segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Bangkok - Thailand





A capital da Tailândia carrega uma responsabilidade enorme. Além de ser um dos principais centros comerciais do mundo todo, é também residência de tradições milenares como, por exemplo, uma monarquia altamente presente no dia a dia dos seus cidadãos.

Palácio Real. 
É ela que fez a primeira ponte entre o mundo ocidental e oriental, numa complexa transição cada vez mais adaptada para o volume exponencial de turistas que acham bonito se jogar no exotismo desta pequena porção do mundo asiático.

Escultura na incrível feira de Chatuchak.
Imbuída de fazer o enlace destes dois mundos, Bangkok se apresenta como uma cidade ultramoderna e organizada, onde os seus habitantes estufam o peito para dizer que esta é a única cidade da Ásia onde o número de carros supera o de motocicletas.

O transporte pelo rio também funciona bem e é uma boa dica para se locomover pela cidade. 
Ali a turistada se sente em casa com as largas avenidas, Burguer Kings e Starbucks em cada esquina e muitos 7Eleven para comprar suas guloseimas ocidentais. 

Turistas no Palácio Real.
Por outro lado, as constantes demandas deste mesmo público por sexo, drogas e baladas (nesta ordem) faz com que o turismo ali esteja cada vez mais agressivo.

Khao San Rd: o terror ou o paraíso. Depende da sua faixa etária (mental).
Um bom exemplo é a Khao San Road, uma das ruas mais famosas de Bangkok. Fomos seduzidos por uma excelente promoção da Agoda e resolvemos arriscar ficar por lá apesar de todas as contra-indicações do Lonely Planet – que praticamente descrevia o lugar como a visão do inferno.

Não é aporta do inferno, só mais um dos portões do Palácio Real.
Pausa. Agora imagine a “Passarela do Álcool” de Porto Seguro (BA). Sim, aquela mesma que no auge dos seus 17 anos foi o sonho de formatura do colégio, onde todo mundo passava o dia dançando axé e bebendo até cair desacordado na sarjeta, quiçá em cima do próprio vômito - e achava lindo. Lembrou da cena? A Kaosan é exatamente isso, só que em proporções internacionais.

 
Olhem o letreiro do bar. Não precisamos dizer mais nada, não?
(Agora se você quer dar risada mesmo, imagine Ivan e eu chegando nessa situação.) Ali não tem limite de idade nem de vergonha alheia. Toda noite tem balada forte tocando Michel Teló remixado, acompanhado de cenas grotescas de meninos e meninas sem camisa fazendo competição pra ver quem toma vodka mais rápido de cabeça para baixo.

Jenny, Gabi e o "Seu Gualda"
É quase impossível passar pela rua sem ser assediado abertamente para comprar todo e qualquer tipo de droga – e, quando recusamos, teve até um cara que nos olhou indignado perguntando “mas por que não?!”. Mas como dizem, tudo é aprendizado: eu descobri, por exemplo, que um convite para ver mulheres jogando ping-pong não era exatamente para ver mulheres jogarem ping-pong. E por aí vai.

Detalhe do palácio.
Um dos únicos pontos favoráveis de se ficar na região é a proximidade com as principais atrações turísticas da cidade. A começar pelo Grande Palácio, uma das construções mais bonitas já feitas pelo homem. Erguido em 1782, foi durante 150 anos a residência da família real e corte tailandesa além de sede administrativa do governo.

Residência modesta... 

A riqueza de detalhes em cada centímetro das paredes, os jardins cuidadosamente desenhados folha por folha além das pinturas do chão ao teto de todas as paredes internas dos templos fazem dessa visita algo inesquecível. 



Foi sem dúvida nenhuma o conjunto de edifícios mais ricos esteticamente que vimos até agora na viagem, onde os olhos chegam a doer de tanto dourado e vermelho salpicados por mosaicos de espelhos e vidros que multiplicam as cores.


Cenas do Palácio Real.
A grande vedete do Palácio é o Templo do Buda de Esmeralda (Wat Phra Kew), um dos locais mais sagrados para os tailandeses que guarda uma relíquia milenar, alvo de guerras e disputas políticas: um buda de jade. 

E não é que o famoso Buda é pequnininho?
Encastelado no topo de um altar, a pequena figura fica quase tímida no meio de tantos ornamentos dourados guardada dentro de um suntuoso templo com paredes inteiras decoradas.


Sua importância, no entanto, é monumental: o início das estações do ano são oficialmente “demarcadas” pela mudança das vestimentas da estátua, que só pode ser feita pelo rei em pessoa – atualmente é o Príncipe Herdeiro que assumiu esta função, por conta das condições de saúde do Rei. 


São três uniformes finamente elaborados em ouro e pedras preciosas para cada uma das estações do ano: quente, fria e chuvosa. Quando fomos, a estátua estava vestindo sua versão de verão – a mais bonita!

