segunda-feira, 8 de abril de 2013

Pamukkale & Ephesus - Turquia


PAMUKKALE




Pamukkale significa “castelo de algodão” em turco e, de fato, o nome não poderia ser mais apropriado. A vista daquela montanha inteira branquinha de longe com curiosos terraços d’água faz você imaginar se tudo aquilo é neve, calcário ou simplesmente algodão doce – e esta última parece ser a resposta mais adequada.

Água cristalina e essa montanha de algodão doce.
Chegando mais perto é preciso retirar os calçados por conta do piso escorregadio e aí a surpresa: a sensação é de estar pisando em areia cristalizada. Não é gelado, como inconscientemente se imagina por uma montanha toda branca e também não é fofo como as pequenas ondas no chão fazem enganar. Ao contrário, as formações minerais de carbonato de cálcio são ásperas ainda que com contornos extremamente suaves por conta do movimento da água.
Olho apertado de tanto branco!
Como fomos no inverno, não tivemos a chance de pegar todas as travertinas cheias d’água e de turistas – até porque nesta época elas são drenadas para manutenção. 


Mas tivemos uma experiência muito bacana chegando pertinho das piscinas naturais, experimentando sua água fria e límpida que faz margem com uma areia branca que de tão fina vira como uma argila sob os seus pés.

Pé com pé!
A antiga cidade greco-romana e bizantina de Hierápolis fica no topo desta vista maravilhosa e desde aquela época a população já desfrutava dos poderes medicinais das termas. 

Águas termais e o museu ao fundo.
Ali em cima fica um pequeno museu que cobra um ingresso a parte para entrada – e, de tão pequeno e com poucas explicações, deixa a desejar um pouco.

Detalhe de urna funerária no pequeno museu.
 
Gabi aprecia outro detalhe da estátua.
Subindo um pouco mais o morro, é possível visitar algumas ruínas da antiga cidade, ainda que pouco preservadas e sem muita sinalização. 

Gabi Bolt!
Vale a pena seguir até o enorme anfiteatro que até hoje marca a sua acústica perfeita – e todo turista tem que ir lá e cantar o hino do seu país pra comprovar isso. No nosso caso tivemos a sorte de acompanhar uma excursão de noruegueses que sim, cantou o hino do país nórdico – muito bonito, por sinal!
Acústica perfeita!

Entre o museu e o anfiteatro há uma estranha e moderna construção turística que recebe, no melhor estilo cafona-resort, os turistas que queiram nadar na chamada “Piscina da Cleópatra”. O fato é que por algum dinheiro a mais você pode entrar numa piscina natural e que guarda, no seu leito, ruínas de antigas construções da cidade, com direito a colunas romanas fotogenicamente deitadas sob a água transparente.


Antigas ruas da cidade.
Eu estava animadíssima com a possibilidade de ver (ou até entrar!) naquela formosura que pra mim não tinha nada de Cleópatra, mas sim de Taarna. Como na minha cabeça as coisas são sempre muito mais mágicas, eu tinha imaginado que aquela ruína mística seria nada mais nada menos do que a própria piscina na qual a heroína dos anos 80 atravessa para colocar sua armadura e ir decapitar um bando de zumbis e alguns ciborgues.

A piscina é linda e deu asas à imaginação da Gabi...
Pois é, não foi bem assim. Chegando lá tinha que pagar uma grana pra entrar na tal da piscina e, de quebra, eu e o meu biquininho brasileiro ficamos intimidados pela alta concentração de marmanjos dominando o local. A piscina é bem bonita, com água cristalina e as colunas romanas no fundo mantêm o ar misterioso do local, ainda que hoje esteja cercado de bancas de cachorro-quente, pipoca e refrigerante.

 
De toda forma – e com ou sem Taarna – a visita a Pamukkale vale muito a pena. O lugar é lindo, único pelas formações rochosas e composição mineral. É usado como spa medicinal desde a antiguidade o que faz com que ainda hoje seja possível visitar as reminiscências daquela civilização. Em suma: passeio tranquilo, de meio dia, com direito à belezas naturais, ruínas e uma dose de luxo sobre as águas termais. Isso é que é vida!



ÉFESUS



Chegamos em Éfesus bem de manhãzinha. Saindo da estação de trem, um grupo de velhinhos turcos tomava chá e jogava gamão, acompanhando o despertar sonolento da cidade. Nos juntamos a eles e por gestos pedimos um chá que chegou fumegante, no tradicional copinho de vidro – e o simpático dono não aceitou o nosso pagamento, com um sorriso.

Rua conservada na cidade histórica de Ephesus.
Ao fundo, um aqueduto romano desenha um risco de pedra no céu, lembrando da história milenar daquele lugar. Rebatemos a bebida com um pãozinho fresco da padoca e em pouco tempo já estávamos dentro de uma lotação a caminho daquilo que foi uma das maiores cidades romanas do Mediterrâneo antigo.

