quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Siem Reap & Angkor - Camboja



Eu me lembro da primeira vez que tomei conhecimento de Angkor Wat. Estava explorando a antiga coleção de National Geographic's do meu pai, quando me deparei com a capa de Maio de 1982 que trazia o rosto de uma estátua gigante tomada por folhas e raízes. 

A reportagem falava sobre um conjunto de templos perdidos no meio da selva e "re-descobertos" (depois do fechamento pelo Khmer Rouge), cheio de mistérios a serem desvendados. Aquilo pra mim era a exata descrição de um parque de diversões no melhor estilo Indiana Jones - e passados sei-lá-quantos-anos vocês podem imaginar meu estado de excitação ao conhecer este lugar. O Ivan então, que sempre quis ser o próprio Indiana, nem dormir conseguiu.

Uma das entradas laterais de Angkor Wat.
Siem Reap é o ponto de partida para conhecer as famosas ruínas e, como toda cidade que sofre do mal de ser base para um super-ultra-mega ponto turístico, suas funções giram quase que exclusivamente entorno do turismo voltado para estrangeiros. Nesse ponto, lojinhas de souvenirs e bugigangas são abundantes, vendedores que ficam tentando te empurrar cartões postais também, mas as opções de hospedagem e alimentação são largas.


Dançarinos fantasiados de personagens folclóricos do Camboja no templo de Angkor.
Em mais um dos nossos rompantes de promoções da Agoda, pegamos uma pousada bem bonitinha que prometia quartos amplos, piscina (!!) e café da manhã a preços acessíveis. 

Assim que chegamos fomos descobrir que a pegadinha estava na localização, a pelo menos 20 minutos de tuktuk do centro, completamente isolada da cidade.


O Templo de Bayon, um dos favoritos do Ivan.
Mas no balanço final o Dyna Boutique Hotel valeu a pena, com quartos super confortáveis, daqueles que dão vontade de ficar espreguiçando na cama. A área do restaurante e da piscina são muito gostosas, com várias plantas e flores em volta, criando um clima de cachoeira no meio da floresta. 


Apsaras, ou as ninfas de Angkor Wat.
Em uma tarde onde todos estavam completamente moídos depois de passar o dia todo explorando as ruínas, aproveitamos bastante o sol e a piscina - mesmo debaixo de uma chuva torrencial de monção.


Cá e Má (ou pai e mãe) também se divertiram no maior templo do mundo.
O hotel oferecia transporte gratuito de ida para o centro da cidade o que nos permitiu conhecer um pouco mais de Siem Reap. Na rua principal, vários bares e restaurantes prometem uma noite animada, oferecendo pratos tradicionais da culinária local (super recomendados!) e também opções mais internacionais. Uma cerveja (criativamente batizada) Angkor gelada é garantida em qualquer um deles e para finalizar a noite vale a pena tomar um sorvete na Blue Pumpkin, uma padaria mais moderninha de lá.

Stupa dentro de um dos templos do complexo de Angkor, conhecida como "a vela"

O Mercado Noturno não tem muitas novidades se comparado com os vários mercados asiáticos que já falamos aqui no blog. Basicamente é um pouco mais do mesmo só que agora com o símbolo de Angkor Wat bordados ou estampados nos mesmos souvenires. 

O que sem dúvida vale a pena é parar em uma das várias barraquinhas de massagem que ficam no meio da rua "pescando" os turistas para fazer pelo menos uns 15 minutos - por U$ 5 dá pra ficar uma hora inteirinha. A sensação de alívio depois de vários dias batendo perna pelos templos intermináveis é divina! Mas vamos ao que interessa:

PARQUE ARQUEOLÓGICO DE ANGKOR


A entrada para Angkor Wat.

O Parque Arqueológico de Angkor é um dos sítios arqueológicos mais importantes do Sudeste Asiático. O parque se estende por mais de 400 quilômetros quadrados - o que equivale a quatro vezes o tamanho da cidade de Paris. As ruínas de diferentes capitais do Império Khmer datam do século IX ao XV, sendo os templos mais famosos o de Angkor Wat e o de Bayon, em Angkor Thom, além de Preah Khan e Ta Prohm.


Estátua de Vishnu recepciona os visitantes.
Monumentos espalhados por todo o parque são testemunho de uma civilização excepcional, com uma complexa estrutura social e simbólica, onde cada construção é imbuída de um profundo significado. Desta maneira, Angkor é um lugar que congrega valores culturais, simbólicos e religiosos inestimáveis para a humanidade, calcados em inúmeras representações arquitetônicas, arqueológicas e artísticas.


