quarta-feira, 3 de julho de 2013

Rajastão: um começo - India




Quando perguntamos à nossa amiga Vy – legítima indiana de Calcutá – onde seria o lugar mais interessante para levar tia Fá e minha mãe para um tour de quinze dias pelo país ela nem pestanejou: “vocês tem que ir para o Rajastão! É o lugar da India para descobrir as cores, cheiros e belezas que o país pode oferecer em quinze dias”. Não é a toa que ao lado de Agra e New Delhi é o roteiro mais visitado do país.

Templo de Ranakpur.
Além de ser a opção indicada por nossa amiga, após termos percorrido boa parte do país em uma cruzada sem fim por trens, tuk-tuks, ônibus e até canoas, o estado dos antigos Rajas com sua nobreza pomposa, palácios e requinte nos pareceu uma excelente escolha para finalizar uma jornada de pouco menos de um mês e meio no subcontinente.

Mulheres atrás de um caminhão. (Foto Tia Fá)
Com isso em mente, reservamos todas as passagens de trem possíveis para conectar as cidades a serem visitadas (mais uma vez a dica é se cadastrar o quanto antes no Cleartrip para não ter que enfrentar as filas de filme de terror das estações) e pegamos estrada.

Palácio de Udaipur visto do lago.
Basicamente, o tour que normalmente se faz por este estado indiano contempla as cidades históricas de Jaipur, Udaipur, Pushkar, Johdpur e Jaisalmer. Como não haveria tempo suficiente para o circuito completo acabamos “cortando” a última cidade e deixamos de conhecer os palácios do deserto. Fica para a próxima vez...

A comida é genial, especialmente as mais picantes...
O estado do Rajastão foi formado pela junção de vários estados independentes controlados pelos Rajas – o rei local e sua família de nobres. 
Mulher observa o lago de um dos Havelis em Udaipur.
Quando a Índia se unificou, expulsando os colonialistas ingleses, o novo governo central fez um acordo com as famílias reais de cada um dos feudos para que o território fosse anexado ao país.

Um dos muitos antigos palácios (havelis) em Udaipur.
O problema é que esse acordo foi garantido pela manutenção dos títulos (polpudos salários mensais) e boa parte do patrimônio (basicamente a maior parte das terras férteis) aos nobres, formando assim uma classe na sociedade que materializa perfeitamente o que nós brasileiros conhecemos como “marajás” (apesar da palavra Maharaja significar o mesmo que Rajput) .

Detalhe do palácio de Johdpur.
Com o tempo, o governo indiano foi retomando essas propriedades e cortando os salários desses nobres que passaram a viver da pomposidade dos seus títulos e da transformação de seus palácios e propriedades históricas em museus ou mesmo grandes – e alguns nem tão grandes – hotéis. 

Cena de um Haveli em Pushkar.
É isso mesmo: ao conhecer o Rajastão você pode experimentar a vida de marajá e se hospedar em um antigo palácio, ou Haveli. Alguns chegam a datar do século XVII!

Fábrica de queijos no meio de uma das ruas de Jaipur.
O circuito pelo Rajastão segue basicamente a trilha dos grandes fortes e instalações militares que datam desde a idade média, grandes palácios transformados em museus (Jaipur, Udaipur, Johdpur e Jaisalmer) e lugares de importância religiosa (Pushkar). 

Muitas mãos pintadas: as novas indianas! (Foto Tia Fá)

A dica aqui é aproveitar a falência dos antigos nobres locais e se hospedar nos antigos havelis – dá pra achar alguns mais modestos por um preço bem em conta.

A cidade azul de Johdpur.
Uma maneira de fazer o trajeto todo é usar as linhas de trem que com algum planejamento levam à todas as cidades – com exceção do trecho Udaipur/Johdpur. 

Turistas indianos no forte de Jaipur.
No entanto, se você estiver viajando em mais de três pessoas muitas vezes vale a pena fretar um taxi, o que possibilita parar no meio do caminho e conhecer alguns monumentos que se perderiam em uma viagem de trem.

Crianças do Forte de Jaipur.
Nos posts a seguir, dedicados a cada uma dessas cidades em separado, comentaremos brevemente sobre os detalhes que nos chamaram atenção, mas fundamentalmente deixaremos as fotos “falarem” da nossa vivência que representou nossa despedida ao país em que dedicamos mais tempo nessa volta ao mundo.

Apenas bons amigos, ou o aperto do Tuk-Tuk. (Foto Tia Fá)

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