quinta-feira, 11 de julho de 2013

Johdpur - Índia




Se Jaipur é a cidade rosa, Jodhpur é a cidade azul correspondente. Pura estratégia de marketing ou não, esta segunda faz ainda mais jus à cor que lhe dá apelido do que a primeira. Desta vez, este tom específico era creditado apenas as casas que pertenciam aos brâmanes além de, segundo o dito popular, servir muito bem para repelir insetos (oi?) – mas hoje vale muito mais pela estética brilhante da cidade.


O antigo Forte de Mehrangarh agora transformado em museu é um espetáculo que domina sozinho o skyline da cidade. 

O forte que guarda a cidade.
Uma das construções militares mais bonitas da Índia, esta fortaleza além de estar situada em cima de um morro teve suas principais fundações esculpidas sobre o mesmo, o que lhe atribui uma impressão ainda mais sólida.

Uma das entradas do forte.
Do ponto de vista de patrimônio cultural histórico, este foi um dos melhores exemplos de exploração turística de qualidade que vimos no país. O áudio guia está incluso no preço da entrada e com ele é possível fazer uma deliciosa e instrutiva viagem (em diversas línguas!) pelos inúmeros segmentos do forte – que até hoje é mantido pela família real de Jodhpur.

Casas antigas da cidade azul em volta do forte.
Tudo é bastante organizado, há sinalizações por todo o percurso além de painéis explicativos que complementam as informações dada pelo áudio guia. 

Portas de um dos restaurantes do forte.
Como todos os sítios históricos da Índia, não poderia faltar uma boa dose de lendas e drama permeando cada parede.

Músicos no portão do forte.
Passando o primeiro portão onde milhares de espinhos de ferro guardam as portas gigantes contra elefantes inimigos, várias marcas de mãos chamam a atenção. Ali estão carimbadas as satis (auto-imolação) das nobres viúvas dos maharajas que se jogaram nas piras funerárias de seus maridos como um último ato de amor.


O museu tem uma coleção maravilhosa e bem documentada de diversos itens históricos da realeza, que vão desde haudahs de prata (sela para elefante) até joias, roupas, tapeçarias e pinturas recheadas de detalhes que retratam a época. 

Detalhe de uma das janelas do palácio.
Passando pelos salões enormes ainda é possível sentir a energia da corte, onde cada estação do ano exigia uma cor específica de vestimenta com padrões de tecidos que denunciavam o grau de riqueza dos nobres.

Salão de espelhos.
Gostamos tanto do forte que resolvemos vê-lo de uma perspectiva bastante única: dependurados em uma tirolesa!

Preparativos. (foto Tia Fá)
Com a Flying Fox, sobrevoamos os muros do Mehrangarh durante duas horas, pulando de estação em estação sobre cabos de aço dependurados a mais de 30 metros de altura que atingiam uma velocidade de dar frio na barriga. Pra quem gosta, essa é uma experiência de aventura sobre ruínas! Vejam os filmes que fizemos enquanto "tomávamos as muralhas":


Mas como nem tudo são flores, dessa vez definitivamente não tivemos sorte em nosso último haveli, o Singhvi’s Haveli. A indicação do Lonely Planet dizia que era um palácio com 500 anos – e de fato acho que desde aquela época eles mantiveram tudo e-xa-ta-men-te do mesmo jeito, sem tirar nem pôr.

Vendedor no palácio.
Além de ser uma pirambeira de escadas da entrada do hotel até os quartos, as acomodações são super escuras e abafadas. 



Mas como o que não faltou foi bom humor nessa viagem, em pouco tempo nós quatro já estávamos reunidos na laje do nosso cafofinho, tomando uma Kingsfisher gelada (apesar de ser horrível!) com vista privilegiadíssima para a nossa favelinha azul. E vamos que vamos!



Uma das coisas mais gostosas de Jodhpur é perambular pela cidade, explorando suas ruelas sinuosas e medievais que invariavelmente vão dar nos muros do forte. 

Centro da cidade.
Se o sol deixar, vale a pena perder algumas horinhas andando pelas ruas, entrando num beco e desviando de algumas vacas entre os infindáveis tons de azul das paredes das casas.

Saída do forte.
E foi aí que terminamos o nosso tour pelo Rajastão, voltando deliciosamente exaustos para a caótica Delhi. 

Detalhe de uma casa no meio da cidade medieval.
Não é a toa que esta é a região mais turística da Índia: os lugares são maravilhosos e acessíveis, numa explosão de cores, aromas e sabores genuinamente indianos mas ainda bastante palatáveis para o gosto ocidental.



A ‘Terra dos Reis’ faz jus ao nome – e quando você for pra lá temos certeza que se sentirá parte da corte explorando palácios, fortes e aproveitando os havelis!



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