segunda-feira, 25 de março de 2013

Istanbul II - Turquia




Seguimos contando um pouco mais da nossa estadia em Istanbul. Aproveitem!

BAZAAR

Este é “O” lugar para os compradores compulsivos e mesmo aqueles que não se inspiram muito na prática sentir-se-ão tentados. E a melhor maneira de explorar esta região (pelo menos foi assim que nós fizemos e adoramos) é aplicando a filosofia de Tom Zé: “tô te confundindo pra te esclarecer / tô te perdendo pra você se achar”.


Para coloca-la em prática imediatamente, nada melhor do que se jogar de cara no Grande Bazaar. É um fato: você vai se perder – e vai gostar. 


Corre-se o risco altíssimo de ser envolvido pelos vendedores que, com calma e carinho, quase que num chamego, vão conversando num inglês gostoso e oferecendo um chá doce que aquece a alma. 
Tem de tudo no Grand Bazaar.
Conversa vai, conversa vem, o amigo sempre tem um primo que mora em São Paulo e vende tapete na Avenida São Gabriel. E, de repente, não é que aquela pashmina ficou bem mais bonitinha e você até acha que iria combinar direitinho com aquele seu casaco?


No meio de tanta gentileza, precisa ter um faro muito apurado para separar o que vale a pena e o que é picaretagem. Mas se procurar bem e souber o que se quer comprar, têm muitos itens bacanas e de altíssima qualidade por um preço negociável. 

Muito bom humor dos turcos. (foto celular)

E essa combinação é o prato predileto do brasileiro: não a toa foi no Grand Bazaar que vimos a maior concentração de conterrâneos, alguns até carregando malas de rodinhas pra tanta compra no melhor estilo “outlet em Miami”.

Eles ficam orgulhosos e te respeitam mais se você pede chá turco ao invés do de maçã.
A parte boa de quando se está mochilando numa viagem de dez meses é que você não sofre (a não ser quando o Ivan resolve comprar uma espada, claro). Normalmente não cabe mais nada na mochila que já incomoda de tão pesada e você também não quer abrir a mão pra mandar nada pro Brasil – sem problema não há sofrimento. Nessa de não comprar nada mesmo vendo tanta coisa linda que a gente adoraria ter na nossa casa (que, a propósito, não existe mais) resolvemos matar a vontade de forma criativa. Criamos a nossa World House Wishlist, onde fotografamos e listamos todos os itens de diferentes países que gostaríamos de ter em casa. Um dia, em alguma casa, em algum canto. Um dia.

Bazar Egípcio ou de especiarías.
O Bazaar das Especiarias é uma perdição ainda maior – pelo menos pra mim. 

Da vontade de levar tudo e ir direto pra cozinha!
Eu com síndrome de abstinência de cozinhar e nós dois ali, passeando despretensiosamente no meio dos chás de flor de lótus, pencas de cardamomo, pistache a granel, tâmara fresca, curry e mil outros pozinhos mágicos que eu adoraria brincar na cozinha. Fué, fué, fué... Só fiquei babando.

Vista noturna da ponte.
Logo ali perto fica a Ponte Galata, que leva para os distritos ocidentais da cidade. A ponte em si é uma atração, não só pelos restaurantes que ficam embaixo dela e acompanham os barcos fazendo a travessia do Golden Horn mas também (e principalmente) pelos pescadores que jogam a linha lá de cima e são sobrevoados (e agourados) pelas gaivotas a espera de um almoço de graça. A dinâmica é bem engraçada.
Pescador tenta a sorte na ponte.
Num dos extremos da ponte nos passeamos por um mercado de peixes e eu que adoro feira fiquei animadíssima. Peixes ali fresquinhos (alguns ainda se contorcendo, coitados) pra escolher, levar pra casa e fazer. E quem não tem casa pode comer ali mesmo: é só optar por uma forma de preparo e comer em um dos botecos que ficam ali servindo freneticamente. Nós optamos pelo famoso (e barato) sanduíche de filé de peixe, uma unanimidade na Turquia, servido no pão com salada, cebola e limão. Uma delícia simples pra tomar com cerveja.

BEYOGLU

Uma das tarefas que tínhamos que resolver em Istanbul era o tal do visto indiano e por isso tivemos (felizmente) que reservar um tempo maior para ficar na cidade. Depois de uma leve trapalhada que fizemos em Tel Aviv (Israel), esta era a nossa última chance de conseguir ir pra Índia legalmente e portanto estávamos super focados na questão. 

Brincadeira com poses e cores nas ruas de Beyoglu.
O fato é que depois de muita canseira e um excesso de burocracia, conseguimos finalmente o tal do visto – ô paizinho chato de conseguir entrar! O lado bom disso tudo é que o Consulado Indiano em Istanbul fica em uma região muito bacana e talvez pouco explorada pelo turismo mainstream, chamada Beyoglu. E como nós tivemos que ir pra lá “só” cinco vezes (sim, cinco) por conta do visto, acabamos por adquirir um afeto especial por este bairro.

