullah - feito que se orgulham demais. O irmão mais velho, que trabalha as lâminas adorou encontrar alguém que valorizasse sua arte e fez questão de mostrar toda a oficina e os métodos empregados na fabricação das armas.

Encomenda? Entra na fila...
Ivan até sondou o armeiro sobre a possibilidade de comprar outra espada (ele já tinha comprado uma em Madaba...). Zeyd riu e disse, “preciso de pelo menos oito semanas e você vai ter que vir aqui pelo menos umas quatro vezes pra ajustarmos os detalhes. Além disso, tem que entrar na fila, tenho umas cinco na sua frente”. Como que vivendo num tempo em que não há necessidade de pressa ou pronta-entrega, estes artesãos à moda antiga ganham a vida fazendo armas que ninguém mais usa, num modo de trabalho que é unicamente pautado pela construção da sua arte. Que bom que ainda existam admiradores que permitem sua existência.

Pra comemorar os vinte dias maravilhoso que passamos com a minha mãe entre Israel e Jordânia, fizemos um belíssimo jantar de despedida no restaurante mais caro da cidade. Depois de uma comida divina regada a um bom vinho local, pedimos um taxi e o maitre não conseguiu conter a gargalhada quando demos o endereço do hotel (que nós carinhosamente apelidamos de “cafofo da Av. Rio Branco”) e não tinha nada a ver com o perfil de frequentadores de um ambiente tão chique. 
Celina se despede do casal.
E essa é uma das nossas máximas da nossa viagem: economizar na hospedagem pra gastar tudo o que tem (e o que não tem) na comida. Já com uma pontada de saudade, nos despedimos da minha mãe que a gente já sabia que era uma das melhores companheiras de viagem mas não tinha ideia de que se revelaria uma excelente mochileira – mais em Percepções: Minha Mãe Mochileira. 

Um comentário:

Maria Luiza Cruz disse...

Amores!

Que delícia de viagem...
Esse peste me assustou também...Eita menino atentado...

Foto linda de mãe e filha na tenda... e me emocionei ao final, com a despedida...

Alcancei vocês, hehehehe

Beijossssssss

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