terça-feira, 12 de março de 2013

Petra - Jordânia

Um susto maravilhoso!




Pense em Tãntãrãntã... Tantarã... TÃNTÃRÃNTÃ... TÃNTÃRÃNTÃNTÃ... Agora imagine que você é o cara meio fanfarrão de chapéu em busca do cálice sagrado. Até é possível ouvir os cascos dos cavalos batendo em velocidade nas pedras de pavimentação romana. O coração bate forte pela excitação de que dali a pouco, na próxima virada, um mundo desconhecido vai surgir e você terá de buscar abrigo num monumento de pedra misterioso. Petra é exatamente isso. E não importa quantas vezes você tenha visto Indiana Jones, ver o “Tesouro” se revelar aos poucos pelo cânion gigante é ter a sensação de descobri-lo pela primeira vez. Enfim, quem nunca quis ser arqueólogo para viver as aventuras de Henry Jones Jr.?


Visitar Petra adequadamente exige algumas precauções. Se possível, não vá de excursão para evitar a correria de maneira que você possa ver tudo com calma, se maravilhando com cada pedaço de pedra escavado e transformado em templo. O melhor horário para se fazer isso de forma independente é bem cedo (antes das 9h, quando é possível pegar o Tesouro inteiro iluminado) ou depois das 14h quando os tours dão trégua. É importante ir equipado com um bom tênis de caminhada, porque se anda bastante, água para o dia todo e algum lanche – os preços lá dentro são, como sempre, superfaturados.

A rua principal cheia de turistas nos faz ter uma ideia de como era antigamente.
Como é preciso de tempo para absorver tanta coisa bonita, é importante reservar pelo menos dois dias inteiros para explorar o parque – nós compramos o ingresso de três dias que vale muito a pena e deu certinho. O ingresso dá direito a andar a cavalo da entrada até o início do cânion (pouco mais de 1km) mas é claro que tudo o que é de graça tem uma pegadinha: é obrigatório dar uma gorjeta pré-estabelecida para o carinha do cavalo. No nosso caso, demos a tal da gorjeta, o ser humano queria mais e aí o casal já descolado na história entrou de cara fechada no esquema “é pegar ou largar”. O cara largou, com cara de enfezado.

Quando tentei fazer uma amarração beduína fui parado pelo nativo que além de me ensinar ainda roubou o capacete do policial pra tirarmos uma foto juntos. Essa é a simpatia árabe!
Neste ponto já é possível ser envolvido pela mística de adentrar um gigantesco corredor preparatório para a chegada em uma cidade perdida, sede de um dos maiores centros de peregrinação da antiguidade. Cercada por cânions gigantes, com mais de 50 metros de altura, a impressão é de estar sendo observado pelos antigos deuses, como que aprovando ou não a sua entrada naquele na antiga cidade.


Um dos lados do imenso corredor é inteiro permeado por um antigo sistema hídrico, ainda perfeitamente visível, que servia não apenas para irrigar os terraços de cultivo como também para que os peregrinos pudessem se lavar na entrada da cidade – para purificação e prevenção sanitária. Estes detalhes só aumentam o suspense de descobrir uma civilização altamente complexa e desenvolvidíssima em termos de engenharia e planejamento urbano.

Caminho principal da cidade antiga com colunas romanas.
Nos 2,5km a serem percorridos nesta via, vale a pena ter um guia em mãos para ir lendo com calma a história de cada um dos pontos, os nichos que guardavam antigas divindades e a pavimentação que em determinado ponto foi modernizada pelos romanos. Um dos pontos altos foi descobrir a representação da Caravana de Camelos, esculpida em uma das laterais da pedra, que de tão gasta pelo tempo apenas aumentou a nossa excitação em descobrir uma pata de camelo, depois outra, depois um pé de beduíno – é praticamente uma caça ao tesouro.

Esculturas no caminho até a entrada da cidade. Caravana de camelos.
Até que, quando você quase já esqueceu do primeiro e mais famosos monumento de Petra que está por vir, ele aparece. Numa esquina despretensiosa, sem aviso nem nada, o Tesouro te pega desprevenida e você fica passada. O Lonely Planet fala que uma das maiores diversões é ficar olhando a cara de UAU! das pessoas assim que elas avistam a vedete. Aqui da pra ver a reação da minha mãe e a minha, em primeira mão.

O Tesouro revelado. Indiana Jones feelings!
Esta maravilha – que aparece por 3 segundos no Indiana Jones mas ficou mais famoso que o filme – é um templo enorme inteiro escavado na pedra. Com detalhes riquíssimos de colunas, nichos, vestíbulos e representações de deuses, é um primor da arquitetura e que ainda guarda a marca dos andaimes fixados para fazer o trabalho. Na parte de dentro não há nada, por isso não fique desapontado pelas cercas que impedem a entrada e tome o tempo necessário para absorver tamanha beleza.

É realmente impressionante.

Ainda se recuperando do impacto, caminhado mais alguns metros é que você começa a de fato entrar na cidade antiga. Inúmeros templos, residências, prédios administrativos e escadas revelam uma civilização extremamente complexa, organizada e rica que deixou seu esqueleto esculpido nas pedras. É preciso olhar para cima o tempo todo para se dar conta dos detalhes dos prédios, da interminável tonalidade de vermelho das pedras que abrigavam mais de 300 mil pessoas nos seus tempos áureos.

