sábado, 24 de agosto de 2013

Kuala Lumpur - Malásia






O meu tio, produtor de borracha no interior de São Paulo, sempre ia fazer umas viagens a trabalho para lugares super exóticos - e a alegria dos sobrinhos era descobrir os objetos estranhíssimos que ele trazia na mala. Numa dessas ele trouxe um quadro meio azulado, com seringueiras estilizadas e um nome escrito em cima: Kuala Lumpur, Malaysia. Agora, era ali que estávamos desembarcando, numa das capitais mais esperadas da nossa volta ao mundo. 


Fontes que dançam no centro de KL.
Nossa primeira impressão ainda dentro do taxi, enfrentando o trânsito caótico da cidade foi: "isso aqui é a cara de São Paulo". Largas avenidas, shoppings por todos os lados, aquela correria típica de metrópole e os ambulantes vendendo de comida a capinha de celular trouxerem lembranças de casa para a nossa memória já saudosa. E se o impacto inicial pode ser uma selva de pedra, a urbe esconde suas belezas que precisam ser descobertas com calma e paciência.

Corte Superiora Malásia vista do imenso gramado em frente.
Como toda grande cidade, as atrações acabam sendo na variedade de opções para compras, hospedagem e alimentação. Mais uma vez é possível encontrar praticamente de tudo, atendendo dos gostos mais exigentes aos bolsos mais exíguos, ainda que o centro turístico da cidade esteja um pouco mais voltado para o mercado de luxo. 

Museu da cidade.
Os shoppings estão por toda parte e oferecem filiais das principais marcas internacionais em lojas grandes para atender o apetite dos clientes que vêm de diferentes partes do mundo para fazer compras.

O auge do comércio de luxo fica concentrado no Pavillion e arredores, onde é possível dormir no Ritz-Carlton e fazer compras na Armani, Marc Jacobs, Channel e companhia limitada a precinhos astronômicos. 

Shopping Pavillion, um dos mais chiques da cidade. (foto celular)
Para os fanáticos por eletrônicos, vale uma visita ao BB Shopping no qual os quatro andares são reservados exclusivamente para artigos eletrônicos que vão desde computadores, máquina fotográficas, celulares, impressoras, etc.

Gabi passeia no centro histórico.
Numa metrópole deste tamanho - são mais de 1,6 milhões de habitantes - escolher uma boa localização é determinante para o tipo de experiências que será possível desfrutar na cidade, seja pelo risco de ficar horas preso no trânsito, seja pela segurança. Aqui vale uma dica importante: ficamos no bairro de Bukit Bintang, uma excelente opção para quem quer ficar no centro da cidade, do lado de boa comida e bebida, mas ainda quer ter uma boa noite de sono.

Detalhe da Praça Merdeka.
Mais uma vez procurando promoções na Agoda, descobrimos o Hotel Berangan, uma pousada bem bonitinha que acabou de abrir, onde os quartos não são grandes mas têm o necessário: banheiros, limpeza e ar condicionado. A internet é boa, eles têm uma cozinha comunitária equipada com microondas, torradeira e chaleira e a localização não poderia ser melhor.

Uma das maiores belezas da cidade é sentir, assim que se chega nela, sua multiculturalidade. Composta basicamente por uma mistura de influências indianas, chinesas e muçulmanas, os malaios orgulham-se de ter ali o melhor que a cultura de cada uma dessas etnias pode oferecer - e sem dúvida sabem tirar o melhor proveito disso.

Mesquita no centro da cidade.
Do hotel fazíamos praticamente tudo a pé, a começar por uma das maiores perdições gastronômicas de Kuala Lumpur: a Jalon Alor. "Jalon" significa "rua" em malaio e "Alor" certamente deve significar "gula" porque esta rua inteirinha é dedicada a todo o tipo de prazer culinário que se pode encontrar no país.

Quando chega por volta das 18h a rua praticamemnte é fechada para carros pela quantidade de mesas e cadeiras de plástico que se estendem pelo asfalto juntamente com as barraquinhas de vendedores ambulantes. As lanternas japonesas se ascendem criando um clima de feirinha em meio a uma quarta-feira agitada de trabalho, onde os engravatados, mães trazendo os filhos da escola e universitários tomando uma cerveja param para o jantar.