Monges também tem direito a turismo! 
Ali perto fica o Wat Pho, um templo budista que desafia os limites imaginários daquilo que a capacidade humana pode empreender com relação a estética e beleza. Lá dentro, é possível apreciar a estátua do maior Buda reclinado do mundo bem como da maior coleção de representações do mesmo.

É impossível fotografar a estátua inteira. De fato monumental!
Ver uma imagem do Buda de 46 metros de comprimento e 15 metros de altura, inteira folheada a ouro é uma visão no mínimo emocionante. A precisão com que os artistas conseguiram representar o grau de serenidade deste gigante na passagem para o nirvana é mágica.

Estupas decoradas em Wat Pho.
Além dos detalhes dos olhos quase que sorridentes, dos braços confortavelmente apoiados ao lado do corpo, os pés são um espetáculo a parte. 

Inúmeros corredores guardam representações do Buda.

A sola dos dois pés descalços gigantes é inteira trabalhada em madre pérola, onde os 108 láksànàs auspiciosos (características do Buda) estão representados. Um espetáculo único para deleite dos olhos e da alma.


O templo de Wat Arum fica do outro lado do rio e fecha o triângulo dos três principais destinos turístico-religiosos de Bangkok. 

Wat Arun no começo da noite.

Além de ser inteiro decorado de pedaços de porcelana chinesa quebrados, num mosaico de cacos com infinitas texturas e padronagens, sua característica mais impressionante é uma torre central de 82 metros de altura.

Cacos de porcelana formam esse imenso mosaico.
Subir as escadas que levam ao topo é uma aventura para poucos: os degraus são absurdamente grandes e inclinados, criando uma sensação de vertigem inevitável! 

Subimos sem olhar pra baixo...
Definitivamente não é recomendado para quem tem medo de altura. Um dos pontos altos da nossa visita foi, na verdade, do outro lado do rio. 

Nossa companheira de aventuras Jenny "tocando o terror"!

No terraço do bar Amorosa, tomando Martini e ouvindo MPB, desfrutamos o pôr do sol acariciando a cidade e as luzes do templo se acenderem, num espetáculo que vai ficar guardado na memória. E o melhor de tudo: em ex-ce-len-te companhia – it can’t get any better than this!

Gabi e Jenny vendo algo muito importante, como o próximo drink a ser pedido.


Apesar do sistema de transporte de Bangkok ser impecável, com metrôs e trens de superfície super modernos e frequentes, essa região mais antiga não é exatamente bem servida de transporte público. A estação mais próxima fica um pouco distante da tal Kaosan Road e normalmente é necessário pegar um taxi.

 
E aqui vem um desafio muito interessante: conseguir pegar um taxista que use o taxímetro. Apesar dos taxis serem regulados por taxas definidas previamente e todos terem, teoricamente, que cobrar a corrida pelo valor do taxímetro, num país onde se tem pleno emprego, isso vira praticamente uma queda de braço entre o turista e o motorista.


Na prática, isso significa que talvez você tenha que parar uns dez taxis diferentes até achar algum que aceite te levar com taxímetro. No começo pode ser frustrante mas depois de alguma discussão chegamos à conclusão que o jeito mais “eficiente” era praticamente se jogar dentro do taxi, dizer o destino e afirmar decididamente para o motorista: “Meter! Meter!”. E com você já lá dentro, as chances dele te colocar pra fora eram menores – apesar disso ter acontecido uma ou duas vezes...


Mesmo para aqueles que são avessos a compras, a capital da Tailândia apresenta-se como um dos melhores lugares do sudeste asiático para se entregar a essa perdição. Tem de tudo e para todos os gostos: desde os shoppings mais chiques e modernos, até as feiras de antiguidades com todo o tipo de quinquilharia que é possível sonhar. 

Antiguidades na feira de Chatuchak.
A piração é tanta que em determinado momento Ivan encanou que queria comprar um cachimbo de ópio legítimo – uma relíquia maravilhosa (e  caríssima) que ainda é possível encontrar por estes lados.

Onde está Wally? 
Um dos mercados mais legais que visitamos foi o de Chatuchak, que só acontece aos finais de semana e é mo-nu-men-tal. Pense num labirinto grande e espalhado que tem de tudo, tudo mesmo, e é uma delícia se perder. É isso – vezes dez. 
Comidinhas de rua na imensa feira.
Sendo um pouco mais precisa: são 27 acres (!!) divididos em mais de 20 seções onde 15 mil barraquinhas vendem roupas, acessórios, calçados, móveis, artigos para casa, plantas, antiguidades, bebidas, alimentos secos, frescos e tantas outras cositas. É uma perdição, vale muito a pena reservar um dia inteiro pra se perder por lá.

Vai uma frutinha?
Numa dessas de explorar os mercados e feiras mais legais de Bangkok, tivemos a incrível oportunidade de conhecer um tradicional mercado de flores que acontece à noite. Tudo graças ao amigo Rafa Paulino que nos mostrou essas belezas. 




