Finanças




Quando começamos a tornar públicos os planos da nossa viagem, a primeira pergunta que todos nos faziam, invariavelmente, era relacionada ao dinheiro. Alguns de forma mais discreta e outros nem tanto, todo mundo queria saber quanto iria custar esta volta ao mundo – e a maioria achava que ou a gente era louco ou que tínhamos acabado de ganhar na loteria. E quando contávamos que iríamos largar o emprego então, nem se fala, os olhares eram, no mínimo, bastante desconfiados ou de reprovação.

O mais engraçado disso tudo é que a maioria das pessoas não conseguia entender a simplicidade da nossa resposta: planejamento. Como já explicamos na aba do blog que tem o mesmo nome, há mais de cinco anos colocamos a ideia na cabeça, estimamos o custo e o tempo que pretendíamos ficar fora e estabelecemos metas mensais para juntar os recursos necessários. Neste intervalo fomos lapidando a nossa planilha e percebemos, por exemplo, que não tínhamos previsto o investimento necessário para uma volta ao Brasil (custo de vida até encontrar um emprego, montar casa, etc). Adiamos a viagem por mais dois anos até que tivéssemos segurança financeira para nos jogarmos de cabeça nessa aventura.

Dito isso, a proposta fundamental deste blog é compartilhar estas nossas experiências e, se possível, inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo. Depois de 7 meses de estrada, temos convicção em dizer que, com planejamento e foco, DÁ CERTO. Para aqueles que são mais céticos com a ideia de uma volta ao mundo ser viável para pessoas comuns e reles mortais (como nós!), colocamos abaixo toda a “numerologia financeira” desta nossa viagem, distribuída por país, esperando que possa ser útil para novos aventureiros.

Lembramos que estes custos, claro, dizem respeito ao NOSSO estilo de viagem – e portanto não podem ser aplicados para todo e qualquer viajante. É importante lembrar que os gráficos e valores levam em conta (salvo raras exceções que estão destacadas) apenas o ‘custo de vida’ básico em cada país e excluem os gastos com aquilo que chamamos de atividades extras – tours, passeios mais caros, mergulhos, etc. Abaixo esclarecemos o que contempla o nosso tipo de viagem de maneira a permitir uma noção mais clara do que cabe dentro desta ‘média de gasto diário por pessoa’:

à Hospedagem: albergues, pousadas, ocasionalmente hotéis; sempre procuramos promoções online que são ótimo negócio; ficamos em albergue algumas vezes mas, como casal, sempre preferimos quarto privado quando a diferença de preço não é tão grande; também fizemos CouchSurfing em alguns países o que é uma experiência incrível;

-  Alimentação: normalmente duas refeições por dia (café da manhã e um almoço/jantar); adoramos comida baratex de rua mas não dispensamos ocasionalmente um jantar num bom restaurante; quando possível cozinhamos ou fazemos lanche de supermercado;

Transporte: sempre usamos transporte público e normalmente por terra (metrô, ônibus, lotação, trem); voamos apenas como última alternativa ou se o custo/benefício for muito grande; usamos taxi para deslocamentos pequenos mas quase nunca como transporte privado;

-> Entradas: museus, parques, reservas, etc; não temos carteirinha de estudante internacional (vacilo!) mas buscamos dias que são mais baratos;

-> Passeios: passeios pequenos de um dia, normalmente para lugares onde é mais caro (ou complicado) negociar um preço sem uma agência de viagens;

-> Outros: lavanderia, guias de viagem, cartão pré-pago e crédito para celular, postagem de correio, gorjetas, água quente, yoga, massagem, etc;

Dá para fazer por menos? Claro que dá! Um mochileiro solteiro que queira ficar em dormitório de albergue e comer sanduíche na maioria das vezes consegue baixar estes gastos. Por outro lado, alguém que tenha padrões muito rígidos com relação à limpeza e conforto das pousadas e pouca paciência com o transporte público, certamente teria dificuldades de se manter com estes valores diários.

Mais para frente vamos publicar a matriz completa da nossa super planilha financeira, onde fizemos todo o planejamento da viagem e onde também lançamos nossos gastos diariamente para não perder o controle – fundamental.

Dúvidas e/ou sugestões são super bem vindas! Aproveitem!


ÁFRICA DO SUL


O país não é dos mais baratos porém conta com boa infraestrutura para transporte e os albergues são excelentes. Essa média não inclui safaris, mas contempla passeios como Table Mountain e Cabo da Boa Esperança (Cape Town), por exemplo.




MOÇAMBIQUE

Fizemos CouchSurfing em Maputo (incrível!) e ficamos uma semana na praia do Tofo o que nos fez gastar menos com transporte. Comida é maravilhosa e barata (principalmente pra quem gosta de frutos do mar). Transporte público é bem ruim - normalmente lotação.

TANZANIA, QUÊNIA E UGANDA

Nesses países nos juntamos a um tour com tudo incluso (transporte, acomodação, alimentação e alguns passeios - safaris basicamente) chamado de Overlanding. Por isso fica impossível determinar os gastos prováveis para um viajante independente. Para mais informações sobre overlanding entre em contanto conosco.