Museu dos tecidos.
No cardápio tem de tudo - e o "pior" é que tudo parece delicioso. Passar pelas mesas é uma tentação e aos poucos sua boca enche d'água só de sentir o cheiro dos pratos que as pessoas estão comendo. Depois de explorar um pouco as opções de restaurantes, nos sentamos naquele que os pratos pareciam mais deliciosos - e foi uma escolha acertada.


Nos deliciamos com couve frita com alho, carne de porco com molho e gengibre, raia grelhada na manteiga e baby repolho com molho de ostras. Uma orgia gastronômica pra ninguém botar defeito, acompanhada de uma Tiger (não muito) gelada. Para ter uma ideia do grau da delícia, voltamos lá todos os dias - e semanas depois quando meus pais chegaram, essa foi a primeira coisa que fizemos e eles simplesmente amaram!

A entrada não oficial de China Town.
Um ponto bastante turístico da cidade é a Chinatown de Kuala Lumpur, também conhecida pela rua que lhe dá apelido, a Petaling Street. Ali são oferecidos todo tipo de bugiganga, principalmente as famosas 'imitações legítimas' de bolsas, calçados e relógios de grandes marcas de luxo internacionais. (Detalhe: quem quiser entrar no obscuro mundo das falsificações, tem que saber que até elas são graduadas por nível de qualidade, sendo a A1 'praticamente original' e A3 a pior).

A confusão de China Town.
Saindo dali a pé, dá para continuar direto no Mercado Central, outro atrativo da cidade. A construção é do final do século XIX e depois de ter passado por uma ampla reforma, virou um oásis com ar-condicionado para aqueles que querem fazer mais umas comprinhas. 

Mercado Central.
As lojas estão todas organizadas em seções específicas com nomes que dão uma ideia do tipo de produto que pode ser encontrado ali - como "Little India", "Antiques", "Little Kashmir", etc.

Interior do mercado.
Para aqueles que ainda tiverem fôlego, saindo dali é possível fazer uma caminhada até a Merdeka Square, um passeio bem gostoso de se fazer num dia bonito. Essa praça da independência não atrai apenas pelo seu amplo gramado central mas também - e principalmente - pelos prédios que a cercam. O destaque é o Sultan Abdul Samad Building, construído pelos britânicos em 1897 inspirado na arquitetura mughal indiana que já casa da Corte Suprema e hoje abriga o Ministério do Patrimônio, Cultura e Artes.

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Ali ao lado fica também a Kuala Lumpur City Gallery, um centro de promoção da história e patrimônio cultural da cidade, financiado pelo grupo empresarial ARCH. Entre exposições fotográficas que resgatam a história da capital, é possível ver de perto uma maquete profissional de KL além de vários souvenirs feitos em mosaico de madeira, uma forma de arte tradicional do país.

Finalmente, as Petronas Tower são o grande cartão postal da cidade, resumindo em si toda a modernidade e desenvolvimento pelos quais o país vem passando. Ficar lado a lado com estes gigantes dá a impressão de se estar vivendo no cenário de algum filme futurista, onde o mocinho é um robô e a mocinha veste um tailleur de couro prateado.
Petronas vistas da Jalan Alor. (foto de celular)
Logo abaixo das famosas torres, há um aquário que nós fomos visitar quando meus pais estavam por aqui - e foi muito legal! A atração, apesar de majoritariamente voltada para o público infantil, é super bem estruturada e conta com várias espécies de peixes, répteis e mamíferos das florestas tropicais de todo mundo - tem dois pirarucus e-nor-mes num dos tanques! Para quem gosta de natureza e mergulho, vale a pena se aventurar pelos painéis explicativos e aproveitar o túnel que passa por dentro do tanque maior onde tubarões, raias e garoupas fazem a alegria da criançada.

"KL", como é carinhosamente chamada pelos íntimos, é mais uma desta metrópoles em crescimento que anunciam as novas potências que estão por vir. Exibindo o que há de ponta em tecnologia e desenvolvimento econômico, uma das suas maiores riquezas está na multiplicidade cultural que compõe seu tecido social e se reafirma na arquitetura e gastronomia.


Um comentário:

Marcos disse...

Magra demais, vê se come um pouco ae casal!!

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