segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Perhentian - Malaysia





Para comemorar a chegada dos meus pais em uma temporada de duas semanas conosco, decidimos leva-los à uma das praias mais bonitas da Malásia, as ilhas Perhentian. Localizadas no estado de Teregganu, na costa nordeste do país, elas quase fazem fronteira com a Tailândia e pegam todas as belezas naturais dos vizinhos sem o clima de balada 24h por dia.

Por ser uma ilha e por estarmos em alta temporada, as opções de hospedagem foram restritas e bastante precárias para os valores cobrados. Nós ficamos em Besar (na “ilha grande” do arquipélago) onde teoricamente teríamos mais infraestrutura – ledo engano: o “resort” que ficamos era super simples, com manutenção zero e nada mais do que uns chalés com quartos compartilhados, além de umas cadeirinhas de plástico na praia. Por isso, reservar com alguma antecedência é fundamental para pegar os lugares “menos piores” tendo em vista que tudo na ilha é bastante caro.

Não é a ilha do Jurassic Park, mas tem esses bichinhos por lá.
O mesmo vale para a alimentação. Tudo gira em torno do arroz ou macarrão frito, ainda que a disponibilidade de churrasco de frutos do mar (peixe, camarão e/ou lula) seja farta – mas não vá esperando aquele temperinho caseiro que esse, só no Brasil. Nessa última opção paga-se pela quantidade de gramas a serem consumidos com direito a dois acompanhamentos que podem ser uma salada e uma batata, por exemplo.

Nossa pousada "pé na areia"
Perhentian pertence ao Parque Nacional Marinho de Pulau Redang, o que significa que a pesca, coleta de corais e depósito de lixo são estritamente proibidos – o que faz do lugar um dos melhores pontos para snorkelling do país. O pacote tradicional envolve uma volta de barco com duas horas de duração normalmente nos três principais pontos da ilha: recife de corais, praia das tartarugas e ponto do tubarão.

A família feliz caminha pela bela praia em frente ao hotel.
Os nomes são auto-explicativos mas podemos dizer que na praia das tartarugas, apesar de ser um chão de areia bem sem graça, conforme o seu olho se acostuma, é possível enxergar vários dos bichinhos “pastando” lá no fundo e de vez em quando subindo para respirar. Meu pai teve um encontro digno da National Geographic quando uma imensa tartaruga verde, maior do que ele, passou lentamente do nosso lado e subiu para superfície onde descansou um pouco e voltou à sua rotina – tudo isso a menos de dois metros de distância dele! Já o ponto do tubarão, com muita sorte e depois de procurar bastante, vimos um pequeno tubarão de recife de ponta negra, que rapidamente se escondeu por entre os corais.

Outro ponto de destaque da fauna da ilha são as raposas voadoras que, se não fossem frutíferas, mais pareceriam uns assustadores morcegos gigantes e peludos, dignos de serem protagonistas de filme de terror. De cor avermelhada e com focinho de cachorro, eles fazem a maior algazarra durante o dia no maior empurra-empurra disputando espaço de ponta-cabeça nas árvores. No pôr do sol, saem em revoada para começar as atividades e encontrar o jantar entre frutas e pequenos insetos quando voam tão alto que parecem que vão encontrar a lua.

O bicho esquisito!
Outra surpresa foi quando a minha mãe, uma bióloga-autodidata-inveterada, nos arrastou logo depois do snorkelling para conhecer um bicho bastante estranho que estava agarrado no tronco de um dos coqueiros. Ali vimos nada mais nada menos que o lêmure voador sunda, típico desta região da Malásia, que pertence à família dos colugos e foi recentemente descoberto. Apesar de não voar, ele possui uma grande membrana entre as patas, o que permite que ele salte entre uma árvore e outra planando por grandes distâncias proporcionalmente ao seu tamanho.


Precisa de mais oque?
O nome “Perhentian” vem do malaio e significa “ponto de parada”, numa referência ao papel tradicional da ilha de ser um descanso para os marinheiros entre Bangkok e Malásia. 

Ainda hoje o arquipélago mantêm sua principal característica de ser uma ilha de pescadores, movimentada apenas sobre o turismo, numa tranquilidade boa  num mar de esmeralda. Para quem curte natureza mas quer sossego, areia branca e um mar com cinquenta tons de azul, esse é um bom destino!


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