Um dos corredores do templo. Não, não é um espelho, é a profundidade do corredor. (aumente a foto para ver melhor) 
Em 1992 o lugar foi reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o que permitiu que fundos fossem direcionados para sua conservação, além de aumentar a responsabilidade do governo cambojano em investir recursos na sua manutenção. A riqueza de sua história, o valor arquitetônico, a complexidade multifatorial das relações sociais que estes monumentos representam são inimagináveis.


Em todo corredor mostrado na foto acima há um alto-relevo esculpido em pedra contando a história de uma das guerras do Mahabarata.
Por sua vez, Angkor Wat é "só" o maior maior monumento religioso do mundo. Não é a toa que seu nome significa "Cidade dos Templos": na verdade, trata-se de um complexo imenso de construções que reúnem-se em torno daquilo que poderia ter sido considerada uma metrópole à época.


Piscina em pátio interno de Angkor Wat.
Sua construção teve início no começo do século XII sob o comando do Rei Khmer Suryavarmman II que fez de lá a capital do império. Rompendo com a tradição dos reis que o precederam, Angkor Wat foi dedicada a Vishnu e não à Shiva. Hoje é o templo melhor preservado em homenagem a esse deus apesar de ter sido modificado algumas vezes para se transformar em um recinto budista.


Dois edifícios marcam a entrada do templo em Angkor. São duas bibliotecas que guardavam o controle econômico e financeiro do templo, além da história do lugar.
O Templo de Bayon marca o centro da capital de Jayavarman, Angkor Thom, e é um espetáculo sem igual. 


Os famosos rostos de Bayon.
Sua característica mais marcante desponta ao longe: 216 faces gigantes, com olhar sereno e altivo estão dispostas cobrindo a fachada da parte mais alta do templo. A sensação de ser observado por aqueles olhos colossais de pedra, que vêm o mundo desde os tempos imemoriais é indescritível, uma mistura de insignificância e compreensão.


A entrada do templo de Bayon.
Mesmo estando em Angkor, presencialmente, é difícil absorver tanta informação e beleza concentradas em ruínas que se multiplicam exponencialmente por vastos campos. 


Em alguns templos a natureza tomou conta do lugar.
Em 1586 um monge português que visitou o local (sendo um dos primeiros ocidentais a fazê-lo) relatou em suas cartas que o que viu era "uma construção tão extraordinária que não é possível descrevê-la com uma pena, principalmente porque não se parece com qualquer outro edifício no mundo."


Bayon e suas muitas faces.
Em meados do século XIX, o explorador francês Henri Mouhot publicou suas anotações de viagem na qual ele fala sobre sua visita a Angkor: "Um desses templos - um rival para aquele de Salomão, e erguido por algum Michelangelo antigo - poderia ter um lugar de honra ao lado dos nossos edifícios mais bonitos. É mais grandioso do que qualquer coisa que nos foi deixada pela Grécia ou Roma".



Talvez tão belo quanto a própria arquitetura do lugar é a maneira como ele está integrado com a natureza, num espetáculo em que fica difícil diferenciar o que é do homem e o que é da terra. Árvores imensas cresceram em cima dos templos, protegendo-os com suas copas frondosas enquanto suas raízes dão um abraço mortal nas paredes que cedem aos poucos. Depois de milhares de anos de história a lição ali exposta é que nada nem ninguém (nem o mais poderoso dos impérios) resiste ao tempo - e que tudo, em algum momento, volta ao pó.



As palavras destes dois não poderiam ser mais atuais - e é por isso que vamos deixar que Angkor fale por si, através das fotos que Ivan tirou. 

É por estas imagens belíssimas que esperamos que vocês possam ter uma ideia do gigantismo deste lugar sagrado, imenso em extensão e história e que ainda guarda boa parte de seus tesouros a serem descobertos. Ir para lá não é apenas um privilégio mas presenciar de forma única, o movimento cíclico da história onde civilizações dominantes ascendem e perecem num instante de milênios - e o que resta, hoje, são ruínas docemente engolidas por uma natureza implacável. Tem que ir.

ANGKOR WAT


Mistério.
Pátio interno.


Da série "I'm only happy when it rains."




Depois da chuva sempre vem o sol.

Mas a foto não está ao contrário? Depende de quem vê.

Piada de Monge.


Crianças brincam no lago. O templo atrás é só um detalhe.

Da série "as vezes vale a pena acordar cedo..."

Mais uma...

Amanhecer.
Um dos portões de Angkor Thom.
Ele te olha.

Um altar.
Natureza bruta.
Amor infinito.

Um buraco na parede.
E outro no teto.
Projetado para durar anos...
... e nos fazer pequenos.




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