sábado, 20 de julho de 2013

Trekking no Annapurna: Dia 3 - Nepal



DIA 3 – 28/04/2013

Sirung a Chamche (1.385m) – 5 a 6 horas de caminhada

Nós caminhamos por terraços de arroz em forma de anfiteatro, ladeando um penhasco vertical bastante inclinado, passando por florestas densas e algumas vilas intrigantes do ponto de vista cultural. Sempre seguindo o Marsyangdi, nós caminhamos num cenário fantástico entre pequenas cachoeiras, florestas e cidadezinhas. O caminho não será tão puxado até chegarmos em Syange (1.100m), quando a subida começa a ficar mais forte até Jagat (1.300m). De Jagat nós faremos um esforço para subir até Chamje.


"Acordamos em Sirung as 6h00 presenteados com a mágica luz dourada do amanhecer beijando romanticamente os picos nevados do Himalaia no horizonte. No meio da noite, Gabi precisou ir ao banheiro e me arrastou junto, por medo de uma aranha de um palmo que habitava a casinha. Por conta disso, pudemos nos maravilhar com a mesma visão da montanha iluminada pela lua cheia – fantástico! 
Vista das montanhas de Sirung

As 6h30 fomos convidados a sentar no chão do casebre onde o fogão de lenha trabalhava produzindo batatas, chapati e chá, nossa simples refeição matinal. Os donos da casa estavam orgulhosos de nos oferecer o mel local “not for tourists” (que não é para turistas).
Pagamos pelo balde de água quente do banho da noite anterior e já de mochila nas costas a dona da casa nos parou para desejar boa sorte. Colocou um punhado de arroz melecado com leite azedo nas nossas testas, jogou um pouco mais sobre as nossas cabeças e nos presenteou com um colar de flores. Estávamos abençoados!

Abençoados!

Partimos com a luz da alvorada enquanto as nuvens começavam a encobrir o topo das montanhas. O objetivo era descer boa parte do dia dos 2.200m de Sirung até Chamje, a 1.410m.
A vila de Sirung foi ficando pra trás...
 O que acreditávamos ser um dia fácil se transformou em pesadelo. Após alguns quilômetros de escadas de pedra irregulares, uma velha inimiga me prestou uma visita. A antiga dor no joelho esquerdo me atormentou por todo o dia, diminuindo bastante o ritmo do grupo.

Paisagem rural nas montanhas.

Quanto mais descíamos a passagem ia se transformando de plantações em nível para matas fechadas e pequenas cachoeiras. Andei ao limite da dor pensando que esse era apenas o terceiro dia e ainda havia outros treze, bem mais difíceis.
Ah meu joelho e as descidas no Nepal, longa e dolorosa história de amor (ódio).
Nessa situação de extrema concentração no caminho e tentando compensar a dor com paisagens incríveis chegamos à vila ribeirinha de Syange, local onde almoçaríamos. Gabi estava exausta e depois de comer se esticou num banco e cochilou após começarmos a ponderar se nossa decisão de enfrentar dezessete dias de trekking não havia sido ousada demais.
Partimos seguindo as margens do rio Markyangdi quando o inesperado aconteceu: Gabi teve uma queda feia por conta de uma torção no tornozelo direito. Achei que a viagem havia acabado ali e já agradecia aos deuses por estarmos no pé da montanha, ao lado da estrada e não no topo, como nos últimos dois dias.
Dona Gabi em meio às plantações em nível de Sirung.
 No entanto, a teimosia e a vontade de chegar deram força à baixinha e ela conseguiu firmar o pé e andar mais alguns quilômetros. Como era de se esperar, seu tornozelo começou a inchar e a caminhada ficava cada vez mais difícil.

Ao avistarmos a vila de Jagat aos pés de uma cachoeira enorme, decidimos que não andaríamos os 45 minutos finais até Chamje, para deixa-la descansar e também para calcularmos o tamanho do estrago.
Ponte suspensa.


Após um anti-inflamatório e uma imobilização com faixa, ainda não sabemos se seguimos viagem. O certo é que ela não andará nos próximos dias. A estratégia será achar um carro que a leve para os dois próximos pontos e torcer para uma recuperação rápida.
Além da torção e do inchaço, ficou machucado também o orgulho restando a frustração de possivelmente perder boa parte da nossa expedição. Ela quer conseguir de qualquer jeito. Nessas horas fico impressionado com sua força de vontade.
O agricultor.


Agora, na pior pousada do mundo (ironicamente localizada num cenário maravilhoso), rezemos para o melhor."

Foto nerd: qual é a legenda? 

  

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