terça-feira, 21 de maio de 2013

Kajuraho - India






Imaginem o bacanal mais tórrido possível eternizado em pedra. Imaginem também as posições sexuais mais acrobáticas e impossíveis. Agora junte tudo isso em um amontoado de mil-e-uma esculturas decorando as paredes de templos de mais de 40m de altura. Pois bem, isso é Kajuraho - e a cidade é linda!



As tão faladas esculturas dos templos de Khajuraho fazem jus à fama e vão muito além do fato de serem um dos exemplos mais interessantes da arquitetura hindu e/ou por serem patrimônio mundial da humanidade já há algum tempo.

Parque muito bem cuidado.
Ali estão, eternizadas em pedra, uma libertinagem sexual que vai muito além dos nossos sonhos mais ousados de um kama sutra moderno – e acabam provando que, ao contrário do que muita gente pensa, estamos cada vez ficando mais caretas (ou recalcados).

Muitas e muitas imagens dos peladões desinibidos...
Não é preciso fazer nenhuma “caça ao tesouro” para encontrar as cenas eróticas presentes em várias partes dos templos. Apreciando despreocupadamente uma representação de um deus ou uma passagem mítica, é bem provável que você se dê conta de uma (ou várias) mãos bobas aqui e ali, tirando proveito de uma moçoila mais desatenta.

Onde está Wally?
Esperta é a lagartixa que tira a sua casquinha.
Os mithuna são casais que aparecem frequentemente em poses eróticas, acompanhados algumas vezes por ninfas dançantes em posturas sensuais. Detalhe novamente para as petchugas que aparecem com força (antigravitacional) na maioria esmagadora das mulheres que, além disso, são representadas com uma cinturinha de dar inveja seguida de um quadril evidentemente fértil.

Um dos templos do complexo principal.
Passado o primeiro espanto de se deparar com casais em poses mais explícitas, vale notar a ideia de sensualidade da época. Mulheres se apresentando com torções de tronco e quadris deslocados lateralmente, outra aplicando khajal nos olhos, ou ainda uma musa pintando o próprio pé com henna fazem de cenas cotidianas uma inspiração à sensualidade.

Detalhe da escultura da mulher pintando o olho.
Mas é nas laterais dos templos principais, espalhados bem no meio da cidade, que estão abrigadas as esculturas que invariavelmente fazem todas as pessoas, sem exceção, pararem por alguns minutos e entortarem a cabeça de lado, tentando entender o que está acontecendo.

O parque onde se encontram os templos é lindíssimo.
Em termos práticos, as cenas apresentadas são, no mínimo, de um malabarismo contorcionista que até o Viagra mais poderoso não seria capaz de sustentar. É um tal de plantar bananeira, colocar uma perna no ombro e uma mão sabe-se-lá-onde, ficar dependurado entre uma coxa e uma cabeça articulando os dedos de uma forma ninja, enfim... mais parece um jogo de Twister versão avançadíssima.

Alguém arrisca o canguru perneta?
O famoso ninguém é de ninguém...
Nem o cavalo escapou. 
O mais legal é olhar a cara das pessoas tentando entender o que vai onde e como é que aquela mão (que é de quem mesmo?) foi parar lá. E depois de entender mais ou menos com quantas pernas se faz uma ménage a quatro, se perguntar: e será que naquela época eles faziam isso? De onde é que vem tanta criatividade?

É tanto detalhe que fica difícil até de saber onde olhar.
E tem de tudo – tu-do. Inclusive algumas práticas que se diriam super modernas já estão lá (e normalmente bem mais elaboradas) imortalizadas nas paredes de templos que datam de 950 a 1050 depois da era comum. E a gente aqui, se achando super prafrentex...

Mais bacanal!
Os templos do Grupo Ocidental, que ficam bem no meio da cidade de Khajuraho são os mais bonitos. O parque, um oásis muito bem cuidado com grama aparada e vários arbustos floridos, convida para ficar lá dentro mais tempo do que o necessário, aproveitando a tranquilidade de um sol de final de tarde.
Gabi admira os detalhes do templo. Safadinha!
Ao contrário do que alardeia o Lonely Planet, nós tivemos uma excelente estadia na cidade, com o assédio normal a qualquer lugar tão turístico quanto este mas sem grandes estresses. Ficamos no Hotel Harmony, um dos melhores da faixa baratex, com bons quartos e um pátio central que simplesmente pede para se ler um livro ou se perder num lassi.

Jardim em frente ao nosso quarto.
Logo na frente também tivemos uma boa surpresa de um café super simpático (e amarelo) que trouxe um bom expresso e internet wifi rápida. Ali conseguimos atualizar o blog e dar notícias para a família, além de quase ver uma vaca entrar pela porta principal do estabelecimento, sem o menor pudor.

Vaca também quer café e internet rápida!
Khajuraho tem boas opções de restaurantes, em especial o Mediterraneo que nos surpreendeu com massas caseiras e pratos preparados no forno a lenha, além do Raja’s Cafe, que apesar de ter um dos garçons mais mau humorados da história, tem um espaço bacana na sombra de uma figueira imensa.

Gabi medita.
Depois de tanto tempo observando detalhes dos templos magníficos, com mulheres seminuas belíssimas e cenas explícitas de sexo como parte de uma glorificação da vida, é complicado voltar para o momento presente. O contraste com uma Índia de mulheres cobertas dos pés à cabeça e onde andar de mãos dadas com o sexo oposto é quase um atentado ao pudor, é um impacto duro. Fica difícil saber se estamos, de fato, em desenvolvimento ou se, na verdade, é o mundo que está ficando mais severo. De qualquer maneira, viva Khajurajo, para nos lembrar de todas as possibilidades (e formas) de amor!

2 comentários:

Celina disse...

Haja desejo e criatividade!!!

Curioso a necessidade de imortalizar no templo toda a sensualidade e sexualidade.

Fê Costta disse...

Hahaha, realmente este é o legítimo "ninguém é de ninguém"!
Estive na Índia, mas não conseguí ir a Khajuaro... pena, deu vontade pelas belas fotos dos templos!

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