sábado, 10 de agosto de 2013

Trekking no Annapurna: Dia 16, O FINAL - Nepal







DIA 17

Ghorepani a Nayapul e dirigir até Pokhara (850m): 5-6 horas de caminhada; 1 hora de estrada

Programação da Agência: 
Antes do amanhecer, nós subimos até o Poon Hill (3.210m) para pegar o momento espetacular do sol nascendo sobre toda a região do Annapurna e Dhaulagiri juntamente com os terraços de arroz. Poon Hill leva o apelido de “paraíso dos fotógrafos”. Depois do café da manhã, a trilha segue descendo pela floresta de Rhododendron até Ulleri. Depois do almoço nós continuamos a caminhada até Nayapul para completar a trilha, que é finalizada por uma pequena viagem de carro até Pohkhara, uma tranquila cidade na beira do lago com clima e vegetações tropicais únicas cercadas da vista dramática do Himalaya. Noite em Pokhara (850m). 



"O dia nem tinha amanhecido mas dava pra sentir que a chuva havia dado uma trégua. Eram 4h da manhã quando Prem bateu na porta do chalé de nome Edson Arantes do Nascimento (acreditam?) para que nos puséssemos em pé para a última subida dessa gloriosa trajetória de 16 dias.

Fomos dormir cedo. Estávamos cansados, podres pra ser mais sincero. A ideia de fazermos dois dias em um, ontem, cobrou seu preço: os dois estão esbagaçados – ainda mais depois de toda chuva que pegamos na subida até Ghorepani.
O terraço de Poonhill com o nascer do sol à direita.
Todo esse esforço é para que pudéssemos, hoje, ter uma vista espetacular da cadeia de montanhas que forma o Parque Nacional do Annapurna, no topo de Poonhill.
 

Pois bem, 4h30 e eu estou pronto pra sair, com tripé e material fotográfico nas costas quando olho pra Gabi e vejo aquela cara de gato de botas enrolada em três camadas de cobertor. Era óbvio que ela pularia essa última aventura.
Subimos Prem e eu para a última montanha, a despedida dos deuses do Annapurna, o dia derradeiro dessa audaciosa caminhada.



Confesso que me decepcionei com Poonhill. A vista é, de fato, espetacular mas o momento em que os turistas são levados para a fotografia do Himalaia não é dos melhores. O sol nasce atrás das montanhas deixando os picos no escuro até a hora em que já não tem mais tanto efeito fotografá-los.


Eles fazem isso porque a maioria dos trekkers precisa visitar o monte pela manhã para seguir viagem no resto do dia e dormir em Pokhara. Imagino que o pôr-do-sol seja realmente o momento mágico. De qualquer maneira, acho que não posso reclamar das fotos que fiz.
Além disso, foi um momento bacana com nosso neo-guia. Apesar da dificuldade de comunicação ele conseguiu dizer que estudará muito para falar um melhor inglês e nos levar para outros caminhos “no ano que vem”. Tomara Prem, tomara...
Prem e eu. Cadê a dorminhoca da Gabi???


Chegamos para o café da manhã com a Bela Adormecida, que acabava de acordar. O dia, que já havia começado para os homens, estava longe de acabar. Teríamos que descer outros 11km até Nayapul, coisa que se mostrou um desafio final à altura dos 16 dias de caminhada anteriores.
Começamos o trajeto com muita disposição, buscando a linha de chegada, aquele momento em que olhamos pra trás e percebemos que sim, havíamos conquistado todo o trajeto, todos os 211km de chão que ficariam eternamente na nossa memória.
E ainda tem essas coisinhas fofas no meio do caminho... 

O problema é que não foi nada fácil. O caminho de descida envolve estradas largas mas também descidas cruéis para joelhos já estourados. E parecia que não terminaríamos nunca de descer: escadarias de pedra, rampas, escadas de bambu, vilas encrustadas na pedra, enfim, tudo para que passo a passo chegássemos mais perto dos 850m de altitude que seria nosso chão.

Foi doloroso. No entanto a sensação de ver aquela vila feia, de deixar pra trás o último check point e ver aquele monte de lojinhas de souvenires com seus vendedores chatos prontos pra te empurrar mais uma camiseta brega me encheu de orgulho.

A sensação da chegada é indescritível. Olhei pra Gabi e dessa vez trocamos o choro por um sorriso de orelha à orelha. Cheios de felicidade pudemos encher a boca pra dizer “sim, nós conseguimos!”. E isso é maravilhoso!
 
Como ela falou, nessa viagem, foi o nosso maior desafio físico e mental. Não pela dificuldade da trilha ou qualquer situação de perigo que passamos. Pelo contrário, éramos os “coxinhas” do caminho, com guia, carregador, equipamentos, etc.
A dificuldade veio do trajeto de 16 dias, longo e cansativo, onde você controla mais sua mente do que seu próprio corpo para aguentar até o final. Vem também dos elementos a que você é exposto e não esta acostumado. É muito diferente andar 5km na calçada de São Paulo e na neve a 4000m de altitude. Com vento, frio, gelo, chuva e todas as bolhas no pé que se tem direito.
Tchau!!!


Sem dúvida, foi o nosso Everest, a nossa conquista particular. E fizemos tudo juntos, somando nossas forças e nossas dificuldades.
Conclusão? O time é bom, e vai continuar sendo desafiado por montanhas mundo afora, mesmo que essas montanhas tomem outras formas. Afinal, essa é a vida, não? Namastê!"

Um comentário:

jukebox disse...

Ivan e Gabi. Sensacional o blog. Parabéns! No geral vocês ainda indicam a agência que contrataram o Annapurna Circuit? Se sim, poderia me passar o nome ou contato?

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