segunda-feira, 24 de junho de 2013

Agra I - O Taj - India




Foi a mais linda história de amor
Que me contaram
E agora eu vou contar
Do amor do príncipe Shah-Jehan
Pela princesa Mumtaz Mahal
(Jorge Ben Jor – Taj Mahal)


Era chegada a hora. Um dos grandes momentos da nossa viagem, tinha chegado. Este, que certamente era esperado com mais ansiedade pela Tia Fá – que não escondia o sorriso (já normalmente largo) no rosto – se aproximava com o rufar de tambores que acompanham a realização de um sonho: conhecer o Taj Mahal.

Assim que chegamos em Agra começamos os preparativos (logísticos e espirituais) para dar conta de uma das maiores realizações arquitetônicas do mundo. Primeira resolução do grupo: não olhar com muita atenção para o horizonte para não estragar a surpresa do dia seguinte (do nosso hotelzinho xexelento já era possível ver uma das cúpulas do Taj). Segunda estratégia: nos dividir em times para “atacar” o prédio da melhor maneira possível. Ivan e eu iríamos acordar de madrugada para comprar os ingressos e tentar pegar o nascer do sol já lá dentro. Em seguida, Má e Fá viriam nos encontrar do lado de dentro, para aproveitarmos a íntegra do passeio todas juntas. Ready, set, go!

Os muros que circundam o mausoléu.
No dia seguinte, conforme combinado, Ivan levantou por volta das 5h para comprar os bilhetes e, já com eles na mão, voltou correndo para me acordar dizendo que já tinha uma horda de pessoas na rua – e a gente achando que só os dois aqui iriam tirar fotos exclusivas... De fato, quando saímos parecia estádio em final de campeonato (antes das 6h da manhã!): várias pessoas se dirigindo com passo apertado para pegar fila, fazer o procedimento de segurança e ver o primeiro raio de sol iluminar o Taj.


O espaço que antecede a chegada ao monumento parece que conspira para que seu coração esteja prestes a explodir em lágrimas antes mesmo da primeira vista do mausoléu. Vencidas as etapas burocráticas (onde alimentos e bebidas ficam de fora), chega-se a um jardim lindo, enorme e muito bem cuidado. Uma sensação de paz que reina em cada folhagem. Depois da visita, as sombras das árvores são o lugar ideal para se recuperar do impacto de tanto encanto. Logo ali, naquela imensa ante-sala a céu aberto, quem reina é um portal maravilhoso, construído com a tradicional pedra de areia vermelha e detalhes em mármore branco.

A carinha de sono em frente ao portão que separa a entrada do Taj do resto do complexo.
Ao se aproximar das portas gigantes, elas já entreabertas, você tem o primeiro vislumbre de como se arquiteta a eternidade da paixão.

O Taj Mahal é a mais pura declaração de amor imortalizada em pedra. Sua harmonia perfeita remete à precisão do Soneto da Felicidade sendo recitado na íntegra pelos olhos de um amante. As paredes de mármore branco, monumentais, fazem ecoar em silêncio uma melodia delicada e profunda – que ali me fizeram lembrar de Clair de Lune de Claude Debussy. O Taj faz você (re) encontrar o que há de divino no homem e na sua capacidade de criação inspirada na beleza da dor.

Porque também vale a pena olhar pra trás. 
Classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 1993 e considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, a história do Taj Mahal é puro romance. O imperador Shah Jahan encomendou a construção deste mausoléu após a morte de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, conhecida como “a jóia do palácio” (Mumtaz Mahal), que faleceu depois de dar a luz ao 14o filho do casal.

O impacto da chegada!
Dizem as lendas que o viúvo ficou tão desolado que seus cabelos ficaram brancos da noite para o dia. Apenas quatro anos depois de ter terminado a construção do Taj, o imperador adoeceu gravemente e sofreu um golpe dado por seus próprios filhos. Estes, por sua vez, exilaram o pai no Forte de Agra, onde ele passou o resto de seus dias observando pela janela ao longe, a memória edificada à sua querida. Em 1666 Shah Jahan morreu e foi sepultado no mausoléu lado a lado com sua esposa, gerando a única ruptura da perfeita simetria do conjunto do prédio.

Um dos palácios laterais do complexo que forma o Taj Mahal.
Erguido entre 1632 e 1653 por mais de 20 mil trabalhadores, o principal material usado na construção foi o mármore branco, trazido das pedreiras de Makrana (Rajastão), que ficam a mais de 300km de distância dali. As paredes são todas finamente decoradas com mosaicos de pedras preciosas trazidas de todos os cantos do mundo: o jaspe veio do Punjab; cristal e jade importados da China; turquesas do Tibet; lápis lazuli do Afeganistão; safiras do Sri Lanka.

Gabi, tia Fá e Mamá com o mixto de sono e deslumbramento.

As inscrições do Corão criadas pelo calígrafo persa da corte de Amanat Khan, estão dispostas em várias partes do prédio e são um tipo de preciosidade a parte. Entre as principais passagens descritas, estão as seguintes suras: 91 (o sol); 112 (pureza da fé); 93 (luz da manhã); 95 (as figueiras); 84 (a ferida). Afeto em poesia traduzida pela fé.

Detalhes impressionantes.
Na visita, apesar da quantidade de pessoas que se avolumam barulhentas a todo tempo, é necessário absorver cada detalhe. É preciso dar tempo para deixar os olhos se acostumarem com tanta simetria, tanta beleza, tanto sigilo em cada uma das pedras incrustradas. É imprescindível deixar o corpo se adaptar à maciez do mármore e saber sentir um pouco da ternura milenar dolorida de quem tentou dimensionar o amor.

Linda visão, de cores e mármore.

A brancura deste gigante de pedra só torna mais improvável a maneira como ele flutua no ar. Os espelhos d’água, impecavelmente alinhados com todo o percurso do portal até a entrada do mausoléu, refletem sua fachada com uma leveza quase irônica para aquilo que guarda a morte. A gratidão ao ser amado que se foi está concretizada em cada centímetro de uma beleza que chora.

Detalhes.
Como disse o poeta britânico Rudyard Kipling: “O Taj Mahal parece a encarnação de todas as coisas puras, de todas as coisas sagradas e de todas as coisas infelizes. Este é o mistério deste edifício.” Para presenciar a sua força e beleza, precisa ir e estar lá, de corpo e alma, se deixando tocar pela sua história e perfeição.



Um comentário:

Narcísio e Dirlei disse...

Vocês nos fizeram reviver o dia que, em março deste ano, lá estivemos num ensolarado dia. Nossa visão e fotos estão no www.viajandoconosco.blogspot.com òtima viagem. Narcísio e Dirlei.

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