sexta-feira, 28 de junho de 2013

Agra II: Fathepur Sikri e o Forte de Agra - India





A cidade de Agra, além de sediar a belezura toda do Taj, é o lar de outras atrações muito interessantes e que quase sempre passam desapercebidas pelos turistas que chegam pela manhã, visitam o monumento principal e seguem viagem, quase sempre em direção à Johdpur ou de volta a New Delhi.

Indiana.
Trata-se do Forte de Agra e do complexo histórico de Fathepur Sikri, imensas obras do império Mughal que complementam e finalizam a história triste de Shah Jahan e seus antepassados.

Calor.

FORTE DE AGRA

Entrada do palácio dentro do forte.

Como dissemos, a maioria das pessoas que viajam no tradicional corre-corre para riscar o maior número de itens do seu checklist de coisas que “precisam” ver ao longo do percurso, acabam passando por Agra apenas para ver o Taj Mahal. Isso tem gerado efeitos negativos para a cidade que, apesar de receber o dobro de sua população todos os anos tem pouquíssimos investimentos sendo revertidos para ela mesma.

De fato, a cidade de Agra, em sí, não é das mais atraentes... (Foto Má)

Apesar de ser um dos maiores destinos turísticos do mundo, a tendência das excursões fast food faz de Agra um lugar cada vez menos atrativo para se explorar como um todo, com uma rede hoteleira bastante precária e inflacionada – e olha que nós ficamos lá dois dias e ainda tentamos (sem nenhuma sorte) aproveitar os arredores.

Um dos pátios no forte.
Com o turismo quase exclusivamente concentrado no Taj Mahal, a concorrência com outras atrações é no mínimo desleal e, neste sentido, o Forte de Agra fica bem apagado apesar de ser um dos melhores exemplos de arquitetura mughal.

Grande salão.
Sua construção começou em 1565 liderada pelo Imperador Akbar, utilizando-se dos característicos blocos de pedra vermelha que depois tiveram outros elementos agregados – como o mármore branco – pelos netos de Shah Jahan.

Aposentos reais: puro mármore.

Inicialmente projetado para fins militares, o forte fica nas margens do rio Yamuna, ele foi transformado em palácio pelo mecenas do Taj Mahal para posteriormente converter-se em sua prisão domiciliar, por conta da tomada do poder pelo seu filho Aurangzeb.

Muralhas do forte correm à beira do rio.
Ali, o imperador tinha seu próprio ghat para banhar-se nas margens do rio, entre jardins e corredores que inspiram serenidade. O hall de audiências públicas e privadas guarda ainda boa parte da inspiração da corte em tempos nos quais o soberano governava sentado no legendário “trono do pavão” – um móvel inteiro incrustrado de pedras preciosas incluindo um enorme diamante.

Topo da torre de mármore.
No forte ainda é possível conhecer os aposentos nos quais Shah Jahan ficou encarcerado durante oito anos, numa dramática e ironicamente maravilhosa torre octogonal de mármore branco. 

Aposentos do imperador.
Dali ele podia apreciar de longe, por entre as treliças esculpidas em pedra, o seu Taj Mahal erguido em memória à sua esposa.

A última visão que Shah Jahan teve de sua declaração de amor.

Sem dúvida alguma o Forte de Agra vale a visita. É uma pena que o turismo tão concentrado no Taj ofusque a visita à este monumento histórico que, em grande medida, não deixa de ser o capítulo final de um grande romance.


FATEHPUR SIKRI



A apenas 40km de Agra fica uma antiga cidade fortificada, que entre 1571 e 1585 foi a capital do império mughal. Hoje considerada patrimônio mundial da humanidade, Fatehpur Sikri guarda uma mesquita imensa além de um complexo de palácios. E com mais de 500 anos de vida, é natural que o lugar seja recheado de histórias e romances que tradicionalmente permeiam a realeza indiana.

Pátio enorme na mesquita.
Indianos são a maioria dos visitantes por aqui.
Akbar era um imperador extremamente poderoso, numa época de guerras e alta complexidade política, período no qual ficou conhecido como Akbar O Grande. Por razões “diplomáticas”, este muçulmano casou-se três vezes, com três esposas diferentes: uma hindu, outra muçulmana e a última cristã.