Mas a coisa mais importante que você precisa saber sobre a cidade (e quiçá sobre a Turquia) fica logo depois de atravessar a ponte. É sério. Razoavelmente escondida entre uma ruazinha paralela ao braço de mar, está a Karaköy Güllüoglu. Este nome mafioso é pra impor respeito sim – e depois que você souber o que eles fazem, vai praticamente querer criar uma seita de adoração a isso. É exatamente neste lugar que você vai comer a melhor baklava da sua vida inteira. E talvez o melhor doce de pistache já inventado no mundo. É lá. E olha que eu não sou muito chegada aos doces árabes porque normalmente acho excessivamente doce mas este, em especial, é de morrer. Tem a dose exata entre um choque hiperglicêmico e o delírio orgástico.

Não vou mentir, é um dos melhores doces que já comi na vida. Mas é só o desse lugar, juro que tentei vários outros.
Num jogo rápido entre pagar-pedir-levar pra mesa você se acotovela entre os turcos, tentando atrair a atenção dos vendedores que não estão nem ai pra você – porque, é claro, eles sabem que tudo o que separa você de um pedaço do céu são eles mesmos. 

Salão do Karakoy.
Apesar de terem várias imitações com o mesmo nome, eles fazem questão de reforçar que só existem lá (não há filiais) e nós, como bons viciados, fizemos questão de voltar lá pra comer todas as vezes que pudemos – inclusive numa não-ida ao consulado. Em suma, a Karaköy Güllüoglu está para as baklavas assim como a avó da nossa amiga Carol está para as esfihas (piada interna para poucos conhecedores, sorry!). Capisci?
Olha a cara de feliz. Não é pra menos.
A Torre de Galata aparece quase como um marco solitário, no alto do bairro de Beyoglu, destacando o local que um dia foi chamado de Genoese. Hoje considerada um excelente mirante para uma vista panorâmica da cidade, a torre sobreviveu diversos terremotos e segue em pé. Mas, muito mais importante do que isso tudo, é o fato do Ivan ficar super empolgado de ver ao vivo a mesma torre que está no quarto dele em São Paulo só que em modelo de papel. Adoro a minha criança feliz.

Torre de Galata. Vistas incríveis, vá a noite!
O boulevard Istiklal Caddesi é um must da rapaziada chique da capital. Esta larga avenida onde não são permitidos veículos (a não ser por um bondinho retrô que fica subindo e descendo o meio da rua) fica lo-ta-da de gente atrás de um bom café (vários, até Starbucks), umas compras em lojas de marcas internacionais ou ainda o bom e velho footing pra dar uma olhada nos transeuntes a passeio. Para ver e ser visto – ou desfilar um pouco, para aqueles que têm síndrome de diva.

Mais uma da série brincando com poses & cores. Dessa vez na frente da torre de Galata.
A gente que já tinha cansado um pouco desse burburinho que ficava bem no caminho de volta do Consulado Indiano, resolveu explorar os arredores. Qual não foi a nossa surpresa que logo ali, algumas ruas mais atrás ficava o reduto Vila Madalena de Istanbul. Hippies descolados e músicos tomando a sua cerveja barata e café meio frio nos banquinhos baixos da calçada. Em volta, brechós, design independente, inutilidades e lojas de instrumentos musicais. Gostei tanto que fiz a minha segunda aquisição da viagem (depois da echarpe na Etiópia): uma camiseta!

No melhor estilo saudades-do-meu-bar, adotamos esse boteco em Istanbul. Ficamos até amigos dos garçons.
E como a gente não nega o nosso lado glutão, fizemos mais uma incrível descoberta gastronômica: o pide – apelidado de forma infame de “pizza turca”. 

Esse é de queijo, mas as variações são muitas.
Encontramos esta delicia de rua numa portinha que empacotava freneticamente os pedidos para levar recém saídos do forno e, pra não deixar a gente na mão, dispunha de três mesinhas de plástico na porta. Do jeito que a gente gosta. A janela de vidro deixava transparecer a maestria com que o chef fazia a massa, colocava o recheio e atirava no forno a lenha. E dali saía uma espécie de “barquinho” recheado de queijo, carne ou ovo com molho de tomate. E pra beber no melhor estilo turco: iogurte. Hum-hum!

E claro que não podia faltar nessa vida boêmia o churrasquinho grego, ops, turco!
O que vivemos com Istanbul foi, sem sombra de dúvida, um romance de inverno em que a cidade se revelava em cada esquina, num jogo de sedução impossível de resistir. Se estávamos descendo o badalado Boulevard Istiklal, era só entrarmos numa quebrada escondida que uma mini-praça cheia de estudantes turcos tomando chá se descobria num oásis. Se o frio apertava enquanto passeando na rua, em poucos instantes éramos convidados por um vendedor turco que, num mágico pacto silenciosos afirmava que o convite não era pra comprar (e não era mesmo) mas sim pra se esquentar. Finalmente, Instanbul é do tipo de mulher pra casar, que te recebe com carinho, abraça e envolve até o mochileiro mais pé sujo, fazendo você acreditar que sim, existe amor pra toda a vida. From Istanbul, with love.


2 comentários:

Luciana Castro disse...

Como é bom viajar com vocês. Bj Gabi,
Luciana Castro

Celina disse...

Eu também quero ir e quase fui!Estava tão pertinho......

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