quarta-feira, 31 de julho de 2013

Trekking no Annapurna: Dia 6 - Nepal





DIA 6 – 01/05/13

Chame a Pisang (3.300m): 5-6 horas de caminhada

Descrição do programa:
Um caminho inclinado e estreito entre uma floresta bastante densa nos levará para uma dramática face curva das montanha, a 1.500 metros do rio. A floresta e uma vegetação cheia agora terão ficado para trás. Nós atravessamos várias vezes o rio por meio de pontes suspensas. Conforme a trilha se abre e aponta para cima, nós ficaremos cercados pelos majestosos picos do Himalaia. Nós estaremos num vale de Manang em formato de “U” localizado entre dois picos nevados gigantes e depois de caminhar por estes lugares maravilhosos nós chegaremos a Pisang.




"Sentado na escada do mosteiro budista no alto dos 3.500m, escrevo rodeado de uma sequência de amarelos, verdes, vermelhos, brancos e azuis.

"nossa beleza e nossa motivação"
O vento chega cortante, trazendo o gelado do alto dos picos nevados que agora já têm nome: Annapurna II, IV e Lamjung Himal. Nos vigiando do alto do vale de Pisang, eles são nossa beleza e nossa motivação.

Portão do mosteiro.
A caminhada que fizemos foi bastante curta, saindo de Chame e passando por diversos vilarejos. Logo já estávamos abaixo da formação rochosa herdeira da era glacial e que tem o formato de um “U” côncavo, mas com mais de 7.000m de altura. A sensação é de estar protegido por essa imensa muralha de pedra e gelo.

A formação em "u" parece uma gigante pista de skate.
 
O cenário das trilhas também está cada vez mais fantástico, com imensos pinheiros de ambos os lados formando florestas inteiras, ladeadas pelo rio e cachoeiras ocasionais. Ao olhar para cima, a presença colossal dos picos nevados, cada vez mais próximos conforme subimos.
Cenários assim motivam a caminhada.

A caminhada foi interrompida algumas vezes por grupos de mulas que desembestam montanha acima. O número de turistas também aumentou bastante e já reconhecemos algumas caras repetidas ao longo da trilha.
Mulas carregadas de mantimentos cortam as montanhas.

Aqui no alto, seguimos conversando sobre o frio com uma alemã, um malaio, uma austríaca matraca, um indiano, dois franceses e um boliviano(!).
"Caminantes con frio!"
 Hoje também foi o dia em que estressamos com Guiam, nosso guia. Como a caminhada foi curta e chegamos em Pisang antes das 14h perguntamos se não poderíamos seguir mais adiante, até para tirar parte da difícil rota de amanhã.
Pisang alta.

E tem gente que leva mala de rodinha pra trilha... Santos carregadores!

 A dificuldade em comunicar-se em inglês somada às piadinhas sem graça na trilha fizeram com que a Gabi perdesse a paciência com a negativa em continuarmos a andar.
É melhor sair da frente... 
 
A relação com ele tem sido simplesmente cordial, muito diferente do que vemos nos outros grupos que encontramos. Nem ele nem Prem, nosso carregador, comem conosco apesar da nossa insistência.
Pedras de oração.
 Vejamos como isso irá evoluir pois nos aproximamos de Thorong La, a parte mais perigosa desse trekking e é importante ter confiança na pessoa que vai nos assistir nesse momento.
O frio aperta, o vento também."
Detalhe do templo budista.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Trekking no Annapurna: Dia 5 - Nepal





DIA 5 – 30/04/13

Dharapani a Chame (2.710m): 5-6 horas de caminhada

Hoje nós lidaremos com algumas subidas com florestas, juntamente com vários deslizamentos em rota. De toda forma, lembre-se de olhar para cima porque nós seremos presenteados com vistas sensacionais de Lamjung Himal, Annapurna II e Annapurna IV (7.525m). Pequenas águas termais aliviam o final do seu longo dia de caminhada.

ROTEIRO REAL: Tal a Chame: 9 horas de caminhada.


"As rodas de oração funcionaram! Gabi amanheceu bem e após enfaixar seu tornozelo até quase imobilizá-lo ela se dispôs a andar. Uma recuperação impressionante para um inchaço que mais parecia uma laranja.
O retorno da guerreira! Dêem um desconto para a cara de sono... 
 
Com a parada prematura em Jagat e a possibilidade de transporte somente até Tal estávamos meio dia atrasados.

Deveríamos estar saindo de Dharapani, vila que estava a quase duas horas de onde começamos a caminhada. De qualquer maneira, combinamos de ir devagar e ver como o machucado da Gabi responderia à trilha.
Nepaleses trabalhando e cachoeira gigante ao fundo. Essa foi nossa saída de Tal,
Pela agilidade e velocidade que Gabi caminhava logo deu para perceber que ela estava bem mesmo, mas confesso que fiquei preocupado até o final. Após o almoço forçado (não estávamos com a menor fome, afinal era 10h30 da manhã!) começamos a deixar a parte larga e agitada do rio e as subidas aumentaram.
Paisagens feias, não?
Percebi que adentrávamos mais no interior da montanha, situação esta confirmada pela vista que tínhamos de três picos nevados: Annapurna II e IV, Lamjung Himal, todos a mais de 7.500 metros.
 