Mais uma sessão de fotos: as meninas pediram pra tirar uma foto com a super-star Gabi.


Diz a lenda que em meados do século XVI, o então imperador Akbar ainda não tinha herdeiros que pudessem substitui-lo no trono. 

Mausoléu do santo e hoje lugar de peregrinação para quem quer ter filhos.
Por isso procurou ajuda espiritual do santo Shaikh Salim Chisti que morava na vila de Sikri que, depois de alguns salamaleques, e muita reza brava fez com que o imperador tivesse sucesso: em pouco tempo Akbar teve quatro filhos.

Interior do mausoléu.
Dali em diante, e com o fim das guerras, ele decidiu mudar sua capital de Agra para a vila de Sikri e iniciou uma das maiores construções urbanas da história, erguendo palácios, templos e uma cidade toda em pedra vermelha em nada mais que quinze anos.
O grande palácio de Akbar.
Indiana brinca de cabra-cega nos jardins do palácio.
O grande problema dessa nova capital foi a estiagem que impossibilitou a continuação do crescimento da cidade e matou muita gente pouco depois da mudança da corte para lá. 
As três princesas em um dos aposentos do palácio.

Além disso, os poucos 37 Km de distância entre Agra e Sikri levaram a capital do império perto demais dos reinos vizinhos dos rajputs, o que deixava o império mughal em vulnerabilidade.

Sala do tesouro real invadida por turistas chineses.
A grande verdade é que a cidade sonhada e projetada pelo homem multi-tarefas Akbar o Grande (seus biógrafos contam que ele era além de imperador ele foi artesão, guerreiro, artista, armeiro, ferreiro, carpinteiro, general, inventor, treinador de animal – com destaque para as chitas caçadoras treinadas por ele mesmo -  e teólogo) nos deixou um legado maravilhoso de se conhecer.

Chega de andar né Ivan...
A viagem é melhor aproveitada no começo da manhã ou já no meio da tarde, quando o sol não castiga tanto. 

Visão da mesquita do estacionamento.
Um taxi de Agra até lá e de volta não custa mais do que mil e quinhentas rúpias, mas dá pra ir de ônibus também.

A yogi Gabi.
Aqui fica a dica: se quiser explorar esse lado da história indiana e ir um pouco além do que a música do Jorge Ben nos ensinou, vá de Forte de Agra e Fatephur Sikri, você não vai se arrepender!


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Agra I - O Taj - India




Foi a mais linda história de amor
Que me contaram
E agora eu vou contar
Do amor do príncipe Shah-Jehan
Pela princesa Mumtaz Mahal
(Jorge Ben Jor – Taj Mahal)


Era chegada a hora. Um dos grandes momentos da nossa viagem, tinha chegado. Este, que certamente era esperado com mais ansiedade pela Tia Fá – que não escondia o sorriso (já normalmente largo) no rosto – se aproximava com o rufar de tambores que acompanham a realização de um sonho: conhecer o Taj Mahal.

Assim que chegamos em Agra começamos os preparativos (logísticos e espirituais) para dar conta de uma das maiores realizações arquitetônicas do mundo. Primeira resolução do grupo: não olhar com muita atenção para o horizonte para não estragar a surpresa do dia seguinte (do nosso hotelzinho xexelento já era possível ver uma das cúpulas do Taj). Segunda estratégia: nos dividir em times para “atacar” o prédio da melhor maneira possível. Ivan e eu iríamos acordar de madrugada para comprar os ingressos e tentar pegar o nascer do sol já lá dentro. Em seguida, Má e Fá viriam nos encontrar do lado de dentro, para aproveitarmos a íntegra do passeio todas juntas. Ready, set, go!

Os muros que circundam o mausoléu.
No dia seguinte, conforme combinado, Ivan levantou por volta das 5h para comprar os bilhetes e, já com eles na mão, voltou correndo para me acordar dizendo que já tinha uma horda de pessoas na rua – e a gente achando que só os dois aqui iriam tirar fotos exclusivas... De fato, quando saímos parecia estádio em final de campeonato (antes das 6h da manhã!): várias pessoas se dirigindo com passo apertado para pegar fila, fazer o procedimento de segurança e ver o primeiro raio de sol iluminar o Taj.


