domingo, 18 de agosto de 2013

Hue - Vietnam






Nossa próxima parada no roteiro do Vietnã seria na cidade de Hué, que fica mais no centro do país e tem um amplo complexo cultural considerado patrimônio mundial pela UNESCO. Para chegar lá saindo de Hanoi, fizemos uma tranquila viagem de trem noturno que, além de ser um dos transportes prediletos do casal aqui, é um charme só, com cabines simples mas confortáveis e muito limpas.

Mercado central de Hue.
Além de ter sido a capital vietnamita durante mais de 150 anos no período imperial (séculos XIX e XX), hoje Hué respira ares mais joviais, possivelmente por conta da alta concentração de universidades e estudantes por lá. 

Túmulos e o azul.
A cidade também conta com o rio Perfume que corta-a ao meio e faz com que as diversas áreas verdes espalhadas por ali se tornem mais convidativas para uma caminhada ao final de tarde.


Os principais atrativos de Hué giram em torno de sua história milenar, a começar pelo maravilhoso complexo de palácios e túmulos funerários dos antigos senhores feudais. 

Stairway to Heaven ou a escada que leva aos céus.
Ali, construções de uma arquitetura exuberante e detalhada retratam a nobreza da época que contava com símbolos de riqueza importantes tais como elefantes e cavalos.

Túmulo de um dos últimos imperadores.
Os senhores das tradicionais famílias feudais que controlavam a região, viviam em palacetes que contavam com luxos como, por exemplo, ter um ambiente próprio para escrever poesia. 

Mandarins petrificados para servir ao imperador por toda eternidade.
A construção em pedra e madeira isolada no meio de um lago forrado com flores de lótus não poderia ser fonte de inspiração mais adequada para a atividade poética – e até hoje, ali está.

 
Após a morte destes imperadores, a família se encarregava de converter os aposentos em parques funerários, onde a memória do falecido ainda se manteria viva. Nas salas internas, mosaicos de inúmeras cores e formatos dão uma alegria serena ao local enquanto do lado, de fora, num pátio de pedra, estátuas dos fiéis mandarins que compunham a corte real lembram que a sabedoria é imune ao tempo.

Construção militar em frente ao palácio.
Outro passeio imperdível por Hue é conhecer a Cidadela ou antigo Palácio, uma construção fortificada que ocupa grande parcela da parte norte do Rio Perfume. 

O dragão: símbolo imperial.
Ali dentro, numa reprodução bastante similar (ainda que em menor escala) à Cidade Proibida chinesa, apenas os imperadores, família e concubinas juntamente com um grupo restrito de sua corte poderiam entrar – sob pena de morte.

Meu pai o imperador!
Mais uma vez a riqueza arquitetônica de todos os edifícios impressiona, numa combinação extremamente harmônica de construções, espaços abertos, jardins e passarelas. 

Passarelas em vermelho e dourado. Tudo sendo reconstruído.
As cores predominantes são dourado e vermelho, descrevendo o poder dos senhores feudais em coberturas de laca chinesa brilhante e ornamentações folheadas a ouro.

Todos em uma foto!
Durante a Guerra do Vietnã, Hué foi duramente atacada por conta de sua posição estratégica, localizada geograficamente entre aquilo que separava a porção norte (vietcong) e sul (controlada pelos EUA) do país. 

Jardins do palácio.
A Batalha de Hue resultou em um dos combates mais sangrentos do período, onde ambos os lados sofreram inúmeras baixas e os edifícios históricos foram duramente bombardeados, por serem um símbolo de poder e da história de lá.
Gabi encarou o bicho, e ele saiu correndo...
O antigo Palácio foi um dos patrimônios históricos mais danificados na época e, mesmo após a vitória do regime comunista, foi considerado um resquício do período feudal – e, portanto, teve seu valor cultural negligenciado. Posteriormente o governo começou a empenhar esforços para restaurar parte do que havia sido destruído, retomando o sentido original do lugar.


Felizmente quando fizemos a visita, uma boa parte de uma das alas do palácio (inclusive a biblioteca) estava sendo completamente restaurada. 


As colunas todas cobertas com laca vermelha ainda estavam brilhando e as telhas tradicionais chinesas, em tons verdes e com acabamento em cerâmica estavam sendo repostas. De quebra ainda tivemos a oportunidade de ver o trabalho de restauração sendo levado a cabo por especialistas.


Num dos nossos passeios pela cidade, decidimos visitar um dos mercados centrais, onde vende-se de peixe à eletrônicos. 

Vendedoras de peixe.
Má e Castilho se divertiram experimentando os chapéus de palha tradicionais e nós andamos por entre roupas, carnes frescas, relógios, material de construção, vegetais e muitas quinquilharias.

 
Já num final de tarde, passando por um templo budista na beira do rio, fomos surpreendidos por um grupo grande de alunos que estavam tendo aula de Kung Fu, no pátio da frente do templo. Numa sequência de golpes ritmados, os alunos seguiam atentamente as orientações ditadas pelo professor que corrigia as posturas, um a um.

Garotos treinam Kung Fu em mosteiro Budista, nada mais oriental.
A cidade imperial é ponto de parada obrigatório em qualquer visita ao Vietnam. Só ali se dimensiona um pouco do que era o pais antes da revolução comunista e como a vida da família imperial era regida por luxos e tradições em uma escala de grandeza sem igual. 



É certo que com os comunistas e depois a guerra muito dessas tradições e história se converteram em mera ruína e é bonito ver como hoje o país volta seus olhos para esse pedaço de sua história e transforma novamente palácios e túmulos em cultura e herança para as próximas gerações.

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