sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cavernas de Ellora - India






Aurangabad, uma cidade de porte médio separada por uma caótica avenida central, seria o nosso ponto de partida para conhecer mais um patrimônio histórico da humanidade: as Cavernas de Ellora. Tal qual a nossa última visita a Ajanta, este complexo de templos guarda boa parte da história indiana, misturando influências das três grandes religiões que permeiam o país.

Partindo na nossa tradicional caminhada de reconhecimento pela cidade – e ao mesmo tempo buscando um jantar BBB – chegamos a um pequeno hotel/restaurante com um aconchegante pátio central. Depois de um jantar maravilhoso no Prashanth, decidimos voltar lá também no dia seguinte, com mais um prato de arroz basmati com vegetais, curry e o melhor naan com alho que comemos em toda Índia. Delícia!

O melhor curry e Naan de alho de toda India estão aqui.
A 30km dali, novamente num ônibus enlouquecido, chegamos ao parque histórico de Ellora. 

Um pézinho tatuado descansa no tuk-tuk a caminho das cavernas.
São mais de 34 cavernas incrivelmente esculpidas num conjunto de rochas escarpadas que permitiu aos arquitetos e artesãos inúmeras possibilidades de construção, tanto em dimensões quanto em riqueza de detalhes. E a impressão é que, para nossa sorte, um tentou superar o outro.

Como Ajanta, um corredor de cavernas-templos.
Nesse sentido, a disposição e formato dos templos foi sendo aprimorada por mais de quinhentos anos por monges budistas, hindus e jains. A beleza dos espaços não fica apenas por conta das construções em si mas também pelos pátios que precedem os templos bem como por vestíbulos e escadas que adornam a entrada dos mesmos.

Gabi espiona um dos templos fechados.
As doze cavernas budistas datam do período de 600 a 800 depois da era comum e são divididas em viharas (monastérios) e chaityas (locais de assembleia). O maior exemplar do primeiro grupo consiste num salão que mede 18m por 36m o que, além do evidente espanto por um vão livre tão grande torna-se ainda mais surreal se pensarmos que foi tudo escavado na pedra e com ferramentas rudimentares.


Foi na chaitya mais bonita do conjunto de construções budistas que presenciamos uma cena inesquecível: um monge budistas, com sua tradicional vestimenta bordô e amarela, cabeça raspada, rezando sentado na frente da imagem enorme do Buda. Uma luz oblíqua entrava pela porta enorme e iluminava apenas o monge, deixando parte do templo às sombras. O teto, com inúmeras costelas de pedra, praticamente abraçava aquele momento, adicionando textura e cadência para um professor que quase sorria para seu aluno.

 

Algumas cavernas, num exibicionismo arquitetônico, apresentam dois, as vezes três e até cinco andares, igualmente monumentais. Inúmeras imagens do Buda, em outros casos representações complexas dos deuses hindus e até a representação divina da vaca deitada aparecem no centro destes enormes salões de pedra.

Mais uma fachada impressionante. Essa "caverna" tem dois andares.
As 17 cavernas hindus, construídas entre 600 e 900 depois da era comum, trazem toda a diversidade exagerada característica à religião. A riqueza dos detalhes e da execução das esculturas é incomparável: em uma das cavernas é possível apreciar representações das Dez Encarnações de Vishnu. Em outra, a deusa Ganga é aparece montada sobre uma criatura marinha mítica chamada makara.

Detalhe de uma das cavernas.
Depois de acharmos que já tínhamos visto tudo o que era possível, chegamos à Caverna 16 que não pode ser descrita nada mais nada menos do que um delírio arquitetônico. 

Visão geral do templo 16. Tudo era uma pedra só, acredita?
O Templo de Kailasa constitui na maior escultura monolítica do mundo, escavada de cima para baixo por mais de 7 mil trabalhadores durante mais de 150 anos.

Uma pedra só, ainda não entendeu? Nós ainda não...
Vou repetir, em outras palavras, pra ficar mais claro: o Templo de Kailasa, dedicado ao deus Shiva, foi esculpido em um único bloco monolítico gigante de pedra. De cima para baixo, ou seja, os trabalhadores começaram a escavar os primeiros detalhes do teto, para depois descer para o telhado, e seguir para os andar mais baixos até chegar no chão. E são muitos, mas muitos detalhes mesmo – e, de novo, imaginem que eles tiveram que pensar tudo no “negativo”.

Aquele telhado cheio de frufru foi a primeira pedra a ser esculpida...
Absolutamente impressionante. Se alguém me contasse isso e eu não tivesse visto com meus próprios olhos, provavelmente duvidaria que seria exequível. Mas sim, este templo de mais de milhares de anos está lá, para provar que o homem em alguns momentos é um ser divino por sua capacidade de criação e execução.


Construído pelo rei Krishna I, em 760 depois da era comum, este templo buscou ser uma representação do Monte Kailash, a famosa montanha do Himalaia ao qual os hindus acreditam ser a morada do deus Shiva. Para o início de sua construção foram retiradas mais de 200 mil toneladas de pedra de maneira que o caminho pudesse estar livre para os cinzéis.

Olho de peixe pra se ter a dimensão do tamanho do templo.
Além do óbvio trabalho hercúleo que foi executado sem um único erro (o que arruinaria toda a construção), a riqueza de detalhes desde o entalhe nos inúmeros pilares até os elefantes, tigres e gazelas esculpidos nas paredes do templo são uma maravilha do início ao fim.

Parte interna do templo principal, usado até hoje.
O pátio enorme que circunda o templo é um prodígio a parte, com espaços abertos e um colunado que convida para uma parada estratégica só para tentar absorver tudo aquilo. Ali também é possível admirar mais tranquilamente dez painéis gigantes gravados na pedra que trazem as diferentes manifestações de Vishnu.

Até os deuses dão uma "apalpada" pra descontrair...
Ellora surgiu como uma supresa no caminho das escondidas cavernas de Ajanta. No fim, acho que gostamos mais de Ellora – mas quem disse que precisamos escolher?


4 comentários:

Fatima disse...

Achei o máximo a foto da Gabi espiando com seu inseparável piquá. rsrsrsrsrsrs

Celina disse...

Monumental!!

Senti saudades dos momentos de descoberta em Petra.

otton_universo disse...

... Olá pessoal, venho aqui dizer à todos que Vocês são um real Espetáculos de Pessoas !!! É sério. Que trabalho de mais nível, já com avanço porvir, já estabelecido e feito, uma maravilha dessas, que é esse trabalho, em nome do: Se fôssemos para ... e sobretudo, o toque de Menestrel do assunto. Abração ... !!! o.c.t.

otton_universo disse...

.... Fui fulminado por bilhões de Núcleos Sensitivos, ao Ver e Perceber ao Ler e Observar, o desfecho com tanta dignidade profissional, que está nesse: Documento/Esporte/Biologia/Jornalismo e Conduta em Geral. Um trabalho invejável ... rs ... Que o Senhor da VIda esteja sempre com as vossas guardas sob presença das centelhas sagradas ... !!! abç ... o.c.t.
2013 - Dez 07 sab 23:54h

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