O espaço que antecede a chegada ao monumento parece que conspira para que seu coração esteja prestes a explodir em lágrimas antes mesmo da primeira vista do mausoléu. Vencidas as etapas burocráticas (onde alimentos e bebidas ficam de fora), chega-se a um jardim lindo, enorme e muito bem cuidado. Uma sensação de paz que reina em cada folhagem. Depois da visita, as sombras das árvores são o lugar ideal para se recuperar do impacto de tanto encanto. Logo ali, naquela imensa ante-sala a céu aberto, quem reina é um portal maravilhoso, construído com a tradicional pedra de areia vermelha e detalhes em mármore branco.

A carinha de sono em frente ao portão que separa a entrada do Taj do resto do complexo.
Ao se aproximar das portas gigantes, elas já entreabertas, você tem o primeiro vislumbre de como se arquiteta a eternidade da paixão.

O Taj Mahal é a mais pura declaração de amor imortalizada em pedra. Sua harmonia perfeita remete à precisão do Soneto da Felicidade sendo recitado na íntegra pelos olhos de um amante. As paredes de mármore branco, monumentais, fazem ecoar em silêncio uma melodia delicada e profunda – que ali me fizeram lembrar de Clair de Lune de Claude Debussy. O Taj faz você (re) encontrar o que há de divino no homem e na sua capacidade de criação inspirada na beleza da dor.

Porque também vale a pena olhar pra trás. 
Classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 1993 e considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, a história do Taj Mahal é puro romance. O imperador Shah Jahan encomendou a construção deste mausoléu após a morte de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, conhecida como “a jóia do palácio” (Mumtaz Mahal), que faleceu depois de dar a luz ao 14o filho do casal.

O impacto da chegada!
Dizem as lendas que o viúvo ficou tão desolado que seus cabelos ficaram brancos da noite para o dia. Apenas quatro anos depois de ter terminado a construção do Taj, o imperador adoeceu gravemente e sofreu um golpe dado por seus próprios filhos. Estes, por sua vez, exilaram o pai no Forte de Agra, onde ele passou o resto de seus dias observando pela janela ao longe, a memória edificada à sua querida. Em 1666 Shah Jahan morreu e foi sepultado no mausoléu lado a lado com sua esposa, gerando a única ruptura da perfeita simetria do conjunto do prédio.

Um dos palácios laterais do complexo que forma o Taj Mahal.
Erguido entre 1632 e 1653 por mais de 20 mil trabalhadores, o principal material usado na construção foi o mármore branco, trazido das pedreiras de Makrana (Rajastão), que ficam a mais de 300km de distância dali. As paredes são todas finamente decoradas com mosaicos de pedras preciosas trazidas de todos os cantos do mundo: o jaspe veio do Punjab; cristal e jade importados da China; turquesas do Tibet; lápis lazuli do Afeganistão; safiras do Sri Lanka.

Gabi, tia Fá e Mamá com o mixto de sono e deslumbramento.

As inscrições do Corão criadas pelo calígrafo persa da corte de Amanat Khan, estão dispostas em várias partes do prédio e são um tipo de preciosidade a parte. Entre as principais passagens descritas, estão as seguintes suras: 91 (o sol); 112 (pureza da fé); 93 (luz da manhã); 95 (as figueiras); 84 (a ferida). Afeto em poesia traduzida pela fé.

Detalhes impressionantes.
Na visita, apesar da quantidade de pessoas que se avolumam barulhentas a todo tempo, é necessário absorver cada detalhe. É preciso dar tempo para deixar os olhos se acostumarem com tanta simetria, tanta beleza, tanto sigilo em cada uma das pedras incrustradas. É imprescindível deixar o corpo se adaptar à maciez do mármore e saber sentir um pouco da ternura milenar dolorida de quem tentou dimensionar o amor.

Linda visão, de cores e mármore.

A brancura deste gigante de pedra só torna mais improvável a maneira como ele flutua no ar. Os espelhos d’água, impecavelmente alinhados com todo o percurso do portal até a entrada do mausoléu, refletem sua fachada com uma leveza quase irônica para aquilo que guarda a morte. A gratidão ao ser amado que se foi está concretizada em cada centímetro de uma beleza que chora.

