domingo, 31 de março de 2013

Quando voamos pela primeira vez - Turquia




Na nossa super planilha orçamentária com milhares de abas temos uma tabela específica chamada “Atividades Extras”. Ela é até que pequena, tem 4x10 células em dimensões excelianas, mas é basicamente lá que estão concentrados todos os nossos sonhos mais ousados: mergulhos, safaris, expedições para lugares inóspitos. E um passeio de balão, claro, sonho romântico antigo do casal.

Os balões sendo preparados no nascer do sol.
Ou seja, ali listamos todas as extravagâncias orçamentárias que representavam uma experiência once in a life time mas que, sem dúvida, estavam fora dos nosso padrões de gasto. Foi aí que, numa das vivências mais lindas de carinho e gratidão que já tivemos dos nossos amigos e familiares, todo mundo resolveu embarcar junto nessa viagem. Compartilhamos este sonho com pessoas queridas e, em pouco tempo, elas estavam apostando com a gente que iria dar certo e investindo numa felicidade que além de nossa, era também de todo mundo.


Uma das coisas mais gostosas foi ver cada um construindo parte da volta ao mundo com a gente e sonhando cada passeio junto com o casal, como se efetivamente estivesse lá – e estão, em todos os momentos. No caso do vôo de balão, foi muito especial. Nossos padrinhos de casamento Duda e também a Fá e o Paulo foram categóricos na escolha: queriam que a gente vivesse uma experiência inesquecível sobrevoando de balão paisagens lindas. E, como todos os outros, recebemos este presente com um sentimento de gratidão que não cabe no peito.


Foi nesse sentido que o passeio de balão foi carregado de emoção e boas energias, além de um certo grau de ansiedade que toda primeira vez leva em si. Honrando nossos amigos, escolhemos a melhor empresa da região, a Butterfly, que segundo os próprios donos de agência de turismo, não tem nem comparação em qualidade com as outras – e nós acreditamos. E veja, para um casal bastante cético sobre as coincidências da vida, estamos começando a acreditar piamente que o as vezes universo conspira em favor da beleza.


Como já falamos no post anterior, o Ivan quase não cabia em si de tanto frisson pela possibilidade de poder fotografar a Capadoccia com neve. Mas, em tratando-se de um fenômeno natural, estávamos tentando (sem muito sucesso) controlar as nossas expectativas. Foi ai que, como em resposta a essa energia positiva dos nossos amigos, nevou. Como num passe de mágica, um céu cinzento e uma garoa fina que até desanimavam o fotógrafo transformaram-se, no dia seguinte, na combinação perfeita de um céu azul claro límpido e uma paisagem inteira salpicada de neve fofa e branquinha. Quase não podíamos acreditar.

Panorâmica do cenário dos balões.
O dia do sobrevôo começou, ainda escuro, numa atmosfera de alegria e excitação que aumentava exponencialmente em cada preparativo da subida. Chegamos num campo aberto, forrado de neve, onde os três balões da empresa eram inflados com ar quente e enormes ventiladores. Enquanto isso nós acompanhávamos a cidade ser acordada pelo nascer do sol enquanto outros balões já pontilhavam o horizonte num espetáculo único.

Balões sendo preparados na neve.

Depois de algum tempo, fomos convocados a subir na cesta de vime e eu quase não cabia em mim de tanto entusiasmo. Ali de pé sentimos aos poucos a força do ar quente nos puxando para cima, sem quase sentir o peso das dez outras pessoas que estavam conosco. E quando começamos a ganhar altitude, sobrevoando as formações rochosas, os rios e as estradas que nos separavam da cidade lá longe, finalmente entendemos qual é a magia de andar de balão.

O caminho para felicidade. Não acredita? Olha o vídeo abaixo!



Andar de balão é como estar acordada num sonho. Não há descrição melhor, ainda mais tratando-se de um sobrevôo na Capadoccia com neve. 

Lindo, não?
Sentindo o vento bater no rosto e com metade do corpo para fora da cesta de vime, a sensação é de estar nadando no ar sobre uma imensa cadeia montanhosa toda salpicada de branco fofinho. 

