quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cavernas de Ajanta - India





Depois de passar um dia estressante em Mumbai, a noite pegamos um ônibus noturno com destino a Jalgaon. Ali começaríamos um périplo pelo interior da Índia, dirigindo-se ao coração do país no estado de Maharashtra, terras de ruínas perdidas e florestas de tigres.


Detalhe de uma das colunas que sustentam as cavernas. Muita estrada pra chegar até aqui!
O ponto de partida do ônibus ficava na periferia de Mumbai, embaixo de um viaduto, com uma frequência no mínimo duvidosa. Não nos foi permitido esperar na micro-sala da empresa (um cafofo aberto para a rua) e tivemos que sentar com os mochilões na calçada, enquanto a noite entrava firme.

Finalmente nosso ônibus chegou e foi o primeiro a fazer jus ao tipo “leito”: de um lado do corredor ficavam beliches com cama de casal, do outro lado, cama de solteiro. Depois de ter uma ideia de como os motoristas conduziam aquela jamanta enlouquecida pelas estradas indianas, decidimos que a melhor coisa a fazer era dormir o trajeto todo - e rezar.

Nosso primeiro thali, o famoso PF indiano. Completamente viciante.
Na manhã seguinte em Jalgaon comemos nosso primeiro thali, o correspondente indiano ao nosso PF (prato feito). Consiste em um combinado de diferentes currys em potinhos, com um pouco de arroz e chapati a vontade. Para beber água da torneira e para comer os dedos – uma habilidade primária que perdemos há tanto tempo. Lotado na hora do almoço, sinal positivo de comida boa.

O complexo de cavernas esculpidas ao longo do canion em forma de ferradura. Inacreditável.
No dia seguinte pegamos um ônibus para conhecer as famosas Cavernas de Ajanta, a umas quatro horas dali. 

Detalhes impressionantes esculpidos na pedra.
Neste parque histórico, mais de 30 cavernas budistas caracterizam-se como as primeiras construções monásticas do país, datadas do II século antes da era comum até o VI século depois da era comum.

Pinturas super preservadas dentro de algumas das cavernas.
O formato em “U” com o qual os templos estão dispostos adiciona um toque especial a primeira vista: ruínas milenares dispostas lado a lado na margem de um rio, como que numa passarela de história. Incrivelmente, estas maravilhas ficaram esquecidas até 1819 quando o oficial britânico John Smith, numa expedição de caça, encontrou-as por acaso.

Gabi imita posição do Buda na entrada da caverna.
As pinturas no interior das cavernas são a principal atração. Especula-se que misturado aos pigmentos naturais extraídos dos minerais e plantas, os artistas utilizaram também cola animal e/ou seiva vegetal para fixar as pinturas às paredes rochosas.

Mais pinturas.
Não se pode tirar fotos com flash das pinturas por conta do desgaste de pigmentação causado por esta luz específica – certíssimo. No entanto, quando sacamos o nosso super tripé que estávamos carregando a viagem toda para este (e outros) fins, fomos barrados pela segurança no local. Não se pode entrar com tripé fotográfico em vários sítios históricos da Índia – se alguém souber o por quê disso, por favor nos explique, ficamos sem entender nada...

Detalhe dos muitos Budas esculpidos na parede.
Enfim, as fotos que fizemos foi com muita paciência, iluminando as figuras com a luz das nossas lanternas de cabeça (permitidas) – uma dica fundamental para quem for visitar. Por isso as fotos não estão lá essas coisas mas dá para ter uma ideia da beleza do local.

Uma das fachadas mais impressionantes.

Detalhe de janelas em uma das fachadas das cavernas.
Impressiona também a arquitetura dos templos e a todo momento é preciso lembrar que eles foram escavados no interior da pedra, dando uma dimensão ainda maior da complexidade do trabalho. Vários deles tem um resguardo profundo pela simetria, contando-se pilares, vestíbulos e imagens esculpidas na rocha iguais dos dois lados.
Indiana Gabi descobre mais um templo.
Um grande vão livre sustentado por diversos pilares nas laterais, juntamente com a figura do Buda em posição de meditação, ao fundo da caverna diretamente de frente para a entrada, são dois elementos presentes na maioria delas.

Esse é um dos templos mais rebuscados, todo esculpido.

Repare nas pinturas em Lapis Lazuli que resistiram ao tempo.
Em respeito à origem religiosa dos templos, é necessário tirar o calçado para entrar no interior – chilenos são a melhor opção para visitar Ajanta, tanto por conta do “tira e põe” para entrar nas cavernas quanto pelo caminho todo asfaltado.

Sempre descalços. Cuidado para não queimar os pés no chão quente!
Apesar das longas distâncias de ônibus que tivemos que percorrer para visitar as Cavernas de Ajanta, sem dúvida o esforço valeu a pena. Poder apreciar esta arte milenar imortalizada em pedra e ainda viva depois de tantos anos é uma dádiva. Dali seguimos diretamente para a cidade de Aurangabad, ponto de partida para visitar os templos também encrustados nas cavernas, em Ellora.

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