Além de ser uma experiência diferente (quem já foi num mercado que estava bombando as 11h da noite?) mais uma vez as dimensões e variedade de produtos são impressionantes. São flores de todas as cores, tipos e tamanhos que criam uma festa para os sentidos – notadamente o olfato, que desconhece tantos cheiros gostosos assim juntos. Imperdível!



Agora, queridos leitores, deixamos esta parte por último porque ela é muito, mas muito importante. Quiçá “O” elemento mais importante da Tailândia: A COMIDA. Não, se você ainda não veio para cá você nunca comeu comida tailandesa de verdade – e portanto ainda não provou de uma das maiores experiências gastronômicas do planeta azul e de todas as galáxias.

Eu devorando nossa última refeição de rua em Bangkok. (Foto celular).
É tudo isso que dizem – e mais, muito mais. É uma explosão de texturas, sabores e condimentos combinados que até agora não encontramos em nenhum outro lugar – pelo menos na variedade com que eles apresentam por aqui. São pratos com ingredientes que vão deste o papaia e manga verdes, passando por salada de carne porco apimentado, farelo de peixe frito, espinafre d’água refogado em molho de ostras e sorvete de coco fresco com gelatina.


E tudo é maravilhoso, sem exceção. Tradicionalmente os pratos da culinária tailandesa estão baseados na combinação harmônica de alguns elementos: azedo, doce, salgado, amargo e apimentado. Há ainda uma preocupação constante em criar uma experiência que resulte na mistura de diferentes texturas e elementos visuais atrativos nos pratos – o que faz com que o seu paladar fique “tilitando” a cada garfada.

Ah, as comidas de rua...
Somado a isso, há uma tradição milenar de comida de rua por aqui e, neste sentido, os melhores pratos vêm servidos em mesinhas com cadeiras de plástico num grau de informalidade e de uma forma tão genuína que só são possíveis neste tipo de experiência. Acima de tudo, os tailandeses primam pela limpeza e qualidade das suas banquinhas, o que faz com que a maioria da população trabalhadora só coma na rua e tenham suas preferencias entre o “pad thai” de uma esquina ou o “green curry” de outra. É claro que uma dorzinha de barriga acaba acontecendo, mas dá pra ir sem medo!

E tem frutas também, e essa é a Godzila do país. De tão fedido o Durian é proibido em locais públicos.
Os restaurantes, por sua vez, têm que se esforçar para criar diferenciais atrativos e competir em preços e qualidade com a culinária de rua – e no meio dessa disputa, quem se dá bem somos nós! Como tudo em Bangkok, existem opções para todos os gostos e bolsos e vale pesquisar bem antes de ir a um restaurante específico tendo em vista que as opções são milhares – ainda que dificilmente você vá cair numa roubada.

Os ingredientes in natura em um mercado.
Nós tivemos, mais uma vez graças ao Rafa Paulino, a oportunidade de jantar num daqueles lugarzinhos reservados que só os locais conhecem. O Lai Thai fica na antiga casa do escritor italiano Tiziano Terzani e além de ser um primor da arquitetura local (com direito a obras de arte e esculturas em torno de um charmoso lago com carpas) tem pratos espetaculares a um preço excelente.

Camarões secos!
Em outra oportunidade, nos aventuramos pelas ruas de um bairro mais comercial de Bangkok e fomos parar em uma biboca onde a especialidade era frango frito. Regados com uma boa Singha gelada, comemos aquele franguinho crocante espetacular, acompanhado de morning glory (um vício que eu adquiri da Jenny), arroz grudento e salada de carne de porco apimentada.

Salada de porco! Tem invenção melhor??? (foto celular).

Tudo isso para dizer que a culinária tailandesa é um espetáculo à parte e que deve ser aproveitado sem restrições. O melhor acompanhamento, em todos os momentos (inclusive numa terça de manhã) é, sem dúvida, uma Singha geladíssima. Então, recado dado: faça um favor a você mesmo e se jogue sem culpa nesse universo maravilhoso.

Gabi e sua Singha: "eu agarantcho!"
Finalmente, nós amamos Bangkok e por um motivo muito especial – mas que vai ficar em detalhes no “Laços pelo Mundo”: pela companhia da Jenny e Rafa. Com a sua paixão pela cidade, simpatia desmedida e fome de explorar ao máximo a cultura local (principalmente pela boca) eles fizeram da nossa chegada à Tailândia uma experiência única.

Faltou o Rafa!
E hoje a gente não sabe ainda se gostou tanto de lá pelo entusiasmo que absorvemos dos dois pela região, porque a risada deles fez tudo mais gostoso ou simplesmente porque a cidade é muito bacana mesmo. Mas o fato é que a capital tailandesa é muito especial em seu aspecto multicultural e dinâmica única – e quem for pra lá certamente não vai se arrepender.


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