segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Hoi An - Vietnam







 Quando a minha mãe me perguntou qual era o lugar que eu gostaria de ter ficado mais tempo minha resposta foi certeira: Hoi An, no Vietnam. 

Nessa cidade chuchuzinha no centro do país é fácil perder a noção do tempo e simplesmente se apaixonar pelo ritmo preguiçoso do lugar: uma praia maravilhosa, excelente gastronomia, templos e cafés espalhados pela cidade em meio a milhares de lojinhas de design (além dos internacionalmente famosos alfaiates) fazem de lá o lugar certo para relaxar num clima rústico-moderninho mas que, felizmente, ainda bastante despretensioso.

A vendedora de luz.


Para chegar lá, fomos pela estrada saindo de Hué, uma viagem de meio dia que passa por paisagens maravilhosas pela serra que vai beirando o mar. Paramos em alguns pontos no meio do caminho para conhecer antigos fortes usados pelos americanos durante a guerra.


A estrada vai beirando o mar.

As opções de acomodação em Hoi An são várias e é possível encontrar boas promoções principalmente pela Agoda – na nossa opinião um dos melhores sites de pesquisa de hotéis para a Ásia. 

Ruas de Hoi An.
Como a parte mais turística da cidade não é muito grande, a maioria dos lugares oferece bicicletas para que os hóspedes possam desfrutar de tudo a pé – como foi o nosso caso, uma maravilha!



Nossa primeira pedalada foi até a praia principal, uma faixa de areia branquinha (e escaldante!) que se estende por alguns quilômetros numa baía que faz o mar parecer um lago, de tão calmo. 

Praia Vietnam style!
Os coqueiros que margeiam a praia junto com um calçadão nos lembraram do Brasil, mas felizmente Má e Castilho estavam ali com a gente pra aplacar a saudade e fazer muita bagunça, do jeito que a gente gosta.

E a praia ainda é boa!!!
Já do outro lado fica o centro mais antigo de Hoi An, onde os restaurantes, lojas e atrações turísticas estão concentradas. 

Uma das inúmeras lojas de roupa.
Num ritmo bem Vila Madalena hippie-chique, a variedade de restaurantes e cafés é imensa, oferecendo desde comida tradicional da região, passando por uma gastronomia mais fusion que combina influências dos dois lados do globo e também os tradicionais pratos ocidentais. 

Restaurante-barco na beira do rio.
Ali tivemos dois lugares que marcaram bastante nosso paladar. O Morning Glory é um restaurante com ambiente muito bacana, situado dentro de uma antiga casa tradicional chinesa combinada com uma decoração rústico-moderna. Os pratos seguem a mesma linha, são elaborados por uma renomada chef local que reinterpreta elementos da culinária do país, dando um ar mais contemporâneo a velhos conhecidos. Impecável!

Ruas de Hoi An.
Já o Cargo Club segue um padrão mais internacional, com pratos familiares ainda que combinados de forma original e com uma execução excelente. Os ingredientes usados são locais, de excelente qualidade e trazem um frescor único ao menu – comi um atum selado com crosta de gergelim e molho de wasabi que foi simplesmente o melhor da vida. Eles também têm um café com uma pâtisserie de colocar inveja em qualquer francês e a Má pôde finalmente matar a vontade de um expresso.

Entardecer nas ruas de Hoi An.


E o que falar das lojinhas? Sabe quando parece que um designer vai puxando o outro, numa sequência de bom gosto e qualidade que não acaba? É exatamente isso! 


Inspirados na vestimenta tradicional, usando materiais que são próprios para o clima da região (muito linho, muita seda) e adicionando um toque autoral, as peças adquirem personalidade e carisma de jeito que toda vez que foram usadas, vão levantar um sorriso de canto de boca.


Templo budista.
Má e eu demos vasão a todos os nossos impulsos consumistas e ficamos horas vendo os detalhes de uma ou outra blusinha de seda, roupas de cama bordadas a mão, peças de cerâmica pintadas artesanalmente e calças de linho com tingimento natural. 

Produção artesanal de lanternas.
Os preços são condizentes com a qualidade do material e valor artístico – e portanto ficam acima do padrão do país – mas de longe não chegam a custar o valor que teriam no Brasil. Vale muito a pena.


É nesse mesmo centrinho (que tem a circulação fechada para carros) que um pequeno rio corta a cidade – e o fator “chuchuzex” duplica. 


Pontes de madeira escura decoradas com antigas luminárias chinesas ligam os dois lados servindo também de plataforma para incansáveis brincadeiras das crianças. 


Um passeio pelas margens do rio no final da tarde é simplesmente maravilhoso, naquele ritmo de praça da igreja matriz em cidade do interior.

Vendedora de velinhas brinca de se esconder da câmera.
E este é, sem dúvida, um dos melhores pontos da cidade para se aproveitar o pôr do sol. Não só pela luz amarelada que é comum a este momento específico do dia e faz a alegria dos fotógrafos, nem tanto pelo evento do sol se pondo mas sim, e somado a tudo isso, pelo festival de lanternas coloridas que começam a se ascender nas pontes e margens do rio. 

