quarta-feira, 17 de julho de 2013

Trekking no Annapurna: dias 1 e 2 - Nepal



DIA 1 – 26.04.13

Dia 1: Katmandu – Besisahar – Khudi [800 metros ]: 8-9h de caminhada

PROGRAMAÇÃO
Começamos nossa jornada nas montanhas pelas estradas sinuosas ao longo do rio Trishuli. Pelo caminho veremos boa parte do lado rural do Nepal que oferece muitas plantações, rios, vilas, fazendas e cenários montanhosos muito bonitos. De Mugling, pegamos estrada sentido Pokhara para sair em Dumre, seguindo sentido norte para Besisahar. Meia hora de ônibus nos leva à Khudi, o começo do nosso trekking.

"Ao acordarmos por volta das 6h30 da manhã, logo percebemos que de longe a noite não havia sido suficiente. A minuciosa arrumação somada à excitação de começar essa aventura nos fez dormir muito tarde ainda que agarrados os dois na diminuta cama de solteiro. Logo, nosso guia bateu à porta informado que era hora.

Detalhe de casa em um vilarejo no começo da trilha.
 Seguimos até a rodoviária onde descobrimos que nosso transporte seria um velho conhecido da Índia: um ônibus Tata todo decorado e que provavelmente foi feito para carregar metade das pessoas que subiram nele no dia de hoje. Gabi suspirou: “já pegamos bem piores...”

Propaganda política nos muros do interior do Nepal.

A longa viagem de 8 horas atravessando montanhas e vales, vilas e plantações foi um bom começo para nos mostrar o Nepal rural, os traços novos que surgiam nos rostos das pessoas e como o país está incrustado no meio do Himalaia.
Durante o almoço, em uma das paradas, encaramos nosso primeiro dhal bhat, o prato popular do país: arroz branco, curry de vegetais, lentilhas amarelas e picles. Fugimos das carnes. Ficamos impressionados com a quantidade e rapidez que nosso guia e carregador comeram arroz que alimentaria uma família inteira no Brasil.
Dhal Bhat bem servido. Detalhe: come-se com a mão.
No fim do dia chegamos à Khudi, ponto de partida para nossa caminhada. Sairemos amanhã de 800m para alcançarmos Sirung a 2.200m, depois de andarmos cerca de 7 horas.
Estou animado e bastante excitado por estar prestes a realizar esse sonho de Himalaia. Gabi parece ressabiada, talvez com lembranças pouco saudosas de nosso trekking na Etiópia. Esperemos o amanhã."




DIA 2 – 27.04.2013

Dia 2: Khudi [790m] a Sirung [1.200m] 6-7 horas de caminhada

PROGRAMAÇÃO
O seu primeiro dia de caminhada envolve cruzar algumas pontes suspensas, cachoeiras, várias seções de subidas e descidas dos morros, cruzar com campos alagados de arroz e também sobre a floresta subtropical. Inicialmente a caminhada é gradual e depois torna-se bastante inclinada. 

As montanhas que eram vistas desde de Khudi aproximam-se conforme andamos em terrenos mais altos. As vilas e pessoas são uma miscigenação interessante. 

No caminho para Sirung, nós passaremos pelo assentamento étnico de Tamang, em Taranche.  Nós aproveitaremos as vistas mais próximas de Nadi Chuli e Manaslu em Sirung. Sirung nos oferece estadia em uma casa de família onde nós aproveitaremos também a programação cultural organizada pelo povoado para os visitantes. Se o número de visitantes for maior que quatro pessoas, o grupo terá de ser dividido para hospedar-se em casas diferentes.

O começo do relato.
 "Acordamos com o frio das 6h30 em nosso cubículo formado por duas camas e nada mais. Após café da manhã modesto, enfrentamos a montanha com animação. Confesso que não fiquei nem um pouco confortável em ver o jovem Prem carregando minha mochila além da dele. Gabi sentiu o mesmo e tentava amenizar a situação oferecendo da nossa água a cada parada.
A primeira vista dos cumes nevados é inesquecível!
Passamos por diversas vilas, pequenas plantações em nível e depois de muito sobe e desce, chegamos à vila de Taranche para o almoço. Do alto, víamos Khudi lá em baixo distante por uma eternidade de suor e dores precoces nas pernas começavam a aparecer.


O almoço simples (dhal bat), servido em porções generosas, restabeleceu algumas das forças perdidas nas subida.
Venda onde comemos nosso almoço. 

Após comermos, Gabi acocorou-se ao lado de uma senhora que tecia um imenso cobertor no terreiro em frente a sua casa.
 



Quando vi, a diminuta senhora já estava trocando de posição e era a Gabi quem deveria assumir o tear em uma situação que era mais festa do que aula.






Após alguns minutos, as mulheres se juntavam em volta dela, rindo, e as crianças em volta de mim, curiosas com a máquina fotográfica e o sujeito de barba que a manipulava.




Partimos para mais quatro horas de caminhada intensa, as escadas de pedra foram  minando a resistência das pernas e as paradas começaram a ser mais constantes. Senti meu coração mais forte e Gabi parecia cada vez mais cansada. Próximo das 15h, completamente ensopados de suor, depois de termos enfrentado forte sol, alcançamos o cume do dia. Dali para frente seriam só platôs ou descidas.

Namastê!
Nesse caminho, encontrei um pau que servia bem de bengala, um apoio a mais para enfrentar a montanha. Resolvi desfoliá-lo com o canivete e entrega-lo à Gabi que, como sempre, ficou super feliz com o presente.
Sempre sorridentes.
 A chegada à vila de Sirung, após mais de 2.500m do cume, fomos presenteados com sorrisos e um bom chá nepalês acompanhado de pipocas. Porém a emoção maior foi avistar o cume nevado de partes mais altas do Himalaia – absolutamente belo.
A vila de Sirung e mais mulheres tecendo.
Nosso abrigo essa noite é mais uma vez em casa de família. Simples, precária, mas com a generosidade que parece inerente aos nepaleses. Muitos sorrisos, o povo, apesar do pouco que tem, nos parece feliz.

Crianças que nos observavam enquanto almoçávamos.

Hoje, enquanto esperávamos o almoço, uma senhora muito enrrugada se aproximou de Gabi e espontaneamente lhe fez um carinho na cabeça, um cafuné sem pedir nada em troca, sem nenhuma palavra sequer ser trocada. Puro afeto. No fim, foi embora nos desejando um bom almoço.

Essa senhora fez um carinho genuíno na Gabi, tentando uma conversa numa língua que infelizmente não conseguimos entender. 
 Essa é a resposta à pergunta que sempre nos fazem “por quê dessa viagem”: para podermos viver momentos como esse, simples assim."


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