Detalhes.
Como disse o poeta britânico Rudyard Kipling: “O Taj Mahal parece a encarnação de todas as coisas puras, de todas as coisas sagradas e de todas as coisas infelizes. Este é o mistério deste edifício.” Para presenciar a sua força e beleza, precisa ir e estar lá, de corpo e alma, se deixando tocar pela sua história e perfeição.



segunda-feira, 17 de junho de 2013

New Delhi - India



Enquanto Delhi pode ser considerada a encarnação do caos urbano, com suas ruelas cheias de lojas de tecido e emaranhados de fios elétricos que poderiam enrolar a terra três vezes, New Delhi – a parte “nova” da cidade construída pelos ingleses – ostenta largas avenidas e praças monumentais.


A fusão dos dois mundos forma o próprio retrato desse país que tem em sua capital o espelho do que é belo e do que mais irrita os visitantes que vêm à India.


New Delhi tem tudo que uma grande capital do mundo pode oferecer: restaurantes de padrão internacional, lojas com produtos de ponta, parques e museus incríveis – tudo misturado e temperado como num bom curry indiano, pronto para ser degustado. Mas vá com calma, pois a primeira impressão é que o prato está apimentado demais e pode dar indigestão.

Ônibus escolar.
Em nossa chegada à cidade estávamos bastante ansiosos para a chegada ilustríssima de duas mulheres incríveis: a tia (Tia Fá) e a mãe do Ivan (Má). Como antes disso nós já tínhamos um mês de Índia, planejamos todo o roteiro que faríamos com elas com antecedência, de maneira a não assustar muito logo de início. Reservamos todos os trens de antemão (e mesmo com dez dias de antecedência só conseguimos “fechar” uma cabine para nós quatro em um único trecho) e também fomos um pouco mais cuidadosos com a escolha dos hotéis.

Mausoléu.
Em Delhi, definitivamente não é fácil encontrar um hotel bom, bonito e barato. Os preços são mais altos e a localização importa muito na hora de se estabelecer na cidade. Depois de muita pesquisa, encontramos o Hospitality Home Bed & Breakfest, que tinha excelentes revisões no TripAdviso e fotos bem bonitinhas de quartos confortáveis e modernos. 

Depois de uma longa negociação com tuktuks que nos cercaram logo na saída do trem, finalmente chegamos ao lugar que fica exatamente num beco, onde ao lado de uma portinha enfiada na parede existe uma placa com o nome do hotel. O comentário da Má assim que ela chegou foi: “Meu filho, a sua mãe não merece isso...”.

Indiana sentada no muro da mesquita.
Mas o fato é que quem vê cara não vê coração – e este é o melhor exemplo. Depois que você cria coragem para entrar na portinha enfiada na parede e sobe um lance de escadas xexelentas, abre-se uma pousadinha muito linda, surpreendentemente bem equipada, com quartos amplos e serviço de primeira. O destaque da nossa estadia foi sem dúvida o simpaticíssimo gerente do lugar, Mr. Sanny, que com seu turbante e barba característicos, lembrava um gênio da lâmpada que aparecia prontamente para atender os nossos desejos.

Muralhas do Forte de Delhi.
Nossa primeira incursão foi pelo Forte Vermelho (Lal Qila), que durante muitos anos foi o centro administrativo do império mughal. Cercado por muros imensos onde a maioria das construções são feitas com as características pedras rosadas, o complexo de edifícios resguarda uma beleza antiga mas já esquecida há algum tempo.

Detalhe de uma das entradas do grande corredor do mercado.
Este foi um dos primeiros lugares do mundo onde os arquitetos consideraram a necessidade de se fazer um mercado fechado. Um corredor de mármore margeado por nichos para lojas de ambos os lados ainda guarda um ar de realeza de quem vendia as melhores sedas, especiarias e pedras preciosas para nobres da região.

Salão de audiências.
Entrando no coração da fortaleza, inúmeros jardins bem cuidados contornam vários edifícios abertos, sustentados apenas por pilares que facilitavam a ventilação daquele calor infernal. Nos aposentos da corte, um prédio inteiro construído de mármore, ainda é possível ver os detalhes de mosaico em diversas colunas ou ainda nas pinturas do teto. Um avançado sistema de circulação de água interno, que atravessavam todos os aposentos com água corrente, fazendo o papel de “ar condicionado” da antiguidade.