ETIÓPIA

O país mais baratex da viagem até agora. É impossível gastar muito segundo essa nossa trilha do bom-bonito-barato. Come-se excepcionalmente bem e os hotéis são uma pechincha. O grande problema aqui é o transporte. Muito precário e sempre lotado – quase uma tortura. Dá pra voar, mas aí paga-se mais caro.






EGITO

O Egito é relativamente barato comparado a outros países do oriente médio. Com exceção do Cairo (fizemos CouchSurfing), hospedagem também pode ser boa e barata. A comida é maravilhosa e bem em conta. O que salga o orçamento são os tours obrigatórios em Luxor, Abu Simbel e cia (contabilizados na média diária). Aqui não estão inclusos os gastos com mergulho no Mar Vermelho.



ISRAEL

Definitivamente Israel não é para mochileiros (apesar dos israelenses serem os maiores mochileiros do mundo – estão em todo lugar!). Aqui tivemos que rebolar pra ficarmos em albergues caros e comer muita comida de feira – dá-lhe falafel! Por outro lado a infraestrutura de transporte é a melhor da viagem até agora (wifi no busão!). Prepare a carteira.





JORDÂNIA

O país em que a moeda vale mais que o dólar americano pode assustar o bolso. Porém, com algum cuidado pode-se driblar essa condição comendo-se bem e ficando em hotéis médios com algum conforto. Essa média inclui tudo que fizemos no país, como passeios (Petra, Wadi Rum, Madaba, etc) e até o aluguel de um carro por uma semana (recomendadíssimo).


TURQUIA

Com cara de Europa e preços de Oriente Médio a Turquia se mostrou um país bem acessível para o mochileiro que quer um pouco mais de sofisticação. Bom transporte público, comidas de rua baratas e deliciosas e hotéis com boas promoções. Os custos incluem todos os passeios e até o aluguel de um apartamento em Istanbul. Não inclui o obrigatório passeio de balão na Capadoccia.



SRI LANKA

País que acolhe bem os mochileiros e ainda é pouco explorado. Comida muito barata, atrações que não exigem tours e muitas vezes são gratuitas. O transporte é razoável porém de massa – sempre lotado. As acomodações mais baratas não são lá muito boas mas sobrevive-se... Aqui estão retratados 100% dos nossos custos – não houve atividades extras.



INDIA

O país dos contrastes. No geral é bem barato viajar por aqui, e há opções para todos os bolsos, do Maharaja ao estudante pé-rapado! Fizemos o país todo de trem (opção mais segura e barata) e ficamos sempre em pousadas de família, com exceção do Rajastão, onde os havelis são uma atração em si, sendo vários deles bastante acessíveis. Com exceção do safari de tigres, todos os outros gastos estão incluídos nessa média.




NEPAL

Talvez o Nepal seja o país mais amigável para mochileiros que querem gastar pouco. Tudo se concentra em torno dos diversos trekkings pelas montanhas do país e pode-se fazer quase tudo de maneira independente. Os hotéis são super baratos (as vezes até de graça) se você se comprometer a comer no restaurante deles. Aqui mostramos os nossos gastos incluindo um trekking de 17 dias no Annapurna com guia e carregador (é o asterisco no campo "passeio").



7 comentários:

Marcos disse...

ANIMAL!!!

Anônimo disse...

Vi a dica sobre o blog no VnV, e como comentei por lá, sabia que iria adorar. Devorei! Escrevem muito bem, de forma clara e objetiva. Gostei tanto de tudo que não sabia onde deixar esse comentário porém, como também tenho um grande perfil planejador e como vcs, planejo tudo com antecedência, busco opções com bom custo x beneficio e de preferencia economica, e no final avalio tudo no excel, achei que aqui seria o lugar ideal. Parabéns pela blog e uma ótima viagem...

Marcelo Cavalheiro disse...

Simplesmente magico! .... Faço votos de Força, paz e fé. Que tragam na bagagem aprendizados que agreguem e que façam a diferença que o mundo precisa. Parabéns

Anônimo disse...

Galera, vcs são sensacionais.
Perdi o sono e devorei o blog.

Escrevem muito bem, são práticos e claros... e conseguiram verbalizar com sucesso coisas que outros blogs "bateram na trave".
As fotos são avassaladoras. Sugiro que vcs concorram em editais de Fotografia (premiação individual ou para fazer exposição em espaços culturais).

Fico feliz por serem um casal tão bem sucedido.

Um super abraço e continuem escrevendo!

Jaques Bushatsky disse...

Gabi e Ivan, as viagens são melhores do que a Celina contou! Continuem firmes e contem pra gente.
Jaques

carmen cutti disse...

conheci seu bolg atraves de uma busca as praias de santo andré na bahia achei o máximo valeu pessoal fiquei maravilhada com o luar

Anônimo disse...

Olá! Queria dica de couchsurfing em Cairo. Onde vocês ficaram?
Obrigada, Nathalia

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