Rede de pesca chinesa e um pôr-do-sol incrível fecharam o dia com majestade.
Milhares de luzinhas de papel colorido descem de vagar pelo leito do rio, criando um espetáculo doce de luzes e sombras.


Ao cair da noite as ruas tornam-se mais agitadas pela quantidade de pessoas passeando, comendo, brincando e conversando por ali. Intervenções culturais tomam conta das ruas e os artistas fazem desde pequenos esquetes, passando por música e até apresentações de grupos mais elaborados no meio da praça.

A cidade se ilumina e sai pra noite!
Hoi An é reconhecida como patrimônio mundial pela UNESCO pelo seu centro antigo ser um extraordinário exemplo (e muito bem conservado) dos entrepostos comerciais do sudeste asiático dos séculos XV ao XIX. As ruas e construções combinam influências indígenas e estrangeiras, atribuindo à cidade uma rica herança cultural. É possível conhecer seus principais marcos por meio de um tíquete com validade para três dias e que dá direito à entrada em cinco atrações culturais diferentes.

A ponte japonesa, marco da cidade.
Construída no final do século XVI, a Ponte Japonesa tornou-se praticamente o cartão postal de lá, tanto pelas suas fortes características nipônicas quanto por ser um símbolo de aproximação entre os povos. 

Interior da ponte.
Seu objetivo original era de estabelecer uma ligação física entre a comunidade japonesa que ficava na margem oeste do canal e os mercadores chineses que ficavam na margem leste. Ainda hoje dois macacos de pedra guardam a entrada da ponte que conta ainda com um pequeno templo taoísta situado no seu interior.


As casas históricas dos antigos mercadores que viviam no porto hoje se tornaram centros culturais ainda que, em algumas delas, as famílias continuem vivendo lá. 

É esta exatamente a situação da casa Tan Ky, uma antiquíssima "casa-loja" (shophouse) de dois andares que mistura influências chinesas, japonesas e vietnamitas. Sua construção data do final do século XVIII e os moradores mostram, orgulhosos, as marcas nas paredes de onde a água chegou nas últimas inundações - e de como aquela madeira resiste até hoje, tal qual a história da família.


E, finalmente, uma das principais atrações de Hoi An - na verdade quase uma febre entre os viajantes na faixa dos vinte/trinta anos - são os famosos alfaiates de lá, que prometem um terno feito sob medida em 24h. 

É claro que fomos ver os tais serviços com muita desconfiança e duvidando muito que essa conta fechasse, até que fomos surpreendidos. Não apenas o serviço é super profissional como os caras entregam mesmo, de verdade - e o "pior" é que fica bom. 

O maravilhoso mundo dos tecidos e roupas sob medida.
O preço varia conforme a qualidade do tecido que se escolhe para usar na confecção das peças, bem como no modelo que está sendo escolhido. E a propósito: a escolha é feita em vários laptops que eles têm à disposição, já conectados na internet caso você queria algum produto específico de uma marca internacional. Eles fazem exatamente igual ao solicitado, pedem para você fazer três provas de maneira a já ir adequando a peças às alterações solicitadas pelo cliente e voilá - o terno está pronto.

O pôr-do-sol mágico na ponte.
Ivan e Castilho fizeram algumas camisas, calças de alfaiataria e um terno completo. Todas ficaram supreendentemente boas e enquanto estávamos provando vimos outras pessoas com peças super bonitas, desde modelos mais tradicionais até uns super moderninhos. O preço varia bastante de acordo com a qualidade do material (um terno super 200 sai por mais ou menos US$ 150, as camisas de linho por US$ 30) mas o fato é que os caras sabem fazer alfaiataria masculina.



Um bico vietnamita.
Eu tentei fazer um subretudo de lã super grosso, o modelo ficou lindíssimo e a cor era perfeita, mas infelizmente eles erraram feio no corte e o casaco, apesar de lindo, simplesmente não me permitia levantar os braços. Os caras fizeram de tudo, absolutamente tudo para consertar o defeito, praticamente tentaram refazer a peça toda mas não teve jeito, não consegui levar.




Eu já tinha ouvido de uma colega viajante que as roupas para mulher não ficam boas porque eles não trabalham muito bem com as proporções do corpo feminino - e de fato acho que vale apostar na alfaiatria para homem. 

Os meninos saíram super felizes de lá e com alguns ajustes as peças ficaram perfeitas! Castilho disse que quando chegou em São Paulo e foi lavar um dos ternos, soltou muita tinta e o tecido do forro encolheu - também, não há mágica possível para esse preço. Mas no geral a experiência foi bem bacana e ainda que a durabilidade não seja eterna, os valores são muito bons!


O vermelho e o rio.

Para finalizar esse relato apaixonado sobre essa cidade chuchuzinho (quantas vezes vou falar isso, não? Mas é que Hoi é é isso mesmo, um chuchuzinho...) que fica no meio do Vietnam, estava pesquisando mais algumas coisas na internet e encontrei o desfeche perfeito. A origem etmológica da palavra "hoi an" (會 安) significa "lugar de encontro tranquilo". Precisa dizer mais alguma coisa?



Um comentário:

Paula Bicudo disse...

Post sensacional, estão de parabéns! Fotos lindas e texto leve. Adorei.

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