Detalhes do palácio e aposentos reais. Dura a vida de Maharaja...
As treliças das janelas, também esculpidas em mármore, além de desenharem sombras que se agigantam com o passar do dia, também desenvolvem um jogo de sedução entre o (não) ver e o ser visto. 


Ali num dos jardins, que dão direto para o átrio central dos aposentos reais, brigas de elefantes e tigres eram levadas à cabo, para o divertimento do imperador e da corte.

Detalhe da mesquita Jama Masjid.
Dali partimos para conhecer a Jama Masjid, a maior mesquita da Índia, com capacidade para comportar até 25 mil pessoas dentro dos seus muros. 

Reza.
No sol do meio dia, o interessante foi ter de tirar os sapatos para atravessar correndo o chão de pedra escaldante – até chegar nas pequenas tiras de pano estendidas de um ponto a outro justamente com o propósito de não queimar os pés.

Meninas atravessam a mesquita após a escola.
A construção gigante, adornada com detalhes e pinturas geométricas no teto, abrigava as pessoas do sol, servia de atalho para as meninas que voltavam da escola, alguns faziam as suas rezas e outros ainda aproveitavam o espelho d’água central para se aliviar do calor. 

O grande local de convivência serve também para aliviar o calor de mais de 35oC.
O único inconveniente (mas intenso o suficiente para tirar do sério) era a quantidade de homens literalmente enchendo o saco para ser seu guia, dar qualquer explicação e pegar algum dinheiro.

Meninas curiosas pedem uma foto para depois cobrar dinheiro.
No caminho de volta passamos pelo bazar de Chandni Chowk, um dos mais tradicionais de Delhi e que tem o nome romântico de “lugar sob a luz do luar” – ahã. Entre mil e uma motos, bicicletas, vacas, carrinhos de mão e bilhares de pessoas andando para todos os lados entre lojas de tecido e sei-lá-o-quê, o maior romantismo que se podia chegar ali era o de não ser atropelado. Vale a experiência de se espremer por entre as lojas de tecido, ver como é feita a compra e a venda e até se aventurar a comprar o seu primeiro saree – mas definitivamente não é atividade mais prazerosa do mundo.

Cenas do bazar.
Um dos pontos mais turísticos da cidade é a Tumba de Humayun, construída em meados do século XVI por Haji Begum, a esposa persa mais velha do segundo imperador mughal que dá nome ao lugar. 
Não é o Taj, mas chega perto.
A combinação de cores do avermelhado tradicional das pedras de areia misturado ao branco do mármore dá uma beleza única a este espaço.

O primo rosado do Taj Mahal.
O lugar já passou por algumas amplas restaurações mas alguns trabalhos ainda estão sendo feitos ali, principalmente para resgatar alguns detalhes e cores vibrantes trazidas pela arquitetura persa – como o azul turquesa. 

Ali vale a pena explorar os amplos espaços vazios com calma, aproveitar as grandes áreas verdes e bancos espalhados sob a sombra das árvores.

Indianinha que se encantou conosco - e nós com ela.
Terminamos o dia com uma ida à mesquita de Hazrat Nizam-ud-din Dargah, uma bela construção de mármore erguido como mausoléu para um santo muçulmano. Fomos por volta das 18h para conhecer o lugar e especialmente para ver os sufis cantarem o  qawwali – só esquecemos que este é o horário de uma das principais rezas muçulmanas. Ou seja: estava lo-ta-do de gente. Ali, todo mundo descalço, alguns comendo no chão, outros rezando, umas crianças brincando – e todo mundo olhando pra gente.

Quando os sufis começaram a cantar, alguns turistas resolveram engrossar o coro – e tiveram sua participação prontamente vetada pelos donos do local. Ali, era o momento de escutar, e não de participar. 


No meio do calor sufocante, da música e de um chão melado de sabe-se lá o quê, uma bebê começou a brincar com a Má e a Fá. Em poucos minutos ela já estava no colo das duas, fazendo a maior festa e provando um sorriso solto nas duas brasileiras aventureiras.

Essa é a Índia e Delhi é seu coração urbano mais pulsante. É certo que as vezes dá taquicardia de tanto caos mas essa metrópole mostra sem medo seus contrastes e desafia quem deseja explorar seus encantos. Para Maria Elisa e Fátima, foi a recepção de boas vindas a um dos trajetos mais emocionantes desta nossa viagem!


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...