Fachada de um dos edifícios de Petra.
Fizemos um trekking muito bacana subindo num dos pontos mais altos de Petra para conhecer o santuário conhecido por Attuf e os obeliscos – que, pasme, não foram colocados lá mas sim esculpidos na pedra, ou seja, eles escavaram todo o platô que cerca os menires. 

Gabi e Celina descansam da subida.
Ali há também uma pequena cisterna usada pelos sacerdotes para a purificação e também várias canaletas que permitia drenar o sangue dos animais oferecidos aos deuses dos rituais sagrados.

Cisterna com sistema de escoamento de água recolhida da chuva.
Dali seguimos a trilha para conhecer alguns outros templos mais afastados, começando por uma escultura de leão, também desenhado na pedra, onde um sistema hidráulico fazia com que a água proveniente de uma cisterna jorrasse da boca do bicho. 


Conhecemos o Templo dos Jardins que diz a lenda teve um riquíssimo jardim na frente, com lagos e também com um sistema de irrigação por comportas e o Templo do Soldado Romano. Fazendo este caminho pudemos ver o “Lado B” de Petra até sairmos pelo colunado, percorrendo boa parte da cidade na volta inclusive passando pelo anfiteatro.

Vista do interior do templo.
Outra monumento que não se pode deixar de conhecer é o Monastério. Pouco explorado pelos turistas, ele fica bastante afastado do centro e exige um bom preparo físico para subir intermináveis degraus até a chegada. 

Caminho que leva ao monastério.
Se o dia estiver com pouco movimento, vale a pena pechinchar com os meninos do parque a subida até lá no lombo de um jegue ou mula. Depois de ter andando muito no dia anterior, nós decidimos ter essa experiência e foi impagável ver a minha mãe agarrada no cangote de um dos meninos e morrendo de medo de subir aquelas escadas de pedra montada num burrico. Hilário!



Chegando no alto da montanha, o esforço compensa: o Monastério é tão lindo quanto o Tesouro e mantêm-se ainda mais conservado. Também esculpido na pedra, ele é gigante e tem um magnífico colunado bem a frente, revelando o amarelo e vermelho típico das rochas da região.

O edíficio menos acessível que seu irmão mais famoso é belíssimo.
A vista ali rende boas panorâmicas e é possível relaxar com uma bebida gelada num estratégico bar instalado bem na frente do edifício.
Aiooo Silver!
Descemos a pé e mais uma vez vale a pena fazer este caminho porque na volta é possível conhecer os pontos mais afastados de Petra, tão belos quanto mas com menos gente. Nesta parte nota-se alguma influência romana na arquitetura o que agrega um elemento clássico às cavernas milimetricamente recortadas para abrigar as famílias da época.


Como se não bastasse de tanta ruína, resolvemos participar do Petra by Night/Light and Sound, um show promovido pelo parque para explorá-lo a noite. Foi uma das melhores intervenções culturais em patrimônio histórico que eu já participei. Absolutamente incrível, por um preço acessível, com apresentações de qualidade e sem nenhum tipo de depreciação dos monumentos. Vale a pena!

Chegada noturna à Petra: incrível!
Se você for no inverno é preciso estar muito bem agasalhado porque a temperatura cai bastante e venta. As 20h e bem encapotados, entramos no parque que estava iluminado por velas dentro de saquinhos de pão, criando um efeito belíssimo como se fossem vagalumes apontado o caminho. 
Caminho iluminado por velas.
Percorremos todo o cânion na calada da noite, aproveitando cada segundo daquela magia que o efeito das velas criava até que chegamos ao Tesouro. 

Absurdo de bonito!
Ficamos maravilhados com centenas de velas iluminando o chão na frente do prédio e fomos orientados a sentar numa das esteiras posicionadas para o show. Um beduíno fez uma breve apresentação da história do local e em, seguida, músicos tocaram rabeca e depois flauta por um bom tempo, deixando todos ali em silêncio, extasiados. No meio da apresentação ainda tivemos direito a um chazinho o que só deu mais gosto nesta experiência magnífica.


Petra rendeu inúmeras fotos e momentos inesquecíveis, certamente um dos pontos altos da nossa viagem até agora.

4 comentários:

Marcos disse...

Eh uma HDR no monasterio neh??
tem que ser...hehehe
maravilha gente!
Beijos e Abracos!

Maria Luiza Cruz disse...

Fiquei extasiada! O meu coração disparou de tanta beleza!

Claro que tive de rir da cena de Celina agarrando o capuz do menino... Hilário!!!!

beijos

Anônimo disse...

Gente MAGNÍFICO!!! Fotos, textos, poses, pontos de vista... tudo. Vou fazer uma carteirinha de fã... aproveitem ao máximo, a viagem e o site estão demais!

Saudade!
Abraços Grande!

Kelly e Erick

Celina disse...

Queridos

Estou sempre atrasa nas leituras mas não há uma postagem que eu deixe de ver.

Agradeço muito ao meu amiguinho "Musa" que me acompanhou escadas acima ao lado da mula e que achou a subida divertidíssima pois quando eu tenho medo eu canto para disfarçar. Sendo assim cantei durante os 840 degraus sem parar.

Experiência inesquecível!Obrigada meus queridos!

Celina

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...