Quando partimos de Tal estávamos a 1.950 metros e as subidas constantes e cada vez mais duras iam acrescentado metros na nossa conta. Gabi seguia bem mas meu joelho e costas começavam a cansar.
Cuidado com as mulas! Elas de fato podem te jogar pra fora das trilhas.
Já caminhávamos a mais de 7 horas e ao mesmo tempo que queríamos superar o atraso o corpo já não respondia do mesmo jeito que no começo da manhã. Apesar dos desconfortos resolvemos seguir no sacrifício. Nesse ponto Gabi reclamava mais das pernas e dos joelhos do que do tornozelo torcido.
 
Nesse dia de recuperação para o tornozelo da baixinha, segui a trilha carregando tanto o daypack como a mochila de equipamentos fotográficos, deixando-a sem nenhuma preocupação além de seu próprio machucado. O preço por levar duas mochilas (nosso daypack e mochila da máquina) foi uma dor insuportável que me fez passar uma delas para Gabi na última meia hora, mesmo à contra gosto.
Dia sem noção de puxado para alguém em recuperação. Mas a baixinha aguentou!
A cada vila que entrávamos torcíamos para ser Chame, nosso destino final, mas esta parecia nunca chegar. Após pontes de cabo de aço e ladeiras sem fim avistamos mulheres subindo uma rampa de quase 60o carregando cestos de palha lotados de lenha, esse era o sinal que Chame estava próxima.
As encruzilhadas do caminho. Ah, era pra esquerda mesmo.
A cena brutal também nos deu motivação e depois de 9 horas de muita subida atingimos os 2.710m em que a vila de Chame se erige. Em mais um hotel xexelento, finalmente conseguimos um revigorante banho quente.
Gabi, Guiam (nosso guia) e Prem (carregador) na chegada a Chame: vitória!
Enquanto escrevo, chove muito lá fora e já começo a me preocupar com amanhã. Agora, no coração da montanha, é hora do merecido descanso e do agradecimento aos deuses do Himalaia pela rápida recuperação da pequena corajosa."

O meu obrigado! 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Trekking no Annapurna: Dia 4 - Nepal


DIA 4 – 29/04/2013

Chamje a Dharapani (1.960m) – 5 a 6 horas de caminhada

PROGRAMAÇÃO
Hoje nós entramos na região de Manang, passando por plantações de milho, cevada e batata, além de florestas de bambus. No caminho fica uma vila chamada Tal, localizada num terreno plano próximo à praias do rio na base de uma grande cachoeira. Enquanto caminhamos na trilha, algumas vezes teremos de dar passagem a uma grande caravana de mulas.



MUDANÇA DA ROTA POR CONTA DO ACIDENTE DA GABI:

Jagat a Tal (1.700m) - 4 horas de caminhada 

"Como era de se esperar Gabi acordou sem a menor condição de andar. Havíamos arranjado um carro para levá-la até Tal, a primeira vila do distrito de Manang, e pontualmente as 7h ele estava lá.

Os primeiros raios de sol.


Como despachamos a mochila grande de carro, Prem teve um dia mais leve e Guiam acelerou o passo montanha acima. A boa notícia veio do meu joelho que parou de doer, apesar das dificuldades nas descidas.


Colméias presas no penhasco. Muitos nepaleses se arriscam para conseguir esse mel pendurados em cordas e estruturas de bambu.
 
Saímos de Jagat as 7h15 seguindo o rio envolvidos por uma paisagem fenomenal. Dos dois lados sobem paredões de mais de 500 metros de altura, de onde ocasionalmente escorre uma cachoeira.

Seguimos na estrada até Chamje, onde deveríamos ter dormido ontem. De lá descemos até o rio, para acessar a trilha para Tal. A paisagem de pedra só era colorida pelo verde das plantas de maconha, naturais da região e abundantes no caminho todo.

Uma das muitas cachoeiras do caminho.
O ritmo era intenso e sem pausa em sobes e desces que nos levaram ao pé de um paredão de quase 200 metros. Ali o zigue-zague da subida era bastante íngreme. Curiosamente, no meio do caminho, há um bar.

Mais uma ponte!

Já no alto do paredão avistamos o carro que levou a Gabi, voltando do trajeto e Guiam anunciou que logo também estaríamos em Tal. Passadas 1h30, entrávamos pelo portal que marca o começo do distrito de Manang. Rodei algumas rodas de oração budista para dar sorte e avistamos a cidade plana de Tal, com suas casas e pousadas coloridas à beira do rio.

A vista da cidade de Tal onde o vale faz a curva.
 
