terça-feira, 27 de agosto de 2013

Kuching - Malaysia




Muitas vezes durante essa volta ao mundo tivemos que parar nossa rotina semi-alucinada de absorver tudo o que passa em nossa volta para dar um tempo para as coisas assentarem na cabeça e no coração. As vezes por necessidade do corpo – afinal não há fim de semana ou feriado - , as vezes por imperativo de programar algo maior que viria a seguir.

A calma do rio em Kuching.
Quando decidimos ir a Kuching os dois motivos se encontraram. Em poucos dias os pais da Gabi atravessariam o mundo para nos encontrar ( e assim teríamos que planejar todo o roteiro com eles) ao mesmo tempo em que nós dois precisávamos de uma folga para respirar um pouco depois de muitos dias sem parada.

Ao deixarmos o Parque Nacional de Mulu optamos pela capital de Sarawak (um dos dois estados malaios na ilha de Borneo), para aproveitar os privilégios de cidade grande para acertar o futuro e o fôlego também.

Central da polícia em centro histórico.
É claro que a escolha não foi aleatória, afinal queríamos ver os orangotangos da reserva natural de Semenggoh - oque foi um excelente bônus nos 5 dias que passamos basicamente trabalhando no atraso deste querido blog e no agendamento de hotéis, compras de passagens e reservas de transporte entre Malásia e Indonésia, nossos próximos destinos.

Confesso que foi uma semana mais interna no nosso excelente albergue (um dos melhores de toda viagem!), o Singgahsana do que qualquer outra coisa, mas até que deu pra aproveitar o que a cidade tinha de melhor.

O novo amigo, Peter.
Como sempre nessa viagem, nunca estamos sozinhos e desde Mulu estávamos acompanhados de um novo amigo (em breve no Laços pelo Mundo), o Peter. Ele é um londrino que está a seis meses desbravando o sudeste asiático e se juntou a nós para esse trecho Mulu-Kuching. Ficamos todos no albergue e juntos fomos conhecer uma das principais atrações da cidade, o Santuário de Orangotangos de Semenggoh.

Mãe e filhote, os primeiros a nos saudar.
O parque é bem manjado pelos turistas da região e conta com dois horários de alimentação dos macacões em que é dada a certeza do encontro com os primatas. As 10h30 da manhã e as 4h da tarde alguns tratadores deixam comida para os animais em épocas que eles não encontram alimentos suficientes na mata que forma o parque.

O macho dominante. Sua presença fortíssima.
Como estávamos nessa época, pontualmente no primeiro horário tivemos o privilégio de estar cara-a-cara com o bichões de pelo alaranjado. Foi incrível. Mais uma vez a reminiscência de nossa experiência com os gorilas em Uganda voltou à mente e foi como se nos conhecêssemos já à muito tempo.

O jovem desafiante. ainda falta alguns anos para ele ter condições de ser o líder do grupo.
Apesar do encontro forçado – os animais estavam ali para comer - tudo é muito natural, tudo do jeito deles, e não nosso. Isso faz com que a experiência difira muito de ver os bichos atrás das grades de um zoológico. Aliás, mesmo aqui não tem nada de grades, e os animais passam por cima de nossas cabeças o tempo todo, seja pelos galhos das árvores, seja pela cordas esticadas por sobre o pátio.

Vale a pequena viagem até o santuário e os 40 minutos que se passa observando os macacos comerem suas bananas, ovos cozidos e demais alimentos oferecidos pelos rangers.

O mcho dominante se apresenta.
Kuching também é conhecida por ser uma das cidades mais multiculturais da Malásia. Além das migrações chinesas, uma constante no país, é ali que estão representadas algumas tribos de Borneo, formando um caldeirão de culturas nativas da ilha somadas à origem muçulmana dos tempos do sultanato de Brunei além dos “estrangeiros” que vieram depois.

Um passeio bacana que infelizmente não fizemos foi passar uma noite em uma “long house”. Trata-se de casas coletivas construídas sob palafitas pelas tribos na beira dos rios e que chegam a abrigar mais de cem pessoas divididas em cômodos familiares. O mais interessante é que boa parte dessas comunidades vivem assim até hoje.

Museu de Etnologia de Kuching.
Apesar de não termos tido essa experiência pudemos aprender bastante sobre as diferenças arquitetônicas e culturais dessas casas e tribos no museu de etnologia de Kuching, um local bacana para tardes chuvosas na cidade.

Interior do museu.
Outra curiosidade interessante é o Kek Lapis. Essa iguaria local nada mais é do que um bolo em camadas finíssimas que originalmente faz parte da celebração de uma data especial. Além de muito gostosos, são super coloridos e pode-se encontrar em qualquer lugar. Comemos um com camadas de chocolate com cobertura de cream cheese que estava fantástico!

Muitas opções coloridas de Kek Lapis.
Uma dica bacana é tirar uma tarde preguiçosa e caminhar na beira do rio, comendo um Kek Lapis ou tomando um sorvete para depois atravessar e jantar em uma das diversas barraquinhas de comidas típicas que se concentram ao lado da Assembleia Legislativa de Sarawak, um passeio mais que saboroso.

A Assembleia Legislativa à esquerda e o calçadão à beira rio na outra margem.
Kuching é uma cidade grande que conta com todos os recursos ocidentais que um viajante cansado dos perrengues da estrada pode pedir. Aqui tivemos internet rápida, boa comida e um hotelzinho mais do que confortável.


Com o fim de nossa estadia estávamos com tudo programado para os próximos destinos e com o corpo e alma prontos para voltar a absorver novas lições que o sudeste asiático tinha a nos ensinar. Nos despedimos do Peter e rumamos para um dos lugares mais esperados por nós desde os mergulhos no mar vermelho: Sipadan, a Meca dos mergulhadores! Mas isso fica para o próximo post...

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