Cenário melhor, impossível!
Nos nossos sonhos de gordinhos, isso seria interpretado como um bolo gigante, recém saído do forno, todo polvilhado com açúcar de confeiteiro* – e nós, é claro, estaríamos voando em cima dele. Voando de balão naquele cenário nós estávamos vivendo esse sonho – e era realidade.

Cadê o bolo?
Não há vidros, cinto de segurança, motor nem nada. Ali em cima, um silêncio que traduz da melhor forma a sensação completa de paz – e só é interrompida pelo barulho forte das chamas. 

São dezenas de balões no ar toda manhã.
Num mundo onde a viagem de avião está se tornando cada vez mais banal, é fácil esquecer que estamos literalmente voando quando dentro de uma aeronave, por conta do barulho constante das turbinas, o ar condicionado reciclado e aquele mundaréu de gente espremida em micro-assentos. Voando de balão a primeira coisa que você se dá conta e não se contêm em falar em voz alta é: “eu estou voando!

Hey Francis, let's fly!
Não há leme. Basicamente não há como controlar aquele globo gigante flutuando na atmosfera – por isso a necessidade de se fazer este passeio com profissionais credenciados e empresas extremamente bem recomendadas. 


O nosso piloto nos explicou que para conseguir navegar é necessário subir e descer até encontrar uma corrente de ar que sopre para alguma direção. Para fazer as movimentações laterais, para sair do lugar, é necessário procurar um caminho e confiar numa força que te conduza para algum novo destino. Mesmo sem leme, mesmo sem certeza de onde se vai parar, é preciso confiar na sorte quando venta. Lição de vida.


Na descida, depois de pouco menos de duas horas de deleite voando no céu azul, fomos convidados a nos “encaixar” com nossos parceiros para deitar a cesta para aterrisagem. Sacanagem ou não do piloto, foi divertido! Depois disso, teve o momento turistada chique: fizemos cara de blazé quando a equipe abriu um espumante (as 8h20 da matina!) para fazer a comemoração do vôo. Pra completar, ainda ganhamos um certificado todo bonitinho por isso!

Acho que trocaríamos o espumante por mais 15 minutos de vôo.
Sobrevoar a Capadoccia com neve em um balão foi sem dúvida uma das experiências mais marcantes desta viagem. Como tantas outras que tivemos por aqui, tentamos sempre transmitir e (re)significar tudo isso que estamos vivendo por aqui com as fotos e os relatos. Para isso, buscamos compartilhar a realização deste sonho conjunto que carrega consigo as boas energias de muita gente querida sem o qual nada disso seria possível. A todos os nossos familiares e amigos, neste post representados pelos padrinhos Duda, Fá e Paulo, nosso eterno obrigada por nos ensinarem a voar!

Uma pena que acabou!

*Nota: na verdade eu pensei especificamente num bolo lindo que a Paolinha Biselli faz que é exatamente da cor das montanhas da Capadoccia e tem o açúcar de confeiteiro polvilhado por cima, tal qual a neve. Saudades, lindona! 

3 comentários:

Thais disse...

Queridos até eu voei junto...lindo demais. É realmente um "bolo fofinho"!!! Beijos com saudades!Thá

Celina disse...

MARAVILHOSO RELATO E FOTOS

O filme do sobrevoo silencioso interrompido inesperadamente pelo barulho das chamas na boca do balão para poder manter a altitude foi o máximo.

E já dizia Fernando Pessoa:
"Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre."
Quem sabe essa nevasca não foi um milagre desejado?

um balão colorido cheinho de beijos Celina

Priscilla disse...

Estou planejando uma viagem para Turquia no final de janeiro/inicio de fevereiro e estou devorando os seus posts!!! O blog é sensacional, parabéns!!! Vi que vcs foram no inverno tb, mas em que mês? (ainda não li todos os posts - perdoe-me se já informou em algum lugar). Eu tb estou contando os dias para o passeio de balão! Me diga uma coisa.. qual a máquina que vcs usam? O fotógrafo está de parabéns!!!!!!!!! São as fotos mais belas que já vi da Capadócia!!!!!!!!!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...