Encontrei Gabi descansando e seu pé estava bem melhor, apesar de ainda um pouco inchado. Após o almoço (mais dhal bat) a dona da pousada trouxe mel com alguma substância não identificada para esfregar no tornozelo luxado. Gabi aguentou firme de dor enquanto nosso guia lambuzava sua perna. Esperamos que funcione.

No mais, o dia foi bem preguiçoso, apenas dando tempo ao tempo para o pé sarar."

A colorida e simpática vila de Tal.

sábado, 20 de julho de 2013

Trekking no Annapurna: Dia 3 - Nepal



DIA 3 – 28/04/2013

Sirung a Chamche (1.385m) – 5 a 6 horas de caminhada

Nós caminhamos por terraços de arroz em forma de anfiteatro, ladeando um penhasco vertical bastante inclinado, passando por florestas densas e algumas vilas intrigantes do ponto de vista cultural. Sempre seguindo o Marsyangdi, nós caminhamos num cenário fantástico entre pequenas cachoeiras, florestas e cidadezinhas. O caminho não será tão puxado até chegarmos em Syange (1.100m), quando a subida começa a ficar mais forte até Jagat (1.300m). De Jagat nós faremos um esforço para subir até Chamje.


"Acordamos em Sirung as 6h00 presenteados com a mágica luz dourada do amanhecer beijando romanticamente os picos nevados do Himalaia no horizonte. No meio da noite, Gabi precisou ir ao banheiro e me arrastou junto, por medo de uma aranha de um palmo que habitava a casinha. Por conta disso, pudemos nos maravilhar com a mesma visão da montanha iluminada pela lua cheia – fantástico! 
Vista das montanhas de Sirung

As 6h30 fomos convidados a sentar no chão do casebre onde o fogão de lenha trabalhava produzindo batatas, chapati e chá, nossa simples refeição matinal. Os donos da casa estavam orgulhosos de nos oferecer o mel local “not for tourists” (que não é para turistas).
Pagamos pelo balde de água quente do banho da noite anterior e já de mochila nas costas a dona da casa nos parou para desejar boa sorte. Colocou um punhado de arroz melecado com leite azedo nas nossas testas, jogou um pouco mais sobre as nossas cabeças e nos presenteou com um colar de flores. Estávamos abençoados!

Abençoados!

Partimos com a luz da alvorada enquanto as nuvens começavam a encobrir o topo das montanhas. O objetivo era descer boa parte do dia dos 2.200m de Sirung até Chamje, a 1.410m.
A vila de Sirung foi ficando pra trás...
 O que acreditávamos ser um dia fácil se transformou em pesadelo. Após alguns quilômetros de escadas de pedra irregulares, uma velha inimiga me prestou uma visita. A antiga dor no joelho esquerdo me atormentou por todo o dia, diminuindo bastante o ritmo do grupo.

Paisagem rural nas montanhas.

Quanto mais descíamos a passagem ia se transformando de plantações em nível para matas fechadas e pequenas cachoeiras. Andei ao limite da dor pensando que esse era apenas o terceiro dia e ainda havia outros treze, bem mais difíceis.
Ah meu joelho e as descidas no Nepal, longa e dolorosa história de amor (ódio).
Nessa situação de extrema concentração no caminho e tentando compensar a dor com paisagens incríveis chegamos à vila ribeirinha de Syange, local onde almoçaríamos. Gabi estava exausta e depois de comer se esticou num banco e cochilou após começarmos a ponderar se nossa decisão de enfrentar dezessete dias de trekking não havia sido ousada demais.
Partimos seguindo as margens do rio Markyangdi quando o inesperado aconteceu: Gabi teve uma queda feia por conta de uma torção no tornozelo direito. Achei que a viagem havia acabado ali e já agradecia aos deuses por estarmos no pé da montanha, ao lado da estrada e não no topo, como nos últimos dois dias.
Dona Gabi em meio às plantações em nível de Sirung.
 No entanto, a teimosia e a vontade de chegar deram força à baixinha e ela conseguiu firmar o pé e andar mais alguns quilômetros. Como era de se esperar, seu tornozelo começou a inchar e a caminhada ficava cada vez mais difícil.

Ao avistarmos a vila de Jagat aos pés de uma cachoeira enorme, decidimos que não andaríamos os 45 minutos finais até Chamje, para deixa-la descansar e também para calcularmos o tamanho do estrago.
Ponte suspensa.


Após um anti-inflamatório e uma imobilização com faixa, ainda não sabemos se seguimos viagem. O certo é que ela não andará nos próximos dias. A estratégia será achar um carro que a leve para os dois próximos pontos e torcer para uma recuperação rápida.
Além da torção e do inchaço, ficou machucado também o orgulho restando a frustração de possivelmente perder boa parte da nossa expedição. Ela quer conseguir de qualquer jeito. Nessas horas fico impressionado com sua força de vontade.
O agricultor.


Agora, na pior pousada do mundo (ironicamente localizada num cenário maravilhoso), rezemos para o melhor."

Foto nerd: qual é a legenda? 

  
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