quarta-feira, 24 de julho de 2013

Trekking no Annapurna: Dia 5 - Nepal





DIA 5 – 30/04/13

Dharapani a Chame (2.710m): 5-6 horas de caminhada

Hoje nós lidaremos com algumas subidas com florestas, juntamente com vários deslizamentos em rota. De toda forma, lembre-se de olhar para cima porque nós seremos presenteados com vistas sensacionais de Lamjung Himal, Annapurna II e Annapurna IV (7.525m). Pequenas águas termais aliviam o final do seu longo dia de caminhada.

ROTEIRO REAL: Tal a Chame: 9 horas de caminhada.


"As rodas de oração funcionaram! Gabi amanheceu bem e após enfaixar seu tornozelo até quase imobilizá-lo ela se dispôs a andar. Uma recuperação impressionante para um inchaço que mais parecia uma laranja.
O retorno da guerreira! Dêem um desconto para a cara de sono... 
 
Com a parada prematura em Jagat e a possibilidade de transporte somente até Tal estávamos meio dia atrasados.

Deveríamos estar saindo de Dharapani, vila que estava a quase duas horas de onde começamos a caminhada. De qualquer maneira, combinamos de ir devagar e ver como o machucado da Gabi responderia à trilha.
Nepaleses trabalhando e cachoeira gigante ao fundo. Essa foi nossa saída de Tal,
Pela agilidade e velocidade que Gabi caminhava logo deu para perceber que ela estava bem mesmo, mas confesso que fiquei preocupado até o final. Após o almoço forçado (não estávamos com a menor fome, afinal era 10h30 da manhã!) começamos a deixar a parte larga e agitada do rio e as subidas aumentaram.
Paisagens feias, não?
Percebi que adentrávamos mais no interior da montanha, situação esta confirmada pela vista que tínhamos de três picos nevados: Annapurna II e IV, Lamjung Himal, todos a mais de 7.500 metros.
 
Quando partimos de Tal estávamos a 1.950 metros e as subidas constantes e cada vez mais duras iam acrescentado metros na nossa conta. Gabi seguia bem mas meu joelho e costas começavam a cansar.
Cuidado com as mulas! Elas de fato podem te jogar pra fora das trilhas.
Já caminhávamos a mais de 7 horas e ao mesmo tempo que queríamos superar o atraso o corpo já não respondia do mesmo jeito que no começo da manhã. Apesar dos desconfortos resolvemos seguir no sacrifício. Nesse ponto Gabi reclamava mais das pernas e dos joelhos do que do tornozelo torcido.
 
Nesse dia de recuperação para o tornozelo da baixinha, segui a trilha carregando tanto o daypack como a mochila de equipamentos fotográficos, deixando-a sem nenhuma preocupação além de seu próprio machucado. O preço por levar duas mochilas (nosso daypack e mochila da máquina) foi uma dor insuportável que me fez passar uma delas para Gabi na última meia hora, mesmo à contra gosto.
Dia sem noção de puxado para alguém em recuperação. Mas a baixinha aguentou!
A cada vila que entrávamos torcíamos para ser Chame, nosso destino final, mas esta parecia nunca chegar. Após pontes de cabo de aço e ladeiras sem fim avistamos mulheres subindo uma rampa de quase 60o carregando cestos de palha lotados de lenha, esse era o sinal que Chame estava próxima.
As encruzilhadas do caminho. Ah, era pra esquerda mesmo.
A cena brutal também nos deu motivação e depois de 9 horas de muita subida atingimos os 2.710m em que a vila de Chame se erige. Em mais um hotel xexelento, finalmente conseguimos um revigorante banho quente.
Gabi, Guiam (nosso guia) e Prem (carregador) na chegada a Chame: vitória!
Enquanto escrevo, chove muito lá fora e já começo a me preocupar com amanhã. Agora, no coração da montanha, é hora do merecido descanso e do agradecimento aos deuses do Himalaia pela rápida recuperação da pequena corajosa."

O meu obrigado! 

Um comentário:

Celina disse...

Em cada palavra dirigida para a sua Gabi há um cesto de agradecimento pela cumplicidade.

Seu carinho transmite acolhimento.

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