Sobrou a fachada desse templo antigo.
É possível imaginar que a chegada à cidade de navio, pelo cais, deveria ser algo espetacular e, sem dúvida, uma afirmação do que se encontraria ali. A primeira impressão, logo de cara, é imponente: uma imensa e larga avenida, geometricamente pavimentada e ladeada em todo o seu comprimento por inúmeras colunas romanas que escoltavam os visitantes recém chegados.

A avenida que ligava o porto à cidade.
As principais entradas da cidade eram sempre acompanhadas por um hamman e banheiros públicos – uma atração local especialmente para os orientais que parecem enlouquecidos em tirar fotos de vinte e cinco latrinas enfileiradas. Fica claro o grau de planejamento urbano integrado com soluções sanitárias: com espaços públicos estrategicamente posicionados nas entradas da cidade, os visitantes eram necessariamente "convidados" a se lavar antes de entrar na urbe, minimizando a transmissão de doenças.

O forum.
Logo ali bem no coração da acrópole que é possível enxergar o anfiteatro. Enorme, magnífico, com capacidade para receber pelo menos 25 mil espectadores. Inicialmente usado apenas para o teatro, no período romano recebeu ainda vários gladiadores que combatiam na sua arena. 

Anfiteatro, aproveitem os coreanos cantando lá embaixo.

Em maio de 2007 foram encontradas criptas na necrópole em homenagem a estes lutadores, uma evidência de sua importância e status dentro daquela sociedade.

O gato guardião do templo.
Ainda entorpecidos com a quantidade de ruínas tão bem preservadas de uma civilização tão antiga, nos sentamos no topo do anfiteatro pra absorver tudo aquilo. No horizonte, seguindo a linha do colunado, se via o cais pelos quais os navios mercantes chegavam. Ficamos ali, vendo a vida – e os turistas – passarem. Feliz foi perceber que, invariavelmente o mesmo fenômeno se repetia: ao ver um palco vazio e uma estrutura com acústica perfeita, alguém se aventurava a cantar. Aquele teatro imenso simplesmente convidava todo mundo à voz enquanto uma plateia minguada mas entusiasta respondia com aplausos efusivos. Rara espontaneidade pra diversos adultos.


Efesos contava com um dos sistemas hídricos mais avançados do mundo antigo, com múltiplos aquedutos de tamanhos diferentes que alimentavam diversos poços espalhados pela cidade. Escavações arqueológicas recentes descobriram encanamentos que levavam, por exemplo, a um moinho d’água que movimentava uma serra para cortar mármore.
Colunado marca o que ja foi a rua principal.
Uma das partes mais ricas da visita (e que talvez seja o grande diferencial desta cidade antiga) é passear pelas ruas que ainda guardam a maioria das fachadas das casas preservadas. É possível ver inscrições, mosaicos, cômodos e detalhes da casa das pessoas que viveram ali, há milhares de anos.


A grande vedete da nossa visita era, como esperado, a Biblioteca de Celsus. Construída por seu filho em homenagem ao senador romano Tiberius Julius Celsus, o edifício teve sua fachada restaurada na década de 60 e hoje serve como exemplo da arquitetura romana. 

A biblioteca de Celsus, incrível!
Dentro do edifício é possível ler as inscrições em latim, gravadas em vermelho nas paredes de pedra, onde há dedicatória ao financiador da obra. A biblioteca tinha capacidade para abrigar 12 mil pergaminhos e também serviu de monumento funerário para o senador, que conta com uma cripta logo abaixo do primeiro piso do edifício.
Gabi e suas bibliotecas...

Detalhe de mosaico nas ruas de Ephesus.
A visita aos dois sítios é verdadeiramente uma volta ao passado. Vale muito a pena deixar-se levar pela memória revelada em cada pedra e cada lembrança do que um dia foram cidades vibrantes cheias de vida.


5 comentários:

Anônimo disse...

Olá!
Em qual mês vocês foram pra Pamukkale? Queria ir em abril mas pra mergulhar nas piscinas... É possível?
Luiza (luiza_co@hotmail.com)

Ivan e Gabi disse...

Olá Luiza,

Fomos em Fevereiro e ainda estava um pouco frio e sem muita gente nadando nas piscinas. O que dava pra fazer é entrar na piscina da Cleopatra, a prinicipal com as colunas no fundo. Acho que da pra entrar nas piscinas sim, mas cheque antes pois eles controlam o volume de agua nas piscinas brancas. Boa viagem!

Elis Costa disse...

Oi adorei seu blog !
Estou planejando ir para Turquia em dezembro é certeza Pamukkale vai ser um dos ligares que irei visitar. Mais fiquei intrigada com a questão de eles contratarem o volume de água ? Como assim ?
Estou indo pela e
Época do reveion

Josiane Abreu disse...

Olá!
Por favor, vcs partiram de onde para Pamukkale? E para Ephesos?
Obrigada!

Josiane Abreu disse...

Olá!
Vcs partiram de onde para Pamukkale? E para Ephesos?
Obrigada!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...