sexta-feira, 8 de março de 2013

Wadi Rum - Jordânia



 O deserto de Lawrence de Arábia: era exatamente este o nosso próximo destino. 


Depois de cruzarmos tranquilamente a fronteira de Eilat (Israel) para Aqaba, chegamos na Jordânia com a corda toda. Depois de quatro meses sem pegar na direção, decidimos alugar um carro para explorar o país – o que vale muito a pena pela boa condição das estradas, pela fácil navegação do país e pelas distâncias serem razoavelmente curtas entre um ponto e outro. O valor da locação se dividido entre mais passageiros também compensa tendo em vista o transporte público difícil e escasso, além da possibilidade de poder aproveitar as paisagens com calma e parar em cada ponto que der vontade. Enfim, quem conhece a gente sabe que nós dois adoramos viajar de carro – então esta foi a nossa oportunidade!

O Deserto que nos aguardava.
Na era do GPS é quase que cômico tentar lembrar como faz para se guiar por um país desconhecido com o bom e velho mapa rodoviário na mão. E foi assim que rumamos até a nossa primeira parada, o Parque Nacional de Wadi Rum, uma das principais atrações da Jordânia. 

Os Sete Pilares da Sabedoria, visto do Centro de Visitantes,
O centro de visitantes tem uma boa estrutura que impressiona os recém chegados, mas sentimos falta de algumas informações sobre a flora e fauna deste bioma tão específico. Chegando lá é possível explorar o parque por conta própria, desde que você tenha um veículo 4x4 e experiência em dirigir na areia. Como estávamos com carro econômico, compramos duas horas de tour com um dos inúmeros guias locais que ficam na entrada do parque oferecendo seus serviços.

Centro de visitantes: estrutura moderna mas ainda falta informação.
Logo depois do centro de visitantes há uma pequena vila onde pode-se encontrar acomodações simples para passar uma noite. No entanto, muito mais legal que isso, é ter a experiência de dormir efetivamente no meio do deserto em uma das tradicionais tendas beduínas – pacote que é oferecido por diversas agências de viagens de aventura. Nós adoraríamos ter feito este passeio no entanto estávamos com o tempo contado e vamos ter de fazê-lo uma próxima vez.

Lá no fundo, a vila que nasceu no meio do desfiladeiro.

Sentados na caçamba de uma Toyota adaptada, entramos no parque por volta das 16h30 para assistir o pôr do sol – recomendadíssimo. 

Na caçamba de verdade. E o frio?
Descobrimos um deserto que é exatamente daqueles que vemos em desenho animado: dunas avermelhadas espalhadas entre formações rochosas enormes que surgem imponentes no meio de um infinito tapete de areia.

Da traseira da caminhonete a milhão no deserto.
O motorista vai parando nos pontos de interesse do parque como, por exemplo, a fonte de Lawrence da Arábia, algumas pedras com inscrições antigas, uma duna de areia onde é possível ter uma vista panorâmica do deserto – e ver a minha mãe apostar corrida pra ver quem conseguia descer correndo de forma mais desembestada foi uma das alegrias mais juvenis que já presenciei – o Ivan ganhou, claro, mas só porque ele não sabe brincar e quase rolou ribanceira abaixo...

Runas antigas ao lado da fonte do Lawrence da Arábia.
As duas lerdas subindo a duna num fim da tarde incrível.
Mais para frente, fomos conhecer alguns cânions que brotavam imensos no meio das dunas. Lindos, o tom terroso das pedras iluminadas com a luz do entardecer ressaltava ainda mais sua coloração avermelhada em contraste com o céu azul e as quase inexistentes árvores. 

Árvore solitária na porta do canyon.
Chegando perto das fendas enormes que separavam um bloco de outros era quase que possível juntar as duas metades se não fossem alguns sinais de erosão causados pelo leito seco de algo que, por uma curta e brava estação, deve ser um riacho.

Canyon. 
Uma formação rochosa espetacular que vimos tinha sinais centenários do tempo – causados pelo vento e pela chuva, principalmente – que esculpiram por décadas detalhes naturais únicos. Em alguns pontos chega a lembrar a arquitetura desconstruída do espanhol Gaudí em outros, talvez mais delicados, lembram as rugas de uma nonagenária orgulhosa por cada década vivida e bela justamente por isso. É certo que é uma montanha fêmea, isso sabemos.

Gabi na ponte de pedra.

Assistimos o sol se pôr em uma rocha que tem uma ponte natural formada no seu ponto mais alto. De lá, pudemos entender uma das principais forças do deserto: o silêncio. 

Pôr do sol no alto das rochas esculpidas pelo vento.
Impenetrável, raramente quebrado por um latido lá longe ou por uma conversa distante que chega aos ouvidos como um murmúrio claro mas misterioso. A sensação de olhar tudo até onde a vista alcança e tentar enxergar os detalhes minúsculos – um camelo, um beduíno, uma árvore desaforada no meio de tanta aridez – comparados a um cenário tão gigante e milenar dão uma ideia mais clara da força imponderável desse lindo lugar.

O sol brilha sem dó no mar de areia.

3 comentários:

Celina disse...

Adorei os adjetivos usados para descrever esse lugar de sonhos cujas fotos estão estonteantes.
Saudades das nossas corridas.

Maria Luiza Cruz disse...

Estou acompanhando... e amando... Fiquei imaginando os 3 a correr... Que delícia!!!!

Luciana Castro disse...

Indescritível...
Luciana

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